quinta-feira, 28 de junho de 2012
Ego illusion
Consciência de campo e ética de campo
* artigo escrito em 1978. Capítulo do livro O paradigma holográfico e outros paradoxos – Ken Wilber – Ed. Cultrix - Renée Weber
A teoria de David Bohm revela uma notável cosmologia. Talvez não menos notável que seu conteúdo seja a sua proveniência, um físico. Em nossa época de compartimentalização profissional, surge a questão: Por que um eminente físico teórico, com uma reputação científica em jogo, devota-se à exploração da consciência?Uma abordagem abrangente e enfática da visão de Bohm acerca do universo traz luz a essa questão. Seu contacto com a filosofia indiana, em especial com o sábio hindu Krishnamurti, convenceu-o de que o pensamento, a forma de consciência que nos é mais familiar e na qual habitualmente funcionamos, corrompe a realidade. A velha esperança da metafísica e da física, de que o pensamento pudesse revelar a realidade, está necessariamente condenada. O pensamento é uma habilidade reativa e não ativa, sintonizando apenas parcialmente o homem com a natureza, e distorcendo a maior parte dela. O pensamento é uma espécie de consciência fossilizada, operando dentro do “conhecido” e, desse modo, por definição, não é criativo. A realidade ou aquilo que é fundamental (Bohm não iguala os dois, mas qualquer esclarecimento sobre isso está aquém do alcance deste artigo), as investigações de Bohm o convenceram disso, é algo sempre novo. Trata-se de um processo vivo. Uma vez que o pensamento está limitado pelo tempo, não pode apreender aquilo que se encontra além de um arcabouço finito espaço-temporal.
Bohm só admite com relutância as teorias de outros pensadores em suas discussões, insistindo em elaborar novamente a resolução de um determinado problema sem se apoiar no passado. Não obstante, ele admite que paralelos entre suas concepções e as de certos filósofos do passado. Um exemplo característico é o de Platão, cuja Alegoria de Caverna (República, VII) apresenta surpreendente coerência com a cosmologia de Bohm. Quando incitado, Bohm concorda com a correlação entre a caverna de Platão e a ordem explicada, e também com a correlação entre a metáfora da luz em Platão e a ordem implicada. Tanto a luz de Platão (Sol) como a ordem implicada de Bohm só podem ser apreendidas através de insight, ambas se acham além da linguagem, e ambassão inacessíveis exceto para indivíduos dispostos a sofrer uma mudança vigorosa e decidida. Os domínios que Bohm caracteriza como estando “infinitamente além” até mesmo da ordem implicada – a saber, verdade, inteligência, insight, compaixão – são comparáveis aos princípios fundamentais de Platão: verdade, beleza, o bem, a unidade.Outras tradições históricas vêm à mente. No mundo ocidental, Plotino, Leibniz e Spinoza; no Oriente, Buda, Shankara e a jnana ioga. Esta, cuja afinidade com Krishnamurti e Bohm é notável, é a ioga do discernimento e da discriminação. Ela evita a metafísica e a religião exotérica, o ritual e os sistemas de símbolos em favor de um puro estado de percepção atenta e livre de arcabouços ou filtros. É conhecida na tradição como “a via que sobe direto pelo lado da montanha”, e é considerada a via mais direta e difícil que existe. Diz-se que somente muito poucas pessoas estão propensas a satisfazer suas exigências ou são capazes de realizar tal façanha. De acordo com aqueles que nos deixaram o relato de suas experiências, seu ponto mais alto é o silêncio”, e junta essa descoberta à metodologia: “Por que você tagarela a respeito de Deus? Não sabe que tudo o que diz é falso?”
Além dessas poucas observações, devemos deixar a tradição para trás. Embora possa apresentar interesse histórico e psicológico unirmos-nos a outros exploradores dessa quietude fecunda, ficar agarrado ao passado é um obstáculo e uma traição ao momento vivo recém-criado, para onde se dirige o foco total de Bohm. Por mais interessantes que possam ser os filósofos ou os sistemas que alguém introduza numa discussão com ele, Bohm, firmemente, os reduz a um mínimo e traz o assunto de volta ao presente, a este momento. É seu compromisso com essa manifestação viva da realidade, momento-a-momento, que une seu trabalho em física a seu interesse pela consciência.
A desintegração do átomo só pode ocorrer no presente e sempre pode ocorrer de novo. A analogia do átomo com o pensamento, e com um suposto pensador que produz o pensamento, é crucial. O pensador assemelha-se ao átomo, que permanece coeso ao longo do tempo graças à sua energia de ligação. Quando a energia de ligação do átomo físico é liberada num acelerador, a energia resultante, vertiginosamente grande, fica livre. Analogamente, são necessárias enormes quantidades de energia de ligação para criar e sustentar o “pensador”, e para manter sua ilusão de que ele é uma entidade estável. Essa energia, estando “amarrada”, é indisponível para outros propósitos, forçada a prestar serviço àquilo que Bohm chama de “autofraude” (self-decepcion) (fenômeno descrito em detalhe por Buda como ignorância, avidya, que significa, literalmente, “não ver”). O pensamento, ou o que Bohm denomina mente tridimensional, acreditando-se, equivocadamente, autônomo e irredutível, requer e, por isso, dissipa vastas quantidades de energia cósmica nessa ilusão. A energia que, desse modo, pré-desemboca nessa via não pode fluir por outros canais. A conseqüência disso é uma ecologia cósmica insalubre, que polui o holomovimento em pelo menos duas direções destrutivas. Primeiro, o holomovimento ilude a si mesmo, escolhendo a ficção em vez do fato, e por isso se escraviza. Segundo, o holomovimento se dilacera, substituindo o eu isolado pela consciência da humanidade, numa abstração alicerçada no sofisma, escravizando outros por meio de sua ira, de sua ganância, de sua competitividade e de sua ambição. O resultado desses dois passos errados é um mundo de sofrimento pessoal e interpessoal.
O primeiro desses passos errados, a ilusão de um ego, de um eu pessoal ou pensador, acha-se intimamente relacionado ao tempo e à morte. Sejamos claros. O pensador, não a consciência, é limitado pela morte. Esta, de acordo com esses pontos de vista, consiste precisamente na desintegração atômica psicológica descrita acima e não é, necessariamente, um sinônimo da dissolução do corpo físico (como observam muitos autores em seus relatos sobre a tradição esotérica). A morte psicológica ocorre quando a consciência caminha em compasso com o presente, que está sempre em movimento e se auto-renovando, e não permitindo que nenhuma parte de si mesmo seja aprisionada nem fixada como energia residual. É a energia residual que proporciona o arcabouço para aquilo que se tornará o pensador, o qual consiste em experiências não-digeridas, isto é, não assimiladas nem ordenadas pela mente, em memórias, padrões do hábito, identificações, desejos, aversões, projeções e fabricação de imagens. Não se trata de um processo puramente pessoal mas sim da energia de eons de tais processos esclerosados com o passar do tempo, persistindo tanto em nível pessoal quanto coletivo. A morte do ego desmantela essa superestrutura, deslocando-a para seu lugar correto nos bastidores de nossas vidas, em vez de dominar e desordenar o palco, como atualmente acontece. Bohm argumenta que tal movimento requer maior adaptação biológica não reduzida, bem como saúde, e não deve nos ameaçar. Pelo contrário, a “morte” assim concebida é, na verdade, a sua negação, conduzindo-nos ao eterno presente, além do alcance da morte.
Nosso segundo ponto refere-se à ética. Ao longo dos séculos, o pensador tagarela a respeito de absolutos inquestionavelmente nobres – Deus, consciência cósmica, inteligência universal ou amor – mas o domínio onde habita diariamente permanece destrutivo e caótico. Isso não nos deve surpreender. A qualidade tridimensional do pensamento bloqueia necessariamente a própria experiência da realidade vivenciada pelo pensador, e sobre a qual, durante séculos, ele fala usando palavras ocas. É a incomensurabilidade substantiva e lógica, e não a má vontade nem o esforço insuficiente, que responde por isso. O não-manifesto, como Bohm meticulosamente argumenta, é n-dimensional e atemporal, e não pode ser manipulado, seja como for, pelo pensamento tridimensional. A consciência, funcionando como pensamento (ao contrário do insight) não pode conhecer de imediato a verdade ou a compaixão, e nisso reside a raiz de seu malogro em incorporar essas energias à sua vida diária.Somente quando o indivíduo dissolve o ego tridimensional, que consiste em matéria grosseira, a base de nossa existência pode jorrar através de nós, sem obstrução. Para um físico teórico, o paralelo desse estado de coisas com a mecânica quântica é evidente. Bohm estende sua aplicabilidade à psicologia, incitando-nos à dissolução do pensador como a mais alta prioridade que pode ser empreendida por aquele que busca a verdade. Com essa concepção, ele oscila margeando a fronteira daquilo que é culturalmente aceitável, na interface entre a física e a religião. É um terreno estranho, uma vez que nossa cultura atual, carecendo de qualquer conceito concebível para explicá-lo, rejeita um tal vínculo como algo confuso, e até mesmo absurdo. Entretanto, por mais estranha e inédita que possa ser, essa integração é justificada pelo modelo de Bohm, segundo o qual o universo é um holomovimento. O desmantelamento do pensador produz energia que é qualitativamente carregada, não-neutra ou isenta de valor. É energia livre e fluente, caracterizada pela totalidade, pela n-dimensionalidade e pela força da compaixão. A física e a ética tornam-se também uma só nesse processo, porque a energia do todo [whole] está, de certa forma, intimamente relacionada com aquilo que chamamos de santidade [holiness]. Em resumo, a própria energia é amor.
