sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Crença de prisioneiro


Nós não temos livre arbítrio, esta é uma afirmação.
Na verdade a crença no livre arbítrio é um dos maiores impecilhos para percebermos que sempre fomos livres.
E apesar de parecer contraditório, não há contradição.
Não se concilia as duas posições, transcende-se, da seguinte maneira:
A Crença no livre arbítrio faz supor que dentro de nós existe alguém, um homúnculo, que chamamos Eu que tem a capacidade de livre arbítrio. O Eu é portanto o agente do livre arbítrio.
Porém quando percebemos que todas nossas ações, sentimentos, pensamentos e crenças, são de fato determinados pelo nosso passado, podemos dar mais um passo a frente e perceber que o próprio Eu que acreditamos estar dentro de nós e ser o homúnculo que decide livremente é ele próprio produto de nossa formação e nosso modo de pensar.
Assim percebemos que o Eu também é uma criação determinada por regras, e que não existe um Eu dentro de nós separado de nossos pensamentos, memórias, sentimentos, que decide algo.
Esta percepção nos liberta da ilusão de que temos um EU separado e que precisa ser livre.
Ora se não há um EU, não há sentido em buscar liberdade para este EU, e é por isto que se afirma que sempre fomos livres, pois afinal nunca houve nada dentro de nós para ser livre.
A crença de prisioneiro , é a crença de que dentro de nós existe um Eu que precisa se libertar de algo.
(by Celso)

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Superação


Superar é ultrapassar uma dificuldade, um problema, um obstáculo. A melhor forma de fazê-lo não é combater e vencer, mas compreender. A luta e a violência são armas do ego que levam à repressão e à desarmonia. A compreensão leva ao amor. Não devemos lutar contra nós mesmos, contra os nossos instintos, contra o prazer sensual, mas procurar conhecer a nós mesmos, tentar compreender a energia que nos move, que nos direciona.
A nossa mente quer identificar as causas que geram as nossas angústias e dores, porém, nunca as superará porque é necessário o perceber.
O ser humano se apega, cria dependências emocionais, e culpa o outro pela sua infelicidade. A mente dual sempre procura uma causa porque ainda é incapaz de perceber o todo, compreender que todas as coisas no universo estão interrelacionadas. Dor e prazer são dois pólos da mesma realidade, a vida.
Muitos dos conceitos de Bem e Mal são criações humanas para justificar a ignorância, aquilo que é.
A maioria dos seres humanos vive mergulhada na confusão, em equívocos criados pela sua mente. Confusão significa escuridão, trevas, ignorância. O ser humano comum é uma máquina de efeitos condicionados que age movida pelo exemplo, pela imitação, por idéias alheias. Tem uma viseira estreita, mal enxerga o chão onde pisa . Mas o homem não é uma obra acabada. É uma potência com possibilidades infinitas.
É preciso despertar desse pesadelo. Acordar. Abrir, arejar a mente e o coração com o novo, o diferente. Permitir que a luz penetre as trevas. Olhar para cima, libertar-se dos apegos, dos condicionamentos psicológicos, VIVER!!!
O despertar é individual, é uma tomada de consciência, um renascimento para uma nova vida. Acordar é permitir que nossa essência nos direcione a nossa vida. Não precisamos de autoridades, de pastores, padres ou gurus, porque o verdadeiro mestre e amigo não está fora, ele está em nós mesmo.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Livre-Arbítrio


