quarta-feira, 3 de abril de 2013
Nada !
Em um mundo onde a posição social, o dinheiro, o saber, o conhecimento , a vaidade, tudo isso é idolatrado,
Quem tem coragem em ser um "nada" ?
"Psicologicamente, terminar o conflito é “ser nada”; e a maioria de nós tem medo de enfrentar o “ser nada” - literalmente nada. Mas, afinal de contas, que sois vós? Que são todos os VIPs - a gente muito importante? Tirem-se-lhes os títulos, as posições, as condecorações, todas essas bugigangas, e eles ficam reduzidos a nada. Mas, o estar cônscio de ser nada significa ser alguma coisa. Ser nada é um estado que não pode ser provocado; esse estado só se conhece havendo amor. Mas o amor não é uma coisa que possa ser procurada; ele vem quando há em nós uma revolução interior, quando o “eu” já não é importante, já não é o centro da nossa existência."
( Krishnamurti )
Sempre o Ego corre para o que o enobrece, dignifica, e o satisfaz. É preciso que o Ego preencha-se de certezas, para quando naquele fatídico dia, a simplicidade da vida o desmonte sem piedade de seus falsos altares e vaidades.
O tombo é maior quanto maior for seu altar.
segunda-feira, 1 de abril de 2013
A origem do medo
Como o medo – do amanhã, de perder o emprego, da morte, da doença, da dor – é gerado? O medo envolve um processo de pensamentos sobre o futuro, ou sobre o passado. Tenho medo do amanhã, do que pode acontecer. Tenho medo da morte que ainda está longe, mas mesmo assim me amedronta. Bem, o que é que gera esse medo? O medo sempre existe em relação a alguma coisa. Se não fosse assim, não haveria medo. Temos medo do amanhã, do que passou e do que está por vir. O que cria o medo? Não é o pensamento?
O pensamento é a origem do medo:
O pensamento gera o medo. Penso que perdi o emprego, ou que poderei perder, e esse pensamento cria medo. O pensamento sempre se projeta no tempo, porque pensamento é tempo. Penso na doença que tive, e como não gostei de sofrer tenho medo de que o sofrimento possa voltar. Senti dor, e pensar nisso, não querer senti-la de novo, cria medo. O medo está estreitamente relacionado ao prazer. A maioria de nós é guiada pelo prazer. Para nós, assim como para os animais, o prazer é da máxima importância e faz parte do pensamento. Quando penso em algo que me deu prazer, esse prazer aumenta. Concorda? Já notou isso? Você teve uma experiência de prazer – olhando o pôr-do-sol, ou fazendo sexo-, e pensa naquilo. Pensar na experiência aumenta o prazer, assim como pensar na dor que teve gera medo. Então, o pensamento cria o prazer e o medo, não é verdade? O pensamento é responsável por desejarmos o prazer e querermos que ele continue, da mesma forma que é responsável por sentirmos medo. Qualquer um pode ver isso, é um fato real, experimentável.Então, alguém pergunta: “É possível deixar de pensar no prazer e na dor, é possível pensar apenas quando o pensamento é requisitado, nunca de outro modo?” Quando você está trabalhando em um escritório ou fazendo qualquer outro trabalho, o pensamento é necessário; do contrário, nada poderia ser feito. Quando você fala, escreve, vai para o trabalho, o pensamento é necessário. Mas o pensamento é necessário em qualquer outro campo de ação?
Por favor, preste atenção. Para nós, o pensamento é muito importante, pois é o único instrumento que temos. O pensamento é a reação da memória, que se acumulou através de experiência, conhecimento, tradição. A memória é o resultado do tempo, foi herdada do animal. E é com essa formação que reagimos. Essa reação é pensar. O pensamento é essencial em certos níveis , mas quando se projeta psicologicamente como futuro e passado, cria o medo, assim como o prazer. Nesse processo a mente fica entorpecida e, desse modo, a inação é inevitável. Senhor, o medo, com já dissemos, é criado pelo pensamento. Pensamos na possibilidade de perder o emprego, de a esposa fugir com alguém, pensamos na morte, pensamos que já passou e assim por diante. Pode o pensamento parar de pensar no passado ou no futuro, psicologicamente, autodefensivamente?
Atenção sem um centro:
Alguém pergunta: “ É possível o pensamento acabar de modo que se possa viver plenamente?” Você já notou que quando dá atenção completamente a alguma coisa não há nenhum observador e, portanto, nenhum pensador, não há um centro onde você se coloca para observar?
A atenção elimina o medo:
Quando você presta essa atenção, não há absolutamente nenhum observador. E é o observador que gera medo, porque é o centro do pensamento, é o “mim”, o “eu”, o ego. O observador é o censor. Quando não há pensamento, não há observador. Esse estado não é inerte. Exige muita investigação, nunca aceita coisa alguma.
( Krishnamurti )
quarta-feira, 13 de março de 2013
Criança
Quando voce chegou ao ponto em que nada te cause lamentação, ou lhe seja duro, e onde a dor não é mais dor pra voce, onde tudo lhe seja alegria perfeita, então sua criança (interior) de fato nasceu ( exterioriza-se: encontrou sua essencia divina onde a tristeza não pode penetrar). Lute pois para se assegurar que sua criança não seja apenas uma promessa, mas que nasça de fato .