À desintegração atômica aplicada à consciência Bohm e Krishnamurti dão o nome de “percepção (ou consciência) atenta” (awareness). Tal processo proporciona à consciência acesso direto àquela energia, e a conduz à certeza experimental, baseada na evidência, de que a suprema natureza do universo é uma energia de amor. Os místicos proclamaram isso a uma só voz. O que é surpreendente é o fato de um físico contemporâneo interessar-se por tal teoria e pelo seu método. Naturalmente, é verdade que, em muitos aspectos, os objetivos do místico coincidem com os do físico, isto é, o contacto com o que é fundamental. Mas há uma diferença crítica. A desintegração do átomo é um empreendimento dualista; o físico (sujeito) trabalha sobre um objeto que se supõe estar fora dele. A mudança do objeto não modifica fundamentalmente o sujeito. Por outro lado, a desestruturação do pensador envolve necessariamente o próprio operador ou experimentador, porque é ele o objeto-de-teste em questão, o agente transformador e, ao mesmo tempo, o paciente, que sofre a transformação. Daí a resistência, o caráter árduo e a grande raridade de tal evento.Embora raro, isso ocorre, e conforme se sugeriu acima, Bohm associa sua realização à ética. A desintegração de átomos psicológica despolui o que incontáveis aglomerados egóicos ilusórios (análogos a espasmos que reduzem o fluxo dentro do todo) poluíram com seu mal posicionado sentido de separatividade e suas prioridades mantidas pelo ego, resultando em sofrimento universal. O desintegrador de átomos psicológico coincide, desse modo, com o santo, que não mais contribui para o sofrimento coletivo da humanidade mas, em vez disso, torna-se um canal para a ilimitada energia da compaixão. A consciência torna-se um conduto alinhado com a energia do universo, irradiando-a para o mundo humano e das criaturas sem distorcê-la ou desviá-la para seus próprios objetivos autocentralizados.
Curiosamente, a despeito da convicção de Bohm de que é esse o estado de coisas verdadeiro e desejável, que o nosso conhecimento simplesmente ainda não alcançou, ele reluta em discuti-lo a não ser através de breves alusões. Sua ênfase está na metodologia do processo de autodescondicionamento, e não na terra prometida que se encontraria no fim desse processo. Sua justificativa para isso é simples. Em seu estado condicionado, a mente, seja como for, nada mais pode fazer exceto traduzir o que incondicionado para padrões condicionados e, desse modo, ela perde a essência daquilo que procura. Fiel ao credo da ciência, Bohm apóia-se em provas experimentais, e não verbais. A conseqüência desse posicionamento é estranha, e até mesmo bizarra. Coisa alguma pode rivalizá-lo no domínio do conhecimento, nem mesmo o ardiloso paradoxo da mecânica quântica. Em certo nível, ele parece estar em disparidade com nossa constituição psicológica, pois até mesmo aqueles em que há pleno acordo intelectual com essa concepção acham difícil enfrentá-la no nível existencial de suas vidas, como qualquer pessoa que tenha vivenciado os ensinamentos de Krishnamurti atestará. O que é esse paradoxo? Apenas isto: quanto mais falamos a respeito da “verdade”, ou mesmo pensamos sobre ela, para mais longe de nós mesmos a afastamos (a analogia com o Princípio da Indeterminação de Heisenberg é óbvia). É o eu, o pensador, o criador do pensamento a respeito do sagrado ou de Deus que, nesse próprio ato, introduz as impurezas (tempo, self, linguagem, dualismo) e, desse modo, anuvia aquilo que de outra maneira seria imaculado (o próprio Krishnamurti usou essa palavra nesse contexto, numa conversa que tivemos em Ojai, em 1976).
Dificilmente se poderia considerar esse reconhecimento como algo novo mas sua articulação só raras vezes foi formulada com eloqüência tão sincera como a que se encontra no tom e na linguagem de Krishnamurti ou expressa com a clareza de Bohm. Não precisamos, de fato, perambular até muito longe. Kant nos vem à mente. Já no final do século XVIII, ele insistia em nossa impossibilidade – fundamentada na lógica ou nas leis do pensamento e, desse modo, constituindo um obstáculo que não é possível superar – de ter acesso à experiência do que é fundamental. Kant deu a esse domínio o nome de coisa-em-si, isto é, aquilo que Krishnamurti e Bohm chamam de inteligência ou compaixão (Buda, o dharma, e Platão, “o bem”). Kant liquidou a metafísica demonstrando cuidadosamente, na Crítica da Razão Pura, que tudo o que é pensável e nomeável deve, necessariamente, conformar-se com a estrutura inerente da mente: espaço, tempo, qualidade, quantidade, casualidade, etc. As categorias kantianas são aquelas às quais Bohm se refere como sendo o domínio da tridimensionalidade, com a distinção de que este último é mais amplo, abrangendo a emoção, a vontade, a intenção e outras qualidades psicológicas, bem como cognitivas. Todas essas qualidades dizem respeito ao mundo da experiência sensível (a ordem manifesta ou explicada, na linguagem de Bohm), e respondem pela nossa aptidão para funcionar no domínio fenomênico. Nessa dimensão, não temos outra escolha a não ser filtrar aquilo que é através do aparelho de percepção universal descrito acima. Nossa capacidade para a tradução é útil quando adequadamente empregada (isto é, biologicamente, ou em certas atividades práticas da vida diária). Fazer isso, no entanto, custa-nos um alto preço, como Kant compreendera. Uma vez que o númeno, ou coisa-em-si, não é capaz de ser apanhado na nossa rede, permanece imperscrutável para nós. O conhecimento, tanto para Kant como para Bohm, é o processo de sintonizar a manifestação (o fenômeno) do não-manifesto, a fim de torná-lo acessível a criaturas estruturadas da maneira como somos. Esse filtro e a conseqüente distorção acham-se “embutidos” em nós e são universais. Por definição, a coisa-em-si nunca pode aparecer-nos como seria sem a nossa ação de “sintonizá-la” com nosso aparelho de recepção finito.Aqui os caminhos se separam. Krishnamurti, Bohm e toda a tradição mística concordam com a análise de Kant referente à experiência fenomênica. No entanto, eles avançam além de Kant, para proclamar a possibilidade de um estado de consciência que se encontra fora dessas barreiras. Para Kant, cujas concepções sobre o assunto foram aceitas como definitivas pela filosofia ocidental, nenhuma outra capacidade acha-se disponível em nós à qual possamos recorrer para alcançar o númeno. Bohm e os outros que mencionamos sustentam que essa capacidade existe no universo, e que, estritamente falando, ela não se encontra em nós. O desafio para o local individual de consciência está em fornecer a condição que permite à força universal fluir através dele sem obstáculo. O resultado não é o conhecimento, no sentido kantiano, mas compreensão e percepção atenta, um estado de percepção direta e não-dualista para o qual Kant não fez nenhuma provisão e não possuía nenhum vocabulário. Sua precondição é o estado de vazio, como Bohm insiste repetidas vezes, estado esse que acarreta uma suspensão das categorias kantianas e do espaço-tempo tridimensional. Tal vacuidade leva à cessação da consciência considerada como aquele que conhece e nos transforma num instrumento que, receptivamente, permite à inteligência numênica operar através de nós, irradiando sobre nossas vidas cotidianas. O mecanismo específico dessa operação é difícil de entender. Talvez nos tornemos semelhantes a “transformadores” elétricos capazes de reduzir a tensão da energia cósmica escalonada, por vias que nos permitam focalizá-la no nível microcósmico onde vivemos e agimos. Seja como for, o raro indivíduo que funciona como um canal desse tipo parece, àqueles que entram em contacto com ele, pertencer a uma nova espécie de homem. (Krishnamurti, para qualquer pessoa que o tenha conhecido, é, claramente, um exemplo típico.) Tal ser humano irradia claridade, inteligência, ordem e amor pela sua simples presença. Parece capaz de transmutar nosso caótico mundo impessoal num domínio ético pela sua própria atmosfera, que se acha inequivocamente carregada com energias para as quais não possuímos nomes nem conceitos.
Quando muito, podemos captar vagamente a presença e o poder dessa atmosfera em termos metafóricos e aproximados.
