
quarta-feira, 8 de junho de 2011
Autoestima

terça-feira, 7 de junho de 2011
Sexo e Amor

domingo, 5 de junho de 2011
Amor
Já refletiste sobre o que é amor? É ele essa tortura que conhecemos? Essa espécie de amor poderá ser bela no começo - quando dizemos a alguém: “amo-te” - mas depressa se deteriora, convertendo-se numa relação em que prepondera a posse, o domínio, o ódio, o ciúme, a ansiedade, o medo.
Agora, que é amor, que é ele realmente, e não como gostaríamos que fosse?
O que gostaríamos que fosse o amor é uma mera idéia, um conceito. Devemos começar com o que é, e não com o que deveria ser. Devemos começar com o fato, e não com as opiniões e conclusões alheias.
Que é realmente o nosso amor? Nele há prazer, dor, ansiedade, ciúme, apego, ânsia de posse, de domínio, e o medo de perdermos o que possuímos. Há o amor existente nas relações entre duas pessoas, e há amor a uma idéia, uma fórmula, uma utopia, ou a Deus. O amor que temos é o conhecido, com todos os seus sofrimentos e sua confusão; nele, há a tortura do ciúme, os horrores e penas da violência, o prazer sexual, a possessividade, o ciumes, a desconfiança.
É isso que conhecemos.
Devemos perguntar: É o amor prazer, desejo, pensamento? Pode o amor ser continuamente cultivado? Sem o amor, o sentimento de compaixão, sua chama, inteligência, tem a vida muito pouco significado.
Você pode inventar um propósito para a vida, a perfeição, conhecer tudo sobre a profissão, mas sem a beleza fundamental do amor, fica a vida sem sentido. Para a maioria das pessoas, amor é posse. Mas, havendo ciúme, inveja, existirá também crueldade, ódio. O amor só existe e cresce na ausência do ódio, da inveja, da ambição, da possessividade. Sem amor, a vida é como terra estéril, árida, dura, brutal. Porém, no momento em que existe afeição, ela é como a terra que floresce com água, com chuva, com beleza.
Uma de nossas dificuldades é que associamos amor com prazer, com sexo. Amor, para a maioria de nós, significa ciúme, ansiedade, possessividade, apego. A isso chamamos amor. Mas o amor é apego? É o amor prazer? O amor é desejo? É o amor o oposto do ódio? Se é oposto do ódio, então não há amor. Você pode compreender isso? Quando alguém tenta se tornar corajoso, esta coragem é nascida do medo. Portanto, o amor não pode conter o seu oposto. O amor existe onde não há ciúme, agressividade, ódio. Todos nós possuímos capacidade para um amor profundo e abrangente, porém, pelo conflito e pelas falsas relações, pela sensação e pelo hábito, destruímos sua beleza. Não podemos manter a chama artificialmente acesa, mas podemos despertar a inteligência, o amor, pelo constante discernimento das múltiplas ilusões e limitações que presentemente dominam a nossa mente-coração, todo o nosso ser.
O amor não é sentimentalidade, não é emocionalismo, nem devoção. É um “estado de ser” lúcido, são, racional, incorrupto, do qual procede a ação total, a única que pode dar a verdadeira solução a todos os nossos problemas.Se ficardes vigilante, vereis o papel importante que o pensamento representa na vida.
O pensamento tem, naturalmente, seu devido lugar, mas não está em nenhum aspecto relacionado com o amor. O amor é um estado de ser em que não existe pensamento; a própria definição do amor é um processo do pensamento, e assim, não é amor.
Será que realmente conhecemos aquele “estado de ser” extraordinariamente vivo e lúcido, que é o amor ?
A maioria de nós tem muito pouco amor no coração. Por não termos amor, encontramos em geral um meio de aliviar-nos, seguindo uma certa via de “autopreenchimento”, que pode ser sexual, sentimental, apaixonante, intelectual, ou de ordem neurótica; de maneira que nossos problemas crescem e se tornam mais e mais agudos.
O amor não é coisa da mente, e não se pode pensar no amor. O amor só pode existir quando ausente o pensamento do “eu”, e o libertar-nos do “eu” só se consegue pelo autoconhecimento.
Vereis, então, que o amor nada tem que ver com os sentidos, e que ele não é um meio de preenchimento. O amor só pode existir depois de extinta a atividade do “eu”. Vós, porém, chamais essa atividade do “eu” positiva;mas a mesma leva à destruição, à separação, à aflição, à confusão, E, todavia, todos nós falamos de cooperação, de fraternidade, quando basicamente, o que desejamos é ficar apegados às nossas atividades egocêntricas.
Então não é amor! É apenas uma forma de prazer, entretenimento, preenchimento!
Só o amor pode transformar o mundo. Sistema algum pode trazer a paz e a felicidade. O amor não é um ideal; ele surge onde existe a compaixão de todos para com todos. Esse modo de ser se apresenta com a riqueza da compreensão.
sábado, 4 de junho de 2011
Crime e Castigo (e a linguagem poético-mística...)

