sexta-feira, 26 de março de 2010

Experiencia de vida


Afirma Rumi, poeta e místico árabe: "você pode pensar que compreende algo,
mas a mais superficial experiência disto pode causar a perda de toda a sua
compreensão".

A experiência de vida provoca percepções diferentes em cada pessoa, afinal cada um é um universo individual. Esta diferença de percepção é maior entre pessoas extrovertidas e introvertidas.
Algumas diferenças entre “extrovertido” e “introvertido” conceituados por Jung:
As atividades do tipo “extrovertido” parecem ser determinadas em grande parte pelos objetos que os interessam; para ele, o objeto - ou seja, tudo o que está fora dele - é o eixo dos acontecimentos; faz o que lhe é solicitado pelo mundo exterior e vive de acordo com as exigências e padrões da realidade objetiva em curso; ele não dá valor ao seu mundo subjetivo interior. Está mais interessado na amplitude do conhecimento.

“Não há qualquer outro tipo humano”, afirma Carl C. Jung, “que se iguale ao tipo perceptivo extrovertido no que diz respeito ao realismo. Seu senso objetivo para os fatos é extraordinariamente bem desenvolvido. O que ele às vezes experimenta dificilmente merece o nome de “experiência”.
As atividades do tipo “introvertido” parecem ser, em grande escala, dirigidas por algo dentro deles mesmos, algo "subjetivo"; o seu ser interno é o centro de tudo e a importância do mundo objetivo (tudo o que ocorre fora dele) é julgada apenas na medida em que o afeta; os estímulos objetivos desencadeiam um processo mental que é centrado no "eu" interior; o introvertido sempre tenta compreender o que percebe e o que lhe acontece e, com esse esforço subjetivo, tenta, por assim dizer, adaptar o mundo exterior ao seu mundo privativo interior; recolhe fatos apenas como evidência para suas próprias hipóteses e não em benefício dos próprios fatos; tem dificuldades em fazer uma abordagem objetiva da vida; está mais interessado na profundidade do que na amplitude e o processo de pensamento pode ser alimentado tanto de fontes subjetivas e/ou inconscientes como de dados reais por meio dos órgãos sensoriais.
O tipo extrovertido é objetivo, o introvertido subjetivo. A diferença de percepção entre os dois tipos e suas conseqüências podem resumir-se num fato citado por Elie G. Humbert em “Jung”: Jung “ficou impressionado ao ver Freud e Adler se oporem em função de duas teorias que lhe pareciam igualmente válidas, e explicava a ruptura pela impossibilidade de admitirem que sua divergência, tinha a ver com suas estruturas, extrovertida para Freud, introvertida para Adler.”

segunda-feira, 15 de março de 2010

A descoberta do Mundo




"Exatamente porque é tão forte em mim a fome de me dar a algo ou a alguém, é que me tornei bastante arisca: tenho medo de revelar de quanto preciso e de como sou pobre. Sou, sim. Muito pobre. Só tenho um corpo e uma alma. E preciso de mais do que isso.


Quem sabe se comecei a escrever tão cedo na vida porque, escrevendo, pelo menos eu pertencia um pouco a mim mesma. O que é um fac-símile triste. /.../


O que eu queria, e não posso, é que tudo que viesse de bom de dentro de mim eu pudesse dar àquilo a que eu pertencesse.


Mesmo minhas alegrias, como são solitárias às vezes. E uma alegria solitária pode se tornar patética. É como ficar com um presente todo embrulhado com papel enfeitado de presente nas mãos - e não ter a quem dizer : tome, é seu, abra-o!
Não querendo me ver em situações patéticas e, por uma espécie de contenção, evitando o tom de tragédia, então raramente embrulho com papel de presente
os meus sentimentos."
(A descoberta do mundo - Clarice Lispector)