Perceber (não visualmente, é claro) as coisas como elas realmente são exige, usando o vocabulário de Bohm, a desativação dessas lentes, contornando-se o ego ou self que manipula o mundo através delas, e convertendo-se no canal vazio, aberto à totalidade que é a nossa fonte. Como já explicamos, nada nesse vazio pode ser caracterizado, pois a caracterização é a tradução de númeno em fenômeno, de não-manifesto em manifesto. Por isso, todas as linguagens falharão em apreender a essência do todo, até mesmo a mais pura delas, a matemática, como Platão reconhece na República. Apenas o silêncio é comensurável com sua natureza e apropriado ao seu universo de “discurso” (samadhi, a arrebatadora culminação extática da meditação iogue descrita por Patanjali, que significa literalmente “silêncio total” ou “quietude absoluta”).
Essas observações deviam lançar luz na firme postura de Bohm. A esperança de apreender o númeno através de olhos fenomênicos fundamenta-se num absurdo lógico, que Bohm chama de confusão e autofraude. O antiqüíssimo esforço filosófico para sintonizar a pureza de ser e percebê-la tal como seria em si mesma sem ser percebida por um conhecedor é, portanto, uma esperança vã. Aproximar-se da infinita inteligência cósmica, do amor ou insight de que fala Bohm requer que o conhecedor dê total passagem à pura consciência não-dualista. À luz dessa necessidade, as prioridades de Bohm tornam-se compreensíveis e parecem inevitáveis. A desintegração atômica restrita à matéria bruta – o campo do físico de partículas – é apenas um primeiro passo em nossa busca da realidade, e é o caminho presentemente seguido pela comunidade dos físicos. Mas Bohm vai muito além. A mutabilidade das formas (cf. Livro Tibetano dos Mortos) das partículas subatômicas (matéria bruta) não revelará os segredos do universo. Tudo o que ela pode nos oferecer é conhecimento, restrito, como vimos, ao domínio tridimensional.Mas Bohm tem em mente um tipo mais sutil de desintegração atômica: retardar e, finalmente, parar a própria dança daquele que responde pelas mudanças de forma (shape-shifter), isto é, a morte do pensador tridimensional e seu renascimento no domínio n-dimensional da consciência. Tal evento levaria ao estado dinâmico a que Bohm se refere, onde criação, dissolução e criação fluiriam através de nós simultaneamente, como quanta de energia que nascem e se vão em frações de microssegundo, brotando de maneira sempre renovada, sem serem detidas, agarradas ou maculadas. A conseqüência disso – caso a tarefa seja bem-sucedida – é um novo paradigma do universo, da consciência e da realidade humana. Não será mais questão de um conhecedor que observa o conhecido através do abismo de conhecimento que os separa. Esse modelo de consciência desapontou-nos ao longo dos séculos em que nos apegamos obstinadamente a ele.
Deve ser posto de lado, como Bohm argumenta com muita clareza. Sua substituição é o austero paradigma de um campo de existência unificado, um universo autoconsciente que se reconhece e um todo íntegro e interconexo. Conhecedor e conhecido são, portanto, falsidades: elaborações toscas baseadas na abstração. Não se justificam face à maneira como as coisas realmente são, isto é, face ao monismo que Bohm alega ser plenamente compatível com a mensagem da física moderna, baseado nas penetrações que, até agora, ela empreendeu pelo interior da natureza. Embora os dados sejam aceitos pelos físicos, sua interpretação desses dados permanece restrita a campos que se excluem como naturezas conscientes.É essa relutância e essa restrição que Bohm está desafiando. Ele quer explorar todas as conseqüências da teoria da mecânica quântica e está arriscando sua reputação em seu compromisso com o holomovimento. Sua visão é uma teoria de campo unificado com a qual a ciência nem sequer sonha, e na qual aquele que procura e aquilo que é procurado são apreendidos como um só, o holomovimento tornando-se transparente para si próprio. Tal campo unificado não é neutro nem destituído de valores, como requer a regra geral que impera na ciência contemporânea, mas uma energia inteligente e compassiva, manifestando-se num domínio ainda não-nascido, onde a física, a ética e a religião se fundem. Para a vida humana, a plena difusão da consciência de um tal domínio será revolucionária, e nos levará da informação à transformação e do conhecimento à sabedoria.
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Link abaixo do Livro " A totalidade e a ordem implicadas" - David Bohm
http://pt.scribd.com/doc/14688867/Bohm-David-A-totalidade-e-a-ordem-implicadas
terça-feira, 12 de junho de 2012
Sombra
O conceito de sombra em Jung é incompreensível sem entender o seu conceito de “persona” ou “ego ideal”. A origem do conceito jungiano de persona é a noção de prosopon, com a qual se designa no teatro grego a máscara que os actores usavam para encarnar uma personagem. A partir de Jung, o conceito de “persona” significa mais precisamente o eu social resultante dos esforços de adaptação realizados para observar as normas sociais, morais e educacionais do seu meio. A persona lança fora do seu campo de consciência todos os elementos - emoções, traços de carácter, talentos, atitudes - julgados inaceitáveis para as pessoas significativas do seu meio. Esse mecanismo produz no inconsciente uma contrapartida de si mesmo a que Jung chamou “sombra”.
Para conseguir a aprovação dos outros, rejeitamos o que nós acreditávamos não ser aceitável para eles que, por esta razão se converteu em rejeitável para nós próprios. Esse não aceitável tanto pode ser positivo como negativo .
Portanto a sombra está configurada por tudo aquilo que não encaixa com a imagem de nós próprios que queremos dar aos outros, não encaixa com as expectativas que acreditamos terem aqueles pessoas às quais queremos agradar, para conseguir a sua aprovação e carinho, ou então, não encaixam com os “princípios” que escolhemos para nós próprios.Em contraste com a sombra, que é o rosto que ocultamos, a “persona” ou a máscara, é o eu público, o semblante que mostramos ante o mundo. Aferramo-nos à máscara porque acreditamos que é o mais valioso que possuímos. “Quanto mais brilha a nossa máscara, mais escura é a nossa sombra”.
Quanto maior for a distância entre a imagem do que queremos ser e o que na verdade somos, mais nos invadirá a ansiedade, por temor a que outros calem o nosso ser.
A sombra produz-nos medo porque, se aparece, ameaça a nossa imagem aceitável. Tanto mais ameaçar-nos-á quanto mais tenhamos lutado por conseguir uma imagem ideal de nós próprios.
Para Jung, a sombra é um tesouro escondido no nosso campo, uma fonte potencial de riqueza que não está ao nosso alcance porque a mantemos enterrada. O que não queremos ser contém precisamente aquilo que nos faz ser completos.
Martínez Lozano diz que na realidade a sombra é “o meu outro eu”.
“É o pólo oposto à nossa personalidade consciente.”
Para nomear a sombra usa-se também a metáfora do “saco dos desperdícios”. Metáfora que introduziu Robertt Bly, que sustenta que de cada vez que se rejeita uma emoção, qualidade, um traço de carácter, um talento, etc, é como se essas partes de si próprio fossem atiradas para um saco de desperdícios. Durante os primeiros 30 anos, o indivíduo está ocupado em enchê-lo com elementos ricos do seu ser; com o tempo, o saco torna-se cada vez mais pesado e difícil de encher. Será necessário rebuscar dentro, durante o resto da vida, para recuperar e tentar desenvolver os aspectos da pessoa, que nós próprios escondemos nele.
Se não se forem recuperando essas partes de nós próprios, o conteúdo do saco acabará por esmagar-nos com o seu peso: a pessoa então encontrar-se-á sem forças, deprimida, sentirá um grande vazio interior, uma grande ansiedade, que às vezes acaba por gerar uma depressão.
Os elementos atirados para o “saco dos desperdícios” não estão inactivos mas sim “fermentando” e querendo sair. Isso consome uma grande quantidade de energia psíquica que fica aprisionada e provocará obsessões, angústias ou atormentar-nos-á projectando-se no exterior.
O fenómeno da sombra é muito complexo e a ela pertencem: o reprimido, o mecanismo específico de defesa que a protege, as reacções posteriores desencadeadas, tais como a tensão, o desgaste de energia, as projecções…A sombra pugna sempre por sair para o exterior.
Tudo isso acontece através de mecanismos inconscientes, por isso a sombra é tão difícil de detectar e cada vez nos afasta mais do nosso autêntico ser. Uns mecanismos feitos de medo e de desprezo ao próprio ser, fazendo-o crer não tolerável, e por isso queremos dar uma imagem diferente.
( A SABEDORIA DE INTEGRAR A SOMBRA - Emma Martínez Ocaña )
- Deixando claro, a sombra não é o "pecado" como a confunde pessoas em suas religiosidades como a "negação de Deus", mas sim é a negação do próprio Eu. É autoalienação e requer a reconciliação com o Eu.
