terça-feira, 2 de julho de 2013

Desenvolvimento da personalidade

"O desenvolvimento da personalidade encerra mais do que o simples temor de algo monstruoso e anormal ou do isolamento, indica também: fidelidade à sua própria lei. Em lugar de fidelidade gostaria de empregar aqui a palavra grega "pístis".
 Ela costuma ser traduzida erroneamente por "fé", mas o sentido específico é confiança, lealdade repleta de confiança. A fidelidade à sua própria lei significa confiar nessa lei, perseverar com lealdade e esperar com confiança; enfim, é a mesma atitude que uma pessoa religiosa deve ter para com Deus. E aqui se torna então evidente como é desmesuradamente cheio de consequência o dilema que emerge do fundo obscuro deste problema: a personalidade jamais poderá desenvolver-se se a pessoa não escolher seu próprio caminho, de maneira consciente e por uma decisão consciente e moral. A força para o desenvolvimento da personalidade não provém apenas da necessidade, que é o motivo causador, mas também da decisão consciente e moral. Se faltar a necessidade, esse desenvolvimento não passará de uma acrobacia da vontade: se faltar a decisão consciente, o desenvolvimento seria apenas um automatismo indistinto e inconsciente.
 Somente será possível que alguém se decida por seu próprio caminho, se esse caminho for considerado o melhor. Se qualquer outro caminho fosse considerado melhor, então em lugar da própria personalidade haveria outro caminho para ser vivido e desenvolvido. Os outros caminhos são as convenções de natureza moral, social, política, filosófica e religiosa.

( " O desenvolvimento da personalidade" - Jung)



sábado, 22 de junho de 2013

Livre-se da normose!

Diferentes níveis de inconsciência?

"Como você provavelmente sabe, o ser humano se desloca constantemente entre fases do sono em que sonha e que não sonha. Da mesma forma, a maioria das pessoas, quando acordada, se alterna entre a inconsciência comum e a inconsciência profunda. Chamo de inconsciência comum essa identificação com os nossos processos de pensamentos e emoções, nossas reações, desejos e aversões. É o estado normal da maioria das pessoas. Nesse estado, somos governados pela mente e não temos consciência do Ser. Não se trata de um estado de sofrimento agudo ou de infelicidade, mas de um nível baixo e contínuo de desconforto, descontentamento, enfado ou nervosismo, como uma espécie de estática ao fundo. Talvez você não perceba muito bem essa situação porque ela já faz parte da nossa vida “normal”, da mesma forma que você não percebe um barulho contínuo ao fundo, como o zumbido do ar-condicionado, até ele parar. Quando isso acontece de repente, ocorre uma sensação de alívio. Muitas pessoas usam a bebida, as drogas, o sexo, a comida, o trabalho, a televisão, ou até mesmo o ato de fazer compras como anestésicos, em uma tentativa inconsciente para acabar com esse desconforto básico. Quando isso acontece, uma atividade que poderia ser muito agradável, se feita com moderação, passa a ter um componente de compulsão ou dependência, e tudo o que se obtém sob essa influência traz uma sensação de alívio por um período extremamente curto.
A sensação de desconforto da inconsciência comum se transforma no sofrimento da inconsciência profunda, ou seja, um estado de sofrimento ou infelicidade mais agudo e mais perceptível quando as coisas “vão mal”, quando o ego é ameaçado ou quando existe um desafio maior, tal como uma perda real ou imaginária em nossa situação de vida, ou um conflito numa relação. A inconsciência profunda é uma versão ampliada da inconsciência comum, da qual difere na intensidade, mas não na espécie.
Na inconsciência comum, uma resistência habitual ou uma negação daquilo que é cria um desconforto que a maioria das pessoas aceita como algo normal. Quando essa resistência se intensifica através de algum desafio ou ameaça ao ego, faz aflorar uma negatividade intensa que se manifesta sob a forma de raiva, medo profundo, agressão, depressão, etc. A inconsciência profunda significa, com frequência, que o sofrimento começou e que você passou a se identificar com ele. A violência física não aconteceria sem o estado de inconsciência profunda. Ela pode explodir com facilidade quando as pessoas geram um campo coletivo de energia negativa.
O melhor indicador do nível de consciência é a maneira como você lida com os desafios da vida. É através desses desafios que uma pessoa já inconsciente tende a se tornar mais profundamente inconsciente, e uma pessoa consciente a se tornar mais intensamente consciente. Podemos nos valer de um desafio para nos acordar ou para permitir que ele nos empurre para um sono ainda mais profundo. O sonho no nível da inconsciência comum se transforma, então, em pesadelo.
Se você não consegue estar presente mesmo em situações normais, como, por exemplo, quando está sozinho em uma sala, caminhando no campo ou ouvindo alguém, certamente não será capaz de permanecer consciente quando alguma coisa “vai mal”. Será dominado por uma reação, que é sempre, em última análise, alguma forma de medo, e empurrado para uma inconsciência profunda. Esses desafios são os seus testes. Só o modo como você lida com eles lhe mostrará onde você está no que se refere ao seu estado de consciência, e não a quantidade de horas que você consegue ficar sentado com os olhos fechados.
Portanto, é fundamental colocar mais consciência em sua vida durante as situações comuns, quando tudo está correndo de modo relativamente tranquilo. É assim que se aumenta o poder de presença. Ele gera um campo energético de alta frequência vibracional em você e ao seu redor. Nenhuma inconsciência, nenhuma negatividade, nenhuma discórdia ou violência pode penetrar nesse campo e sobreviver, do mesmo modo que a escuridão não consegue sobreviver na presença da luz." 