- Meister Eckhart
- Meister Eckhart
segunda-feira, 4 de março de 2013
Imagem
"Na relação que existe entre dois seres humanos casados ou não - alguma vez há um verdadeiro contato psicológico? Eles dizem que estão relacionados, porém isso não é verdadeiro porque cada um tem uma imagem de si mesmo. E, agregada a essa imagem, está a imagem que cada um tem da pessoa com quem vive. Na realidade, tem duas imagens - ou múltiplas imagens. Como operam o pensamento e a memória? Sejamos simples. Você me diz: que maravilhosa pessoa eu sou. Eu gosto. Construí uma imagem e você se torna meu amigo. Você diz algo que eu não gosto, formei outra imagem. Portanto, a imagem padrão é construída através do prazer e da dor. Por gostar, você me transmite uma coisa agradável; e por não gostar você não se torna amável comigo. Observe isso em você mesmo. Construí uma imagem por que
Krishnamurti
você disse algo agradável ou não agradável. Carrego tal imagem. Sou essa imagem. Da próxima vez que eu o encontrar, você é meu amigo, e assim por diante... Essas imagens se produzem por causa das reações que se recordam, as quais se convertem na imagem - a imagem que ele tem a respeito dela e a que ela tem a respeito dele. A relação estabelece-se entre essas duas imagens, que são os símbolos das recordações, dos padecimentos. Portanto, de fato não existe relação alguma. Assim é que o indivíduo se pergunta: é possível não ter nenhuma imagem do outro? Enquanto ele tiver uma imagem dela, e ela tiver uma imagem dele, tem de haver conflito, porque o cultivo das imagens destrói a relação. Por meio da observação, podemos descobrir se é possível não ter imagem alguma de si mesmo ou de outrem - estar por completo livre de imagens? Se você investigar realmente, profundamente, descobrirá que há criado uma imagem da outra pessoa, e ela, também, uma de você. Cada um criou uma imagem do outro, um quadro acerca do outro. Esses dois retratos, imagens, palavras, ficam em mútua relação. Onde há imagens, uma estampa do outro, deve haver conflito. E com essa imagem você olha para a pessoa. A imagem não é a pessoa. Ela é a reputação, e conceitos são facilmente criados; a reputação pode ser boa ou má. Mas o cérebro humano, o pensamento, cria a imagem. Torna-se esta última a conclusão, e vivemos por meio de imagens e imaginações. Bem, como posso olhar sem imagem? Porque, se você olha com uma imagem, isso implica, evidentemente, uma distorção. A imagem é o passado, que foi reunido pelo pensamento como resmungos, brigas, dominação, prazer, companheirismo e tudo o mais. É a imagem que separa; é a imagem que cria a distância e o tempo.É a imagem que produz conflito na relação. Pode a mente olhar, observar sem nenhuma imagem acumulada pelo tempo? Pode ela observar sem o observador - que é o passado, o “eu”? Posso olhá-lo sem a interferência dessa entidade condicionada, que é o “eu”? Certamente, o amor é aquele relacionamento no qual não há imagem."
Krishnamurti
sexta-feira, 1 de março de 2013
Quem pensamos que somos

Nosso sentido de quem somos determina o que percebemos como nossas necessidades e o que importa na nossa vida - e o que nos interessa tem o poder de nos irritar e perturbar. Podemos usar isso como um critério para descobrir até que ponto nos conhecemos. O que nos interessa não é o que dizemos nem aquilo em que acreditamos, mas o que nossas ações e reações revelam como importante e sério.
Portanto, talvez queiramos nos fazer a seguinte pergunta: o que me irrita e perturba? Se coisas pequenas têm a capacidade de nos atormentar, então quem pensamos que somos é exatamente isto: pequeno. Essa é nossa crença inconsciente. Quais são as coisas pequenas? No fim das contas, todas as coisas são pequenas porque todas elas são efêmeras.
Podemos até dizer: "Sei que sou um espírito imortal" ou "Estou cansado deste mundo louco. Tudo o que quero é paz" - até o telefone tocar. Más notícias: o mercado de ações caiu, o acordo pode não dar certo, o carro foi roubado, nossa sogra chegou, cancelaram a viagem, o contrato foi rompido, nosso parceiro ou parceira foi embora, alguém exige mais dinheiro, somos responsabilizados por algo. De repente ocorre um ímpeto de raiva, de ansiedade. Uma aspereza brota na nossa voz: "Não aguento mais isto."Acusamos e criticamos, atacamos, defendemos ou nos justificamos, e tudo acontece no piloto automático. Alguma coisa obviamente é muito mais importante agora do que a paz interior que um momento atrás dissemos que era tudo o que desejávamos. E já não somos mais um espírito imortal. O acordo, o dinheiro, o contrato, a perda ou a possibilidade da perda são mais relevantes. Para quem? Para o espírito imortal que dissemos ser? Não, para nosso pequeno eu que busca segurança ou satisfação em coisas que são transitórias e fica ansioso ou irado porque não consegue o que deseja. Bem, pelo menos agora sabemos quem de fato pensamos que somos.
Se a paz é de fato aquilo que desejamos, então devemos escolhê-la. Se ela fosse mais importante para nós do que qualquer outra coisa e se nós nos reconhecêssemos de verdade como um espírito em vez de um pequeno eu, permaneceríamos sem reagir e num absoluto estado de alerta quando confrontados com pessoas ou circunstâncias desafiadoras. Aceitaríamos de imediato a situação e, assim, nos tornaríamos um com ela em vez de nos separarmos dela. Depois, da nossa atenção consciente surgiria uma reação. Quem nós somos (consciência) - e não quem pensamos que somos (um pequeno eu) - estaria reagindo. Isso seria algo poderoso e eficaz e não faria de ninguém nem de uma situação um inimigo.
O mundo sempre se assegura de impedir que nos enganemos por muito tempo sobre quem de fato pensamos que somos nos mostrando o que realmente é importante para nós. A maneira como reagimos a pessoas e situações, sobretudo quando surge um desafio, é o melhor indício de até que ponto nos conhecemos a fundo.
Quanto mais limitada, quanto mais estreitamente egóica é a visão que temos de nós mesmos, mais nos concentramos nas limitações egóicas - na inconsciência - dos outros e reagimos a elas. Os "erros" das pessoas ou o que percebemos como suas falhas se tornam para nós a identidade delas. Isso significa que vemos apenas o ego nos outros e, assim, fortalecemos o ego em nós. Em vez de olharmos "através" do ego deles, olhamos "para" o ego. E quem está fazendo isso? O ego em nós.
