quarta-feira, 8 de junho de 2011

Autoestima


Pergunta básica: que é autoestima??
Resposta básica: o valor que o Ego se dá aos olhos do outro.
Qual o seu valor? 
Muitos de nós não conseguimos responder essa simples pergunta acima, pois é no espelho das relações durante nossa vida que a resposta se apresenta. São "as  coisas  do  Ego ".
As relações podem ser tanto tempestuosas como afetuosas, onde podem ou não esconder ou aflorar a realidade de cada um de nós.
A questão, então, resume-se em olhar-se pra sí mesmo nas relações, como no espelho.
Esse olhar chama-se autoconhecimento, e é nele que refletimos algo. Esse algo será visto pelo outro que está relacionando contigo. É evidente que dependendo das coisas em que "vibramos" , será essas mesmas "vibrações" atraídas pelo outro. É por isso que cada um de nós atrai a mesma "vibração" a que estamos sujeitos, ou vivendo. A capacidade do outro, talvez  inconscientemente observar isso, é imensurável: sempre ocorre; e, talvez, esse seja um "mistério" da natureza da psiqué.
A autoestima surge desde a infancia, onde as relações com os pais e vivências posteriores, ditarão algum "grau" da atual autoestima, das coisas do Ego. Tais acontecimentos, que em um caso podem refletir baixo grau de autoestima, mostram algo traumatico onde o Ego não conseguiu compreender, aceitar e posteriormente transcender como consequencia dessa compreensão. Quanto maior a intensidade de uma criança sentir-se amada, maior ela se tornará segura quando adulta. Quanto mais compreensão dessas simples regras que surgem através do autoconhecimento, menos insegurança, menor descontrole emocional, menos confusões e dificuldades em sua vida e em seus relacionamentos.
Fato importante a se observar, a autoestima não é a aparencia externa, apesar que a mesma pode refletir uma pessoa muito vaidosa (que pode esconder o medo em ser julgada pelos outros) ,onde pode refletir tanto a baixa quanto a alta autoestima, assim como também em uma pessoa não vaidosa possa ou não se sentir segura, sem qualquer objeto ligado 'a vaidade.
Os sinais que podem mostrar  baixa autoestima ,dentre muitos, são a dependencia emocional, a necessidade em ser aceito ou aprovado ou agradar, o medo de errar ou o perfeccionismo, a ansiedade, a mentira, o sentimento em não ser capaz de realizar, a raiva,a inveja,o ciumes (ou insegurança), a possessividade, a manipulação, as confusões nos relacionamentos.
Observando-se no espelho das relações ,seja idéias, natureza ou pessoas, o Ego poderá se dar algum valor, e esse sempre será visto pelo outro que vibra na mesma intensidade, onde infelizmente e geralmente, também está inconsciente de tais "vibrações" . Essa mesma observação, evidente, deve ser feita sem a fuga que promove o medo, muito menos o orgulho.
A grande transformação que ocorre em  um Ego  , é quando compreender todo esse processo , e nenhuma busca, nenhuma importancia dar  'a autoestima ! Quando isso acontecer, nasce a verdadeira humildade, pois ambas, autoestima e humildade  são duas facetas separadas e talvez contraditórias aos olhos do Ego, porém, são  a mesma coisa!


terça-feira, 7 de junho de 2011

Sexo e Amor


Problemático quando torna-se um vício, ou quando se busca apenas para satisfação pura e simples,o sexo geralmente confunde-se com o Amor , gerando , evidentemente, conflitos, manipulações, desinteresses além do ato em sí.
Tal busca surge de um evidente estado de insatisfação, que gera a carência pela amarga realidade de algo que não vai bem no dia a dia, onde há o "preenchimento" de algo que está faltando, e esse algo é que faz o movimento em busca ao prazer, uma fuga real do Ego 'a dor.
Há os que não dão valor a nada além do ato em sí, assim como há os que o condicionam ao sentimento, a algo "mais nobre".
No "estado" que o sexo produz, experimenta-se uma completa ausência de si mesmo, experimentando a tão almejada felicidade, na libertação dos conflitos, problemas e confusões. Nesse "estado ausente" há apenas o presente, sem passado nem futuro, sem confusões, dores, tristezas e conflitos de especie alguma, seja consigo ou com outro, na qual observamos em todos os niveis das relações, pois, afinal, todo o esforço para se reforçar, para se "centrar" o 'Eu' religiosa, economica e socialmente, não se apresenta. E é esse reforço do "Eu" que gera a competição e violencia entre os seres humanos ,estejam conscientes ou (geralmente) inconscientes desse processo.
É a plena felicidade que surge na ausencia do "Eu" e seus conflitos, que de um modo inconsciente, pode estar sendo essa felicidade procurada quando do ato em sí, além do prazer .
Por isso, inconscientes dessa ação e reação de fuga 'a dor, deseja-se mais e mais.
O problema, então, não está no sexo em sí, mas sim como livrar-se dos conflitos que o "centro" produz.
Nessa ausencia do "Eu" é que se apresenta o Amor, a felicidade, a doação,a sensibilidade, o importar-se sem nada em troca, o querer elevar o outro, a comunhão verdadeira e tão rara entre um casal, onde inclusive o sexo torna-se algo completamente diferente em seu significado, e tudo isso não se pode condicionar a quaisquer fatores que o "Eu" tente dominar ou manipular .