"Muitas vezes vos ouvi falar daquele que comete um crime como se não fosse um de vós mas um intruso no vosso mundo.
Mas digo-vos que, tal como os santos e os justos não se podem erguer mais alto do que o mais alto que existe em cada um de vós, também os maus e os fracos não podem cair mais baixo do que o mais baixo que existe em vós. E tal como uma simples folha só amarelece em conjunto com toda a árvore, Também aquele que comete um crime não o pode fazer sem a anuência secreta de todos vós.
Como numa procissão, caminhais juntos em direção ao vosso eu interior. Vós sois o caminho e o caminhante e quando um de vós cai, cai por aqueles que vêm atrás, para os avisar da pedra que encontraram no caminho. E cai por aqueles que vão à sua frente, que, embora mais rápidos e seguros, não estão livres de tropeçarem na mesma pedra.
E notai que, embora a palavra vos pese no coração:
O assassinado não está isento de responsabilidade pelo seu próprio assassínio, e o roubado não está isento de culpas por o ter sido. O justo não está inocente dos feitos do malvado, e o que tem as mãos limpas não está limpo dos atos do culpado. Sim, o culpado é por vezes vítima do ofendido.
E ainda mais vezes é o portador do fardo dos inocentes e retos. Não podeis separar o justo do injusto e o bom do mau;
Aquele que quiser flagelar o ofensor olhe para o espírito do ofendido. E se algum dá vós punir em nome do que é justo e cortar com o machado a árvore do mal, deixe então que se vejam as raízes;
E encontrará as raízes do bom e do mau, do que dá frutos e do que não dá , entrelaçadas no coração silencioso da terra. E vós, juizes, que quereis ser justos, que condenação ireis dar àquele que, embora honesto de corpo, é um ladrão de espírito? Que castigo ireis dar àquele que flagela a carne e também flagela o espírito? Como procedereis com aquele que nos seus atos é falso e opressor, mas que, no entanto, é também enganado e oprimido? E como ireis punir aqueles cujos remorsos são maiores do que os crimes que cometeram? Não será o remorso a justiça que é administrada pela própria lei que quereis servir?
(trecho do livro O Profeta,de Gibran Khalil Gibran)
quinta-feira, 2 de junho de 2011
Imagem
À lembrança de experiências, a mágoas, a apegos, a tudo isso. Ora, isso pode ter um fim? Naturalmente que sim. Eis a questão: isso pode ter um fim quando a própria percepção indaga: “o que é isso?” O que é a mágoa? O que é o dano psicológico? A percepção disso é o fim disso; é não o levarmos adiante, que é o tempo (Psicológico- o "vir-a-ser").
Naturalmente. Se eu não estiver ferido, não saberei nada a respeito da separação ou da não-separação. Se eu estiver ferido, serei irracional enquanto mantiver essa mágoa.
Tenham um insight, por exemplo, das mágoas e sofrimentos que uma pessoa trouxe da sua infância. Todas as pessoas são magoadas, por várias razões, desde a infância até a morte. Há essa ferida, nelas, psicologicamente.Você pode ir a um psicólogo, a um analista, a um terapeuta, e ele poderá descobrir por que você está magoado; mas não será pela mera investigação da causa que a mágoa será resolvida.
Ela está lá. As conseqüências dessa mágoa são o isolamento, o medo, a autodefesa, para evitar que você seja ferido novamente; portanto, há o fechamento em si próprio. Esse é o mecanismo da mágoa. A mágoa é a imagem que você criou de você mesmo. Por isso, enquanto essa imagem permanecer, você estará ferido, obviamente.
Pois bem, ter um insight disso tudo sem análise - percebê-lo instantaneamente - essa própria percepção é insight; ela exige toda a sua atenção e energia; nesse insight a mágoa é dissolvida. Ele dissolverá sua mágoa completamente, não deixando nenhuma marca; portanto, ninguém jamais poderá feri-lo outra vez. A imagem que você criou de você mesmo não existe mais.
(Jiddu Krishnamurti)
sexta-feira, 27 de maio de 2011
A Divina Comédia

