quarta-feira, 21 de maio de 2014

Demiurgo

As causas do bem e do mal é o egoismo,o desejo da individualidade, e esse promove um mundo. Daí compreende-se a alegoria da "queda dos anjos", da arvore do conhecimento do bem e do mal e outras - esse mundo é chamado Demiurgo- o mundo da separatividade,da forma, do dualismo, .No Demiurgo há contido o bem e o mal , um mundo inferior, onde na concepção Gnostica ( ou melhor, Metafisica) afirma-se só pode existir libertação das "garras" do Demiurgo quando atinge-se a compreensão completa: percebe-se a distinção entre materia e espirito falsa, pois tudo surge emanado do "além" Demiurgo; logo,nessa doutrina, o que existe é "espirito" com seus graus (não deve ser entendido como espirito individual) . Quando atinge essa compreensão, o homem contempla tudo , faz parte de tudo, inclusive ele  - sente-se unido 'a divindade além Demiurgo, e é por isso que a Contemplação é o estágio mais alto e ultimo na alta espiritualidade - superior 'a devoção, ao entendimento e 'a meditação; porém, esses 3 estágios podem ser necessarios para atingir o ultimo ou em acordo com a personalidade de cada um. Atingido tal estágio de compreensão profunda, liberta-se além da "materia" ,inclusive do mundo psiquico, pois "somente os pneumáticos estão libertos" - liberto de nascimentos mortais. Consciente do mundo "material"  e psiquico ( de tais  mundos quem os ultrapassa , nasce "duas vezes": transcende a forma "não sou o corpo" e o psiquismo "não sou a alma") atinge  o 3 mundo, pneumatico , une-se 'a  Atmã, o Espirito Universal , o Pleroma : é o verdadeiro yogui.

* pneumaticos: os possuidores da gnose (o Conhecimento)



texto base: o Demiurgo - Rene Guenon

quinta-feira, 15 de maio de 2014

Sabedoria Perene: a oração Nativa





"Ó Grande Espírito!
Cuja voz oiço nos ventos e cujo sopro dá vida a todo o mundo.
Ouve-me! Sou pequeno e débil.
Preciso da tua força e sabedoria.
Deixa-me caminhar na Beleza, e faz com que os meus olhos
contemplem para todo o sempre o pôr-do-sol vermelho e púrpura.
Faz com que as minhas mãos respeitem todas as coisas que criaste
e que a minha audição esteja atenta para ouvir a tua voz.
Torna-me sábio para que possa compreender
as coisas que ensinaste ao meu povo.
Deixa-me aprender as lições que escondeste
em cada folha e em cada rocha.
Eu busco força, não para ser maior que o meu irmão,
mas para lutar contra o meu maior inimigo – eu.
Faz com que esteja sempre pronto para chegar a ti
com as mãos limpas e olhos rectos.
Para que quando a vida se desvanecer, como um pôr-do-sol,
o meu espírito possa chegar a ti sem vergonha."


(oração Nativa )

segunda-feira, 5 de maio de 2014

A Extrema Crueldade


"Existe uma grande variedade na crueldade religiosa: mas três tipos são os mais importantes. Sacrificavam-se homens ao Deus e precisamente aqueles mais amados entre os outros — a esta categoria pertenciam os sacrifícios das primícias, comum a todas religiões pré-históricas e também o sacrifício do imperador Tibério na gruta de Mitra na ilha de Capri, o mais horrível de todos os anacronismos romanos. Depois durante a época moral da humanidade sacrificou-se ao próprio Deus os próprios instintos mais poderosos, a “natureza”; a alegria de tais sacrifícios brilha no olhar cruel do asceta, do fanático contra-natura. Finalmente o que restava a sacrificar? Não se chegaria ao ponto de sacrificar tudo aquilo que havia de confortante, de sagrado, de sadio, a ponto de sacrificar a esperança, a fé numa secreta harmonia, na beatitude e na justiça eterna? Não se devia sacrificar ainda a Deus e por crueldade contra si mesmo adorar a pedra, a estupidez, a força da gravidade, o destino, o nada?

Sacrificar Deus ao nada — este mistério paradoxal da extrema crueldade foi reservado à geração presente: todos nós já sabemos alguma coisa."

- Nietzsche : Além do Bem e do Mal (3 Parte- O caráter religioso)