(percepções sobre a vida e textos relativos 'a psiqué (k.))

domingo, 5 de junho de 2011

Amor


Já refletiste sobre o que é amor? É ele essa tortura que conhecemos? Essa espécie de amor poderá ser bela no começo - quando dizemos a alguém: “amo-te” - mas depressa se deteriora, convertendo-se numa relação em que prepondera a posse, o domínio, o ódio, o ciúme, a ansiedade, o medo.
Agora, que é amor, que é ele realmente, e não como gostaríamos que fosse?
O que gostaríamos que fosse o amor é uma mera idéia, um conceito. Devemos começar com o que é, e não com o que deveria ser. Devemos começar com o fato, e não com as opiniões e conclusões alheias.
Que é realmente o nosso amor? Nele há prazer, dor, ansiedade, ciúme, apego, ânsia de posse, de domínio, e o medo de perdermos o que possuímos. Há o amor existente nas relações entre duas pessoas, e há amor a uma idéia, uma fórmula, uma utopia, ou a Deus. O amor que temos é o conhecido, com todos os seus sofrimentos e sua confusão; nele, há a tortura do ciúme, os horrores e penas da violência, o prazer sexual, a possessividade, o ciumes, a desconfiança.
É isso que conhecemos.
Devemos perguntar: É o amor prazer, desejo, pensamento? Pode o amor ser continuamente cultivado? Sem o amor, o sentimento de compaixão, sua chama, inteligência, tem a vida muito pouco significado.
Você pode inventar um propósito para a vida, a perfeição, conhecer tudo sobre a profissão, mas sem a beleza fundamental do amor, fica a vida sem sentido. Para a maioria das pessoas, amor é posse. Mas, havendo ciúme, inveja, existirá também crueldade, ódio. O amor só existe e cresce na ausência do ódio, da inveja, da ambição, da possessividade. Sem amor, a vida é como terra estéril, árida, dura, brutal. Porém, no momento em que existe afeição, ela é como a terra que floresce com água, com chuva, com beleza.
Uma de nossas dificuldades é que associamos amor com prazer, com sexo. Amor, para a maioria de nós, significa ciúme, ansiedade, possessividade, apego. A isso chamamos amor. Mas o amor é apego? É o amor prazer? O amor é desejo? É o amor o oposto do ódio? Se é oposto do ódio, então não há amor. Você pode compreender isso? Quando alguém tenta se tornar corajoso, esta coragem é nascida do medo. Portanto, o amor não pode conter o seu oposto. O amor existe onde não há ciúme, agressividade, ódio. Todos nós possuímos capacidade para um amor profundo e abrangente, porém, pelo conflito e pelas falsas relações, pela sensação e pelo hábito, destruímos sua beleza. Não podemos manter a chama artificialmente acesa, mas podemos despertar a inteligência, o amor, pelo constante discernimento das múltiplas ilusões e limitações que presentemente dominam a nossa mente-coração, todo o nosso ser.
O amor não é sentimentalidade, não é emocionalismo, nem devoção. É um “estado de ser” lúcido, são, racional, incorrupto, do qual procede a ação total, a única que pode dar a verdadeira solução a todos os nossos problemas.Se ficardes vigilante, vereis o papel importante que o pensamento representa na vida.
O pensamento tem, naturalmente, seu devido lugar, mas não está em nenhum aspecto relacionado com o amor. O amor é um estado de ser em que não existe pensamento; a própria definição do amor é um processo do pensamento, e assim, não é amor.
Será que realmente conhecemos aquele “estado de ser” extraordinariamente vivo e lúcido, que é o amor ?
A maioria de nós tem muito pouco amor no coração. Por não termos amor, encontramos em geral um meio de aliviar-nos, seguindo uma certa via de “autopreenchimento”, que pode ser sexual, sentimental, apaixonante, intelectual, ou de ordem neurótica; de maneira que nossos problemas crescem e se tornam mais e mais agudos.
O amor não é coisa da mente, e não se pode pensar no amor. O amor só pode existir quando ausente o pensamento do “eu”, e o libertar-nos do “eu” só se consegue pelo autoconhecimento.
Vereis, então, que o amor nada tem que ver com os sentidos, e que ele não é um meio de preenchimento. O amor só pode existir depois de extinta a atividade do “eu”. Vós, porém, chamais essa atividade do “eu” positiva;mas a mesma leva à destruição, à separação, à aflição, à confusão, E, todavia, todos nós falamos de cooperação, de fraternidade, quando basicamente, o que desejamos é ficar apegados às nossas atividades egocêntricas.

Você ama alguém? Este amor contém ciúme posse, dominação, apego?
Então não é amor! É apenas uma forma de prazer, entretenimento, preenchimento!
Quando há sofrimento, não pode haver amor e, portanto, nenhuma inteligência. O amor tem sua própria inteligência.
Só o amor pode transformar o mundo. Sistema algum pode trazer a paz e a felicidade. O amor não é um ideal; ele surge onde existe a compaixão de todos para com todos. Esse modo de ser se apresenta com a riqueza da compreensão.