terça-feira, 24 de maio de 2011
o Mito do amor romântico

Origem
A obsessão moderna pelo amor romântico pode nos levar a crer que as coisas essenciais da vida sempre foram um beijo, um suspiro e um toque da “velha magia chamada amor”. Mas o mundo nem sempre reverenciou dois amantes dessa maneira cinematográfica. O amor romântico tem sido a exceção, e não a regra. Na maioria das sociedades pré-modernas, os casamentos foram “arranjados” por motivos práticos e políticos. Foram os cavaleiros e trovadores da Idade Média que inventaram o código medieval de conduta para namorados e idealizaram o romance, mas exclusivamente para a elite. O romance para as grandes massas surgiu com o nascimento do capitalismo e do individualismo, alcançando um nível febril entre consumidores modernos de novelas e revistas que versam sobre o amor falso e verdadeiro, cheias de receitas rápidas para a intimidade e conselhos para os perdidamente apaixonados. A necessidade de novidades relacionadas ao reino de Afrodite é constante e insaciável. Pesquisas de opinião, questionários e indagações intermináveis sobre nossos hábitos eróticos estimulam a crença questionável que temos de estar aprendendo novas técnicas e progredindo no jogo do amor.
Impacto
Nossa fixação míope por romance e sexo encoraja uma teoria de "atração fatal", que nos transforma em vítimas que "se apaixonam" e “se desapaixonam” em razão de química ou que não conseguem se apaixonar em virtude de má sorte, abuso sofrido na infância ou famílias desestruturadas. Isso estimula a crença vã de que um relâmpago erótico vai nos atingir diretamente vindo dos céus e, espontaneamente, enriquecer e dar sentido às nossas vidas.
Apesar do profundamente enraizado desejo ardente por romance, quase toda a nossa energia é devotada no sentido de conseguir sucesso, prestígio, dinheiro e poder, e quase nenhuma no de aprender a arte de amar. Quando limitamos nossa busca por amor a uma ligação de somente duas pessoas negligenciamos o âmbito maior no qual precisamos praticar o amor – a família, a vizinhança, o meio-ambiente, a natureza, a comunidade de seres não-humanos sensíveis que incluem pássaros e feras.
O erro das teorias modernas sobre o amor é se dedicar exclusivamente a dois seres individuais solitários que se unem para formar uma ilha em um mar hostil povoado de outros seres anônimos e de vizinhos desconhecidos. A maioria das teorias pré-modernas considera o amor como um elixir que gradualmente dissolve as fronteiras que erigimos entre nosso próprio ser e os outros, progressivamente impulsionando o ego para além do individualismo e do santuário da intimidade, na direção de uma comunidade cada vez mais inclusiva.
A conseqüência mais séria gerada por nossas preocupações com o jogo de achar nossos pares é nos mantermos sempre voltados especificamente para a pergunta errada. Se eu perguntar "como posso encontrar meu amor verdadeiro" antes de perguntar "como posso me tornar uma pessoa carinhosa?" não vou conseguir adquirir as qualificações necessárias para me tornar um ser humano carinhoso – capacidade de ouvir, de ter empatia, de sentir compaixão, de cuidar do próximo, de ter comprometimento, etc. O amor é uma arte que precisa ser desenvolvida e praticada por toda a vida.
(Extraído de um texto do Filósofo Sam Keen em www.yubliss.com )
quarta-feira, 4 de maio de 2011
Nietzsche e Judeus