É comum ouvirmos a afirmação de que o ser humano possui livre arbítrio. Isto significa que ele pode decidir de forma livre e fazer a escolha que julgar melhor para si mesmo.
Mas será que é mesmo assim?
O termo arbítrio, é derivado de arbitrar, que significa decidir com a própria consciência.
Ora, quando em nossa vida surge um evento em que devemos optar entre duas ou mais opções, é quando deveríamos utilizar esta suposta capacidade que temos, que se convencionou chamar de "Livre Arbítrio".
Qualquer evento no Universo pode ser dividido em dois tipos:
- Eventos aleatórios: São aqueles eventos que não podemos prever e que seguem apenas as chamadas leis de probabilidade.
Por exemplo: jogar uma moeda.
- Eventos regidos por leis: São aqueles eventos que ocorrem apenas devido a uma série de fatores que o desencadeiam, seguindo regras, que são previsíveis.
Por exemplo a evaporação da água destilada a 100ºC ao nível do mar, é um evento que acontece regido por regras nítidas e que não ocorrerá jamais em temperatura abaixo ou acima de 100ºC.
Dentre estes eventos existem alguns que mesmo que saibamos que sejam regidos por leis, não podemos fazer uma previsão com grande margem de acerto, como as modificações do clima. Mas apesar disto estes eventos também são regidos por regras e não são aleatórios.
Ora a qual tipo de evento pertence as decisões que tomamos quando dizemos que estamos usando o livre arbítrio?
Certamente nos eventos do primeiro tipo (eventos aleatórios), não poderemos colocar as decisões do livre arbítrio. Pois isto equivaleria a afirmarmos que nossas decisões são tão imprevisíveis quanto a face que cairá para cima quando jogamos uma moeda. Isto significa que se colocassemos 1000 pessoas numa situação em que eles deveriam decidir se apertam ou não o gatilho de um revólver que esta apontado para a cabeça do melhor amigo deles, teríamos um total médio de 500 tiros e quinhentas pessoas mortas. Sabemos que na prática isto não ocorreria, portanto as decisões do livre arbítrio não são decisões aleatórias.
Por exclusão, então resta o segundo tipo de evento: As decisões tomadas por livre arbítrio são eventos regidos por leis.
Sabemos que para decidirmos, usamos nossa consciência, ou seja, nossos valores, pensamentos e conhecimentos adquiridos; nossas reflexões e memórias. Todas estas capacidades porém, são produto do condicionamento que tivemos no passado, de nossas experiências e aprendizado. Assim para decidirmos sobre algo, usamos determinadas capacidades que estão totalmente vinculadas ao passado.
Portanto nossa decisão não é na verdade livre; mas é o resultado de uma avaliação baseada em dados que temos acumulados na memória. Assim a decisão não é livre, mas sim, dependente do nosso condicionamento anterior.
Estes condicionamentos são as regras que determinam nossas decisões, o fato de não podermos prever com grande margem de acerto qual decisão um ser humano irá tomar, não significa que a decisão tomada será totalmente livre e independente, assim como o fato de que não podemos prever o clima com grande margem de acerto não significa que o clima independa de regras que o determinem. Desta forma quando decidimos por uma opção, na verdade não fazemos uma decisão livre, porém sim, uma decisão baseada em memórias anteriores que nos levaram a optar por determinado caminho.
Na verdade decidimos a partir de hábitos e desejos anteriores (conscientes ou inconscientes) e não através de uma suposta "liberdade para decidir".
Faça você agora esta experiência:
Decida mexer qualquer parte de seu corpo e faça isto agora. A maioria das pessoas acredita que pode decidir mexer a parte do corpo que quiser, e com liberdade. Mas não é bem assim. Reflita um pouco. Você na verdade mexeu uma parte de seu corpo apenas porque eu sugeri e, portanto, sua ação não foi livre mas foi uma ação induzida por minha proposta.
Você pode dizer: Certo, mas eu mexi a parte do corpo que eu quis, livremente. Mas uma vez você se engana. Por exemplo, certamente você não decidiu mover a musculatura do períneo (região entre os genitais e o ânus). Por que? Porque esta área é uma região do corpo que habitualmente não decidimos mover voluntariamente, por não fazer parte de nossos hábitos e condicionamentos prévios.
Qualquer movimento que tenha realizado, teve como causa, hábitos anteriormente armazenados na memória e portanto não foi um movimento livre. Isto é valido para qualquer pensamento, emoção ou sentimento que você tiver. Todos eles são condicionados e só aparecem devido a uma série de experiências que você teve no passado, nunca surgem porque você escolhe livremente.
Até mesmo se você decidiu não realizar esta experiência, tal decisão foi tomada baseada em avaliações armazenadas em sua memória, e portanto também foi uma decisão condicionada.
Bem, mas apesar de ter lido minhas afirmações acima, você pode não concordar comigo e continuar acreditando que você tem livre arbítrio. Ok., é realmente bem provável que isto aconteça. Mas pare um pouco e pense: Porque você continua acreditando que tem livre arbítrio? Certamente porque em um determinado momento de sua vida, baseado em suas experiências, leituras, raciocínio e desejos, você chegou a conclusão que tem livre arbítrio. Portanto o próprio fato de você discordar do que eu afirmei acima, comprova que sua avaliação é sempre baseada em experiências passadas e portanto não é na verdade livre, mas condicionada!
O que comprova o fato de que não temos "livre arbítrio", não porque eu tenha dito isto, mas porque é assim.
(By Celso)