(J. Krishnamurti)

sábado, 4 de junho de 2011

Crime e Castigo (e a linguagem poético-mística...)


"Muitas vezes vos ouvi falar daquele que comete um crime como se não fosse um de vós mas um intruso no vosso mundo.
Mas digo-vos que, tal como os santos e os justos não se podem erguer mais alto do que o mais alto que existe em cada um de vós, também os maus e os fracos não podem cair mais baixo do que o mais baixo que existe em vós. E tal como uma simples folha só amarelece em conjunto com toda a árvore, Também aquele que comete um crime não o pode fazer sem a anuência secreta de todos vós.
Como numa procissão, caminhais juntos em direção ao vosso eu interior. Vós sois o caminho e o caminhante e quando um de vós cai, cai por aqueles que vêm atrás, para os avisar da pedra que encontraram no caminho. E cai por aqueles que vão à sua frente, que, embora mais rápidos e seguros, não estão livres de tropeçarem na mesma pedra.
E notai que, embora a palavra vos pese no coração:
O assassinado não está isento de responsabilidade pelo seu próprio assassínio, e o roubado não está isento de culpas por o ter sido. O justo não está inocente dos feitos do malvado, e o que tem as mãos limpas não está limpo dos atos do culpado. Sim, o culpado é por vezes vítima do ofendido.
E ainda mais vezes é o portador do fardo dos inocentes e retos. Não podeis separar o justo do injusto e o bom do mau;
Pois eles andam juntos ante a luz do sol, tal como juntos são tecidos os fios brancos e negros;
E quando o fio negro quebra, o tecelão examina todo o tecido e também todo o tear.
Aquele que quiser flagelar o ofensor olhe para o espírito do ofendido. E se algum dá vós punir em nome do que é justo e cortar com o machado a árvore do mal, deixe então que se vejam as raízes;
E encontrará as raízes do bom e do mau, do que dá frutos e do que não dá , entrelaçadas no coração silencioso da terra. E vós, juizes, que quereis ser justos, que condenação ireis dar àquele que, embora honesto de corpo, é um ladrão de espírito? Que castigo ireis dar àquele que flagela a carne e também flagela o espírito? Como procedereis com aquele que nos seus atos é falso e opressor, mas que, no entanto, é também enganado e oprimido? E como ireis punir aqueles cujos remorsos são maiores do que os crimes que cometeram? Não será o remorso a justiça que é administrada pela própria lei que quereis servir?
No entanto, não podereis impor o remorso ao inocente, nem arrancá-lo do coração do culpado. Subitamente, à noite, ele convocará os homens para que olhem para si próprios. E vós, que deveis entender a justiça, como o podereis fazer a menos que olheis para os fatos à plena luz?
Só assim sabereis que o ereto e o caído são um único homem no crepúsculo entre a noite da sua pequenez e o dia da sua espiritualidade, e que a pedra mãe do templo não é mais alta que a mais funda pedra dos seus alicerces."

(trecho do livro O Profeta,de Gibran Khalil Gibran)
- Gibran, no alto de uma profunda compreensão, nos fornece em forma poética e mística, a necessidade em nos vermos como agentes das ações e reações , onde normalmente procedemos de forma inconsciente. Quem dispõe de coragem suficiente em olhar-se?