Dissolvendo a inconsciência comum
Como podemos nos livrar desse desconforto?

"Torne-o consciente. Observe as muitas maneiras pelas quais o desconforto, o descontentamento e a tensão surgem dentro de você, através de julgamentos desnecessários, resistência àquilo que é e negação do Agora. Qualquer coisa inconsciente se dissolve quando a luz da consciência brilha sobre ela. Se soubermos como dissolver a inconsciência comum, a luz da nossa presença irá brilhar intensamente e será muito mais fácil lidarmos com a inconsciência profunda. Mas, no início, talvez não seja muito fácil detectar a inconsciência comum porque a consideramos uma coisa normal.
Habitue-se a monitorar o seu estado mental e emocional através de uma auto-observação. “Estou me sentindo à vontade nesse momento?” é uma pergunta que você deve se fazer com frequência. Ou pode se questionar: “O que está acontecendo dentro de mim neste exato momento?” Mantenha o mesmo nível de interesse pelo que vai tanto no seu interior quanto no exterior. Se você captar corretamente o interior, o exterior se encaixará no lugar. A realidade principal está no interior, a realidade externa é secundária. Mas não responda logo a essas questões. Direcione a sua atenção para o interior. Olhe para dentro de você. Que tipo de pensamentos a sua mente está produzindo? O que você sente? Dirija a atenção para o seu corpo. Existe alguma tensão? Quando você perceber um certo desconforto, um ruído estático ao fundo, verifique que caminhos você está usando para evitar, resistir ou negar a vida, o Agora. Existem muitos caminhos pelos quais resistimos, inconscientemente, ao momento presente. Vou dar alguns exemplos. Com a prática, o seu poder de auto-observação, de monitorar o seu estado interior, se tornará mais aguçado."

- Eckhart Tolle


terça-feira, 11 de junho de 2013

Personalidade


Gritar "eu", "eu",dia e noite, não ajuda a personalidade a se tomar mais rica e mais madura.
Significa uma ênfase exagerada do fator estrutural que existe na personalidade total; mas a estrutura poderá ser muito forte, muito definida e...

