sexta-feira, 7 de março de 2014

Futuro e Não-futuro


"Existe hoje somente uma civilização, uma única máquina global de domesticação. Os
contínuos esforços da Modernidade para desencantar e instrumentalizar o mundo natural não-cultural tem produzido uma realidade na qual virtualmente nada é deixado fora do sistema. Esta trajetória já era visível nos tempos das primeiras urbes. Desde aqueles tempos Neolíticos nos movemos mais perto da completa des-realização da natureza, culminando hoje num estado de emergência mundial. A aproximação à ruína é uma visão comum, nosso óbvio não-futuro.
Quase não é necessário destacar que nenhuma das reivindicações da modernidade/Iluminismo (em relação à liberdade, razão, indivíduo) são válidas. A
modernidade é inerentemente globalização, massificação, padronização. A autoevidente conclusão de uma expansão indefinida das forças produtivas será o golpe fatal à crença no progresso. Na medida em que a industrialização da China avança
aceleradamente, temos um outro caso gráfico posto.
Desde o Neolítico, existiu um constante crescimento da dependência da tecnologia, a
cultura material da civilização. Como Horkheimer e Adorno colocaram, a história da
civilização é a história da renúncia. Obtém-se menos do que se coloca. Esta é a fraude
da tecnocultura, e o centro oculto da domesticação: o empobrecimento crescente de si, da sociedade e da Terra. Enquanto isso, os sujeitos modernos têm esperança que, de alguma maneira, a promessa de uma ainda maior modernidade irá curar as feridas que os afligem. "


 - John Zerzan  




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