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Observador


Inicialmente, quero esclarecer que Liberdade e Amor são palavras que tem um significado próprio para mim.
Amor e Liberdade são "estados de espírito" que estão além do mundo dual.
O Amor está além do egoísmo, do altruísmo ou da paixão. Amor é o sentimento de doação incondicional.
Liberdade é o sentimento de desapego. Ser livre é ser puro, natural e inocente. Na Liberdade não há escolhas porque ela está na percepção do Todo.
Existem "camadas" na nossa existência: "físico","mental" e "consciencia".
A camada do mundo físico é objetiva; os sentidos transmitem tudo o que está em sua volta - os olhos vêem, os ouvidos ouvem, as mãos tocam. O mundo objetivo é comum a todos.
A segunda camada, em seu interior, é a mente: Pensamentos, emoções e sentimentos. O corpo é conhecido pelos outros, a mente não. Os pensamentos são privados, não são comuns.
A camada externa cria a ciência, a camada dos pensamentos e sentimentos cria a filosofia e a poesia. Será que somos somente matéria e mente?
Observamos que na mente existe um fluxo de pensamentos. Essa mente cria o mundo do observador, aquele que observa os pensamentos e os objetos, com todo seu "fundo" ou conteúdo adquirido através de experiencias, vivencias, gostos pessoais, dissabores, alegrias, conceitos e tais...
Mas....será esse observador único ? Independente do que pensa ?
Ao olhar para uma casa com os olhos abertos ou fechados, o observador é o mesmo; se está olhando para a raiva ou o amor, se está triste ou alegre, se a vida se transformou em poesia ou pesadelo, isso não faz nenhuma diferença -aquele que olha permanece o mesmo com seu conteúdo interno.
Esse "centro", essa "testemunha" é a consciência que contém em si a raiva, o amor, desejo, suas imagens interiores.
Os pensamentos são um caos, e a luta para afastá-los somente cria mais pensamentos.
Saímos deste círculo vicioso, ao iniciarmos um processo de observação sem luta, sem esforço, um deixar fluir...
Então, de repente, o"eu" (a consciência) observa que é todo esse conteúdo. Os pensamentos são esse "eu" . Esta é a conscientização do que se é.
Seu segredo é: Atenção.
Quando perceber isso, ele não julga, avalia ou condena, utilizando-se de todo seu "fundo" : apenas percebe... Ele não é um juiz. Assim começa a ter a percepção do todo.
Atenção e auto-observação são o segredo da ampliação da consciência. Assim consegue-se ver além das aparências e identificar as causas e os efeitos que permeiam a realidade.
Esta experiência é possível nos momentos em que somos nós mesmos, assumimos o tal conteúdo de nosso "fundo"- aquele que cria diversos conflitos, exterior e interiormente.
Percebe-se, desse modo, a origem da violencia e da confusão. Começa, então, o término de tais conflitos.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Vida Estudantil


Vida estudantil e suas Contradições
Um questionamento sobre os valores da educação moderna ( Escrito por Gavin Gee-Clough )

Sempre ingênuo, o estudante descarta a possibilidade de se ligar ao mundo de forma diferente da análise compulsiva que lhe foi ensinada. Conseqüentemente se torna mais e mais distante de seus verdadeiros dons e desejos.
É raro um estudante que conhece a si mesmo. Geralmente ele não sabe o que quer, mas o que pensa que quer (o que normalmente é o que ele acha que os outros querem). Esta é a base do pragmatismo de carreira, que se baseia no que o estudante se força a fazer para alcançar alguma recompensa.
Você diz, honestamente, que quer ser rico e poderoso; mas isto todo mundo quer, porque são instintos básicos que garantem sobrevivência - é a biologia. Mas biologia e sociedade atuando isoladamente sobre nós, sem séria reflexão, nos torna homogêneos e automáticos.
"Este mundo, monstro de energia, sem começo e sem fim, bem como sem aumento ou receita, revelando nada ! Este mundo é desejo de poder e nada alem". (Jim Morrison )

A ciência pode ser libertadora, mas da mesma forma: se atuar isoladamente arruína o progresso do ser humano. Para que a ciência estabeleça-se corretamente, ela precisa de arte.
A formulação das hipóteses científicas é completamente criativa e intuitiva; logo é arte. Em outras palavras, se ciência não estiver baseada na arte, ela não funciona.
Aplicada nos estudantes, esta lei decorre da seguinte maneira: separado de si mesmo depois de anos de vida acadêmica, o estudante desconhece arte, pois arte é o universo de si mesmo, de seu self; logo se a razão precisa de uma base intuitiva, o estudante não conseguirá raciocinar sozinho.
Razão torna-se um instrumento que justifica o status quo, ao invés de ser uma forma de modifica-lo.
E é o que está acontecendo. Estudantes deveriam ser o primeiro passo para a transformação do status quo, mas os sistemas educacionais de todo o planeta estão fazendo exatamente o contrário.
Vivemos num mundo onde educação é uma forma de manutenção da mediocridade global, e é por isso que ela está se perpetuando com tanta facilidade.
"No seu primeiro dia de aula você é cortado da vida para elaborar teorias a respeito dela" (Taisen Deshimaru, Mestre Zen )

A vida é a continua exploração da relação que existe entre o indivíduo e o planeta. A educação institucional inverte este processo. Nosso sistema de educação aliena progressivamente o indivíduo de si mesmo.
A escola se inicia como um jogo de aventuras, mas isto é só um truque para ganhar confiança. A criatividade e a curiosidade rapidamente desaparecem diante da exigência de obediência, imitação e do espírito competitivo. Quando a criança chega ao segundo grau a educação já atingiu essa meta.
Obediência e imitação não exigem nada de original da criança, ou seja, nada originado pelo seu self, por ela mesma. Por definição, dela é exigido exatamente o oposto: a dócil apropriação das idéias e comportamentos de outros. A atmosfera quase penal das salas de aula reitera o primeiro princípio escolar: submissão e coesão. Educação é como o status permanece quo.
A gradual desconsideração da opinião da criança sobre o que é melhor para ela é a retirada de sua individualidade. Quanto mais tempo ela fica exposta às instituições de ensino maior se torna essa separação. Escolas e universidades despejam no mundo seres humanos automáticos, apáticos... mas perfeitos para fazer a engrenagem do sistema funcionar.
Conservadorismo e estreiteza de visão são as logomarcas do estudante, o medíocre expoente da Razão. O relacionamento do estudante com o conhecimento racional é baseado na fé - a universidade como Templo da Razão, onde se valorizam especialistas e títulos de doutorados.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Nem Eu Nem Deus