VAZIA !
Essa despersonalização é produzido pela ausência de substância na vida da personalidade. Esta substância necessária à alimentação da personalidade não vai ser encontrada por meio de afirmações de auto-obstinação e orgulho do ego. Ela tem de ser colhida através de experiências significativas. Colhida de onde? Da vivência de relacionamentos verdadeiros e vitais — com nossos semelhantes, com a vida profundamente sentida do grupo e da cultura à qual pertencemos, com as forças da natureza (inclusive as forças da natureza humana genérica), com tudo o que vive e se move na Terra e no vasto universo do céu. A experiência significativa de relacionamento — numa forma íntima, estável, perene e concentrada — é a única (e cada vez mais rara atualmente) maneira de desenvolver uma personalidade rica e madura. 
Jung escreveu :


"Ninguém desenvolve a sua personalidade porque alguém lhe disse que seria útil e aconselhável que fizesse isso... Nada sofre uma mudança sem necessidade, muito menos a personalidade humana. Ela é imensamente conservadora, para não dizer inerte. Somente a necessidade mais aguda é capaz de despertá-la... O desenvolvimento da personalidade do seu estado embrionário para a consciência plena é ao mesmo tempo um carisma e uma maldição. Seu primeiro resultado é a separação consciente e inevitável, do ser individual, do rebanho indiferenciado e inconsciente. Isto significa isolamento, e não há palavra mais confortante para isso... Também significa fidelidade a lei do nosso ser... a menos que o indivíduo escolha o seu caminho conscientemente e com decisão moral consciente, a personalidade jamais poderá desenvolver-se... A verdadeira personalidade sempre tem vocação e acredita nela, é fiel a ela como é fiel a Deus, a despeito do fato de que é apenas, como diria o homem comum, um sentimento de vocação individual. Esta vocação, porém, age como uma lei de Deus, da qual não há meio de fugir. O fato de que muitos se arruínam seguindo seus próprios caminhos não significa nada para aquele que tem vocação. Ter vocação quer dizer, no sentido original, ouvir uma voz que lhe fala..."

- Personalidade é algo muito sério ! Nada tem a ver com o "bater o pé firme no que quero"- egoismo profundo. Engana-se completamente quem acha provido de Personalidade antes dos 40 anos, próximos, pois além de poucos se preocupam em desenvolverem , seu início coincide com uma fase mais madura do ser . É  um "algo interior" , a "voz interior"  que a Personalidade segue e se fortalece.




domingo, 9 de junho de 2013

Morrer

" Qual a natureza desse "malcheiroso pedaço" de egoísmo ou personalidade, que tem de se arrepender tão apaixonadamente e tão completamente morrer antes que possa haver um verdadeiro conhecimento de Deus na pureza do espírito? A mais seca e cautelosa das hipóteses é a de Hume. "A humanidade", diz ele, "nada mais é que um feixe ou conglomerado de diferentes percepções, que se sucedem umas às outras com uma rapidez inconcebível, e estão em perpétuo fluxo e movimento". Uma resposta quase idêntica foi dada pelos budistas, cuja doutrina de anatta é a negação de qualquer alma permanente, existente atrás do fluxo da experiência e das várias skandhas psicofísicas (em íntima correspondência com os "feixes" de Hume), que constituem os mais perduráveis elementos da personalidade. Hume e os budistas dão uma descrição suficientemente realista do egoísmo em ação; mas não explicam como e por que os feixes se tornaram feixes. Porventura os seus átomos constitutivos da experiência ajuntaram-se de comum acordo? E, se assim for, por que e por que meios e dentro de que espécie de universo não espacial? Dar uma resposta plausível a estas questões, em termos de anatta, é tão difícil que fomos forçados a abandonar a doutrina em favor da noção de que, atrás do fluxo e dentro dos feixes, existe uma espécie de alma permanente, através da qual a experiência é organizada e que, em troca, faz uso dessa experiência organizada para se tornar uma criatura particular e uma personalidade única. Este é o ponto de vista do hinduísmo ortodoxo, do qual o Budismo compartilhou, bem como todo o pensamento europeu desde a época anterior a Aristóteles até os dias atuais. Considerando que a maioria dos pensadores contemporâneos tentam descrever a natureza humana em termos de uma dicotomia resultante da interação da psique e do físico, ou uma inseparável totalidade desses dois elementos dentro de seres particulares corporificados, todos os expoentes da Filosofia Perene fazem, de uma ou outra forma, a afirmação de que o homem é uma espécie de trindade composta de corpo, psique e espírito. O egoísmo ou personalidade é um produto dos dois primeiros elementos. O terceiro elemento (aquele quidquid increatum et increabile, como Eckhart o chamava) é semelhante, ou mesmo idêntico ao espírito divino que é a Base de todos os seres. A finalidade última do homem, a finalidade da sua existência, é amar, conhecer e unir-se à Divindade imanente e transcendente. E essa identificação do ser com um não-ser espiritual só pode ser alcançada "morrendo" para o egoísmo e vivendo para o espírito. "