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Máscaras


Muitos de nós construímos durante nossa vida diversas cercanias muito altas , impedindo outros a escalada rumo ao nosso real ser, porque diversas vezes confundimos a necessidade de utilizarmos máscaras criadas por nós mesmos, para uma possível melhor forma em nos relacionarmos em situações que apresentam-se mais difíceis. Como exemplo, podemos dizer certa coisa a outrem, utilizando de uma forma diplomática. Outros preferem lidar com tais situações diretamente, acreditando que sejam aquilo mesmo que se apresentam perante todos. Vão direto ao assunto, sem a diplomacia, mas ainda assim podem carregar-se de certa máscara, que confunde-se com seu próprio real ser.
Máscaras podem ser utilizadas como num teatro, mas que logo seriam retiradas assim que termina a peça, a peça da vida, tudo em pró do bom relacionamento, pois ninguém em sã consciencia prefere a dor de um conflito .
A questão está em quando temos consciencia de estarmos utilizando as mascaras, e não a confusão com nosso ser real.
Sabedor ou consciente de quando devem ser utilizadas, esse em verdade vive uma vida em comunhão com o próximo, mesmo que muitas vezes sinta necessidade de reclusões em sí mesmo, cujo fruto se dá o nome de Meditação. Tal solidão profunda constróe um ser de muito maior consciencia do mundo que o cerca, e não uma solidão produzida por um ser que se sente agredido porque iludiu-se com suas mascaras.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Desenvolvimento


Qual é a contribuição do desenvolvimento científico na evolução moral do ser humano?
A facilidade de comunicação que a tecnologia nos oferece, o espantoso volume de informações que cada vez mais estão disponíveis para a grande massa humana, a desmistificação de muitos fenômenos da natureza, a nova visão do planeta Terra e a sua relação com o Universo, todas as grandes descobertas da física, química, genética, neurologia, etc. etc. até que ponto contribuem para o desenvolvimento moral do ser humano?
Maior conhecimento intelectual, maior conforto material e maior expectativa de vida colaboram para uma evolução moral ?
Alguém nos últimos séculos, com todo o desenvolvimento científico e tecnológico, conseguiu superar em autoconhecimento os grandes sábios da antigüidade como Lao Tse, Buda, Platão, Sócrates, apenas para citar os mais conhecidos no ocidente ?
O mundo percebido pelos sentidos do homem comum é o mesmo observado pelo homem dito religioso, pelo intelectual e pelo cientista. É o mundo das aparências, o mundo externo, percebido pelos sentidos na sua forma mais simples e superficial. Por maior que seja o saber intelectual, o poder político, religioso e econômico de um ser humano, o seu nível de consciência é apenas maior em extensão, em quantidade, em valores horizontais, se comparado com um homem comum, analfabeto e sem posses materiais.
Todas as Religiões (organizações religiosas, esotéricas e místicas) que conhecemos, sem exceção, são formadas por pessoas que estão no mesmo nível de consciência: o nível de consciência do ego. Nenhuma dessas Religiões promove o desenvolvimento moral do ser humano. Elas estão no mundo do ego e, portanto, somente tem a capacidade de aperfeiçoar o ego, tornando-o altruísta e virtuoso. Nenhuma dessas Religiões através de seu Deus, deuses, credos e dogmas consegue promover a redenção isto é, libertar o ser humano da sua ignorância com relação à Verdade.
As Religiões utilizam os nomes dos seres "iluminados pelo espírito" para prometerem a redenção, a felicidades eterna. Os "mestres iluminados" não fundaram nem fundam Religiões. São os egos espertos que utilizam os seus ensinamentos interpretando-os e adaptando-os aos seus interesses egoístas.
A disputa entre a Religião e a Ciência é uma luta pelo poder. Ambas estão no mesmo nível do ego e dos valores horizontais. É um jogo de poder que tem como armas o conhecimento intelectual, experimental, a razão, a lógica, a emotividade, o sentimento, a fé. Por isso Deus (a Verdade) não pode ser encontrado nem pela Ciência nem pela Religião.
O desenvolvimento científico e tecnológico não ajuda a promover o desenvolvimento moral do ser humano. Este desenvolvimento é individual e promovido pelo perceber, talvez uma "lei cósmica", "evolutiva" (no sentido de retorno 'a essencia), independentemente do conhecimento intelectual, do poder ou das posses materiais de cada um.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Crear