Baseado na experiência pessoal, sem qualquer revelação divina,o budismo, pelas próprias palavras de seu fundador, nega toda existência de um Eu independente.
Esse paradoxo é único na história do pensamento:
O que todas as tradições chamam de 'alma', e em sânscrito, atman - essa entidade permanente que sobreviveria a nós para conhecer outra vida, ou várias outras vidas, essa realidade distinta do corpo, resistente a morte, ao sono, á perda de consciência - o budismo a procura sem encontrar.
Até as noções contemporâneas de um 'eu', de um 'ego', que não supõem a sobrevida de uma alma depois da morte, mas estabelecem um 'em si' tangível, um 'ser-eu' definido e durável, são energicamente refutadas.
Quando dizemos "meu corpo" ou "meu espirito", supomos a existência de um ser, de uma pessoa que possuiria esse corpo e esse espirito, e consequentemente dele se distinguiria.
O mesmo ocorre quando dizemos "meus desejos", "minhas saudades", "meu passado", "minha coragem". Ora, esse 'ser', esse 'em si', o budismo não encontra em lugar algum. E até mesmo o condena, porque vê nessa crença ilusória a origem do egoísmo, do apego as posses, da inveja, do orgulho, da maldade em relação aos outros, que vivem no mesmo erro. Dos conflitos entre os indivíduos ás guerras de extermínio entre as nações, todo o mal que nos angustia nasce desse sonho absurdo, dessa sensação de ser distinto,particular, constante.
Somos como a folha de papel; estamos relacionados a todas as coisas. Podemos nos decompor em certo número de elementos: nossos membros, os fragmentos de nossos membros, os átomos que nos formam, a atividade de nosso pensamento, mas nenhum desses elementos pode pretender á totalidade de um eu . Esse insiste em nos escapar.
Para lutar contra essa inconsistência, que os poetas expressaram algumas vezes de forma magnífica, os homens - diz-nos o budismo -inventaram dois conceitos, um de proteção, outro de conservação.
O conceito de proteção chama-se Deus, pai onipresente e onipotente que nos dá segurança em nossa fraqueza; o conceito de conservação chama-se alma, destinada a viver eternamente, substância de consolo na passagem da vida.
Além de serem erros enraizados, profundamente inscritos em nós por nós mesmos, a idéia de Deus e a idéia de alma são o próprio sinal de nossa ignorância. Essas idéias são erradas e vazias, Elas são "projeções mentais sutis", habilmente envolvidas por palavras. Elas tem um poder quase irresistível, porque nasceram de nossa angustia e necessidade de viver, o homem a elas se apega com tanta força que não quer escutar nem mesmo uma palavra que a isso se oponha.
E, portanto, para atingir o despertar, é indispensável delas se desfazer.
O Buda Shakyamuni deu-se perfeitamente conta do aspecto revolucionário - e muito difícil de ser aceito - dessa crítica aos sentimentos e ás idéias recebidas. Assim disse ele: "Os homens que estão submersos em paixões e envoltos em uma massa de obscuridade não podem ver essa verdade que vai contra a corrente, que é sublime, profunda, sutil e difícil de compreender".
Ir 'contra a corrente' é o mínimo que se pode dizer, pois estamos todos muito intimamente persuadidos de sermos, cada um, um indivíduo particular e permanente. A maior parte de nossas frases começam por eu, e em francês até muitas vezes por moi, je.
Tudo nos diz que somos feitos de nossas ações passadas, de nosso estado presente, de nossos projetos para o futuro, que nossas transformações são apenas superficiais, e o essencial, em cada um de nós, permanece.
"Você não mudou" é uma das frases que escutamos com maior freqüência a nossa volta.
Basta entrar em uma grande livraria e contar o número de obras explicativas e demonstrativas consagradas aos problemas do 'eu'. As estantes estão transbordando. Quando nessas obras mergulhamos, percebemos quão variadas e decepcionantes são, pois estranhamente nenhum dos casos descritos parece se aplicar ao nosso.
De qualquer maneira, esse amontoado de análises não cessará tão cedo. A própria arquitetura do direito ocidental moderno baseia-se principalmente no indivíduo distinto da massa - ameaçado e ao mesmo tempo precioso, um indivíduo perceptível e definível.
O budismo nos afirma com obstinação o contrário.
Nenhum vestígio de substância permanece imutável em nós. Vivemos numa corrente ininterrupta de relações, que condicionam a cada instante nossa existência. Não temos nenhuma possibilidade de falar do nosso 'eu', do nosso 'ser'. Os budistas não podem acompanhar Descartes e seu famoso 'logo'. Nada nos autoriza a passarmos do pensamento ao 'ser', que são dois elementos do mesmo fluxo variável. Em vez de afirmarmos "Penso, logo existo", no máximo poderíamos dizer, no mesmo instante em que falamos: "Penso, logo penso", ou então, como Nietzsche, dizer-mos "Algo pensa".
Esse deslocamento do ego é acompanhado evidentemente de uma profunda crítica a memória e á noção de passado. Esse sentimento de continuidade que toda vida dá é uma ilusão suplementar, um jogo complacente do espirito. Tudo o que se refere a nosso passado - que a todo instante reconstituímos e modificamos através do pensamento - é uma abstração, uma construção mental, assim como o futuro, e com dificuldade e prudência podemos falar do momento presente.
Posto que, ainda assim, é preciso admitir que existimos (senão a conquista do despertar se torna incompreensível), o Buda admite que somos constituídos de 'cinco agregações'. Sem entrar em detalhes, porque são complexos, nomeemos essas cinco agregações que nos compõem, e sobre as quais repousa nossa existência no mundo:
O Corpo (ou caráter material), a sensação, a percepção, a conformação (que se chama também de construções) e a consciência. Mas Buda diz, logo depois, ao falar a seus cinco primeiros discípulos:
"O corpo não é o ser', a sensação não é o 'ser', as construções não são o 'ser', tampouco a consciência é o "ser".....
Nenhum dos agregados que nos compõem (apesar de algumas escolas defenderem o contrário), portanto, podem pretender ser nós mesmos. Mas e se for preciso escolher? Se precisarmos obrigatoriamente de um suporte, de um ponto de apoio? Aí, então, diz Buda, sem duvida é melhor tomar o corpo, porque pelo menos ele subsiste algum tempo, enquanto que "aquilo que chamam de espírito produz-se e dispersa-se numa perpétua transformação".
Desconfiança, então, com relação a nosso pensamento. Desconfiança total com relação a nossa 'alma'.
Todos os continuadores do Desperto, não importa a que escola budista estivessem ligados, insistiram nesse ponto: o 'eu' é ilusão e a verdadeira fonte do sofrimento.
(de um amigo - acredito que esse texto seja prefácio de algum livro...)