- Aldous Huxley

sábado, 1 de junho de 2013

Teseu e o Minotauro


Toda vida contém uma descida aos infernos. O labirinto é uma representação clássica do mundo infernal (o rei Minos era juiz dos infernos), mas também da matriz. Como sair do labirinto? Como retornar do país dos mortos? Como ressuscitar? Como renascer?
Como nascer?
Teseu, como todos os heróis, combate o monstro antes de unir-se à princesa. A princesa, ou Ariadne, é seu lado feminino, sua anima, sua parte emotiva e terna. Foi porque se uniu à sua parte feminina por um fio, porque se uniu consigo mesmo que Teseu pôde vencer seu medo (o Minotauro) e tornar-se livre (sair do labirinto). Ele está suficientemente seguro de sua identidade sexual para aceitar seu lado feminino.
É a energia da união consigo, do encontro consigo mesmo (o fio que une Ariadne a Teseu) que lhe permite tornar-se livre. Tornar-se livre, tornar-se uno e vencer o próprio medo são a mesma e única coisa . Ariadne, como todas as companheiras dos heróis, libera seu lado masculino, sua força e coragem.
O herói que libera a princesa aprisionada emancipa seu próprio lado feminino.
O dragão é sempre o medo, o medo de ser si mesmo... ou de deixar de sê-lo se nos liberarmos.
O argumento que se apodera de nosso ser e no qual nos aprisionamos:
eis o nosso dragão. Enfrentar o dragão é reencontrar a situação, exatamente a situação em que a armadilha se acomodou.
Retornar ao instante da queda, ao lugar onde perdemos a liberdade. A frase que nos condenou. A idade em que perdemos a visão. Devemos reencontrar esse instante de que queremos fugir com todas as nossas forças. E uma vez lá, será preciso reviver o nosso papel, mas, desta vez, saindo da armadilha por cima. Se o acontecimento original tiver provocado o medo ou o orgulho, devemos nos desprender com plenitude ou humildade. Sair com inocência se tiver sido a culpa a origem da situação.
Herói, princesa e dragão são a mesma e única pessoa.

( o Fogo Liberador )