(...)Diga-se de passagem que o problema dos judeus existe apenas no interior dos Estados nacionais, na medida em que neles a sua energia e superior inteligência, o seu capital de espírito e de vontade, acumulado de geração em geração em prolongada escola de sofrimento, devem preponderar numa escala que desperta inveja e ódio, de modo que em quase todas as nações de hoje – e tanto mais quanto mais nacionalista é a pose que adotam – aumenta a grosseria literária (*) de conduzir os judeus ao matadouro, como bodes expiatórios de todos os males públicos e particulares. Quando a questão não for mais conservar as nações, mas criar uma raça européia mista que seja a mais vigorosa possível, o judeu será um ingrediente tão útil e desejável quanto qualquer outro vestígio nacional. Características desagradáveis, e mesmo perigosas, toda nação, todo indivíduo tem: é cruel exigir que o judeu constitua exceção. Nele essas características podem até ser particularmente perigosas e assustadoras; e talvez o jovem especulador da Bolsa judeu seja a invenção mais repugnante da espécie humana. Apesar disso gostaria de saber o quanto, num balanço geral, devemos relevar num povo que, não sem a culpa de todos nós, teve a mais sofrida história entre todos os povos, e ao qual devemos o mais nobre dos homens (Cristo), o mais puro dos sábios (Spinoza), o mais poderoso dos livros e a lei moral mais eficaz do mundo. E além disso: nos tempos mais sombrios da Idade Média, quando as nuvens asiáticas pesavam sobre a Europa foram os livres-pensadores, eruditos e médicos judeus que, nas mais duras condições pessoais, mantiveram firme a bandeira das Luzes e da independência intelectual, defendendo a Europa contra a Ásia (...)
* Nota do tradutor: “grosseria literária”: litterarische Unart. Nietzsche está se referindo às manifestações de anti-semitismo na imprensa e na literatura da época.
Humano, demasiado humano foi publicado em 1878
segunda-feira, 2 de maio de 2011
o Amor

"Quando o amor vos chamar, segui-o,
domingo, 10 de abril de 2011
Perspectivas

Há basicamente três perspectivas em que o ser humano pode avaliar o mundo e a si mesmo:
1- Não pensar no pensar
Aqui o homem atua mais através de suas emoções, principalmente a partir do medo e da busca pelo prazer. Desta perspectiva o mais importante são os sentimentos e as formas de apaziguar o medo e manter o prazer. Desta perspectiva surgem os mitos e as religiões. O importante não é a averigação intelectual da validade dos mitos ou dos dogmas, mas o grau de satisfação que estes dogmas ou mitos trazem para o ser humano. Nesta perpectiva não se valoriza o pensamento mas o sentimento/emoção. A fé é a base desta perspectiva.
2 - Pensar no pensar
Historicamente esta perspectiva iniciou-se com os gregos e originou primeiramente a filosofia e posteriormente a ciência. Nesta perspectiva o ser humano procura pensar sobre o pensamento, tentando entender como este funciona, suas características, seus limites, suas vantagens e desvantagens. No caso da filosofia esta perspectiva é utilizada de forma pura, valorizando mais o sujeito que pensa. No caso da ciência esta perspectiva é utilizada como uma forma de pensar criticamente para avaliar com metodologia apropriada (dentro desta perspectiva), os objetos que circundam o sujeito, e o própio sujeito. A lógica é a base desta perspectiva.
3 - Pensar no não pensar.
É a perspectiva das religiões orientais, onde se valoriza a ausência do pensamento , pois segundo esta perpectiva, o pensamento limita o ser, e portanto deve ser transcendido. A meditação é a base desta perspectiva.
Uma não perspectiva.
Todas as três perspectivas acima são maneiras de abordar o mundo e o ser humano, e existem essencialmente para cumprir a função básica do pensamento que é a capacidade de solucionar problemas e de descobrir motivos para os fenômenos. Há a possibilidade porém de uma quarta via que não é uma nova perspectiva, eu chamo de Não pensar no não pensar. Qualquer coisa que se diga sobre esta "quarta via" será dito de uma das três perpectivas acima, e portanto não será a quarta via. Historicamente tanto o oriente quanto o ocidente, tem representantes desta "quarta via", mas eles não compõe um grupo homogêneo, e quando vão falar sobre esta "quarta via" fatalmente falam a partir de uma das três perspectivas acima.
"O Tao que pode ser falado não é o verdadeiro TAO"
quarta-feira, 6 de abril de 2011
Mistério