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Perdido ?


"E agora estou perdido!
Devo parar?
- Não, se paras, estás perdido."
(Goethe, in "Poemas" )

A vida é repleta de incertezas e dúvidas. Este constante mistério a ser vivido, as surpresas que se escondem a cada passo, em cada esquina, em cada caminho e em cada lugar tornam-na uma aventura fantástica.
O desconhecido, a insegurança sobre o que pode acontecer no próximo segundo torna-a plena e transbordante. Não quero saber o que me reserva o amanhã, não quero um caminho conhecido, experimentado, vivido, de segunda mão; eu quero descobrir os segredos do novo, do diferente, do que está além do conhecimento de massa; eu quero saborear a vida aos poucos, nos seus mínimos detalhes, na sua mais profunda essência. Descobrir e vencer as dificuldades, os perigos e as armadilhas; trilhar as encostas mais íngremes, os picos mais altos e os abismos mais profundos. Ser o anoitecer e os alvorecer, o sol e a lua, o dia e a noite, o córrego, o rio e o mar; a montanha e a planície; voar junto com os pássaros, nadar junto com os peixes, andar sobre a terra molhada, o gelo, a neve e o deserto escaldante. Sentir a vida, a energia fluir como um rio; sentir o por do sol, colorindo as nuvens preguiçosas, com o canto melodioso da cigarra de verão; o namoro dos pássaros, fingindo brigas, antes de se recolherem sob as folhas da frondosa árvore. Caminhar pelas trilhas sentindo o cheiro do mato molhado; beber a água da fonte colhida pelas mãos em concha; sentir as frias gotas de chuva molhando o rosto, os braços, os cabelos... olhar para o alto e senti-las batendo nos olhos e nos lábios. Sentar na relva e namorar a grama, os arbustos,as árvores, as pedras, as formigas, os grilos, o louva-a-deus e todos aqueles insetos coloridos; brincar na areia da praia, fazer castelos de areia, jogar água nos amigos, sentir o riso, a espontaneidade, a alegria de viver, a liberdade de ser; olhos nos olhos, sintonia de almas, e... naquela fração de segundos, a comunhão, a luz e a percepção da eternidade.Não, não estou perdido. Somente está perdido quem pára. Somente está perdido quem não ousa, somente está perdido quem tem medo de viver.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Apenas um existir



É preciso treino, disciplina e vontade para construir o ego, o ego perfeito, do tamanho do universo. É preciso ter respostas racionais e lógicas para todas as perguntas, para todas as dúvidas, até que já não existam perguntas e dúvidas. É preciso dominar a natureza em geral, os instintos em particular e treinar a mente, continuamente, diuturnamente, segundo uma única verdade que resulta da aliança da razão e da fé, até ter certezas, certezas absolutas, inabaláveis, uma convicção tão profunda que justificará matar ou morrer.
 Este homem é um ego perfeito, ele só tem certezas, nenhuma dúvida. Foram homens desse quilate que promoveram o genocídio dos Armênios e o holocausto,  ou as perseguições e morte de milhões pelos comunistas Stalin, Mao Tsé-Tung e Pol Pot. Não houve grande diferença entre as acusações de Hitler aos judeus e a perseguição de Stalin ao fazendeiros ucranianos. Um e outro só tinham certezas, nenhuma dúvida. Estavam embriagados, embriagados pelas suas convicções, embriagados pelo poder. Hipnotizados por si mesmos. Cegos e surdos, totalmente cegos e surdos para a verdadeira vida.