quinta-feira, 16 de maio de 2013

o Veneno


"Estado, chamo eu, o lugar onde todos, bons ou malvados, são bebedores de veneno; Estado, o lugar onde todos, bons ou malvados, se perdem a si mesmos; Estado, o lugar onde o lento suicídio de todos chama-se – “vida”!
Olhai esses supérfluos! Roubam para si as obras dos inventores e os tesouros dos sábios; “culturas” chamam a seus furtos – e tudo se torna, neles, em doença e adversidade!
Olhai esses supérfluos! Estão sempre enfermos, vomitam fel e lhe chamam “jornal”. Devoram-se uns aos outros e não podem, sequer digerir-se.
Olhai esses supérfluos! Adquirem riquezas e, com elas, tornam-se mais pobres. Querem o poder e, para começar, a alavanca do poder, muito dinheiro – esses indigentes!
Olhai como sobem trepando, esses ágeis macacos! Sobem trepando uns por cima dos outros e atirando-se mutuamente, assim no lodo e no abismo.
Ao trono, querem todos, subir: é essa a sua loucura. Como se no trono estivesse sentada a felicidade! Muitas vezes, é o lodo que está no trono e, muitas vezes, também o trono no lodo.
Dementes, são todos eles, para mim, e macacos sobre excitados. Mau cheiro exala o seu ídolo, o monstro frio; mau cheiro exalam todos eles, esses servidores de ídolos!
Porventura, meus irmãos, quereis sufocar nas exalações de seus focinhos e de suas cobiças? Quebrai, de preferência, os vidros das janelas e pulai para o ar livre!
Fugi do mau cheiro! Fugi da idolatria dos supérfluos!
Fugi do mau cheiro! Fugi da fumaça desses sacrifícios humanos!
Também agora, ainda a terra está livre para as grandes almas. Vazios estão ainda para a solidão a um ou a dois, muitos sítios, em torno dos quais bafeja o cheiro de mares calmos.
Ainda está livre, para as grandes almas, uma vida livre. Na verdade, quem pouco possui, tanto menos pode tornar-se possuído. Louvado seja a pequena pobreza!
Onde cessa o Estado, somente ali começa o homem que não é supérfluo – ali começa o canto do necessário, essa melodia única e insubstituível.
Onde o Estado cessa – olhai para ali, meus irmãos! Não vedes o arco-íris e as pontes do super-homem? "


- Friedrich Nietzsche - Do novo Idolo ( Assim Falava Zaratustra )


quarta-feira, 8 de maio de 2013

Floresta


"Na floresta não existe ignorante ou sábio .Quando os ramos se agitam, a ninguém reverenciam. O saber humano é ilusório como a cerração dos campos que se esvai quando o sol se levanta no horizonte .Dá-me a flauta e canta!
O canto é o melhor saber, e o lamento da flauta sobrevive ao cintilar das estrelas"
"O conhecimento de si mesmo é a mãe de todo conhecimento. Portanto estou incumbido de conhecer a mim mesmo, me conhecer completamente, conhecer minhas minúcias, minhas características, minhas sutilezas, e cada átomo meu."

(Khalil Gibran)


segunda-feira, 6 de maio de 2013

Capitalismo e a Morte


"Em função do excesso de disponibilidade tecnológica e pela necessidade de lucro e voracidade competitiva da indústria médica da atual sociedade de consumo, o processo de morte passou a ser um grande negócio. Por isso, quanto mais recursos econômicos o doente terminal tiver, mais dias de sofrimento ele e seu entorno relacional terá até que seja expedida sua licença de morrer. Esse procedimento é chamado de distanásia - a morte sem dignidade, com excesso de abusos e interferências.
A experiência da morte, que deveria ser compreendida e encarada como fato inexorável e natural, um evento de transformação individual e social igual e proporcional ao nascimento, acabou virando comércio rentável na mão dos inescrupulosos cientistas que se preocupam apenas com bíos, a manutenção da vida biológica, sem reconhecerem que existe zoé, a vida espiritual e psíquica que aspira continuar seu caminho evolutivo. Zoé, da tradição mítica greco-romana, é subjacente a todo expressão de bíos, que é destrutível e finita.
Negar ou temer a morte é equivalente a negar ou temer a vida, pois a vida em sua plenitude depende da contínua experiência de morte, com todo seu amargor e doçura paradoxal, intrigante, prazeroso, indefinível e fugaz como o orgasmo. Por isso, psicossomaticamente, compreendemos que os sintomas de adoecimento são os gritos de zoé tentando chamar a atenção do bíos, ou seja, a dinâmica psíquica ou anímica exigindo que a instância somática e mental se comprometa e passe a servir a vida do que não morre, como Jesus, Dioniso e outras expressões divinas que são indestrutíveis e mantinham o contínuo vínculo dialético com a morte.
Para revertermos esse padrão de negar zoé precisamos sair da inércia mental. Porque nosso ego consciência, na maioria das vezes, está condicionado e soldado na bíos, sofrendo as dores do corpo e temendo a finitude somática, por saber que também será a sua. Aliado a isso temos a ciência e a tecnologia que contribuem ainda mais para a ilusão do poder sobre a morte de bíos, gerando lucros crescentes, alimentando a contínua roda do capitalismo que não pode parar. Mas só sairá da inércia quem encontrar fé em zoé, reconhecendo o sagrado em si mesmo, para depois reconhecer no outro.
Enquanto isso, a indústria desta medicina da sociedade de consumo continuará arbitrando sobre a morte, num crescente faturamento e, se dependermos dela, isso nunca terá fim, pois conscientemente, neste paradigma de poder, lucro e acúmulo, ninguém é capaz de tomar uma atitude que implica em menos faturamento e lucro no futuro. Por isso não existe investimento na salutogenese, na homeopatia, no conhecimento e prática da psicossomática, ente outras abordagens que vê o homem de forma integral e não como um negócio biológico que não pode morrer natural e livremente, pois a ortanásia - a morte natural e serena - não dá lucro."