Alma e espírito são considerados sinônimos e definidos como o corpo imaterial do ser humano. A alma é conceituada também como a psique. A alma, para muitos, é a individualidade, o "eu" que é considerado imortal. A Religião, a Filosofia, a Psicologia, a Alquimia e a Astrologia além das Escolas Esotéricas, procuram dar, cada uma a seu modo, uma resposta às nossas indagações existenciais. O homem, entretanto, mostra-se renitente, inseguro, com medo de olhar para dentro de si mesmo. Esta incapacidade está ligada à sua consciência de vida.
É próprio do homem inconsciente voltar-se para fora, para o outro; querer controlar a natureza e a vida das pessoas que o cercam. Temos uma fantástica evolução tecnológica em todas as áreas.
A vida média do ser humano e a redução da natalidade estão crescendo de tal forma que num futuro não muito distante seremos uma humanidade de idosos. A astronomia e a física estão num estágio de descobertas nunca antes imaginado. Especula-se até na existência de mais de um universo. Mas descobrir o nosso universo pessoal é tão árduo quanto desvendar os mistérios do mundo que nos cerca.
A ampliação da consciência em extensão e profundidade através do autoconhecimento leva-nos à autotransformação.
É nesta caminhada da inconsciência para a autoconsciência que "creamos" nossa alma. Nós nos "creamos" progressivamente ao nos libertarmos da escravidão da ignorância. Nós estamos dormindo e vivemos na ilusão.
O "Eu" é memória, lembranças,consciência, inconsciência, etc., e está indelevelmente ligado ao corpo material. Este tem os mecanismos necessários para a autotransformação. Está posto o desafio: "crear"(1) uma "alma individual", sob pena de continuarmos sendo apenas como mais um ponto dentre bilhões de outros, dormindo no Universo.
(1) "Crear" é a manifestação da Essência em forma de existência

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Forasteiro


"Neste mundo, sou um forasteiro, um estranho... Sou um desconhecido dos meus parentes e amigos; quando com um deles me encontro, por acaso pergunto a mim mesmo: "Quem será esse? Onde e como o conheci? Qual o determinismo estranho que nos aproxima e nos faz falar?" Sou estranho à minha própria alma: por isso, quando a minha língua fala, não sei se ouço a minha própria voz. Sou estranho ao meu corpo. Quando diante do espelho, observo em mim como que expressões que não correspondem ao meu íntimo sentir, e vejo, no fundo das minhas pupilas, imagens que não traduzem, de modo algum, o que está na minha alma. Neste mundo, eu sou um forasteiro. Não existe quem compreenda uma palavra, ao menos, da linguagem da minha alma. Eu sou um estrangeiro neste mundo. Sou o poeta que, de passagem pela vida, canta em seus versos o que ela possui de mais profundo, harmonioso e belo. Eu sou um estrangeiro, e sempre serei um estrangeiro para mim, até que a morte me leve e me faça voltar à minha verdadeira pátria."

(Gibran Kahlil Gibran).

Místico do Ser


"a liberdade de espírito ao preço da mais sangrenta autovivissecção, assistindo e apressando o crepúsculo de todos os ídolos em cujos altares outrora imolara"
"desse isolamento doentio, do deserto desses anos de ensaio, o caminho ainda é longo até aquela descomunal segurança e saúde transbordante ... até aquela madura liberdade de espírito que é também autodomínio e disciplina do coração e permite os caminhos para muitos e opostos modos de pensar" .....
"Ele olha com gratidão para trás - grato a sua andança, a sua dureza e a seu estranhamento de si, a seu olhar a distância e a seu vôo de pássaro em frias altitudes. Que bom que ele não permaneceu, como alguém delicado, embotado, que fica em seu canto, sempre, "em casa", sempre "junto de si"! Ele estava fora de si: não há dúvida nenhuma. Somente vê a si mesmo - e que surpresas encontra nisso! Que arrepio nunca provado! ... ".
(Labirintos da Alma: Nietzsche e a auto-supressão da moral -Giacoia Júnior, Osvaldo)

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Direito à Individualidade


Qualquer um que não saiba como controlar o seu eu mais íntimo, se conformará
em controlar a vontade do seu vizinho. (Goethe.)