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Imagem



Enquanto alguém tiver uma imagem de si próprio, ficará magoado. Essa é uma das infelicidades na vida; O que é isso que se sente ofendido? É a imagem de si mesmo, que cada um há construído. Se a pessoa estivesse totalmente livre de imagens, não seria afetado nem pelas ofensas nem pela adulação. Agora quase todos encontram segurança na imagem que hão construído de si mesmos, que é a imagem criada pelo pensamento. De modo que, observando isso, perguntamo-nos se essa imagem, construída desde a infância, pode terminar completamente. Porque só então poderemos ter algum tipo de relação com os outros. Na relação, quando não há imagem, não há conflito.
Ao inquirir desse modo, como temos de reconhecer as confusões, as contradições, o movimento total da consciência? Temos de reconhecê-lo pouco a pouco? Tomem, por exemplo, o estigma psicológico que cada ser humano experimenta desde a infância. Ele é ferido psicologicamente pelos pais, depois na escola, na universidade, por causa da comparação, da competência, que ele tem que ser superior aos outros. Durante toda a vida, existe esse constante processo de ser reprimido. Sabemos disto, que todos os seres humanos se acham profundamente recalcados, ainda que possam não ser conscientes disso e que, por causa dessas marcas psicológicas, surgem todas as formas de ação neurótica. Tudo isso é parte da consciência de cada um de nós; a parte oculta e a parte que se revela.
Pois bem, seria possível nunca ficarmos ofendidos? Porque, em conseqüência dessas marcas psicológicas, construímos um muro ao redor de nós mesmos e nos afastamos de nossa relação com os demais, para que não voltem a nos reprimir. E nisso há temor e um paulatino isolamento. Perguntamo-nos, pois: seria possível não só ficarmos livres dos estigmas passados, mas também jamais nos ferirmos de novo? - porém não mediante a insensibilidade, a indiferença ou o descuido de nossas relações.
Deve o indivíduo investigar por que se sente complexado e que é sentir-se magoado. Essas marcas psicológicas fazem parte da consciência de cada um de nós, e delas emanam diversas ações neuróticas e contraditórias. Não é algo que está fora de nós, senão que é parte de nós mesmos.
Essas imagens são a essência do “si mesmo”; quando ele diz que se sente magoado, quer dizer que as imagens estão ofendidas. Se tem uma imagem de si mesmo, e vem outro e diz: “Não seja néscio!”, fica ele magoado. A imagem própria que há fabricado é o “eu”, e essa imagem fica recalcada. Carrega-se essa imagem e essa ferida psicológica pelo resto da vida. As conseqüências de nos sentirmos magoados são muito complexas. Seria, então, possível não se ter nenhuma imagem de si mesmo? Por que tem ele uma imagem de si próprio? Pode um indivíduo ter boa aparência, ser brilhante, inteligente, perspicaz, e um outro deseja ser como ele, e, se não é, se sente magoado. A comparação pode ser um dos fatores que contribuem para que fiquemos psicologicamente recalcados.
Existe, pois, uma maneira de encarar o fato sem que intervenha um só motivo? Ou seja, você não tem um motivo, e pode ser que a outra pessoa, sim, tenha um motivo. Então, se você não tem motivo, como está olhando o fato? O fato não é diferente de você, você é o fato. Você é a ambição, é o ódio, é a inveja, é a cobiça, é o desespero. Há uma observação do fato que é você mesmo, na qual não intervém nenhuma explicação, nenhum motivo. É isso possível? Porém, quando você vê o absurdo de uma acepção semelhante, então está obrigado a ver que todo esse tormento é você mesmo; o inimigo é você, não a outra pessoa.
À lembrança de experiências, a mágoas, a apegos, a tudo isso. Ora, isso pode ter um fim? Naturalmente que sim. Eis a questão: isso pode ter um fim quando a própria percepção indaga: “o que é isso?” O que é a mágoa? O que é o dano psicológico? A percepção disso é o fim disso; é não o levarmos adiante, que é o tempo (Psicológico- o "vir-a-ser").
Naturalmente. Se eu não estiver ferido, não saberei nada a respeito da separação ou da não-separação. Se eu estiver ferido, serei irracional enquanto mantiver essa mágoa.
Tenham um insight, por exemplo, das mágoas e sofrimentos que uma pessoa trouxe da sua infância. Todas as pessoas são magoadas, por várias razões, desde a infância até a morte. Há essa ferida, nelas, psicologicamente.Você pode ir a um psicólogo, a um analista, a um terapeuta, e ele poderá descobrir por que você está magoado; mas não será pela mera investigação da causa que a mágoa será resolvida.
Ela está lá. As conseqüências dessa mágoa são o isolamento, o medo, a autodefesa, para evitar que você seja ferido novamente; portanto, há o fechamento em si próprio. Esse é o mecanismo da mágoa. A mágoa é a imagem que você criou de você mesmo. Por isso, enquanto essa imagem permanecer, você estará ferido, obviamente.
Pois bem, ter um insight disso tudo sem análise - percebê-lo instantaneamente - essa própria percepção é insight; ela exige toda a sua atenção e energia; nesse insight a mágoa é dissolvida. Ele dissolverá sua mágoa completamente, não deixando nenhuma marca; portanto, ninguém jamais poderá feri-lo outra vez. A imagem que você criou de você mesmo não existe mais.

(Jiddu Krishnamurti)

sexta-feira, 27 de maio de 2011

A Divina Comédia




Inferno- Quando Dante se encontra no meio da vida, ele se vê perdido em uma floresta escura, e sua vida havia deixado de seguir o caminho certo. Ao tentar escapar da selva, ele encontra uma montanha que pode ser a sua salvação, mas é logo impedido de subir por três feras: um leopardo, um leão e uma loba. Prestes a desistir e voltar para a selva, Dante é surpreendido pelo espírito de Virgílio - poeta da antigüidade que ele admira - disposto a guiá-lo por um caminho alternativo. Virgílio foi chamado por Beatriz, paixão da infância de Dante, que o viu em apuros e decidiu ajudá-lo. Ela desceu do céu e foi buscar Virgílio no Limbo. O caminho proposto por Virgílio consiste em fazer uma viagem pelo centro da terra. Iniciando nos portais do inferno, atravessariam o mundo subterrâneo até chegar aos pés do monte do purgatório. Dali, Virgílio guiaria Dante até as portas do céu. Dante então decide seguir Virgílio que o guia e protege por toda a longa jornada através dos nove círculos do inferno, mostrando-lhe onde são expurgados os diferentes pecados, o sofrimento dos condenados, os rios infernais, suas cidades, monstros e demônios, até chegar ao centro da terra, onde vive Lúcifer. Passando por Lúcifer, conseguem escapar do inferno por um caminho subterrâneo que leva ao outro lado da terra, e assim voltar a ver o céu e as estrelas.