( texto de Waldemar Magaldi Filho, psicólogo )

- Somente quem sabe morrer todos os dias , vive com tremenda paixão !  Aquele que ama viver teme a morte, e eis aí um profundo ( ilusório ) apego.

domingo, 5 de maio de 2013

Atores e atrizes

"Como é estranho o desejo de se exibir ou de ser alguem! Invejar é odiar, e a vaidade corrompe. Como é dificil a simplicidade e a autenticidade! A autenticidade é, em si, uma tarefa das mais árduas, ao passo que o desejo de se tornar alguem oferece pouca dificuldade. É muito fácil fingir ou representar, mas é extremamente complexo sermos aquilo que somos;e isto, porque estamos sempre mudando; nunca somos os mesmos e cada instante revela uma nova faceta, uma nova dimensão e profundidade. Não podemos ser todas essas coisas ao mesmo tempo, pois cada instante traz consigo algo novo. Portanto, se formos inteligentes, abriremos mão da pretensão de sermos alguém ou alguma coisa."

 - Krishnamurti

quinta-feira, 2 de maio de 2013

Libertando-se da infelicidade

Você não está satisfeito com as atividades que desempenha? Talvez não goste de seu trabalho ou tenha se aborrecido por ter concordado em fazer alguma coisa, embora parte de você não goste e ofereça resistência. Tem algum ressentimento oculto em relação a alguém próximo a você? Percebe que a energia que você desprende por conta disso tem efeitos tão prejudiciais que você está contaminando a si mesmo e aos que estão ao seu redor? Dê uma boa olhada dentro de você. Existe algum leve traço de ressentimento ou má vontade? Se existe, observe-o, tanto no nível mental quanto no emocional. Que tipos de pensamento a sua mente está criando em torno dessa situação? Depois, observe a sua emoção, que é a reação do corpo a esses pensamentos. Sinta a emoção. Ela lhe parece agradável ou não? É uma energia que você escolheria para ter dentro de você? Você tem escolha?
Talvez a atividade seja tediosa, ou alguém próximo a você seja desonesto, irritante ou inconsciente, mas tudo isso é irrelevante. Não faz a menor diferença se os seus pensamentos e emoções a respeito da situação tenham ou não uma justificativa. O fato é que você está resistindo ao que é. Está transformando o momento atual num inimigo. Está criando infelicidade, um conflito entre o interior e o exterior. A sua infelicidade está poluindo não só o seu próprio ser interior e daqueles à sua volta, como também a psique coletiva humana, da qual você é uma parte inseparável. A poluição do planeta é apenas um reflexo externo de uma poluição interior psíquica gerada por milhões de indivíduos inconscientes, sem a menor responsabilidade pelos espaços que trazem dentro de si.
Você pode parar de executar a tarefa que está lhe causando insatisfação, falar com a pessoa envolvida e expressar todos os seus sentimentos, ou livrar-se da negatividade que a sua mente criou em volta da situação e que não serve a nenhum propósito, exceto o de fortalecer um falso sentido do eu interior. É importante reconhecer essa inutilidade. A negatividade nunca é o melhor caminho para lidar com qualquer situação. Na verdade, na maior parte dos casos, ela nos paralisa, bloqueando qualquer mudança verdadeira. Qualquer coisa feita com uma energia negativa será contaminada por ela e dará origem a mais sofrimento. Além disso, qualquer estado interior negativo é contagioso, pois a infelicidade se espalha mais rapidamente do que uma doença física. Pela lei da ressonância, ela detona e alimenta a negatividade latente nos outros, a menos que sejam imunes, quer dizer, altamente conscientes.
Você está poluindo o mundo ou limpando a sujeira? Você é responsável pelo seu espaço interior, da mesma forma que é responsável pelo planeta. Assim no interior, assim no exterior: se os seres humanos limparem a poluição interior, deixarão então de criar a poluição externa.