O respeito à individualidade é um valor ético nem sempre
compreendido e praticado, principalmente porque, a vontade de poder controlar a vida do seu semelhante é inerente à natureza humana. O direito à igualdade, embora na prática, seja apenas um ideal, é uma das maiores conquistas da nossa civilização. Este direito, entretanto, que pretende proteger os mais fracos, nega, de certa forma, o direito à individualidade, ou seja, à diferença.

“Só podemos dizer que os indivíduos são iguais na medida em que êles são amplamente inconscientes, isto é, inconscientes de suas diferenças reais. Quanto mais uma pessoa é inconsciente, tanto mais ela se conforma aos cânones do comportamento psíquico. Mas, quanto mais ela toma consciência de sua individualidade, tanto mais acentuada se torna sua diferença com relação a outros indivíduos e tanto menos corresponderá ela à expectativa comum."(Jung- ANatureza da Psiqué).

As diferenças individuais que se revelam pelo desenvolvimento da consciência não são compreendidas pelo homem comum. A diferença de níveis de consciência dificulta a comunicação. A pessoa, ao adotar valores éticos, em substituição às normas morais vigentes do seu grupo social, torna-se diferente e portanto, passa a ser tratada com preconceito e é marginalizada.
“Na verdade, para a maioria, a fim de que um ponto de vista seja válido, precisa colher o maior número possível de aplausos, independentemente dos argumentos apresentados em seu favor. “Verdadeiro” e “válido” é aquilo em que a maioria crê, pois confirma a igualdade de todos. Mas para uma consciência diferenciada já não é mais de todo evidente que sua própria concepção se aplique aos outros, e vice-versa.”(Jung - A Natureza da Psiqué) .

Saber-se igual aos outros dá segurança psicológica, fortalece o ego, aumenta a auto-estima. O uniforme que a criança usa desde o Jardim de Infância nada mais é do que a obsessão, muitas vêzes inconsciente, de pais e mestres em impor uma igualdade que não existe no ser humano. É com base na igualdade que é identificado o ser humano “normal”.
“Ser normal é talvez a coisa mais útil e conveniente com que podemos sonhar; mas a noção de “ser humano normal”, tal como o conceito de adaptação, implica limitar-se à média. ...
Ser “normal” é o ideal dos que não têm êxito, de todos os que ainda se encontram abaixo do nível geral de adaptação. Mas para as pessoas dotadas de capacidade acima da média, que não encontram qualquer dificuldade em alcançar êxitos e em realizar a sua quota-parte de trabalho no mundo, para estas pessoas a compulsão moral a não serem nada senão normais significa o leito de Procusto: mortal e insuportavelmente fastidioso, um inferno de esterilidade e de desespero.” (Fordham - Introdução a Psicologia de Jung).

Ser normal, é ser igual aos demais. É a confirmação da igualdade. Ser diferente é, portanto, anormal, doentio. O diferente precisa ser “tratado” para que volte a ser igual aos demais. É assim que o ser humano mediano julga o seu semelhante. Se o direito à igualdade dentro do grupo social tem os seus méritos, ela também gera preconceitos e discriminação contra o diferente, seja pela condição social, convicções, hábitos, preferências sexuais, etc.
O preconceito e a discriminação sempre existiram e vão continuar existindo porque é muito difícil e demorada a mudança de consciência do ser humano. Assim como se lutou arduamente, por séculos, pelo direito à igualdade, deve-se combater, agora, num nível superior, pelo direito à diferença. O mesmo orgulho sadio que ostenta aquele que se identifica como homem de massa, deve poder mostrar aquele que é diferente em sua natureza, em sua individualidade.
O direito à individualidade, à diferença, é de certa forma uma utopia. O homem inconsciente tem uma compulsão em dominar o outro. Mas toda forma de poder é verdadeira inimiga da ordem. Toda ordem ou imposição contraria aquilo que é, por si só, um elemento intrínseco à natureza humana. Por que dominar o outro? É querer formá-lo à nossa imagem e semelhança.
O sonho e o ideal do homem comum é uma sociedade igualitária em que são suprimidas todas as diferenças. O senso comum é essa força que também chamamos de democracia, regime de governo indispensável para organizar uma sociedade de indivíduos inconscientes.
O sonho daqueles que estão acima da média do nível geral de adaptação, daqueles que têm um maior nível de consciência da realidade, daqueles que já ultrapassaram o nível de confusão do "caçador” – presente em todas as mitologias -, que mata as coisas do mundo porque não as ama e não as ama porque não as compreende, daqueles que não sentem a necessidade de governo
político e religioso devem conformar-se em ser apenas diferentes.
Uma sociedade fundada na solidariedade e na liberdade ainda é uma utopia
.