Pessoas muito inconscientes sentem o próprio ego por meio do seu reflexo nos outros. Quando compreendemos que aquilo a que reagimos nos outros também está em nós (e algumas vezes apenas em nós), começamos a nos tornarmos conscientes do nós. Nesse estágio, podemos também compreender que estamos fazendo às pessoas o que pensávamos que elas estavam fazendo a nós. Paramos de nos ver como uma vítima.
Nós não somos o ego. Portanto, quando nos tornamos conscientes do ego em nós, isso não significa que sabemos quem somos - isso quer dizer que sabemos quem não somos. Mas é por meio do conhecimento de quem não somos que o maior obstáculo ao verdadeiro conhecimento de nós mesmos é removido.
Ninguém pode nos dizer quem somos. Seria apenas outro conceito, portanto não nos faria mudar. Quem nós somos não requer crença. Na verdade, toda crença é um obstáculo. Isso não exige nem mesmo nossa compreensão, uma vez que já somos quem somos. No entanto, sem a compreensão, quem nós somos não brilha neste mundo. Permanece na dimensão não manifestada que, é claro, é seu verdadeiro lar. Nós somos então como uma pessoa aparentemente pobre que não sabe que tem uma conta de 100 milhões de reais no banco. Com isso, nossa riqueza permanece um potencial oculto.
(Eckhart Tolle )
Portanto, talvez queiramos nos fazer a seguinte pergunta: o que me irrita e perturba? Se coisas pequenas têm a capacidade de nos atormentar, então quem pensamos que somos é exatamente isto: pequeno. Essa é nossa crença inconsciente. Quais são as coisas pequenas? No fim das contas, todas as coisas são pequenas porque todas elas são efêmeras.
Podemos até dizer: "Sei que sou um espírito imortal" ou "Estou cansado deste mundo louco. Tudo o que quero é paz" - até o telefone tocar. Más notícias: o mercado de ações caiu, o acordo pode não dar certo, o carro foi roubado, nossa sogra chegou, cancelaram a viagem, o contrato foi rompido, nosso parceiro ou parceira foi embora, alguém exige mais dinheiro, somos responsabilizados por algo. De repente ocorre um ímpeto de raiva, de ansiedade. Uma aspereza brota na nossa voz: "Não aguento mais isto."Acusamos e criticamos, atacamos, defendemos ou nos justificamos, e tudo acontece no piloto automático. Alguma coisa obviamente é muito mais importante agora do que a paz interior que um momento atrás dissemos que era tudo o que desejávamos. E já não somos mais um espírito imortal. O acordo, o dinheiro, o contrato, a perda ou a possibilidade da perda são mais relevantes. Para quem? Para o espírito imortal que dissemos ser? Não, para nosso pequeno eu que busca segurança ou satisfação em coisas que são transitórias e fica ansioso ou irado porque não consegue o que deseja. Bem, pelo menos agora sabemos quem de fato pensamos que somos.
Se a paz é de fato aquilo que desejamos, então devemos escolhê-la. Se ela fosse mais importante para nós do que qualquer outra coisa e se nós nos reconhecêssemos de verdade como um espírito em vez de um pequeno eu, permaneceríamos sem reagir e num absoluto estado de alerta quando confrontados com pessoas ou circunstâncias desafiadoras. Aceitaríamos de imediato a situação e, assim, nos tornaríamos um com ela em vez de nos separarmos dela. Depois, da nossa atenção consciente surgiria uma reação. Quem nós somos (consciência) - e não quem pensamos que somos (um pequeno eu) - estaria reagindo. Isso seria algo poderoso e eficaz e não faria de ninguém nem de uma situação um inimigo.
O mundo sempre se assegura de impedir que nos enganemos por muito tempo sobre quem de fato pensamos que somos nos mostrando o que realmente é importante para nós. A maneira como reagimos a pessoas e situações, sobretudo quando surge um desafio, é o melhor indício de até que ponto nos conhecemos a fundo.
Quanto mais limitada, quanto mais estreitamente egóica é a visão que temos de nós mesmos, mais nos concentramos nas limitações egóicas - na inconsciência - dos outros e reagimos a elas. Os "erros" das pessoas ou o que percebemos como suas falhas se tornam para nós a identidade delas. Isso significa que vemos apenas o ego nos outros e, assim, fortalecemos o ego em nós. Em vez de olharmos "através" do ego deles, olhamos "para" o ego. E quem está fazendo isso? O ego em nós.
Pessoas muito inconscientes sentem o próprio ego por meio do seu reflexo nos outros. Quando compreendemos que aquilo a que reagimos nos outros também está em nós (e algumas vezes apenas em nós), começamos a nos tornarmos conscientes do nós. Nesse estágio, podemos também compreender que estamos fazendo às pessoas o que pensávamos que elas estavam fazendo a nós. Paramos de nos ver como uma vítima.
Nós não somos o ego. Portanto, quando nos tornamos conscientes do ego em nós, isso não significa que sabemos quem somos - isso quer dizer que sabemos quem não somos. Mas é por meio do conhecimento de quem não somos que o maior obstáculo ao verdadeiro conhecimento de nós mesmos é removido.
Ninguém pode nos dizer quem somos. Seria apenas outro conceito, portanto não nos faria mudar. Quem nós somos não requer crença. Na verdade, toda crença é um obstáculo. Isso não exige nem mesmo nossa compreensão, uma vez que já somos quem somos. No entanto, sem a compreensão, quem nós somos não brilha neste mundo. Permanece na dimensão não manifestada que, é claro, é seu verdadeiro lar. Nós somos então como uma pessoa aparentemente pobre que não sabe que tem uma conta de 100 milhões de reais no banco. Com isso, nossa riqueza permanece um potencial oculto.
(Eckhart Tolle )
Seja voce
"Que cada uma seja ele mesmo. Que nossos pensamentos e nossas ações sejam os nossos. Que as ações de cada um lhe pertençam. E isto, sejam boas ou más.