- Eckhart Tolle


* Evidente que por trás do erro em não proceder dessa forma comentada no texto, a pessoa se auto-sabota . Consequencias são inumeras, e geralmente  o medo  promove a tristeza e fugas , pior ainda em um final  de vida triste, principalmente em forma de doenças psicossomaticas ou consequentes do modo errado  de agir. 
Ou voce muda tudo e deixa ir ou saia da vida de quem ou do que não vibre mais nessa frequencia de maior conscientização,ou voce está se condenando pela consequencia de  sua unica e exclusiva escolha .

Inconsciencia crônica

" Você está defendendo o seu direito de ser inconsciente, o seu desejo de sofrer ? 
Não se preocupe, pois ninguém vai lhe tirar esse direito.
 Ao perceber que um determinado tipo de alimento lhe faz mal, você continuaria a comer aquele alimento e insistiria em afirmar que não se importa em passar mal ? " 

- Eckhart Tolle




domingo, 21 de abril de 2013

Arco-iris

“Quando a terra é devastada e os animais estão morrendo, uma nova tribo de pessoas virá para a terra de muitas cores, classes, credos, e que por suas ações e atos devem torná-la verde novamente. 
Eles serão conhecidos como os guerreiros do arco-íris.”

- Profecia Nativa Americana


sexta-feira, 12 de abril de 2013

Sono

“Ponham um fim ao sono que tanto lhe pesa. Apartem-se do domínio do esquecimento que os enche de trevas. Por que buscam as trevas, se a luz lhes é acessível? A sabedoria os chama; vocês, todavia, desejam a insensatez.. ó homem insensato, segue os rumos dos desejos de cada paixão. Ele nada é em meio aos desejos da vida. E ei-lô soçobrando. Esse homem é uma embarcação que o vento joga de cá para lá, como um cavalo solto sem cavaleiro, que é a razão acima de tudo… Conheçam a si mesmos”.

Nag Hammadi





quarta-feira, 3 de abril de 2013

Nada !


Em um mundo onde a posição social, o dinheiro, o saber, o conhecimento , a vaidade, tudo isso é idolatrado, 
Quem tem coragem em ser um "nada" ?

"Psicologicamente, terminar o conflito é “ser nada”; e a maioria de nós tem medo de enfrentar o “ser nada” - literalmente nada. Mas, afinal de contas, que sois vós? Que são todos os VIPs - a gente muito importante? Tirem-se-lhes os títulos, as posições, as condecorações, todas essas bugigangas, e eles ficam reduzidos a nada. Mas, o estar cônscio de ser nada significa ser alguma coisa. Ser nada é um estado que não pode ser provocado; esse estado só se conhece havendo amor. Mas o amor não é uma coisa que possa ser procurada; ele vem quando há em nós uma revolução interior, quando o “eu” já não é importante, já não é o centro da nossa existência."