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Fogos de Artifício




Hoje o silencio é forte na cidade grande. Muitos se foram, antes, bem antes , 'as estradas rumo a tradição da esperança em um novo ano - o "que tudo se realize". Voltarão, e continuarão normalmente com os mesmos pensamentos, as mesmas atitudes, a mesma vida, que talvez a grande maioria tentou esquecer na virada do ano. O advogado continuará sua consciencia particular de grupo : o grupo dos advogados , com sua astúcia, estudos e conhecimento das leis. A dona de casa também continuará em seu grupo. O professor, o carpinteiro, todos continuarão em suas respectivas consciencia de grupo. Não diferimos de animais que também tem sua própria consciencia de grupo . O lobo, o leão, o gato...


O medo, o prazer, a crença, a inveja, a depressão e a solidão, todas essas coisas que fazem parte de nossa consciencia, não difere da consciencia de outros grupos distantes milhares de quilometros, sejam eles comunistas ou democratas , cristãos ou muçulmanos, alemães ou brasileiros, civilizados ou aborígenes. Um é contra o comunismo, o outro contrário ao cristão, e continuamos a repetir , sempre essas mesmas condições.


É duro aceitar isso, que temos uma consciencia comum ao restante da humanidade, até porque a maioria tem a crença de que algo de individual sobreviverá após a morte, mas que não se aceita que tudo isso é "programação" - programados para pensar que temos algo separado do restante da humanidade. Isso promove a continuidade do mesmo padrão , repetindo ano após ano, a mesma esperança ao findar cada um, extasiados 'a fogos de artifício...

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Competição X Comunhão


Seres humanos formadores de sociedades, aceitamos viver em conflito uns com outros como norma de nossa vida, de nossa existência , aceitando a competição que nós trás a inveja e o ciúme,frutos da comparação; a agressão e a ganância,frutos do egoísmo, evidenciando a impossibilidade da comunhão entre nós. Toda essa violência inicia-se em nosso próprio interior, expandindo-se em nossas relações , que assim de individual, continua a contaminar a sociedade em que vivemos, porque a vida é relacionamentos. Toda essa violencia inicia-se também do exterior, onde um sistema politico e economico nos transforma em competitivos e egoistas , onde  o trabalho se tornou um fardo formador de zumbis acumuladores de dinheiro para  vidas mesquinhas e sem sentido . Poucos questionam esse modelo de existir secular, talvez milenar , pois para isso necessita-se de uma profunda inteligencia fruto da observação e consequente contestação, das causas de tantas dores e tristezas que estão a mostra na forma de tremendas diferenças sociais, demonstrando assim uma sociedade falida, com sistema político e econômico falido. Sem a verdadeira comunhão nascida do rompimento com o sistema exterior em favor do próprio  interior, ainda assim a solidariedade aqui  e alí se apresenta, mesmo  paliativa , apesar do perigo de  sua degeneração na forma da caridade . 

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Crença de prisioneiro


Nós não temos livre arbítrio, esta é uma afirmação.
Na verdade a crença no livre arbítrio é um dos maiores impecilhos para percebermos que sempre fomos livres.
E apesar de parecer contraditório, não há contradição.
Não se concilia as duas posições, transcende-se, da seguinte maneira:
A Crença no livre arbítrio faz supor que dentro de nós existe alguém, um homúnculo, que chamamos Eu que tem a capacidade de livre arbítrio. O Eu é portanto o agente do livre arbítrio.
Porém quando percebemos que todas nossas ações, sentimentos, pensamentos e crenças, são de fato determinados pelo nosso passado, podemos dar mais um passo a frente e perceber que o próprio Eu que acreditamos estar dentro de nós e ser o homúnculo que decide livremente é ele próprio produto de nossa formação e nosso modo de pensar.
Assim percebemos que o Eu também é uma criação determinada por regras, e que não existe um Eu dentro de nós separado de nossos pensamentos, memórias, sentimentos, que decide algo.
Esta percepção nos liberta da ilusão de que temos um EU separado e que precisa ser livre.
Ora se não há um EU, não há sentido em buscar liberdade para este EU, e é por isto que se afirma que sempre fomos livres, pois afinal nunca houve nada dentro de nós para ser livre.
A crença de prisioneiro , é a crença de que dentro de nós existe um Eu que precisa se libertar de algo.
(by Celso)