Purgatório- Saindo do inferno, Dante e Virgílio se vêem diante de uma altíssima montanha: o Purgatório. A montanha é tão alta que ultrapassa a esfera do ar e penetra na esfera do fogo chegando a alcançar o céu. Na base da montanha encontram o ante-purgatório, onde aqueles que se arrependeram tardiamente dos seus pecados aguardam a oportunidade para entrar no purgatório propriamente dito. Depois de passar pelos dois níveis do ante-purgatório, os poetas atravessam um portal e iniciam sua nova odisséia, desta vez subindo cada vez mais. Passam por sete terraços, cada um mais alto que o outro, onde são expurgados cada um dos sete pecados capitais. No último círculo do purgatório, Dante se despede de Virgílio e segue acompanhado por um anjo que o leva através de um fogo que separa o purgatório do paraíso terrestre. Finalmente, às margens do rio Letes, Dante encontra Beatriz e se purifica, banhando-se nas águas do rio para que possa prosseguir viagem e subir às estrelas.

Paraíso- O Paraíso de Dante é dividido em duas partes: uma material e uma espiritual (onde não há matéria). A parte material segue o modelo cosmológico de Ptolomeu e consiste de nove círculos formados pelos sete planetas (Lua, Mercúrio, Vênus, Sol, Marte, Júpiter e Saturno), o céu das erelas fixas e o Primum Mobile - o céu cristalino e último círculo da matéria. Ainda no paraíso terrestre, Beatriz olha fixamente para o sol e Dante a acompanha até que ambos começam a elevar-se, transumanando. Guiado por Beatriz, Dante passa pelos vários céus do paraíso e encontra personagens como São Tomás de Aquino e o imperador Justiniano. Chegando ao céu de estrelas fixas, ele é interrogado pelos santos sobre suas posições filosóficas e religiosas. Depois do interrogatório, recebe permissão para prosseguir. No céu cristalino Dante adquire uma nova capacidade visual, e passa a ter visão para compreender o mundo espiritual, onde ele encontra nove círculos angélicos, concêntricos, que giram em volta de Deus. Lá, ao receber a visão da Rosa Mística, se separa de Beatriz e tem a oportunidade de sentir o amor divino que emana diretamente de Deus, o amor que move o Sol e as outras estrelas.

terça-feira, 24 de maio de 2011

o Mito do amor romântico


No mito romântico, o amor é a força misteriosa que surge do nada e nos traz felicidade. A incrível porcentagem de 95% de todas as referências ao amor feitas pela mídia moderna baseia-se na promessa de relacionamentos românticos e nos problemas deles derivados. Na visão de Hollywood, os apaixonados são jovens, lindos e predestinados uns aos outros, apesar de precisarem passar por muitas adversidades antes de conseguirem a feliz realização de seu amor.

Origem
A obsessão moderna pelo amor romântico pode nos levar a crer que as coisas essenciais da vida sempre foram um beijo, um suspiro e um toque da “velha magia chamada amor”. Mas o mundo nem sempre reverenciou dois amantes dessa maneira cinematográfica. O amor romântico tem sido a exceção, e não a regra. Na maioria das sociedades pré-modernas, os casamentos foram “arranjados” por motivos práticos e políticos. Foram os cavaleiros e trovadores da Idade Média que inventaram o código medieval de conduta para namorados e idealizaram o romance, mas exclusivamente para a elite. O romance para as grandes massas surgiu com o nascimento do capitalismo e do individualismo, alcançando um nível febril entre consumidores modernos de novelas e revistas que versam sobre o amor falso e verdadeiro, cheias de receitas rápidas para a intimidade e conselhos para os perdidamente apaixonados. A necessidade de novidades relacionadas ao reino de Afrodite é constante e insaciável. Pesquisas de opinião, questionários e indagações intermináveis sobre nossos hábitos eróticos estimulam a crença questionável que temos de estar aprendendo novas técnicas e progredindo no jogo do amor.

Impacto
Nossa fixação míope por romance e sexo encoraja uma teoria de "atração fatal", que nos transforma em vítimas que "se apaixonam" e “se desapaixonam” em razão de química ou que não conseguem se apaixonar em virtude de má sorte, abuso sofrido na infância ou famílias desestruturadas. Isso estimula a crença vã de que um relâmpago erótico vai nos atingir diretamente vindo dos céus e, espontaneamente, enriquecer e dar sentido às nossas vidas.

Apesar do profundamente enraizado desejo ardente por romance, quase toda a nossa energia é devotada no sentido de conseguir sucesso, prestígio, dinheiro e poder, e quase nenhuma no de aprender a arte de amar. Quando limitamos nossa busca por amor a uma ligação de somente duas pessoas negligenciamos o âmbito maior no qual precisamos praticar o amor – a família, a vizinhança, o meio-ambiente, a natureza, a comunidade de seres não-humanos sensíveis que incluem pássaros e feras.

O erro das teorias modernas sobre o amor é se dedicar exclusivamente a dois seres individuais solitários que se unem para formar uma ilha em um mar hostil povoado de outros seres anônimos e de vizinhos desconhecidos. A maioria das teorias pré-modernas considera o amor como um elixir que gradualmente dissolve as fronteiras que erigimos entre nosso próprio ser e os outros, progressivamente impulsionando o ego para além do individualismo e do santuário da intimidade, na direção de uma comunidade cada vez mais inclusiva.