Quando a alma tem o intelecto puro e impassível como guia, a plena disposição de si mesmo, então, dirige seu impulso para onde quer. Só então nosso ato é verdadeiramente nosso, e de ninguém mais, procedendo do interior da alma
como de uma [fonte de] pureza e de um princípio puro e dominador e soberano e não do efeito da ignorância e do desejo, pois, então seria a passividade e não a ação o
que atuaria em nós”.
(Plotino)
Quando a alma tem o intelecto puro e impassível como guia, a plena disposição de si mesmo, então, dirige seu impulso para onde quer. Só então nosso ato é verdadeiramente nosso, e de ninguém mais, procedendo do interior da alma
como de uma [fonte de] pureza e de um princípio puro e dominador e soberano e não do efeito da ignorância e do desejo, pois, então seria a passividade e não a ação o
que atuaria em nós”.
(Plotino)
quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013
Falsa Luz
"Na Psicologia Profunda, o arquétipo mais periférico é a persona, que significa a máscara ou papel social que desempenhamos. Aqueles que só se sentem fortes de uniforme, como os hipócritas fariseus e saduceus e também os pseudomísticos, estão incluídos nesta etapa periférica que deve ser ultrapassada. Mais difícil que a remoção dos vícios é a remoção das falsas virtudes.
Ao atravessarmos tal máscara deparamos com a sombra ou guardião do umbral, o nosso próprio dragão, e logo com a anima/animus onde se opera o casamento místico para alcançarmos o Self ou si mesmo. Isto explica que o maior obstáculo não é a sombra, desafio necessário, mas a persona ou a falsa luz. "
- ALEXANDRE DAVID
Ao atravessarmos tal máscara deparamos com a sombra ou guardião do umbral, o nosso próprio dragão, e logo com a anima/animus onde se opera o casamento místico para alcançarmos o Self ou si mesmo. Isto explica que o maior obstáculo não é a sombra, desafio necessário, mas a persona ou a falsa luz. "
- ALEXANDRE DAVID
sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013
Sensibilidade
"Dizem que a ignorância é o berço da cegueira;e que a cegueira o berço da felicidade. Talvez seja assim, para os que nascem mortos e passam por essa vida como seres inertes e insensíveis. Mas, na vizinhança dos sentimentos vivos, a ignorância torna-se cruel e dolorosa. O jovem que sente muito e sabe pouco é a mais infeliz das criaturas, pois sua alma é exposta a duas forças contraditórias: uma, invísivel,que o eleva as alturas e lhe mostra a beleza de Deus por trás das neblinas da realidade; a outra,visível,que o encadeia a Terra e lhe ofusca a vista e o deixa perdido e medroso em meio a intensas trevas."
Khalil Gibran
Khalil Gibran
sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013
Afastamento da sociedade
"A sociedade deseja sejais respeitável, submisso a ela, e não transbordante de pujança criadora, revolucionário no verdadeiro sentido da palavra. A verdadeira revolução não é a comunista ou qualquer outra estúpida ; é a revolução do pensamento, que só pode vir quando vos emancipardes completamente da sociedade. Nessa liberdade a vossa mente já não está a submeter-se, ajustar-se, defender-se, refrear-se, e, por conseguinte, é verdadeiramente religiosa; e o homem o único revolucionário. Por conseguinte, é de real importância, se desejamos operar uma transformação fundamental, estarmos totalmente livres da sociedade. E esta é que é a verdadeira revolução: a revolução que vem quando começamos a compreender o padrão da sociedade de que fazemos parte. A composição da sociedade é um misto de avidez, inveja, ambição, poder, crenças condicionadas, baseadas no medo .Portanto, só o homem que se retira da sociedade, que se liberta da compulsão de seus semelhantes e da tradição, inveja e ambição interiores - só esse homem é verdadeiramente revolucionário religioso, e só ele descobrirá se existe uma realidade além das projeções de nossa pequenina, insignificante mente. "
( Krishnamurti )
terça-feira, 22 de janeiro de 2013
Mago - Sacerdotisa
«A mulher é por essência a animadora e a inspiradora,
é ela que faz jorrar a iluminação no coração do homem
e o homem tendo-se tornado consciente exprime-se como poeta,
comporta-se como cavaleiro e age como Mago.
Mago-Sacerdote que celebra um culto de que a mulher se torna Deusa.
A Mulher tornando-se ela, a sacerdotisa de um Deus
que só pede abandono, liberdade e mistério.»
( Thesaurus Magiae )
terça-feira, 8 de janeiro de 2013
Os relacionamentos
À medida que o modo egoico da consciência e todas as estruturas sociais, políticas e económicas que o criaram entram na fase final da sua decadência, os relacionamentos entre homens e mulheres reflectem o profundo estado de crise em que a Humanidade se encontra. E como os seres humanos se têm vindo a identificar cada vez mais com as suas mentes, muitos dos relacionamentos não se enraízam no Ser e por isso transformam-se numa fonte de sofrimento e são dominados por problemas e conflitos.
Há actualmente milhões de pessoas que vivem sozinhas ou são pais solteiros, incapazes de estabelecerem um relacionamento íntimo ou não querendo repetir o drama de relacionamentos anteriores. Outros andam de relacionamento em relacionamento, passando de um ciclo de prazer e dor para outro, à procura da realização pessoal, que lhes escapa sempre, através de uma união com a energia de polaridade oposta. Outros ainda chegam a um compromisso e continuam juntos num relacionamento disfuncional em que prevalece a negatividade, por causa dos filhos ou da segurança, por força do hábito, por medo de ficarem sós, ou por qualquer outra razão mutuamente "benéfica", ou mesmo devido a uma dependência inconsciente da excitação do drama e do sofrimento emocionais.
Não obstante, qualquer crise representa não apenas um perigo, mas também uma oportunidade. Se os relacionamentos incutem energia à mente egoica, fortalecem os seus padrões e activam um corpo de dor, como acontece nessa altura, porquê não aceitar esse facto em vez de tentar escapar-lhe? Porquê não cooperar com ele em vez de evitar os relacionamentos e continuar a perseguir o fantasma de um parceiro ideal como resposta aos seus problemas e como um meio de se sentir realizado? A oportunidade que se esconde dentro de cada crise não se manifesta antes de todos os factos de uma dada situação serem reconhecidos e plenamente aceites. Enquanto você os recusar, enquanto lhes tentar escapar ou desejar que as coisas sejam diferentes, a janela da oportunidade não se abrirá e você ficará prisioneiro dessa situação, que continuará a ser a mesma ou se deteriorará ainda mais.