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Superação


Superar é ultrapassar uma dificuldade, um problema, um obstáculo. A melhor forma de fazê-lo não é combater e vencer, mas compreender. A luta e a violência são armas do ego que levam à repressão e à desarmonia. A compreensão leva ao amor. Não devemos lutar contra nós mesmos, contra os nossos instintos, contra o prazer sensual, mas procurar conhecer a nós mesmos, tentar compreender a energia que nos move, que nos direciona.
A nossa mente quer identificar as causas que geram as nossas angústias e dores, porém, nunca as superará porque é necessário o perceber.
O ser humano se apega, cria dependências emocionais, e culpa o outro pela sua infelicidade. A mente dual sempre procura uma causa porque ainda é incapaz de perceber o todo, compreender que todas as coisas no universo estão interrelacionadas. Dor e prazer são dois pólos da mesma realidade, a vida.
Muitos dos conceitos de Bem e Mal são criações humanas para justificar a ignorância, aquilo que é.
A maioria dos seres humanos vive mergulhada na confusão, em equívocos criados pela sua mente. Confusão significa escuridão, trevas, ignorância. O ser humano comum é uma máquina de efeitos condicionados que age movida pelo exemplo, pela imitação, por idéias alheias. Tem uma viseira estreita, mal enxerga o chão onde pisa . Mas o homem não é uma obra acabada. É uma potência com possibilidades infinitas.
É preciso despertar desse pesadelo. Acordar. Abrir, arejar a mente e o coração com o novo, o diferente. Permitir que a luz penetre as trevas. Olhar para cima, libertar-se dos apegos, dos condicionamentos psicológicos, VIVER!!!
O despertar é individual, é uma tomada de consciência, um renascimento para uma nova vida. Acordar é permitir que nossa essência nos direcione a nossa vida. Não precisamos de autoridades, de pastores, padres ou gurus, porque o verdadeiro mestre e amigo não está fora, ele está em nós mesmo.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Livre-Arbítrio