A vontade de poder tem limites. A realidade vai impor-se inexoravelmente. Os ventos do destino sopram, às vezes, como uma leve brisa, outras como um furacão, apenas com a força necessária para acordar-nos do nosso profundo sono. Despertar-nos para a realidade, para a verdadeira vida que não tem lógica nem coerência, que é apenas um existir.



quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Autotransformação


A autotransformação, o realizar-se a si mesmo (individuação) não é o mesmo que tornar-se consciente. O processo de fortalecimento do "eu" para a ampliação da consciência leva a um mero egocentrismo enquanto a individuação compreende infinitamente mais do que apenas o "eu". A autotransformação é a assimilação de conteúdos inconscientes e não exclui o mundo, pelo contrário, o engloba. Ao nos tornamos conscientes do conteúdo do inconsciente, geralmente irrompe um violento conflito entre a "visão diurna e visão noturna" das coisas. É um processo de tomada de consciência, de uma vivência e de uma experiência que envolve a pessoa toda através de um intenso sofrimento e que é definida por Jung como uma "passio" (paixão) da alma e não como "morbus animi" (doença da alma) que a qualificaria como uma patologia. A dor da autotransformação não é o "tudo é dor" definida por alguns filósofos.

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

"Individuação"



O homem desde a concepção vai construindo através dos sentidos o seu universo, a sua consciência, a sua persona (ou "ego ideal" - Jung). A formação da persona dá-se de acordo com os valores da tradição, da cultura e da religião transmitidos pela família, pelo grupo social e pela educação formal. A persona é formada pelo aprendizado e é, portanto, uma máscara construída para adaptar-se às diversas situações do universo em que ela vive. O centro de gravidade do "eu" está localizado nessa estrutura, dominada pelos valores coletivos, pela fé e pela razão, chamada por Freud de superego (ego no esoterismo).

Características desta personalidade:

1. A natureza determinada e dirigida dos conteúdos da consciência.

2. O comportamento, sentimentos e pensamentos são, em grande parte,controlados por impulsos inconscientes e pelas tradições coletivas.

3. A vida é movida pela energia da vontade, a vontade de poder. O caminho da vontade se dá através de conflitos, lutas e violência.

4. O seu mundo é dual, fragmentado: certo e errado, bom e mau, belo e feio,Deus e o Diabo. A vida é baseada em escolhas. A mente absolve ou condena,justifica e compara.

5. Têm muitas certezas e poucas dúvidas, baseadas no conhecimento intelectual, no raciocínio e na lógica, que podem ser muito desenvolvidos.

6. Em geral têm uma profunda aversão em conhecer alguma coisa a mais sobre si mesmos.

7. Vivem num mundo de expectativas, emoções, idéias, hábitos, passado e futuro.


Esta é a humanidade que nós conhecemos.

A evolução, o desenvolvimento ou ampliação da consciência é promovida pelo instinto e manifesta-se como um desejo de liberdade. São aquelas forças profundas, naturais, involuntárias e inconscientes (id - Freud) que se manifestam e que vão promover a mudança do centro de gravidade do "eu" do superego para o instinto. O superego (ego) é colocado numa posição secundária. É o processo de individuação, de autotransformação do ser dual, masculino e feminino, consciente e inconsciente, em um todo. Representa o nascimento de um novo homem com um nível de consciência diferente.

Características do novo homem:

1. A vida é movida pelo amor, harmonia e liberdade.

2. O relacionamento com o Universo que o cerca se dá através da intuição e do sentimento. Afinal o sentimento une, sintetiza e o liberta dos condicionamentos psicológicos do mundo dual.

3. Consegue superar a visão dual e fragmentada e passa a ter a percepção, a compreensão do todo, do conjunto.

4. Vive segundo o princípio de que tudo tem o seu tempo e cada coisa a sua hora.

5. Nas relações pessoais é tolerante, não julga e não têm preconceitos.

6. Vive o aqui, o agora e a não-escolha; tem dúvidas e poucas certezas, se não transcendeu-as. Está aberto ao novo porque sabe que as certezas de hoje podem estar superadas amanhã.