O reconhecimento e a aceitação dos factos trazem consigo um certo grau de libertação dos próprios factos. Por exemplo, quando você sabe que há desarmonia e se agarra a esse "saber", através desse seu saber surge um factor novo que poderá vir a combater a desarmonia. Quando você sabe que não está em paz, esse seu saber cria um espaço de quietude que rodeia a sua ausência de paz num abraço de amor e ternura e depois a transmuta em paz. No que diz respeito à transformação interior, não há nada que você possa fazer. Você não se pode transformar a si próprio, e certamente não pode transformar o seu parceiro ou qualquer outra pessoa. Tudo o que você pode fazer é criar um espaço para que a transformação aconteça, para que a graça e o amor entrem na sua vida.
Portanto, alegre-se sempre que o seu relacionamento não funcionar, sempre que ele revele a "loucura" que há em si e no seu parceiro. O que era inconsciente estará então a ser trazido para a luz. É uma oportunidade de "salvação". Em cada momento, agarre-se àquilo que sabe desse momento, particularmente ao que sabe do seu estado interior. Se houver cólera, reconheça que há cólera. Se houver ciúme, uma atitude defensiva, um impulso para discutir, uma necessidade de ter razão, uma criança interior a exigir amor e atenção, ou um sofrimento emocional de qualquer espécie – seja o que for, reconheça a realidade desse momento e agarre esse saber. O relacionamento torna-se então o seu sadhana, o seu exercício espiritual. Se observar um comportamento inconsciente no seu parceiro, envolva-o no amor do seu saber, para que você não reaja a esse comportamento. A inconsciência e o saber não podem coexistir por muito tempo – mesmo se o saber estiver apenas na outra pessoa e não naquela que está a ter um comportamento inconsciente. A forma de energia que reside por trás da hostilidade e da agressividade acha absolutamente intolerável a presença do amor. Se você reagir, seja de que forma for, à inconsciência do seu parceiro, você próprio se torna inconsciente. Mas se se lembrar então de reconhecer a sua reacção, nada estará perdido.
( Eckhart Tolle )
* Tolle bem claramente destrincha o porque as pessoas não dão certo em seus relacionamentos. E isso é crônico na atualidade. O mundo do Ego, onde a inconsciencia permeia relacionamentos, é praticamente impossivel tal convivencia ultrapassar uns 2 anos. Ao invés das pessoas buscarem as razões dentro delas mesmas, elas continuam inconscientemente tentando encontrar sua 'metade", ou reclamando dos fracassos anteriores ,e repetirão os mesmos padrões inconscientes de ação e reação . Enquanto o Ego fortalecido busca uma outra metade, encontrará outro Ego fortalecido, porque as pessoas conscientes - as raras que sabem o que é o amor- dificilmente permitirão relacionar-se com outras que se recusam despertar,e caso ocorra, rapidamente distanciam-se porque a "sintonia" é amplamente diferente- essa não está no mundo do Ego.
- leia tambem: "amor é para poucos" , o complemento abaixo
terça-feira, 1 de janeiro de 2013
Amor é para poucos
A razão pela qual uma relação de amor romântico é uma experiência tão intensa e procurada por todos nós é por dar a impressão de proporcionar uma libertação de um estado profundamente enraizado de medo, de carência e de deficiência, estado esse que faz parte da condição humana na sua situação não redimida e não iluminada. Há nele uma dimensão física, assim como uma dimensão psicológica.Ao nível físico, é óbvio que você não é completo, nem nunca o será:
você ou é homem ou é mulher, ou seja, metade de um ser completo.
A este nível, o anseio pelo estado integral – o regresso à unicidade – manifesta-se como uma atração do masculino pelo feminino, como uma necessidade do homem por uma mulher, ou a necessidade de uma mulher
por um homem. É um desejo quase irresistível de uma união com a polaridade oposta. A raiz desse desejo físico é um impulso espiritual:
o anseio pelo fim da dualidade, um regresso ao estado integral.
Ao nível físico, você só se conseguirá aproximar desse estado pela união sexual. É por isso que ela é a experiência mais profunda de satisfação que o domínio físico lhe pode oferecer. Mas a união sexual não passa
de um vislumbre fugaz do estado integral, um instante de êxtase. Enquanto você procurar a relação sexual, inconscientemente, como meio de salvação, estará a procurar o fim da dualidade ao nível da forma, onde ele não se encontra. É-lhe dado um vislumbre tentador do paraíso, mas não lhe é permitido permanecer nele, e você encontra-se novamente num corpo separado.
Ao nível psicológico, a sensação de carência e de deficiência é ainda maior do que ao nível físico. Enquanto você se identificar com a mente, terá uma sensação de identidade com origem no exterior de si próprio. Ou seja, a sua sensação de identidade deriva de coisas que, em última análise, nada têm a ver com quem você é: a sua posição social, os seus bens, a sua aparência exterior, os seus sucessos e insucessos, as suas convicções, etc. Esse falso eu construído pela mente, o ego, sente-se vulnerável, inseguro, e anda sempre à procura de coisas novas com as quais se identificar a fim de ter a sensação de que existe. Mas nunca nada é suficiente para lhe dar uma satisfação duradora. O seu medo permanece; a sua sensação de carência permanece. E é então que surge aquele relacionamento especial. Parece ser a resposta a todos os problemas do ego e parece satisfazer todas as suas necessidades. Pelo menos assim parece, ao princípio. Todas as outras coisas a partir das quais você obtinha a sua sensação de identidade tornam-se agora relativamente insignificantes. Você tem agora um único ponto fulcral que as substitui, que dá sentido à sua vida e através do qual você define a sua identidade: a pessoa por quem está "apaixonado". Aparentemente, você deixa de ser um fragmento num Universo que não quer saber de si. O seu mundo tem agora um centro: a pessoa amada. O facto é que o centro está fora de si e, por conseguinte, você continua a ter uma sensação de identidade com origem no exterior, o que ao princípio parece não ter importância. O que importa é que os sentimentos subjacentes ao estado não integral de medo, de carência e de insatisfação pessoal, tão característicos do estado egoico, deixam de existir. Será? Na verdade, esses sentimentos desaparecerão ou continuarão a existir sob a superfície de uma aparência de felicidade?