( Krishnamurti )





Sempre o Ego corre para o que o enobrece, dignifica, e o satisfaz. É preciso que o Ego preencha-se de certezas, para quando naquele fatídico dia, a simplicidade da vida o desmonte sem piedade de seus falsos altares e vaidades. 
O tombo é maior quanto maior for seu altar.

segunda-feira, 1 de abril de 2013

A origem do medo


Como o medo – do amanhã, de perder o emprego, da morte, da doença, da dor – é gerado? O medo envolve um processo de pensamentos sobre o futuro, ou sobre o passado. Tenho medo do amanhã, do que pode acontecer. Tenho medo da morte que ainda está longe, mas mesmo assim me amedronta. Bem, o que é que gera esse medo? O medo sempre existe em relação a alguma coisa. Se não fosse assim, não haveria medo. Temos medo do amanhã, do que passou e do que está por vir. O que cria o medo? Não é o pensamento?
O pensamento é a origem do medo:
O pensamento gera o medo. Penso que perdi o emprego, ou que poderei perder, e esse pensamento cria medo. O pensamento sempre se projeta no tempo, porque pensamento é tempo. Penso na doença que tive, e como não gostei de sofrer tenho medo de que o sofrimento possa voltar. Senti dor, e pensar nisso, não querer senti-la de novo, cria medo. O medo está estreitamente relacionado ao prazer. A maioria de nós é guiada pelo prazer. Para nós, assim como para os animais, o prazer é da máxima importância e faz parte do pensamento. Quando penso em algo que me deu prazer, esse prazer aumenta. Concorda? Já notou isso? Você teve uma experiência de prazer – olhando o pôr-do-sol, ou fazendo sexo-, e pensa naquilo. Pensar na experiência aumenta o prazer, assim como pensar na dor que teve gera medo. Então, o pensamento cria o prazer e o medo, não é verdade? O pensamento é responsável por desejarmos o prazer e querermos que ele continue, da mesma forma que é responsável por sentirmos medo. Qualquer um pode ver isso, é um fato real, experimentável.
Então, alguém pergunta: “É possível deixar de pensar no prazer e na dor, é possível pensar apenas quando o pensamento é requisitado, nunca de outro modo?” Quando você está trabalhando em um escritório ou fazendo qualquer outro trabalho, o pensamento é necessário; do contrário, nada poderia ser feito. Quando você fala, escreve, vai para o trabalho, o pensamento é necessário. Mas o pensamento é necessário em qualquer outro campo de ação?
Por favor, preste atenção. Para nós, o pensamento é muito importante, pois é o único instrumento que temos. O pensamento é a reação da memória, que se acumulou através de experiência, conhecimento, tradição. A memória é o resultado do tempo, foi herdada do animal. E é com essa formação que reagimos. Essa reação é pensar. O pensamento é essencial em certos níveis , mas quando se projeta psicologicamente como futuro e passado, cria o medo, assim como o prazer. Nesse processo a mente fica entorpecida e, desse modo, a inação é inevitável. Senhor, o medo, com já dissemos, é criado pelo pensamento. Pensamos na possibilidade de perder o emprego, de a esposa fugir com alguém, pensamos na morte, pensamos que já passou e assim por diante. Pode o pensamento parar de pensar no passado ou no futuro, psicologicamente, autodefensivamente?
Atenção sem um centro:
Alguém pergunta: “ É possível o pensamento acabar de modo que se possa viver plenamente?” Você já notou que quando dá atenção completamente a alguma coisa não há nenhum observador e, portanto, nenhum pensador, não há um centro onde você se coloca para observar?
A atenção elimina o medo:
Quando você presta essa atenção, não há absolutamente nenhum observador. E é o observador que gera medo, porque é o centro do pensamento, é o “mim”, o “eu”, o ego. O observador é o censor. Quando não há pensamento, não há observador. Esse estado não é inerte. Exige muita investigação, nunca aceita coisa alguma.

( Krishnamurti )