A conseqüência mais séria gerada por nossas preocupações com o jogo de achar nossos pares é nos mantermos sempre voltados especificamente para a pergunta errada. Se eu perguntar "como posso encontrar meu amor verdadeiro" antes de perguntar "como posso me tornar uma pessoa carinhosa?" não vou conseguir adquirir as qualificações necessárias para me tornar um ser humano carinhoso – capacidade de ouvir, de ter empatia, de sentir compaixão, de cuidar do próximo, de ter comprometimento, etc. O amor é uma arte que precisa ser desenvolvida e praticada por toda a vida.

(Extraído de um texto do Filósofo Sam Keen em www.yubliss.com )

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Nietzsche e Judeus


(...)Diga-se de passagem que o problema dos judeus existe apenas no interior dos Estados nacionais, na medida em que neles a sua energia e superior inteligência, o seu capital de espírito e de vontade, acumulado de geração em geração em prolongada escola de sofrimento, devem preponderar numa escala que desperta inveja e ódio, de modo que em quase todas as nações de hoje – e tanto mais quanto mais nacionalista é a pose que adotam – aumenta a grosseria literária (*) de conduzir os judeus ao matadouro, como bodes expiatórios de todos os males públicos e particulares. Quando a questão não for mais conservar as nações, mas criar uma raça européia mista que seja a mais vigorosa possível, o judeu será um ingrediente tão útil e desejável quanto qualquer outro vestígio nacional. Características desagradáveis, e mesmo perigosas, toda nação, todo indivíduo tem: é cruel exigir que o judeu constitua exceção. Nele essas características podem até ser particularmente perigosas e assustadoras; e talvez o jovem especulador da Bolsa judeu seja a invenção mais repugnante da espécie humana. Apesar disso gostaria de saber o quanto, num balanço geral, devemos relevar num povo que, não sem a culpa de todos nós, teve a mais sofrida história entre todos os povos, e ao qual devemos o mais nobre dos homens (Cristo), o mais puro dos sábios (Spinoza), o mais poderoso dos livros e a lei moral mais eficaz do mundo. E além disso: nos tempos mais sombrios da Idade Média, quando as nuvens asiáticas pesavam sobre a Europa foram os livres-pensadores, eruditos e médicos judeus que, nas mais duras condições pessoais, mantiveram firme a bandeira das Luzes e da independência intelectual, defendendo a Europa contra a Ásia (...)

* Nota do tradutor: “grosseria literária”: litterarische Unart. Nietzsche está se referindo às manifestações de anti-semitismo na imprensa e na literatura da época.

Humano, demasiado humano foi publicado em 1878


segunda-feira, 2 de maio de 2011

o Amor


"Quando o amor vos chamar, segui-o,
Embora seus caminhos sejam agrestes e escarpados;
E quando ele vos envolver com suas asas, cedei-lhe,
Embora a espada oculta na sua plumagem possa ferir-vos;
E quando ele vos falar, acreditai nele,
Embora sua voz possa despedaçar vossos sonhos
Como o vento devasta o jardim.
Pois, da mesma forma que o amor vos coroa,
Assim ele vos crucifica.
E da mesma forma que contribui para vosso crescimento,
Trabalha para vossa queda.
E da mesma forma que alcança vossa altura
E acaricia vossos ramos mais tenros que se embalam ao sol,
Assim também desce até vossas raízes
E as sacode no seu apego à terra.
Como feixes de trigo, ele vos aperta junto ao seu coração.
Ele vos debulha para expor vossa nudez.
Ele vos peneira para libertar-vos das palhas.
Ele vos mói até a extrema brancura.
Ele vos amassa até que vos torneis maleáveis.
Então, ele vos leva ao fogo sagrado e vos transforma
No pão místico do banquete divino."


Khalil Gibran

domingo, 10 de abril de 2011

Perspectivas


Há basicamente três perspectivas em que o ser humano pode avaliar o mundo e a si mesmo:
1- Não pensar no pensar
Aqui o homem atua mais através de suas emoções, principalmente a partir do medo e da busca pelo prazer. Desta perspectiva o mais importante são os sentimentos e as formas de apaziguar o medo e manter o prazer. Desta perspectiva surgem os mitos e as religiões. O importante não é a averigação intelectual da validade dos mitos ou dos dogmas, mas o grau de satisfação que estes dogmas ou mitos trazem para o ser humano. Nesta perpectiva não se valoriza o pensamento mas o sentimento/emoção. A fé é a base desta perspectiva.

2 - Pensar no pensar
Historicamente esta perspectiva iniciou-se com os gregos e originou primeiramente a filosofia e posteriormente a ciência. Nesta perspectiva o ser humano procura pensar sobre o pensamento, tentando entender como este funciona, suas características, seus limites, suas vantagens e desvantagens. No caso da filosofia esta perspectiva é utilizada de forma pura, valorizando mais o sujeito que pensa. No caso da ciência esta perspectiva é utilizada como uma forma de pensar criticamente para avaliar com metodologia apropriada (dentro desta perspectiva), os objetos que circundam o sujeito, e o própio sujeito. A lógica é a base desta perspectiva.

3 - Pensar no não pensar.
É a perspectiva das religiões orientais, onde se valoriza a ausência do pensamento , pois segundo esta perpectiva, o pensamento limita o ser, e portanto deve ser transcendido. A meditação é a base desta perspectiva.