"No silêncio da noite e na serena tranquilidade da manhã, quando o Sol começa a iluminar os montes, apercebemo-nos de um grande mistério. Este mistério está em todas as coisas vivas. Se nos sentamos debaixo de uma árvore, sentimos este velho planeta com todo o seu incompreensível mistério. Na quietude da noite, quando as estrelas cintilam e parecem estar muito próximas, temos consciência do espaço a expandir-se e da ordem misteriosa de todas coisas, do imensurável e também do nada, do movimento dos montes na escuridão e do grito da coruja.
Nesse completo silêncio da mente, o mistério vai aumentando, sem tempo nem espaço... A experiência é a morte desse indizível mistério...para estar em comunhão com esse mistério, a nossa mente, o todo que nós somos deverá estar no mesmo nível, sincronizado, com a mesma intensidade que isso a que chamamos misterioso. E isso é amor. Com este amor todo o mistério do universo se abre."
quinta-feira, 10 de março de 2011
Jogue fora suas muletas

Assim que nasci recebi de meus pais o tradicional presente de nossa cultura milenar : um par de muletas.
Claro, eu era ainda muito pequeno para tentar caminhar, mas era sempre assim. Por precaução todo recém-nascido recebe o par de muletas, afinal nunca se sabe quando a criança tentará dar seus primeiros passos.
No meu caso demorei mais do que outros para caminhar, mas logo mamãe com todo o cuidado colocou minhas muletas em baixo de meus braços. A princípio me rebelei e insistia em andar sozinho sem a ajuda das muletas, porém gradualmente fui convencido de que a comunidade estava certa, é impossível andar sem muletas! Há séculos nossa cultura vem presenteando os recém-nascidos com muletas. Claro as muletas são diferentes, dependendo das condições socio-econômicas da família em que nascemos. Lembro ainda como se fosse hoje, do menino que conheci na pré-escola. Vinha de uma família de grandes posses e ostentava sua muleta de ouro cravejada com diamantes.
Recentemente o encontrei na rua andando apoiado numa muleta de madeira de terceira, e perguntei o que havia acontecido. Ele me disse que havia encontrado a salvação, tinha abandonado todos os bens materiais e entrado para uma seita espiritual. Jogara fora sua muleta de ouro e diamante e recebeu da comunidade religiosa, aquela muleta de madeira. Disse-me que estava feliz, que nunca tinha se sentido tão bem na vida. Deixou comigo alguns livros de sua denominação religiosa, que explicava como é importante a entrega a Deus para que conseguíssemos a total Liberdade e encontrássemos a Verdade. Frisou insistentemente que havia um capítulo especial onde era minuciosamente explicado porque deveríamos abandonar todas as outras muletas e passarmos a usar apenas a muleta oferecida pelos dirigentes daquela comunidade. Despediu-se e saiu tão rápido quanto as suas muletas permitiam.
O que me impressionou foi que durante toda nossa conversa, em nenhum momento ele reparou que eu não estava mais usando muletas. Se ele tivesse reparado certamente ficaria impressionado e talvez tivesse perguntado como eu havia conseguido aquele milagre: Caminhar sem muletas!
Mas certamente o que mais o impressionaria seria minha resposta:
- Nunca foi necessário muletas para que caminhássemos. Na verdade caminhar sem muletas é uma possibilidade que temos desde que nascemos! Jogue fora suas muletas e caminhe!
Bom, pensando bem, talvez ele não acreditasse em mim, me chamaria de louco, ou coisa parecida. E talvez no lugar dos livros que me deu, teria me carregado para sua Igreja.
domingo, 6 de março de 2011
Volta para casa