Se nos seus relacionamentos você sentir ao mesmo tempo "amor" e o seu oposto – agressividade, violência emocional, etc. –, então o mais certo é estar a confundir o afeto do ego e o apego viciante com o amor. Não pode amar o seu parceiro num determinado momento e atacá-lo a seguir. O amor verdadeiro não possui oposto. Se o seu "amor" tiver um oposto, é porque não é amor mas sim uma forte necessidade do ego de uma sensação de identidade mais completa e mais profunda, necessidade essa que a outra pessoa satisfaz temporariamente. É um substituto do ego para a salvação que, por um curto espaço de tempo, quase parece a salvação.Mas chegará uma altura em que o seu parceiro se comportará de uma maneira que deixa de satisfazer as suas necessidades, ou antes, as do seu ego. Os sentimentos de medo, sofrimento e carência, que são parte intrínseca da consciência egoica, mas que foram encobertos pelo "relacionamento amoroso", vêm de novo à superfície. Tal como qualquer
outra dependência, você sentir-se-á bem enquanto a droga estiver disponível, mas chegará invariavelmente uma altura em que a droga deixará de ter efeito em si. Quando esses sentimentos dolorosos reaparecem, você sente-os com uma intensidade ainda maior e, pior ainda, passa a encarar o seu parceiro como a causa desses sentimentos. Significa isto que você os projeta para o exterior e ataca o outro com a violência feroz que faz parte da sua dor. Este ataque pode despertar a dor do próprio parceiro que poderá contra-atacar. Neste ponto, o ego
continua a ter a esperança inconsciente de que o seu ataque ou a sua manipulação serão castigo suficiente para levar o parceiro a mudar de comportamento, e assim usá-lo novamente para encobrir a sua dor.
Qualquer dependência tem origem numa recusa inconsciente de você enfrentar e ultrapassar a sua própria dor. Qualquer dependência começa e acaba com sofrimento. Seja qual for a substância de que fica dependente – álcool, comida, drogas legais ou ilegais, ou uma pessoa – você está a usar alguma coisa ou alguém para encobrir a sua dor. É por isso que, passada a euforia inicial, há tanta infelicidade e tanto sofrimento nos relacionamentos íntimos. Não são eles que provocam sofrimento nem infelicidade. O que eles fazem é fazer ressaltar o sofrimento e a infelicidade que já estão dentro de si. Qualquer dependência faz isso. Qualquer dependência, passado algum tempo, deixa de ter o efeito de acalmar o seu sofrimento, e então você sente o sofrimento mais intensamente do que nunca.
É por essa razão que muitas pessoas estão sempre a tentar fugir do momento presente e a procurar algum tipo de salvação no futuro.A primeira coisa que encontrariam, se concentrassem a atenção no Agora, seria a sua própria dor, e é disso que elas têm medo.Evitar os relacionamentos numa tentativa de evitar o sofrimento também não é resposta. Seja como for, o sofrimento existe. Três relacionamentos falhados em três anos terão mais hipóteses de o forçar a despertar do que três anos passados numa ilha deserta ou fechado no seu quarto. Mas se você fosse capaz de trazer presença intensa para a sua solidão, essa solidão poderia levá-lo a despertar.
Pode-se transformar um relacionamento de dependência num relacionamento verdadeiro?
Pode, sim.
( Eckhart Tolle)
você ou é homem ou é mulher, ou seja, metade de um ser completo.
A este nível, o anseio pelo estado integral – o regresso à unicidade – manifesta-se como uma atração do masculino pelo feminino, como uma necessidade do homem por uma mulher, ou a necessidade de uma mulher
por um homem. É um desejo quase irresistível de uma união com a polaridade oposta. A raiz desse desejo físico é um impulso espiritual:
o anseio pelo fim da dualidade, um regresso ao estado integral.
Ao nível físico, você só se conseguirá aproximar desse estado pela união sexual. É por isso que ela é a experiência mais profunda de satisfação que o domínio físico lhe pode oferecer. Mas a união sexual não passa
de um vislumbre fugaz do estado integral, um instante de êxtase. Enquanto você procurar a relação sexual, inconscientemente, como meio de salvação, estará a procurar o fim da dualidade ao nível da forma, onde ele não se encontra. É-lhe dado um vislumbre tentador do paraíso, mas não lhe é permitido permanecer nele, e você encontra-se novamente num corpo separado.
Ao nível psicológico, a sensação de carência e de deficiência é ainda maior do que ao nível físico. Enquanto você se identificar com a mente, terá uma sensação de identidade com origem no exterior de si próprio. Ou seja, a sua sensação de identidade deriva de coisas que, em última análise, nada têm a ver com quem você é: a sua posição social, os seus bens, a sua aparência exterior, os seus sucessos e insucessos, as suas convicções, etc. Esse falso eu construído pela mente, o ego, sente-se vulnerável, inseguro, e anda sempre à procura de coisas novas com as quais se identificar a fim de ter a sensação de que existe. Mas nunca nada é suficiente para lhe dar uma satisfação duradora. O seu medo permanece; a sua sensação de carência permanece. E é então que surge aquele relacionamento especial. Parece ser a resposta a todos os problemas do ego e parece satisfazer todas as suas necessidades. Pelo menos assim parece, ao princípio. Todas as outras coisas a partir das quais você obtinha a sua sensação de identidade tornam-se agora relativamente insignificantes. Você tem agora um único ponto fulcral que as substitui, que dá sentido à sua vida e através do qual você define a sua identidade: a pessoa por quem está "apaixonado". Aparentemente, você deixa de ser um fragmento num Universo que não quer saber de si. O seu mundo tem agora um centro: a pessoa amada. O facto é que o centro está fora de si e, por conseguinte, você continua a ter uma sensação de identidade com origem no exterior, o que ao princípio parece não ter importância. O que importa é que os sentimentos subjacentes ao estado não integral de medo, de carência e de insatisfação pessoal, tão característicos do estado egoico, deixam de existir. Será? Na verdade, esses sentimentos desaparecerão ou continuarão a existir sob a superfície de uma aparência de felicidade?