-Um profundo erro apregoado por muitas chamadas "espiritualidades" e seus "espiritualistas" de um modo geral, é a impregnação de um dualismo no olhar a sí mesmo como egoismo e olhar ao outro como generosidade, quando em realidade oculta a manipulação dos outros para se sentirem bem ou como forma de se sentirem necessitados.
Excelente vídeo sobre o tema "sombra" :
sexta-feira, 8 de junho de 2012
Vida e Morte
"... E o Deus dos deuses separou de si mesmo uma alma e a dotou de beleza.
E deu-lhe a suavidade da brisa matinal e o perfume das flores do campo e a doçura do luar.E entregou-lhe a taça da alegria, dizendo-lhe: "Só poderás beber desta taça se esqueceres o passado e não te preocupares com o futuro." E entregou-lhe a taça da tristeza, dizendo: "Bebe dela, e compreenderás a essência da alegria da vida."
E soprou nela um amor que a abandonaria ao primeiro suspiro de saciedade, e uma meiguice que a abandonaria à primeira manifestação de orgulho.
E fez descer sobre ela, do céu, um instinto que lhe revelaria os caminhos da verdade.
E depositou nas suas profundezas uma visão que vê, o que não se vê.
E criou nela sentimentos que deslizam com as sombras e caminham com os fantasmas.
E vestiu-a de um vestido de paixão que os anjos teceram com as ondulações do arco-íris.
E colocou nela as trevas da dúvida, que são as sombras da luz.
E tomou fogo da forja do ódio, e ventos do deserto da ignorância, e areia do mar do egoísmo, e terra pisada pelos pés dos séculos e amassou todos esses elementos e fez o homem.
E deu-lhe uma força cega que se inflama nas horas de loucura e desvanece diante das tentações.
Depois, depositou nele a vida, que é o reflexo da morte.
E sorriu o Deus dos deuses, e chorou, e sentiu um amor incomensurável e infinito e uniu o homem e a alma."
( Khalil Gibran )
sábado, 2 de junho de 2012
a Vida não é um sonho
A vida é mais um lugar de parada,
Uma pausa no que está a ser,
Um lugar de descanso ao longo da estrada,
para a doce eternidade .
Todos nós temos diferentes percursos,
Caminhos diferentes ao longo do caminho,
Nós todos fomos feitos para aprender algumas coisas,
mas nunca quis ficar ...
Nosso destino é um lugar,
Muito maior do que sabemos.
Para alguns a viagem é mais rápida,
Para outros, a jornada é mais lenta.
E quando a viagem termina, finalmente,
Teremos direito a uma grande recompensa,
Encontrando uma paz duradoura,
Juntamente com o Senhor.
Se assemelha à vida que uma vez foi feita da Luz,
Muito ampla, por si só para a visão humana?
Um eu absoluto - um elemento sem forma -
Tudo, o que vemos, todas as cores de todas as tonalidades
Ao invadir das trevas se fez?
É a própria vida uma consciência ilimitada?
E todos os pensamentos, dores, alegrias instantes mortais,
Uma abraço da guerra entre a vida e a morte em luta?
Vídeo : Canal de Arass9 do Youtube : http://www.youtube.com/user/arass9?feature=watch
segunda-feira, 14 de maio de 2012
Diógenes , o cão Cínico
Emblemática pelo que ela tem de inusitado, surpreendente e provocador, mas mais emblemática ainda pelo que ela representa do ponto de vista da intencionalidade do próprio Diógenes.
O ato e o dito são evidentemente sarcásticos, mas tem o poder de desnudar uma realidade que insistia em ficar escondida sobre o manto da presunção e falsidade.
O “procuro o homem” tem a força do desmascaramento da realidade ancorada em valores ocos, que já não diziam do verdadeiro ser em uma cultura decadente. Tem ainda a força provocativa positiva no sentido de anunciar que o homem verdadeiro é possível de ser, desde que dele se retire o que o prende às exterioridades materiais ou convenções sociais impostas, ancorando-se somente na autenticidade de viver.
( Recusa de todos os adornos, falsidades e aparencias que constituem o ser humano que vive em sociedade)
Era esse o homem que Diógenes procurava.
Ele procurava o homem com letra maiúscula, autêntico e coerente, o homem (e mulher) para além do aparecer, dos adornos externos do ter, poder e das convenções sociais. Diógenes procurava o homem reconciliado com sua genuína natureza, vivendo segundo essa natureza, sem apelos, subterfúgios ou bengalas que o desfigurassem. Essa condição e somente essa o faria feliz.
Como em lugar nenhum via alguém assim, ironicamente, procurava-o.
Viver segundo a natureza, livre das convenções sociais (e religiosas) e daquilo que adere ao homem desde fora, vivendo sob o critério da interioridade subjetiva, eis o que possibilita, para Diógenes, a reconciliação do homem consigo mesmo e, por isso, feliz.
O não ter nada de próprio não é um agir contra a natureza, pelo contrário, é um agir em favor da natureza. Para viver bem e feliz não é necessário bem viver, no sentido de possuir meios de acomodação e conforto, mas viver na simplicidade pois, como ele proclamava frequentemente, “‘os deuses haviam concedido aos homens meios fáceis de vida, porém os homens perderam de vista este benefício, pois necessitam de bolos de mel, de ungüentos e de coisas semelhantes’” .
A vida pobre do homem Diógenes, que tem como habitação um barril, é uma contrapartida prática sinalizadora de uma verdade que crê ser superior da verdade convencional. Agora, viver segundo a natureza significa para Diógenes, viver segundo a autonomia e liberdade. O propósito de Diógenes é justamente trazer à vista aqueles meios fáceis de vida que todos, e não apenas alguns, têm condições de viver porque não exige nada além daquilo que a natureza oferece. Viver segundo a natureza significa bastar-se-a-si-mesmo e não-ter-necessidade-de-nada.
Essa autarquia quando conquistada não pode ser perdida, pois independe das coisas exteriores que vem e vão. A autarquia, ou o bastar-se-a-si-mesmo possibilita a mais ampla liberdade, tanto da palavra quanto da ação.
E nisso Diógenes é direto e conseqüente. Ele considerava que o que prende o homem é, sobretudo, o dinheiro, símbolo da posse exterior, e por conta disso definia o amor ao dinheiro como a “metrópole de todos os males” . É como se dissesse com isso que ou se escolhe entre a autonomia e a liberdade ou se escolhe a dependência cujo dinheiro é o seu símbolo máximo.
O episódio de Diógenes e Alexandre, o Grande é paradigmático na compreensão da autonomia e da indiferença de Diógenes frente ao mundo. O grande conquistador poderia oferecer a Diógenes tudo o que quisesse de material e talvez de poder, mas Diógenes só quer uma coisa:
“Deixe-me o meu sol”.
Na verdade é tudo o que ele precisa, e é de graça, e Alexandre não pode dar, somente retirar com a sua sombra.
"Se não fosse Alexandre, queria ser Diógenes"
Não somente o dinheiro e o poder são para Diógenes inibidores da liberdade porque lhe exigem um alto preço, mas também qualquer ação que exige um comprometimento posterior e de alguma forma lhe arranque a liberdade. Por isso ele “elogiava os que estavam na iminência de casar mas não casavam, os que estavam a ponto de realizar uma viagem porém não viajavam, os que pensavam em dedicar-se à política mas não se dedicavam, os que desejavam constituir família e não a constituíam, os que se preparavam para conviver com os poderosos mas não se aproximavam deles”.
É claro que essa postura é paradoxal, mas Diógenes não se preocupava em resolver paradoxos, vivia-os simplesmente.
Para Sócrates a natureza do homem é a sua alma, entendida essa como a inteligência, consciência e interioridade. Diógenes aceita essa tese de Sócrates, mas vai além, radicalizando-o e de alguma forma revolucionando-o. Sócrates também vivia na simplicidade e sem qualquer conforto, suportando todo tipo de adversidade corporal em nome da excelência moral. Mas Sócrates louvava a virtude da alma advinda do conhecimento e da ciência.
E aí está a diferença com Diógenes. Este desprezava as ciências, as doutrinas, os discursos articulados e lógicos contrapondo um conhecimento improvisado, circunstanciado, inventivo e bem humorado.
Há uma filosofia que fundamenta essa atitude, qual seja, a de que a excelência moral ou a virtude é mais uma questão de ação do que uma questão de discurso e de conhecimento.
A via da ciência e do discurso é o caminho mais longo para a vida boa, para a vida ética do verdadeiro homem. É nesse sentido que se pode compreender o desprezo que Diógenes nutria pela metafísica de Platão.
Diógenes Laertios nos informa que Diógenes ao ouvir as preleções de Platão sobre a “mesidade”, a “tacidade”, ironicamente teria dito a Platão que ele via a mesa e a taça, mas não a mesidade e a tacidade. Temos aí uma postura que hoje poderíamos identificar com o pragmatismo na medida em que o conhecimento tem que estar a serviço da ação, em vista de um resultado, e não em vista a si mesmo. No caso de Diógenes o conhecimento devia estar a serviço de um resultado prático no nível ético.