Uma não perspectiva.
Todas as três perspectivas acima são maneiras de abordar o mundo e o ser humano, e existem essencialmente para cumprir a função básica do pensamento que é a capacidade de solucionar problemas e de descobrir motivos para os fenômenos. Há a possibilidade porém de uma quarta via que não é uma nova perspectiva, eu chamo de Não pensar no não pensar. Qualquer coisa que se diga sobre esta "quarta via" será dito de uma das três perpectivas acima, e portanto não será a quarta via. Historicamente tanto o oriente quanto o ocidente, tem representantes desta "quarta via", mas eles não compõe um grupo homogêneo, e quando vão falar sobre esta "quarta via" fatalmente falam a partir de uma das três perspectivas acima.


Lao Tsu, expressou bem esta "quarta via"ao afirmar:

"O Tao que pode ser falado não é o verdadeiro TAO"


quarta-feira, 6 de abril de 2011

Mistério


"No silêncio da noite e na serena tranquilidade da manhã, quando o Sol começa a iluminar os montes, apercebemo-nos de um grande mistério. Este mistério está em todas as coisas vivas. Se nos sentamos debaixo de uma árvore, sentimos este velho planeta com todo o seu incompreensível mistério. Na quietude da noite, quando as estrelas cintilam e parecem estar muito próximas, temos consciência do espaço a expandir-se e da ordem misteriosa de todas coisas, do imensurável e também do nada, do movimento dos montes na escuridão e do grito da coruja.
Nesse completo silêncio da mente, o mistério vai aumentando, sem tempo nem espaço... A experiência é a morte desse indizível mistério...para estar em comunhão com esse mistério, a nossa mente, o todo que nós somos deverá estar no mesmo nível, sincronizado, com a mesma intensidade que isso a que chamamos misterioso. E isso é amor. Com este amor todo o mistério do universo se abre."

Krishnamurti

quinta-feira, 10 de março de 2011

Jogue fora suas muletas


Assim que nasci recebi de meus pais o tradicional presente de nossa cultura milenar : um par de muletas.
Claro, eu era ainda muito pequeno para tentar caminhar, mas era sempre assim. Por precaução todo recém-nascido recebe o par de muletas, afinal nunca se sabe quando a criança tentará dar seus primeiros passos.
No meu caso demorei mais do que outros para caminhar, mas logo mamãe com todo o cuidado colocou minhas muletas em baixo de meus braços. A princípio me rebelei e insistia em andar sozinho sem a ajuda das muletas, porém gradualmente fui convencido de que a comunidade estava certa, é impossível andar sem muletas! Há séculos nossa cultura vem presenteando os recém-nascidos com muletas. Claro as muletas são diferentes, dependendo das condições socio-econômicas da família em que nascemos. Lembro ainda como se fosse hoje, do menino que conheci na pré-escola. Vinha de uma família de grandes posses e ostentava sua muleta de ouro cravejada com diamantes.
Recentemente o encontrei na rua andando apoiado numa muleta de madeira de terceira, e perguntei o que havia acontecido. Ele me disse que havia encontrado a salvação, tinha abandonado todos os bens materiais e entrado para uma seita espiritual. Jogara fora sua muleta de ouro e diamante e recebeu da comunidade religiosa, aquela muleta de madeira. Disse-me que estava feliz, que nunca tinha se sentido tão bem na vida. Deixou comigo alguns livros de sua denominação religiosa, que explicava como é importante a entrega a Deus para que conseguíssemos a total Liberdade e encontrássemos a Verdade. Frisou insistentemente que havia um capítulo especial onde era minuciosamente explicado porque deveríamos abandonar todas as outras muletas e passarmos a usar apenas a muleta oferecida pelos dirigentes daquela comunidade. Despediu-se e saiu tão rápido quanto as suas muletas permitiam.
O que me impressionou foi que durante toda nossa conversa, em nenhum momento ele reparou que eu não estava mais usando muletas. Se ele tivesse reparado certamente ficaria impressionado e talvez tivesse perguntado como eu havia conseguido aquele milagre: Caminhar sem muletas!
Mas certamente o que mais o impressionaria seria minha resposta:
- Nunca foi necessário muletas para que caminhássemos. Na verdade caminhar sem muletas é uma possibilidade que temos desde que nascemos! Jogue fora suas muletas e caminhe!
Bom, pensando bem, talvez ele não acreditasse em mim, me chamaria de louco, ou coisa parecida. E talvez no lugar dos livros que me deu, teria me carregado para sua Igreja.
(by Celso)