Se nos seus relacionamentos você sentir ao mesmo tempo "amor" e o seu oposto – agressividade, violência emocional, etc. –, então o mais certo é estar a confundir o afeto do ego e o apego viciante com o amor. Não pode amar o seu parceiro num determinado momento e atacá-lo a seguir. O amor verdadeiro não possui oposto. Se o seu "amor" tiver um oposto, é porque não é amor mas sim uma forte necessidade do ego de uma sensação de identidade mais completa e mais profunda, necessidade essa que a outra pessoa satisfaz temporariamente. É um substituto do ego para a salvação que, por um curto espaço de tempo, quase parece a salvação.Mas chegará uma altura em que o seu parceiro se comportará de uma maneira que deixa de satisfazer as suas necessidades, ou antes, as do seu ego. Os sentimentos de medo, sofrimento e carência, que são parte intrínseca da consciência egoica, mas que foram encobertos pelo "relacionamento amoroso", vêm de novo à superfície. Tal como qualquer
outra dependência, você sentir-se-á bem enquanto a droga estiver disponível, mas chegará invariavelmente uma altura em que a droga deixará de ter efeito em si. Quando esses sentimentos dolorosos reaparecem, você sente-os com uma intensidade ainda maior e, pior ainda, passa a encarar o seu parceiro como a causa desses sentimentos. Significa isto que você os projeta para o exterior e ataca o outro com a violência feroz que faz parte da sua dor. Este ataque pode despertar a dor do próprio parceiro que poderá contra-atacar. Neste ponto, o ego
continua a ter a esperança inconsciente de que o seu ataque ou a sua manipulação serão castigo suficiente para levar o parceiro a mudar de comportamento, e assim usá-lo novamente para encobrir a sua dor.
Qualquer dependência tem origem numa recusa inconsciente de você enfrentar e ultrapassar a sua própria dor. Qualquer dependência começa e acaba com sofrimento. Seja qual for a substância de que fica dependente – álcool, comida, drogas legais ou ilegais, ou uma pessoa – você está a usar alguma coisa ou alguém para encobrir a sua dor. É por isso que, passada a euforia inicial, há tanta infelicidade e tanto sofrimento nos relacionamentos íntimos. Não são eles que provocam sofrimento nem infelicidade. O que eles fazem é fazer ressaltar o sofrimento e a infelicidade que já estão dentro de si. Qualquer dependência faz isso. Qualquer dependência, passado algum tempo, deixa de ter o efeito de acalmar o seu sofrimento, e então você sente o sofrimento mais intensamente do que nunca.
É por essa razão que muitas pessoas estão sempre a tentar fugir do momento presente e a procurar algum tipo de salvação no futuro.A primeira coisa que encontrariam, se concentrassem a atenção no Agora, seria a sua própria dor, e é disso que elas têm medo.Evitar os relacionamentos numa tentativa de evitar o sofrimento também não é resposta. Seja como for, o sofrimento existe. Três relacionamentos falhados em três anos terão mais hipóteses de o forçar a despertar do que três anos passados numa ilha deserta ou fechado no seu quarto. Mas se você fosse capaz de trazer presença intensa para a sua solidão, essa solidão poderia levá-lo a despertar.
Pode-se transformar um relacionamento de dependência num relacionamento verdadeiro?
Pode, sim.
( Eckhart Tolle)
terça-feira, 25 de dezembro de 2012
o Grande Deserto
Nós aprendemos a seguir caminhos que foram definidos pelos nossos pais e mestres que seguem uma tradição e uma cultura. Aprendemos a seguir caminhos conhecidos e testados que tem inicio, meio e fim; aprendemos a tratar objetivos a serem alcançados em curto, médio e longo prazos; aprendemos a separar o bem do mal, o certo do errado. Assim levamos a nossa vida, nos identificando com um grupo social, uma sociedade e uma nação. Nos sentimos parte de um núcleo familiar; do nosso grupo social e profissional; do nosso clube social, do nosso time de futebol, do nosso partido político, da nossa corrente filosófica e da nossa religião. Nos sentimos felizes e realizados porque temos uma suposta liberdade. " Liberdade" porque podemos escolher, com exceção da familia e da nossa natureza individual, o grupo do qual queremos participar.
O caminho tratado pela nossa mente racional e lógica. Os caminhos tem nomes ou rótulos porque são segmentos, partes de um todo. Assim nos identificamos com partes, com um trabalho feito pela mente que identifica, compara e separa. Por exemplo: alguem "gaúcho", "advogado", "gremista", brasileiro e católico; outro "carioca", "vascaíno", "médico", brasileiro e adventista; etc. etc. Estes são apenas exemplo de como somos parciais e de como todos estes valores estão profundamente impregnados na nossa mente - obviamente nalguns mais, noutros menos. Observem que as pessoas sentem orgulho de suas escolhas e essa paixão chega a tal ponto que são capazes de matar e morrer pelas suas "verdades". As paixões tornam as pessoas cegas e surdas para outras realidades. As escolhas reduzem as pessoas a um "rebanho" que segue um pastor, um ídolo, um filosofo, um líder, um mestre, um gurú, um salvador, uma "autoridade". A escolha nos incapacita de ver a imensa beleza que se estende para algum dos caminhos.