7. Não é movido pela fé mas sim pelo saber.

Devemos observar que a autotransformação, o realizar-se a si mesmo(individuação) não é apenas um processo de ampliação da consciência. Este pode ser promovido pelo fortalecimento do superego (ego) que leva a um mero egocentrismo enquanto a individuação compreende infinitamente mais. A autotransformação não exclui o mundo, pelo contrário, o engloba. É um processo de tomada de consciência, de uma vivência e de uma experiência que envolve a pessoa toda.O novo homem está desvinculado de todos os valores coletivos, ele é ele mesmo, solitário. Ele basta a si mesmo. É um indivíduo absolutamente diferente de qualquer outro ser humano porque o seu nível de consciência está além do mundo dual em que vive muitos outros.

sábado, 1 de agosto de 2009

Tempo e Espaço


Encontro-me em plena solidão, numa praia deserta. O mundo, os seus rostos e as suas coisas, tudo está longínquo. Os seus rumores, problemas e paixões não chegam a este silêncio imenso. Porque o céu, a planície, o mar, são infinitos, também os pensamentos se fazem infinitos. Aqui tudo é tão simples e grande que parece acabado de sair das mãos de Deus. A laboriosa cisão do dualismo, a luta entre contrários de que é feita a vida, procura pacificar-se para se desvanecer na suprema unificação de todas as coisas em Deus. Aqui existo fora do limite do espaço e do tempo, porque no céu, na planície,no mar, não tenho pontos de referência, e os dias correm iguais, sem medida. Sinto-me fora das dimensões terrestres. De nada serve caminhar, porque o deserto é sempre igual, sob o mesmo céu, diante do mesmo mar. O movimento se relaciona com o limite. No espaço e no tempo infinitos a velocidade nada modifica, anula-se no vazio. Devido a falta de um ponto de referência, não havendo ponto de partida ou de chegada, toda a velocidade é inútil. Mesmo o correr do tempo nada muda, porque espaço e tempo não faltam. Acima de todos estes infinitos - o do céu, do deserto, do mar, do tempo - o infinito de Deus os contempla, imóvel, assistindo à sua fusão no infinito. Esta é uma atmosfera diferente que respiro, um outro ambiente em que penetro, outra dimensão em que existo. Superei o limite do plano físico, a barreira da forma, da ilusão, das aparências. Sou apenas um pensamento que observa o pensamento que se encontra em tudo o que existe. Uma força me arrastou para fora das dimensões terrestres, na vibrante imutabilidade do absoluto.

(Pietro Ubaldi)

sexta-feira, 31 de julho de 2009

A Fé não remove Montanhas

As vendas de livros sobre técnicas de auto-ajuda multiplicam-se. Há soluções para todos os problemas, basta ter fé, vontade e pensamento positivo. Na mesma direção vão as igrejas fundadas, diariamente, por qualquer pessoa, bastando ter uma Bíblia numa mão e uma sacola em outra. O que se espanta é a quantidade de pessoas que querem passar por esse "caminho estreito" e pela "porta apertada" que é o progresso material e o desenvolvimento moral, usando somente a fé e a vontade de poder.
Se os livros são best-sellers e as igrejas estão lotadas, então não podemos negar que as pessoas encontraram o que procuravam.


O que essas pessoas procuram?

Segurança.
Segurança que encontram na fé, num guia e num rebanho.
É uma forma primitiva e infantil de segurança, mas, pelo que observamos, funciona. Assim é o homem inconsciente. Ele tem fé que a fé "remove montanhas", mesmo que a sua não tenha sido capaz de remover um grão de areia. Para ele, entretanto, esta foi a causa do seu sucesso. Os insucessos foram provações. Se faltam, ou lhe são escassos os bens materiais, e, normalmente, o são, a sua fé de ganhar uma fortuna no bicho ou na loteria continuam.
O "pensamento positivo" aliado à "vontade de poder", "o poder do inconsciente", "o poder cósmico da mente", "doença" que ataca de forma mais acentuada pessoas de maior nível intelectual, transformam um homem num deus: só não é rico e feliz quem não quer. E, certamente, o poder da mente deve ter como aliados, técnicas e espertezas. Mas o mais importante é acreditar.
A fé é um elemento comum a todas as classes sociais. Ela tem uma grande vantagem: se a pessoa não consegue os resultados desejados nesta vida, há a certeza do céu e da felicidade eterna. Mas é preciso ter fé!
A fé promove certezas. Nada mais perigoso do que um "homem que tem certezas e um Deus que está no céu", como já disse alguém. Tomado pela "santa ira" ele é capaz das maiores monstruosidades, cujos relatos, diariamente, aqui e agora, entram em nossas lares pelos modernos meios de comunicação.Assim como a fé em seu oposto: nada existe além dessa vida, tudo resume-se no materialismo. Assim tiveram fé os maiores genocidas do mundo, no comunismo.
A fé não remove montanhas, os poderes da mente, na sua maior parte, continuam desconhecidos e sem controle consciente. A fé e o pensamento positivo tem inegavelmente uma grande vantagem: manter o otimismo de pessoas com baixo nível de consciência.
Não é a fé, nem a religião, nem a força do "querer é poder" que promovem a evolução moral e o progresso material da humanidade. Quem promove o desenvolvimento material é o mérito. Mérito que se adquire pelo esforço, pelo estudo, pela pesquisa, pelo trabalho, "suando a camisa", mantendo a mente e o coração abertos ao novo, ao diferente, ao desconhecido em qualquer idade e em qualquer tempo. Nada nos é dado gratuitamente, tudo o que somos e temos é porque assim merecemos.
E o que dizer da evolução moral ?
Será que não percebes que o mundo violento lá fora é fruto da violência presente no interior de cada um de nós ?