Além disso, o “procuro o homem” tem um caráter de crítica às incoerências éticas vividas no seu tempo (e em nosso tempo). Dizer algo e fazer o seu contrário é o que Diógenes identifica como uma vida inautêntica. Nesse sentido o “procuro o homem” significa dizer: procuro o homem coerente e autêntico, o que em outras palavras significa dizer que procurava o homem virtuoso no pleno sentido. Sobre isso Laertios nos dá uma informação importante dizendo que Diógenes “admirava-se vendo os críticos estudarem os males de Odisseus apesar de ignorarem seus próprios males; ou os músicos afinarem as cordas da lira, sem cuidarem de obter harmonia de sua alma; ou os oradores cansarem-se de falar em justiça, mas não a praticarem; ou os avarentos esbravejarem contra o dinheiro, enquanto na realidade o amam exageradamente.
Diógenes condenava as pessoas que, embora louvando os justos por estarem acima das riquezas, invejavam os homens muito ricos. Revoltavam-no os sacrifícios aos deuses pela saúde, porque durante os próprios sacrifícios as pessoas se banqueteavam em detrimento da saúde, e se admirava quando os escravos, embora vendo seus senhores comendo desbragadamente, nada subtraíam das iguarias” .
O “procuro o homem” não tem, portanto, uma conotação teórica, metafísica, no sentido de uma busca por uma definição do que seja a essência do homem. O “procuro o homem” tem muito mais uma conotação ético prática coerente, nos moldes de vida segundo a natureza . O não ter necessidade, o bastar-se-a-si-mesmo, e levar uma vida coerente segundo o mínimo, possibilita uma total liberdade imediata, sem recorrer a mediações de qualquer nível. Liberdade que para Diógenes é tanto liberdade de expressão quanto liberdade de ação.
Os cínicos eram conhecidos por serem francos e diretos (tal como um cão que late e abana o rabo), por saberem distinguir um filósofo do não-filósofo (tal como o cão distingue o amigo do inimigo), mas acima de tudo por viverem em público como os cães, livres e despudoradamente indiferentes às normas estabelecidas. O que a sociedade grega via com pudor e vergonha, os cínicos viam com naturalidade e despudor. O epíteto canino, aparentemente insultuoso, era também reivindicado pelos cínicos pela forma de pensar contra a deterioração , contra as regras deterioradas, contra os valores deteriorados da pólis, contra cultura deteriorada dominante.
Por isso Diógenes se denominava "o cão" ( Kyon ).
(Texto de Gilmar Zampieri )
sexta-feira, 11 de maio de 2012
Saber ver
O que nós vemos das cousas são as cousas.
Por que veríamos nós uma cousa se houvesse outra?
Por que é que ver e ouvir seriam iludirmo-nos
Se ver e ouvir são ver e ouvir?
O essencial é saber ver,
Saber ver sem estar a pensar,
Saber ver quando se vê,
E nem pensar quando se vê
Nem ver quando se pensa.
Mas isso (tristes de nós que trazemos a alma vestida!),
Isso exige um estudo profundo,
Uma aprendizagem de desaprender
E uma sequestração na liberdade daquele convento
De que os poetas dizem que as estrelas são as freiras eternas
E as flores as penitentes convictas de um só dia,
Mas onde afinal as estrelas não são senão estrelas
Nem as flores senão flores,
Sendo por isso que lhes chamamos estrelas e flores.
( Alberto Caeiro )
quinta-feira, 10 de maio de 2012
Força interior
A força interior surge quando se ultrapassa algum medo, alguma angustia, entraves, traumas .
O autoconhecimento permite saber-se, conhecer-se, talvez após o acontecimento, e desde que refletindo sobre sí mesmo. O ideal é a plena atenção sobre sí e sobre o outro no momento do vivenciar. Seja o outro uma pessoa, uma idéia, ou algum texto. As reações fornecem esse ensinamento - basta atenção em sí e no outro. Se algum texto agride, é a reação sobre o proprio condicionamento que produz o desequilibrio. Se alguém de alguma forma agride, é reação sobre algum valor que se carrega, que agride. Quando não há mais reação, então há paz.
Mas há valores e VALORES . Alguns são Universais, verdadeiros e fazem tremer. Outros são falsos, irreais, e também fazem tremer. A diferença é 'a quem.
Lágrimas e dores podem permitir o fortalecer-se , mas esse é vivido de fato quando une-se junto 'a compreensão de sí. Nunca como forma em evitar outras dores, pois isso continua sendo medo.
Há em todos nós a coragem.
Apenas ou não percebemos, ou escondemos de algum modo, seja conscientes ou inconscientes.
De fato, psicanalistas, psicologos e análises no fundo não são necessários ! Pasme! Muitos deles sabem disso.
Necessários são para alguns, quando a vida mostra ou chacoalha , obrigando-os a se olhar, e a se perder por justamente a confusão não dissipar. Se essa pessoa não consegue se olhar, pode procurar ajuda, e é uma otima maneira em se ajudar. É uma busca por explicações, e essa surge como uma porta ao autoconhecimento. Essa é uma busca por sí mesmo. É busca por compreensão, que pede, junto 'a angustia.
Esses profissionais são "acessórios" que um dia podem ser descartados.
Isso é normal, perfeitamente normal. Mas há os que fornecem essa ajuda apenas pelo puro amor ao outro, e nada mais... Como exemplo, um amigo que tenha estrutura em compreender.
Essas coisas podem produzir dor, mas essa também permite o poder da transmutação, da transcendencia.
Um dia aprende-se a aprender a olhar-se, sem qualquer outro .
Um dia aprende-se a comungar em todo vosso ser, sem medo do outro.
Se desejamos um mundo melhor, devemos começar em nós mesmos o inicio dessa melhoria. Essa responsabilidade fatalmente inicia-se no autoconhecimento.
O mal não é oposição ao bem. O mal é produto de profunda ignorancia e inconsciencia. O bem é a forma natural do deixar fluir. É inerente 'a vida quando descobrimos que o que atrapalha é achar-se centro da vida que giraria em torno de sí. Eis o erro. Eis as angustias , dores e lagrimas sobre sí . Lagrimas podem purgar a ilusão - se prestarmos tamanha atenção.
Muitos não se importam com nada, e produzirão sombras. Outros nunca se importarão com isso, mas reclamarão .Outros resvalam nisso e esquecem logo depois. Alguns poucos levarão 'a sério, e vivenciarão.
Diz a mitologia que os deuses invejam os homens, porque esses podem morrer.
Seja, então, sua própria morte.
quarta-feira, 9 de maio de 2012
Sofrimento
Quanto mais voce sofre, da maneira em projetar um futuro, mais o ego se fortalece.
Achas que sofrer é necessário, ou acreditas que se conscientiza somente através do sofrer ? Acreditas que sofremos para suprimir o sofrimento e que ele logo desaparecerá ?
Achas que sofrer é necessário, ou acreditas que se conscientiza somente através do sofrer ? Acreditas que sofremos para suprimir o sofrimento e que ele logo desaparecerá ?
Ora, ele sempre volta mais forte e, habituados, nem mais o sentimos.
É aí que ele ganha terreno. E quanto mais sofremos, menos queremos olhar o sofrimento de frente, pois tal atitude nos obriga a “nos”questionar profundamente.
Na verdade, só assim poderíamos nos reencontrar.
Mas é justamente esse o problema:
É aí que ele ganha terreno. E quanto mais sofremos, menos queremos olhar o sofrimento de frente, pois tal atitude nos obriga a “nos”questionar profundamente.
Na verdade, só assim poderíamos nos reencontrar.
Mas é justamente esse o problema:
Não somos mais capazes de distinguir entre o si e o ego... e tememos, portanto, nos perder.
Não sabemos mais quem somos.
sábado, 5 de maio de 2012
Rui Barbosa
"De tanto ver triunfar as nulidades; de tanto ver prosperar a desonra,
de tanto ver crescer a injustica,
de tanto ver agigantarem-se os
poderes nas maos dos maus,
o homem chega a desanimar-se da virtude,
a rir-se da honra e a ter vergonha de ser honesto."
Rui Barbosa - o maior brasileiro de todos os tempos
terça-feira, 1 de maio de 2012
Profundezas da Meditação
" A meditação é uma viagem para as profundezas do coração e da mente, a realidade interior da própria essência, uma exploração de quem somos e o que somos. Esta jornada espiritual é nada mais e nada menos do que descobrir esta realidade interior.Este caminho de meditação é totalmente livre de qualquer visão teísta e é totalmente livre de qualquer forma ou cor. É como água pura, não tem forma, não tem cor. Dependendo do recipiente que derramar a água, a água adota essa forma particular. Se você deseja congelar esta água pura, pode fazê-lo, colocando a água no congelador, mas logo que você tirá-la do congelador, ele retornará ao seu estado natural de água pura sem forma e sem cor ."