Muitos se dizem felizes com suas opções; muitos outros são infelizes e partem em busca de outros caminhos. Desses, a maioria depois de experimentar alguns encontra um com o qual se identifica e ao qual dedica o resto de sua vida. Alguns poucos não encontram respostas em nenhum caminho e começam a abrir trilhas próprias. Por que? Porque cada ser humano é um Universo. Cada vida é uma experiencia única. Não há duas vidas iguais. Não há duas experiencias iguais. Cada um tem o seu caminho que representa o desenvolvimento de sua natureza, de suas potencialidades. A verdade é individual, própria, e, portanto ninguém pode ensiná-la. Ela é uma descoberta pessoal. A felicidade consiste, portanto, em trilhar cada qual seu caminho conforme características internas e externas.
A consciência, ao ultrapassar o ego, nos mostra que a natureza individual é propria e as experiencias únicas.
A tão propalada igualdade entre os homens não existe, pois nas motivações todos somos absolutamente diferentes uns dos outros. Essa diferença está no nível de consciencia e na herança genética, física e "na alma". A ampliação da consciência, que alguns também chamam de "ascenção", é um processo unico e individual. Ninguem terá uma identica experiencia. Esta somente pode ser rotulada em termos gerais como um processo de autotransformação, individuação, renascimento pelo espírito, etc.
Iniciamos por caminhos conhecidos; seguimos abrindo trilhas proprias em busca da Verdade, e, depois de experimentar toda sorte de belezas e dificuldades na travessia do grande deserto, começamos a despertar. Percebemos, então, que estamos de onde partimos. Retornamos ao ponto inicial. Procurávamos um tesouro - a Verdade - em terras distantes. Observamos que estávamos fora. Caminhamos, trilhamos terras distantes (a Ciência,Filosofias, Religiões, Doutrinas...) procurando respostas para a nossa ânsia interior. Buscávamos a Verdade fora de nós. Nunca a encontraríamos porque ela está dentro de nós.
Textos de alguns mestres:
Mestre Sufi:
"A verdade não é um fim a ser alcançado num dado momento no futuro; É a realidade do passo que se dá neste preciso momento. É um erro pensar que a realidade é como uma linha horizontal, uma progressão linear, da causa-efeito, do começo ao fim, da idéia á realização. A realidade é um círculo infinito e cada ponto da circunferência é, simultaneamente, o centro, o ponto de partida e o ponto de chegada.
Onde quer que estejamos, aqui não há nem limiar, nem exterior, nem mais baixo, nem mais alto, nem princípio e nem fim. Seja o que for o que agora o mundo nos dá, nós estamos no centro das nossas vidas, passo a passo no caminho aberto. É isto. A paz última está no centro da forte tempestade da vida diária. Assim sendo, como podemos desprezar um grão de arroz que seja?
Conseguiste agarrar uma parte do tempo? Por favor, mostra-ma. Se o fizeste ou bem ela é um espécime morto (visto estar separado da corrente viva da vida) ou então não é nenhuma parte; É o todo!
Onde está este ínfimo instante? O cosmos inteiro está nele contido! E tu onde estás? Em nenhum outro lugar que não seja o centro do universo, onde também estão todos os instantes e todos os seres. Sabendo isto, como podes dividir o mundo em partes?
Devíamos ver este instante intemporal sem o fragmentar. Devíamos ver este presente sem espaço e este único milagre da vida original como a realidade total do nosso ser."
Tagore:
"Onde as rotas estão traçadas eu perco o meu rumo. Sobre o mar intenso, no azul do céu, não há nenhuma linha traçada. Sente-se a direção pelo voo dos pássaros, pelo brilho das estrelas, pelas flores das diferentes estações. E eu pergunto ao meu coração: acaso não conhece o invisível caminho?"
sábado, 22 de dezembro de 2012
Destruição libertadora
É bem óbvia a necessidade de uma revolução radical. A crise mundial a exige. Nossas vidas a exigem. Nossos incidentes, desejos, atividades, anseios de cada dia, a exigem. Nossos problemas a exigem. Faz-se necessária uma revolução fundamental, radical, porque tudo ruiu ao redor de nós. Embora, aparentemente, exista ordem, observa-se um lento declínio, uma lenta decomposição. A onda de destruição está superando constantemente a onda da vida.
É necessária, pois, uma revolução, mas não a revolução baseada em idéia. Em vista da catástrofe que estamos presenciando - a constante repetição das guerras, o incessante conflito entre classes, entre pessoas, a horrível desigualdade econômica e social, de capacidades e talentos, o abismo que se abre entre os que são muito felizes, livres de perturbações, e os que se debatem nas malhas do ódio, do conflito e do sofrimento - em vista de tudo isso, há necessidade de uma revolução, de uma transformação completa.
A transformação não está no futuro, não pode estar no futuro. Ela só pode ser agora, momento a momento. Assim sendo, que entendemos por transformação? Ora, é muito simples: é ver o falso como falso, e o verdadeiro como verdadeiro. Ver a verdade no falso, e ver o falso naquilo que foi aceito como verdade. Quando se vê que uma coisa é falsa, essa coisa falsa se extingue. Quando se vê que a distinção de classes é falsa, gera conflitos, cria miséria, divisão entre os homens, se se percebe a verdade a esse respeito, essa própria verdade liberta. O próprio percebimento dessa verdade é transformação.
E nós necessitamos deveras de uma mudança completa, de uma tremenda revolução. Necessitamos não de uma mudança de idéias, de padrões, mas, sim, da demolição, da destruição total de todos os padrões. E a mudança é necessária, pois não podeis continuar a viver com essas atitudes, crenças e dogmas tão insignificantes, estreitos, limitados.
Tudo isso precisa ser destroçado, destruído.
( Krishnamurti )
- Krishnamurti prega a saida consciente da sociedade promiscua e decadente, através de pequenas comunidades.
sábado, 15 de dezembro de 2012
Só
Todo o homem que é um homem sério, tem de aprender a ficar sozinho no meio de todos, a pensar sozinho por todos e, se necessário, contra todos.
(Romain Rolland)
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