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Desreflexões


Observo a foto ao lado. A delicadeza de suas formas, a suavidade de seu desenho, a beleza de certo contraste em suas cores.
Certo pensamento surge nesse instante.
" Vivemos uma vida muito traumática em muitos sentidos. Não paramos para observar as simples coisas que nos cercam. Coisas sem motivos, sem desejos, sem pensamentos, sem fugas, sem medos, sem condenações e comparações. Apenas observar. "
Isso me faz refletir sobre esse mundo de pura competitividade. Canso-me em ouvir as diversas correntes do pensamento, na qual antagonicas se tornam. "O Egoísmo é o que move rumo ao progresso. Sem ele, não teríamos o que hoje temos: Grande desenvolvimento tecnológico e científico".
Isso tem seu sentido, mas como em sociedade vivemos, observo fracasso pela simples razão em existir diferenças econômicas tão gigantescas entre nós, e consequentemente, sofrimento. E isso, creio, não será resolvido sem a seriedade exigida em cada um de nós. Seriedade essa que nos obriga a não sermos tão medíocres, tão desrespeitosos com nosso íntimo, tão violento conosco mesmo, que exterioriza-se nas diversas formas de relacionamentos que a vida nos proporciona.
Veja a planta.
Que apenas é.
Sem pensamentos,
Sem desculpas,
Sem medos.
E é isso que se ensina: Observar.

terça-feira, 14 de julho de 2009

Carater e Liberdade


O ser humano começa a formar o ego a partir da concepção com as reações e adaptações ao seu meio. O José, o Antônio ou o Artêmio são egos ou personalidades agregadas à unidade de matéria e energia vital formada na concepção (personalidade = "persona" = máscara) que chamamos de corpo e alma(alma = psique). O nosso corpo e a nossa alma são heranças genéticas e sobre as quais, conseqüentemente, não tivemos arbítrio. Não fomos nós que escolhemos o sexo, formato e cor do corpo, capacidade intelectiva e temperamento. Afinal , nem o berço foi escolha nossa. A educação também não foi e não é escolha nossa, pois apenas reagimos ao nosso meio. Na verdade, só poderíamos não nos portarmos apenas como meros repetidores do meio e da educação quando criarmos juízo. O que é juízo? É a capacidade de discernir, escolher e julgar . Ter juízo é ter consciência, é ter a capacidade de avaliar todas as causas e conseqüências.

Quem é capaz de?

A nossa consciência sempre é parcial e por isso nossos julgamentos não são nem livres, nem justos, nem isentos. Sempre será o nosso universo pessoal que fará a escolha. Por isso deveríamos nos abster de fazer quaisquer julgamentos, enquanto incapazes de ultrapassar tal característica . O caráter é o esqueleto da alma. Nele estão impressas as características pessoais e o destino de cada um. O homem pela educação pode dar-lhe um "polimento" , mas a personalidade é a letra escrita do caráter. Por isso podemos afirmar que não há liberdade no homem, "querer é poder" , "pensamento positivo" e as afirmações de Kierkegaard..."o homem é o que ele escolhe ser"..."a pessoa decide se quer ou não ir adiante"..."a pessoa pode ou não decidir se dará um salto para um estágio mais elevado"... são ilusões. Na verdade, o homem não tem nenhuma cota de liberdade, pois sempre está condicionada ao seu caráter e ao seu nível de consciência. Há certo ditado árabe: "Se Alá predestinou alguém a morrer num determinado lugar, suscitará nele o desejo de viajar até lá". Tudo o que eu sou capaz de fazer e capaz de afirmar reflete o meu universo e não tem aplicação a outros "universos". Eu apenas posso dar o meu testemunho para que os outros "universos" possam perceber as possibilidades que existem. Apenas isso. Eu construo a minha verdade, assim como cada um constrói a sua.

Liberdade


LIBERDADE É......

Estar livre do medo. Liberdade é algo de dentro de sí. É Ser livre. O medo é a base de todos os problemas da existência humana e a ignorância é a causa de todos os medos. Ser livre é estar centrado conscientemente nas forças profundas, naturais e involuntárias que governam a vida. Estar livre da ignorância é encontrar a Liberdade e o Amor.Liberdade é o estado mental em que existe o Amor. Amor que não é o oposto do ódio ou da agressividade; Amor que não é egoísta ou altruísta, mas simplesmente Amor. O Amor não conhece o medo. Liberdade é estar livre dos conceitos de humildade, pobreza, ciúme, apego,escolha, dependência, vontade de poder, vida e morte, direitos e deveres,justiça e injustiça, certo e errado, Deus e Diabo, Bem e Mal, ter e ser,pecado e perdão, culpa e castigo, céu e inferno, felicidade e infelicidade,dor e prazer, fé e esperança e, passado e futuro. Amor é Liberdade... porque tudo é permitido quando é feito com amor.