Chovia. Nuvens negras cobriam o céu, dando uma aparência de noite para o meio dia. Fazia muito frio, e o vento forte aumentava ainda mais a sensação. Meu corpo tremia. Eu estava encharcado. O nível da água na rua estava aumentando. Eu precisava de ir urgentemente para casa. Mas não sabia qual caminho tomar. As ruas, os prédios, eram desconhecidos. Na verdade eu nem mesmo sabia se estava na minha cidade. Alguém me chamou:
-Ei venha comigo eu sei onde poderá encontrar um abrigo.
Corri com ele, debaixo daquela chuva, por várias quadras. A chuva continuava e o nível da água aumentava. Era uma enchente.
Continuava não reconhecendo nada, só sabia correr atrás daquele que dizia conhecer um abrigo.
Durante a corrida, trombei com outra pessoa, caimos no chão. Ele me perguntou:
-Ei para onde vai?
- Buscar um abrigo, estou seguindo aquele homem.
Ia apontar o homem mas não o vi mais.
O outro homem ainda no chão me disse:
- Não se preocupe, eu sei onde levá-lo.
Pegou no meu braço, nos levantamos e começamos a correr. Várias quadras depois, percebi que a chuva diminuia, o nível da água estava mais baixo e o homem a quem eu seguia, estava há poucos passos à frente. Quando ia agradecê-lo, subitamente ele caiu num grande buraco aberto pela força da água e desapareceu. O medo invadiu meu ser, mais uma vez eu estava sózinho e pior, a chuva havia aumentado novamente. Completamente sem rumo, voltei a correr, mas para todo lugar que eu ia a chuva e o nível da água aumentavam. Eu estava cansado. Exausto. Agora a água corria pela rua como se fosse um rio. Aguarrei-me num poste. Minhas mãos estavam frias e duras. Eu sabia que não ia resistir muito. A força da correnteza aumentava. Entendi que aquele era meu fim, não era mais possível resistir. Olhei para minhas mãos agarradas ao poste,
vagarosamente elas foram soltando-se e eu fui rolando pela correnteza. Minha casa, minha vida, nada mais existiria para mim em poucos segundos. Foi então que subitamente eu
ACORDEI !
Estava na minha casa confortavelmente deitado em minha cama. Tinha sido apenas um sonho. Na verdade um pesadelo. Eu já estava em casa, não havia perigo, não estava chovendo. Não precisava de ninguém para me mostrar um abrigo. Não precisava de ninguém para me salvar. Eu já estava salvo. Bastou acordar, para perceber que eu nunca havia estado longe de casa.
Basta Acordar.
Lembre-se disto durante os sonhos!!!
sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011
Devaneios desreflexivos

domingo, 20 de fevereiro de 2011
Assim é a vida !

"Agora, sem que alguém me pedisse ou ordenasse, virei guardião dos passarinhos que fazem do meu jardim seu ponto de encontro. Aqui êles encontram água, comida e abrigo nas folhas das árvores e sob o beiral da casa. Como há predadores, ao primeiro sinal de perigo êles se reúnem e entram num alvoroça tamanho que me chamam a atenção. Ele, o gavião, dá o seu forte grito de guerra perante os assustados pardais, bicos-de-lacre e currecas que se reúnem no espinheiro ao lado, que ao invés de inibir, facilita o ataque do predador. Hoje, antes de conseguir afugentá-lo, ele fez o ataque e com a vítima piando entre suas garras, ainda dá um rasante sobre o jardim para exibir-me o seu troféu e mostrar a minha impotência perante a sua força e agilidade.
Juntei umas pedras miúdas, pedaços de tijolos e de madeira, para, junto com os meus gritos, mesmo sabendo que não tenho qualquer chance de sucesso, continuar a minha vigília em defesa dos mais fracos."
Assim é a vida! Mesmo sabendo-nos impotentes perante as forças da vida, da natureza e da ignorância do ser humano, sempre nos move essa vontade de criar um mundo ideal onde todos possamos viver felizes.