domingo, 6 de março de 2011

Volta para casa


Chovia. Nuvens negras cobriam o céu, dando uma aparência de noite para o meio dia. Fazia muito frio, e o vento forte aumentava ainda mais a sensação. Meu corpo tremia. Eu estava encharcado. O nível da água na rua estava aumentando. Eu precisava de ir urgentemente para casa. Mas não sabia qual caminho tomar. As ruas, os prédios, eram desconhecidos. Na verdade eu nem mesmo sabia se estava na minha cidade. Alguém me chamou:
-Ei venha comigo eu sei onde poderá encontrar um abrigo.
Corri com ele, debaixo daquela chuva, por várias quadras. A chuva continuava e o nível da água aumentava. Era uma enchente.
Continuava não reconhecendo nada, só sabia correr atrás daquele que dizia conhecer um abrigo.
Durante a corrida, trombei com outra pessoa, caimos no chão. Ele me perguntou:
-Ei para onde vai?
- Buscar um abrigo, estou seguindo aquele homem.
Ia apontar o homem mas não o vi mais.
O outro homem ainda no chão me disse:
- Não se preocupe, eu sei onde levá-lo.
Pegou no meu braço, nos levantamos e começamos a correr. Várias quadras depois, percebi que a chuva diminuia, o nível da água estava mais baixo e o homem a quem eu seguia, estava há poucos passos à frente. Quando ia agradecê-lo, subitamente ele caiu num grande buraco aberto pela força da água e desapareceu. O medo invadiu meu ser, mais uma vez eu estava sózinho e pior, a chuva havia aumentado novamente. Completamente sem rumo, voltei a correr, mas para todo lugar que eu ia a chuva e o nível da água aumentavam. Eu estava cansado. Exausto. Agora a água corria pela rua como se fosse um rio. Aguarrei-me num poste. Minhas mãos estavam frias e duras. Eu sabia que não ia resistir muito. A força da correnteza aumentava. Entendi que aquele era meu fim, não era mais possível resistir. Olhei para minhas mãos agarradas ao poste,
vagarosamente elas foram soltando-se e eu fui rolando pela correnteza. Minha casa, minha vida, nada mais existiria para mim em poucos segundos. Foi então que subitamente eu

ACORDEI !

Estava na minha casa confortavelmente deitado em minha cama. Tinha sido apenas um sonho. Na verdade um pesadelo. Eu já estava em casa, não havia perigo, não estava chovendo. Não precisava de ninguém para me mostrar um abrigo. Não precisava de ninguém para me salvar. Eu já estava salvo. Bastou acordar, para perceber que eu nunca havia estado longe de casa.
Basta Acordar.
Lembre-se disto durante os sonhos!!!



sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Devaneios desreflexivos


Não há nenhum ego, não há nenhum eu, não há nenhum espírito, não há nenhuma alma, e não há nenhuma mente.
Há alguns anos me deparei com isto. Pensei sobre isto.
Toda busca então tende a desaparecer.Não há sentido nas buscas...
Todo o questionamento, discussão, diálogo sobre estes temas passam a ser meros passa-tempo.
A humanidade passou séculos discutindo sobre estes temas, mas, uma vez em que se depara que não há nenhum ego, nenhuma alma, nenhuma mente, então a seriedade destas perguntas desaparecem, e fica apenas o prazer de conversar sobre isto.
Não há então qualquer sentido em ser salvo, pois não há ninguém para ser salvo.
Não há então qualquer sentido em evoluir espiritualmente, pois não há nada a evoluir .
Não há então qualquer sentido em buscar a liberdade, pois não há ninguém para ser livre.
Então eu percebi que o corpo não está preocupado com estas questões.
Para o corpo, é irrelevante saber se existe alma, espírito ou Deus. O corpo funciona apenas para preservar a vida, e por isto surge o pensamento, como suproduto do funcionamento do corpo / cérebro. Percebi que o pensamento deve agir de forma sadia, sem atrito, para preservar a vida no corpo. Mas durante seu funcionamento, alguns detritos vão aparecendo, e são estes detritos que criam a demanda por respostas a estas questões. Quando percebi que estas questões são apenas refugos, detritos de seu funcionamento, o próprio pensamento se incumbe de fazer o que deve ser feito com estes detritos: jogá-los no lixo. Então corpo e pensamento, voltaram a agir como sempre agem, unidos no objetivo de manter a vida, até que o próprio processo natural da vida transforme o corpo em alimento para outras vidas.
Ou até que alguma angustia possa desequilibrar novamente...

(Devaneios desreflexivos)

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Assim é a vida !


"Agora, sem que alguém me pedisse ou ordenasse, virei guardião dos passarinhos que fazem do meu jardim seu ponto de encontro. Aqui êles encontram água, comida e abrigo nas folhas das árvores e sob o beiral da casa. Como há predadores, ao primeiro sinal de perigo êles se reúnem e entram num alvoroça tamanho que me chamam a atenção. Ele, o gavião, dá o seu forte grito de guerra perante os assustados pardais, bicos-de-lacre e currecas que se reúnem no espinheiro ao lado, que ao invés de inibir, facilita o ataque do predador. Hoje, antes de conseguir afugentá-lo, ele fez o ataque e com a vítima piando entre suas garras, ainda dá um rasante sobre o jardim para exibir-me o seu troféu e mostrar a minha impotência perante a sua força e agilidade.

Juntei umas pedras miúdas, pedaços de tijolos e de madeira, para, junto com os meus gritos, mesmo sabendo que não tenho qualquer chance de sucesso, continuar a minha vigília em defesa dos mais fracos."

Assim é a vida! Mesmo sabendo-nos impotentes perante as forças da vida, da natureza e da ignorância do ser humano, sempre nos move essa vontade de criar um mundo ideal onde todos possamos viver felizes.