Esse caminho em sua pureza não pode e não deve ser influenciado por qualquer agente externo 'a sí mesmo.
Vídeo : Canal de Arass9 do Youtube : http://www.youtube.com/user/arass9?feature=watch
segunda-feira, 30 de abril de 2012
Tortura de animais
Não é mais possível dizer que não sabíamos, diz Philip Low
Neurocientista explica por que pesquisadores se uniram para assinar manifesto que admite a existência da consciência em todos os mamíferos, aves e outras criaturas, como o polvo, e como essa descoberta pode impactar a sociedade
Marco Túlio Pires (Artigo para a Revista Veja de 16/07/2012)
O neurocientista canadense Philip Low ganhou destaque no noticiário científico depois de apresentar um projeto em parceria com o físico Stephen Hawking, de 70 anos. Low quer ajudar Hawking, que está completamente paralisado há 40 anos por causa de uma doença degenerativa, a se comunicar com a mente. Os resultados da pesquisa foram revelados no último sábado em uma conferência em Cambridge. Contudo, o principal objetivo do encontro era outro. Nele, neurocientistas de todo o mundo assinaram um manifesto afirmando que todos os mamíferos, aves e outras criaturas, incluindo polvos, têm consciência. Stephen Hawking estava presente no jantar de assinatura do manifesto como convidado de honra.
Philip Low: "Todos os mamíferos e pássaros têm consciência"
Low é pesquisador da Universidade Stanford e do MIT (Massachusetts Institute of Technology), ambos nos Estados Unidos. Ele e mais 25 pesquisadores entendem que as estruturas cerebrais que produzem a consciência em humanos também existem nos animais. "As áreas do cérebro que nos distinguem de outros animais não são as que produzem a consciência", diz Low, que concedeu a seguinte entrevista ao site de VEJA:
Estudos sobre o comportamento animal já afirmam que vários animais possuem certo grau de consciência. O que a neurociência diz a respeito? Descobrimos que as estruturas que nos distinguem de outros animais, como o córtex cerebral, não são responsáveis pela manifestação da consciência. Resumidamente, se o restante do cérebro é responsável pela consciência e essas estruturas são semelhantes entre seres humanos e outros animais, como mamíferos e pássaros, concluímos que esses animais também possuem consciência.
Quais animais têm consciência? Sabemos que todos os mamíferos, todos os pássaros e muitas outras criaturas, como o polvo, possuem as estruturas nervosas que produzem a consciência. Isso quer dizer que esses animais sofrem. É uma verdade inconveniente: sempre foi fácil afirmar que animais não têm consciência. Agora, temos um grupo de neurocientistas respeitados que estudam o fenômeno da consciência, o comportamento dos animais, a rede neural, a anatomia e a genética do cérebro. Não é mais possível dizer que não sabíamos.
É possível medir a similaridade entre a consciência de mamíferos e pássaros e a dos seres humanos? Isso foi deixado em aberto pelo manifesto. Não temos uma métrica, dada a natureza da nossa abordagem. Sabemos que há tipos diferentes de consciência. Podemos dizer, contudo, que a habilidade de sentir dor e prazer em mamíferos e seres humanos é muito semelhante.
Que tipo de comportamento animal dá suporte à ideia de que eles têm consciência? Quando um cachorro está com medo, sentindo dor, ou feliz em ver seu dono, são ativadas em seu cérebro estruturas semelhantes às que são ativadas em humanos quando demonstramos medo, dor e prazer. Um comportamento muito importante é o autorreconhecimento no espelho. Dentre os animais que conseguem fazer isso, além dos seres humanos, estão os golfinhos, chimpanzés, bonobos, cães e uma espécie de pássaro chamada pica-pica.
Quais benefícios poderiam surgir a partir do entendimento da consciência em animais? Há um pouco de ironia nisso. Gastamos muito dinheiro tentando encontrar vida inteligente fora do planeta enquanto estamos cercados de inteligência consciente aqui no planeta. Se considerarmos que um polvo — que tem 500 milhões de neurônios (os humanos tem 100 bilhões) — consegue produzir consciência, estamos muito mais próximos de produzir uma consciência sintética do que pensávamos. É muito mais fácil produzir um modelo com 500 milhões de neurônios do que 100 bilhões. Ou seja, fazer esses modelos sintéticos poderá ser mais fácil agora.
Qual é a ambição do manifesto? Os neurocientistas se tornaram militantes do movimento sobre o direito dos animais? É uma questão delicada. Nosso papel como cientistas não é dizer o que a sociedade deve fazer, mas tornar público o que enxergamos. A sociedade agora terá uma discussão sobre o que está acontecendo e poderá decidir formular novas leis, realizar mais pesquisas para entender a consciência dos animais ou protegê-los de alguma forma. Nosso papel é reportar os dados.
As conclusões do manifesto tiveram algum impacto sobre o seu comportamento? Acho que vou virar vegetariano. É impossível não se sensibilizar com essa nova percepção sobre os animais, em especial sobre sua experiência do sofrimento. Será difícil, adoro queijo.
O que pode mudar com o impacto dessa descoberta? Os dados são perturbadores, mas muito importantes. No longo prazo, penso que a sociedade dependerá menos dos animais. Será melhor para todos. Deixe-me dar um exemplo. O mundo gasta 20 bilhões de dólares por ano matando 100 milhões de vertebrados em pesquisas médicas. A probabilidade de um remédio advindo desses estudos ser testado em humanos (apenas teste, pode ser que nem funcione) é de 6%. É uma péssima contabilidade. Um primeiro passo é desenvolver abordagens não invasivas. Não acho ser necessário tirar vidas para estudar a vida. Penso que precisamos apelar para nossa própria engenhosidade e desenvolver melhores tecnologias para respeitar a vida dos animais. Temos que colocar a tecnologia em uma posição em que ela serve nossos ideais, em vez de competir com eles.
----------------------
The Cambridge Declaration on Consciousness*
On this day of July 7, 2012, a prominent international group of cognitive neuroscientists,
neuropharmacologists, neurophysiologists, neuroanatomists and computational neuroscientistsgathered at The University of Cambridge to reassess the neurobiological substrates of consciousexperience and related behaviors in human and non-human animals. While comparative research on this topic is naturally hampered by the inability of non-human animals, and often humans, to clearly and readily communicate about their internal states, the following observations can be stated unequivocally:
· The field of Consciousness research is rapidly evolving. Abundant new techniques and strategies for human and non-human animal research have been developed. Consequently, more data is becoming readily available, and this calls for a periodic reevaluation of previously held preconceptions in this field. Studies of non-human animals have shown that homologous brain circuits correlated with conscious experience and perception can be selectively facilitated and disrupted to assess whether they are in fact necessary for those experiences. Moreover, in humans, new non-invasive techniques are readily available to survey the correlates of consciousness.
· The neural substrates of emotions do not appear to be confined to cortical structures. In fact, subcortical neural networks aroused during affective states in humans are also critically important for generating emotional behaviors in animals. Artificial arousal of the same brain regions generates corresponding behavior and feeling states in both humans and non-human animals. Wherever in the brain one evokes instinctual emotional behaviors in non-human animals, many of the ensuing behaviors are consistent with experienced feeling states, including those internal states that are rewarding and punishing. Deep brain stimulation of these systems in humans can also generate similar affective states. Systems associated with affect are concentrated in subcortical regions where neural homologies abound. Young human and nonhuman animals without neocortices retain these brain-mind functions. Furthermore, neural circuits supporting behavioral/electrophysiological states of attentiveness, sleep and decision making appear to have arisen in evolution as early as the invertebrate radiation, being evident in insects and cephalopod mollusks (e.g., octopus).
------------------------------
Médico americano afirma que a pesquisa com animais atrasa o avanço do desenvolvimento de remédios:
http://www.1rnet.org/1r/pesquisa.htm
Em momento histórico, mais de mil italianos invadem criadouro e salvam Beagles de testes.
Não foi meia dúzia de ativistas mascarados, foi a sociedade inteira.
O que aconteceu neste sábado (28/04/12) na Itália mostra que os testes em animais não têm mais espaço no tempo de informação em que vivemos. Mais de mil pessoas participaram de uma enorme manifestação contra a empresa Green Hill, um criadouro multinacional que “fabrica” animais para testes em laboratórios ao redor do mundo.
À luz do dia, donas de casa e ativistas corriam abraçados aos animais
A multidão andou pelas ruas gritando e protestando contra a Green Hill e, quando chegou em frente ao criadouro de cães, simplesmente não parou. As pessoas ignoraram todos os avisos de propriedade privada e continuaram andando, escalando alambrados e cortando os arames farpados.
Aos poucos, filhotes, fêmeas esperando filhotinhos e cães maiores iam passando de mão em mão para uma nova vida, longe dos horrores dos laboratórios de testes. Ativistas e donas de casa corriam abraçados aos animais enquanto a polícia tentava dispersar a multidão.
Resultado:
No fim do dia, 12 pessoas estavam presas e mais de 40 beagles estavam a salvo.

Estima-se que existam mais de 2.500 beagles no criadouro da Green Hill, mas esta ação deixou bem claro que a sociedade italiana não vai mais tolerar a presença desta empresa que vive da tortura de animais em suas terras.
Por quê Beagles?
Os cachorros da raça beagle estão entre os preferidos dos laboratórios que fazem testes em animais por seu porte pequeno e por serem muito mansos. Isso facilita o manuseio entre uma tortura e outra.
(fonte: http://vista-se.com.br/redesocial/em-momento-historico-mais-de-mil-italianos-invadem-criadouro-e-salvam-beagles-de-testes/ com videos )
- Está na hora do individuo parar e refletir !
Como são feitos testes em animais:
http://www.pea.org.br/crueldade/testes/index.htm
Uma mensagem de um animal dito irracional pelos racionais, 'a voce !!!
Assista o video abaixo :
"Se voce cuidar dele, será mais fiel que um cão" - Veja com seus proprios olhos !:
Empresas que TESTAM em animais
Todos os anos milhares de animais são torturados, queimados, cegos e mortos em laboratórios para que os produtos que usamos possam ser chamados "seguros" - e não o são totalmente, uma vez que os resultados variam de espécie para espécie. Muitos destes produtos são conhecidos entre nós.
Confere os rótulos dos produtos para veres se pertencem a empresas que testam em animais. Envia mensagens às empresas, revelando-lhes que não comprarás mais os seus produtos, assim como informarás outros para o não fazerem, até que estas terminem definitivamente as experiências em animais. A maior pressão é a pressão do consumidor.
Abaixo , link onde há uma lista das empresas que TESTAM os seus produtos em animais. Sempre consulte a lista que atualiza-se constantemente :
Neurocientista explica por que pesquisadores se uniram para assinar manifesto que admite a existência da consciência em todos os mamíferos, aves e outras criaturas, como o polvo, e como essa descoberta pode impactar a sociedade
Marco Túlio Pires (Artigo para a Revista Veja de 16/07/2012)
O neurocientista canadense Philip Low ganhou destaque no noticiário científico depois de apresentar um projeto em parceria com o físico Stephen Hawking, de 70 anos. Low quer ajudar Hawking, que está completamente paralisado há 40 anos por causa de uma doença degenerativa, a se comunicar com a mente. Os resultados da pesquisa foram revelados no último sábado em uma conferência em Cambridge. Contudo, o principal objetivo do encontro era outro. Nele, neurocientistas de todo o mundo assinaram um manifesto afirmando que todos os mamíferos, aves e outras criaturas, incluindo polvos, têm consciência. Stephen Hawking estava presente no jantar de assinatura do manifesto como convidado de honra.
Philip Low: "Todos os mamíferos e pássaros têm consciência"
Low é pesquisador da Universidade Stanford e do MIT (Massachusetts Institute of Technology), ambos nos Estados Unidos. Ele e mais 25 pesquisadores entendem que as estruturas cerebrais que produzem a consciência em humanos também existem nos animais. "As áreas do cérebro que nos distinguem de outros animais não são as que produzem a consciência", diz Low, que concedeu a seguinte entrevista ao site de VEJA:
Estudos sobre o comportamento animal já afirmam que vários animais possuem certo grau de consciência. O que a neurociência diz a respeito? Descobrimos que as estruturas que nos distinguem de outros animais, como o córtex cerebral, não são responsáveis pela manifestação da consciência. Resumidamente, se o restante do cérebro é responsável pela consciência e essas estruturas são semelhantes entre seres humanos e outros animais, como mamíferos e pássaros, concluímos que esses animais também possuem consciência.
Quais animais têm consciência? Sabemos que todos os mamíferos, todos os pássaros e muitas outras criaturas, como o polvo, possuem as estruturas nervosas que produzem a consciência. Isso quer dizer que esses animais sofrem. É uma verdade inconveniente: sempre foi fácil afirmar que animais não têm consciência. Agora, temos um grupo de neurocientistas respeitados que estudam o fenômeno da consciência, o comportamento dos animais, a rede neural, a anatomia e a genética do cérebro. Não é mais possível dizer que não sabíamos.
É possível medir a similaridade entre a consciência de mamíferos e pássaros e a dos seres humanos? Isso foi deixado em aberto pelo manifesto. Não temos uma métrica, dada a natureza da nossa abordagem. Sabemos que há tipos diferentes de consciência. Podemos dizer, contudo, que a habilidade de sentir dor e prazer em mamíferos e seres humanos é muito semelhante.
Que tipo de comportamento animal dá suporte à ideia de que eles têm consciência? Quando um cachorro está com medo, sentindo dor, ou feliz em ver seu dono, são ativadas em seu cérebro estruturas semelhantes às que são ativadas em humanos quando demonstramos medo, dor e prazer. Um comportamento muito importante é o autorreconhecimento no espelho. Dentre os animais que conseguem fazer isso, além dos seres humanos, estão os golfinhos, chimpanzés, bonobos, cães e uma espécie de pássaro chamada pica-pica.
Quais benefícios poderiam surgir a partir do entendimento da consciência em animais? Há um pouco de ironia nisso. Gastamos muito dinheiro tentando encontrar vida inteligente fora do planeta enquanto estamos cercados de inteligência consciente aqui no planeta. Se considerarmos que um polvo — que tem 500 milhões de neurônios (os humanos tem 100 bilhões) — consegue produzir consciência, estamos muito mais próximos de produzir uma consciência sintética do que pensávamos. É muito mais fácil produzir um modelo com 500 milhões de neurônios do que 100 bilhões. Ou seja, fazer esses modelos sintéticos poderá ser mais fácil agora.
Qual é a ambição do manifesto? Os neurocientistas se tornaram militantes do movimento sobre o direito dos animais? É uma questão delicada. Nosso papel como cientistas não é dizer o que a sociedade deve fazer, mas tornar público o que enxergamos. A sociedade agora terá uma discussão sobre o que está acontecendo e poderá decidir formular novas leis, realizar mais pesquisas para entender a consciência dos animais ou protegê-los de alguma forma. Nosso papel é reportar os dados.
As conclusões do manifesto tiveram algum impacto sobre o seu comportamento? Acho que vou virar vegetariano. É impossível não se sensibilizar com essa nova percepção sobre os animais, em especial sobre sua experiência do sofrimento. Será difícil, adoro queijo.
O que pode mudar com o impacto dessa descoberta? Os dados são perturbadores, mas muito importantes. No longo prazo, penso que a sociedade dependerá menos dos animais. Será melhor para todos. Deixe-me dar um exemplo. O mundo gasta 20 bilhões de dólares por ano matando 100 milhões de vertebrados em pesquisas médicas. A probabilidade de um remédio advindo desses estudos ser testado em humanos (apenas teste, pode ser que nem funcione) é de 6%. É uma péssima contabilidade. Um primeiro passo é desenvolver abordagens não invasivas. Não acho ser necessário tirar vidas para estudar a vida. Penso que precisamos apelar para nossa própria engenhosidade e desenvolver melhores tecnologias para respeitar a vida dos animais. Temos que colocar a tecnologia em uma posição em que ela serve nossos ideais, em vez de competir com eles.
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The Cambridge Declaration on Consciousness*
On this day of July 7, 2012, a prominent international group of cognitive neuroscientists,
neuropharmacologists, neurophysiologists, neuroanatomists and computational neuroscientistsgathered at The University of Cambridge to reassess the neurobiological substrates of consciousexperience and related behaviors in human and non-human animals. While comparative research on this topic is naturally hampered by the inability of non-human animals, and often humans, to clearly and readily communicate about their internal states, the following observations can be stated unequivocally:
· The field of Consciousness research is rapidly evolving. Abundant new techniques and strategies for human and non-human animal research have been developed. Consequently, more data is becoming readily available, and this calls for a periodic reevaluation of previously held preconceptions in this field. Studies of non-human animals have shown that homologous brain circuits correlated with conscious experience and perception can be selectively facilitated and disrupted to assess whether they are in fact necessary for those experiences. Moreover, in humans, new non-invasive techniques are readily available to survey the correlates of consciousness.
· The neural substrates of emotions do not appear to be confined to cortical structures. In fact, subcortical neural networks aroused during affective states in humans are also critically important for generating emotional behaviors in animals. Artificial arousal of the same brain regions generates corresponding behavior and feeling states in both humans and non-human animals. Wherever in the brain one evokes instinctual emotional behaviors in non-human animals, many of the ensuing behaviors are consistent with experienced feeling states, including those internal states that are rewarding and punishing. Deep brain stimulation of these systems in humans can also generate similar affective states. Systems associated with affect are concentrated in subcortical regions where neural homologies abound. Young human and nonhuman animals without neocortices retain these brain-mind functions. Furthermore, neural circuits supporting behavioral/electrophysiological states of attentiveness, sleep and decision making appear to have arisen in evolution as early as the invertebrate radiation, being evident in insects and cephalopod mollusks (e.g., octopus).
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Médico americano afirma que a pesquisa com animais atrasa o avanço do desenvolvimento de remédios:
http://www.1rnet.org/1r/pesquisa.htm
Em momento histórico, mais de mil italianos invadem criadouro e salvam Beagles de testes.
Não foi meia dúzia de ativistas mascarados, foi a sociedade inteira.O que aconteceu neste sábado (28/04/12) na Itália mostra que os testes em animais não têm mais espaço no tempo de informação em que vivemos. Mais de mil pessoas participaram de uma enorme manifestação contra a empresa Green Hill, um criadouro multinacional que “fabrica” animais para testes em laboratórios ao redor do mundo.
À luz do dia, donas de casa e ativistas corriam abraçados aos animais
A multidão andou pelas ruas gritando e protestando contra a Green Hill e, quando chegou em frente ao criadouro de cães, simplesmente não parou. As pessoas ignoraram todos os avisos de propriedade privada e continuaram andando, escalando alambrados e cortando os arames farpados.
Aos poucos, filhotes, fêmeas esperando filhotinhos e cães maiores iam passando de mão em mão para uma nova vida, longe dos horrores dos laboratórios de testes. Ativistas e donas de casa corriam abraçados aos animais enquanto a polícia tentava dispersar a multidão.Resultado:
No fim do dia, 12 pessoas estavam presas e mais de 40 beagles estavam a salvo.

Estima-se que existam mais de 2.500 beagles no criadouro da Green Hill, mas esta ação deixou bem claro que a sociedade italiana não vai mais tolerar a presença desta empresa que vive da tortura de animais em suas terras.
Por quê Beagles?Os cachorros da raça beagle estão entre os preferidos dos laboratórios que fazem testes em animais por seu porte pequeno e por serem muito mansos. Isso facilita o manuseio entre uma tortura e outra.
(fonte: http://vista-se.com.br/redesocial/em-momento-historico-mais-de-mil-italianos-invadem-criadouro-e-salvam-beagles-de-testes/ com videos )
- Está na hora do individuo parar e refletir !
Como são feitos testes em animais:
http://www.pea.org.br/crueldade/testes/index.htm
Uma mensagem de um animal dito irracional pelos racionais, 'a voce !!!
Assista o video abaixo :
"Se voce cuidar dele, será mais fiel que um cão" - Veja com seus proprios olhos !:
Empresas que TESTAM em animais
Todos os anos milhares de animais são torturados, queimados, cegos e mortos em laboratórios para que os produtos que usamos possam ser chamados "seguros" - e não o são totalmente, uma vez que os resultados variam de espécie para espécie. Muitos destes produtos são conhecidos entre nós.
Confere os rótulos dos produtos para veres se pertencem a empresas que testam em animais. Envia mensagens às empresas, revelando-lhes que não comprarás mais os seus produtos, assim como informarás outros para o não fazerem, até que estas terminem definitivamente as experiências em animais. A maior pressão é a pressão do consumidor.
Abaixo , link onde há uma lista das empresas que TESTAM os seus produtos em animais. Sempre consulte a lista que atualiza-se constantemente :
Visite a lista : http://www.aila.org.br/denuncias_testes4.htm
Outro link onde informam listas de empresas que TESTAM e NÃO TESTAM em animais:
http://www.vista-se.com.br/testes/
Outro link onde informam listas de empresas que TESTAM e NÃO TESTAM em animais:
http://www.vista-se.com.br/testes/
"Olhei para os animais abandonados no abrigo... os renegados da sociedade humana. Vi em seus olhos amor e esperança, medo e horror, tristeza e a certeza de terem sido traídos. Eu me revoltei e orei: - "Deus, isso é horrível! Por que o Senhor não faz nada a respeito?" E Deus respondeu: -"Eu fiz. Eu criei você."
Testes de cosmeticos:
Não faça mais parte do holocausto ! Deixe de consumir carne e seus derivados
Testes de cosmeticos:
Não faça mais parte do holocausto ! Deixe de consumir carne e seus derivados
segunda-feira, 16 de abril de 2012
Além do tempo
Não se iluda... voce, aquele que percebe !
Voce que planta uma semente de pimenta, algo picante que queima, porque voce instantaneamente sentiu as limitações que surgem e impedem.
Voce sabe que isso é uma das maiores fontes do medo alheio, aquilo do tradicional arraigado.
Sacode a zona de conforto, porque sua função é destituir a arrogância alheia através do fogo que consome, interior, com seus lamentos, e que voce provocou.
Não se iluda com as autodenominadas simplicidades, porque voce sentiu na pele o quanto isso foi falso, ou mesmo inconsciente.
Não se iluda com a aparencia, porque além da mesma, percebeu profunda tristeza ao significado maior.
O preço que voce pagou por acreditar em potenciais, é o aparente conformismo.
Voce sabe que isso foi promovido pela limitação, que não conseguiu vislumbrar uma totalidade, muito além da tradição familiar, inclusive a religiosa .
Voce aceitou a distancia, porque a distancia é o que restou 'aquele surpreso, que nela se apegou. A escolha acarreta maiores tristezas, porque o alerta da escolha, é a imaturidade, e contra a imaturidade voce nada pode fazer, porque isso leva tempo para transcender, e voce está além do tempo. Voce não pode voltar ao tempo , porque voce o ultrapassou: só lhe resta observar a luta do ego contra a Verdade,e as tais lagrimas produzidas...
Um dia esse sucumbirá , e verá o tempo ido, e perdido, e que foi divino, mas naquele momento, completamente incompreendido, por sua profunda auto-limitação e, negligente, nunca mais encontrará algo similar. Foi a escolha.
Mas voce plantou... apesar de tudo.
Voce não pode fazer nada , porque aquele que escolhe a infelicidade, tem seus dias contados.
Impedido foi, quem sabe 'as custas de um futuro fruto de uma visão muito maior?
Quem sabe apesar de tudo isso, o renascimento surja?
Quem sabe aquele perceba que, afinal, o deixar ir não foi escolha dele?
E que foi seu proprio medo quem o fez ?
Isso não é qualquer sacrificio no amor ! Isso é desistir ! Isso é se negar !
E voce sabe que o medo faz parte do tempo !
Voce ofereceu a liberdade, mas preferiram o medo.
Então, bata suas asas como uma águia, e deixe como está - porque contra tudo isso, nada pode fazer... porque o tempo irá passar, á esses.
Voce que planta uma semente de pimenta, algo picante que queima, porque voce instantaneamente sentiu as limitações que surgem e impedem.
Voce sabe que isso é uma das maiores fontes do medo alheio, aquilo do tradicional arraigado.
Sacode a zona de conforto, porque sua função é destituir a arrogância alheia através do fogo que consome, interior, com seus lamentos, e que voce provocou.
Não se iluda com as autodenominadas simplicidades, porque voce sentiu na pele o quanto isso foi falso, ou mesmo inconsciente.
Não se iluda com a aparencia, porque além da mesma, percebeu profunda tristeza ao significado maior.
O preço que voce pagou por acreditar em potenciais, é o aparente conformismo.
Voce sabe que isso foi promovido pela limitação, que não conseguiu vislumbrar uma totalidade, muito além da tradição familiar, inclusive a religiosa .
Voce aceitou a distancia, porque a distancia é o que restou 'aquele surpreso, que nela se apegou. A escolha acarreta maiores tristezas, porque o alerta da escolha, é a imaturidade, e contra a imaturidade voce nada pode fazer, porque isso leva tempo para transcender, e voce está além do tempo. Voce não pode voltar ao tempo , porque voce o ultrapassou: só lhe resta observar a luta do ego contra a Verdade,e as tais lagrimas produzidas...
Um dia esse sucumbirá , e verá o tempo ido, e perdido, e que foi divino, mas naquele momento, completamente incompreendido, por sua profunda auto-limitação e, negligente, nunca mais encontrará algo similar. Foi a escolha.
Mas voce plantou... apesar de tudo.
Voce não pode fazer nada , porque aquele que escolhe a infelicidade, tem seus dias contados.
Impedido foi, quem sabe 'as custas de um futuro fruto de uma visão muito maior?
Quem sabe apesar de tudo isso, o renascimento surja?
Quem sabe aquele perceba que, afinal, o deixar ir não foi escolha dele?
E que foi seu proprio medo quem o fez ?
Isso não é qualquer sacrificio no amor ! Isso é desistir ! Isso é se negar !
E voce sabe que o medo faz parte do tempo !
Voce ofereceu a liberdade, mas preferiram o medo.
Então, bata suas asas como uma águia, e deixe como está - porque contra tudo isso, nada pode fazer... porque o tempo irá passar, á esses.
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