É comum ouvirmos a afirmação de que o ser humano possui livre arbítrio. Isto significa que ele pode decidir de forma livre e fazer a escolha que julgar melhor para si mesmo.
Mas será que é mesmo assim?
O termo arbítrio, é derivado de arbitrar, que significa decidir com a própria consciência.
Ora, quando em nossa vida surge um evento em que devemos optar entre duas ou mais opções, é quando deveríamos utilizar esta suposta capacidade que temos, que se convencionou chamar de "Livre Arbítrio".
Qualquer evento no Universo pode ser dividido em dois tipos:
- Eventos aleatórios: São aqueles eventos que não podemos prever e que seguem apenas as chamadas leis de probabilidade.
Por exemplo: jogar uma moeda.
- Eventos regidos por leis: São aqueles eventos que ocorrem apenas devido a uma série de fatores que o desencadeiam, seguindo regras, que são previsíveis.
Por exemplo a evaporação da água destilada a 100ºC ao nível do mar, é um evento que acontece regido por regras nítidas e que não ocorrerá jamais em temperatura abaixo ou acima de 100ºC.
Dentre estes eventos existem alguns que mesmo que saibamos que sejam regidos por leis, não podemos fazer uma previsão com grande margem de acerto, como as modificações do clima. Mas apesar disto estes eventos também são regidos por regras e não são aleatórios.
Ora a qual tipo de evento pertence as decisões que tomamos quando dizemos que estamos usando o livre arbítrio?
Certamente nos eventos do primeiro tipo (eventos aleatórios), não poderemos colocar as decisões do livre arbítrio. Pois isto equivaleria a afirmarmos que nossas decisões são tão imprevisíveis quanto a face que cairá para cima quando jogamos uma moeda. Isto significa que se colocassemos 1000 pessoas numa situação em que eles deveriam decidir se apertam ou não o gatilho de um revólver que esta apontado para a cabeça do melhor amigo deles, teríamos um total médio de 500 tiros e quinhentas pessoas mortas. Sabemos que na prática isto não ocorreria, portanto as decisões do livre arbítrio não são decisões aleatórias.
Por exclusão, então resta o segundo tipo de evento: As decisões tomadas por livre arbítrio são eventos regidos por leis.
Sabemos que para decidirmos, usamos nossa consciência, ou seja, nossos valores, pensamentos e conhecimentos adquiridos; nossas reflexões e memórias. Todas estas capacidades porém, são produto do condicionamento que tivemos no passado, de nossas experiências e aprendizado. Assim para decidirmos sobre algo, usamos determinadas capacidades que estão totalmente vinculadas ao passado.
Portanto nossa decisão não é na verdade livre; mas é o resultado de uma avaliação baseada em dados que temos acumulados na memória. Assim a decisão não é livre, mas sim, dependente do nosso condicionamento anterior.
Estes condicionamentos são as regras que determinam nossas decisões, o fato de não podermos prever com grande margem de acerto qual decisão um ser humano irá tomar, não significa que a decisão tomada será totalmente livre e independente, assim como o fato de que não podemos prever o clima com grande margem de acerto não significa que o clima independa de regras que o determinem. Desta forma quando decidimos por uma opção, na verdade não fazemos uma decisão livre, porém sim, uma decisão baseada em memórias anteriores que nos levaram a optar por determinado caminho.
Na verdade decidimos a partir de hábitos e desejos anteriores (conscientes ou inconscientes) e não através de uma suposta "liberdade para decidir".
Faça você agora esta experiência:
Decida mexer qualquer parte de seu corpo e faça isto agora. A maioria das pessoas acredita que pode decidir mexer a parte do corpo que quiser, e com liberdade. Mas não é bem assim. Reflita um pouco. Você na verdade mexeu uma parte de seu corpo apenas porque eu sugeri e, portanto, sua ação não foi livre mas foi uma ação induzida por minha proposta.
Você pode dizer: Certo, mas eu mexi a parte do corpo que eu quis, livremente. Mas uma vez você se engana. Por exemplo, certamente você não decidiu mover a musculatura do períneo (região entre os genitais e o ânus). Por que? Porque esta área é uma região do corpo que habitualmente não decidimos mover voluntariamente, por não fazer parte de nossos hábitos e condicionamentos prévios.
Qualquer movimento que tenha realizado, teve como causa, hábitos anteriormente armazenados na memória e portanto não foi um movimento livre. Isto é valido para qualquer pensamento, emoção ou sentimento que você tiver. Todos eles são condicionados e só aparecem devido a uma série de experiências que você teve no passado, nunca surgem porque você escolhe livremente.
Até mesmo se você decidiu não realizar esta experiência, tal decisão foi tomada baseada em avaliações armazenadas em sua memória, e portanto também foi uma decisão condicionada.
Bem, mas apesar de ter lido minhas afirmações acima, você pode não concordar comigo e continuar acreditando que você tem livre arbítrio. Ok., é realmente bem provável que isto aconteça. Mas pare um pouco e pense: Porque você continua acreditando que tem livre arbítrio? Certamente porque em um determinado momento de sua vida, baseado em suas experiências, leituras, raciocínio e desejos, você chegou a conclusão que tem livre arbítrio. Portanto o próprio fato de você discordar do que eu afirmei acima, comprova que sua avaliação é sempre baseada em experiências passadas e portanto não é na verdade livre, mas condicionada!
O que comprova o fato de que não temos "livre arbítrio", não porque eu tenha dito isto, mas porque é assim.
(By Celso)

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Observador


Inicialmente, quero esclarecer que Liberdade e Amor são palavras que tem um significado próprio para mim.
Amor e Liberdade são "estados de espírito" que estão além do mundo dual.
O Amor está além do egoísmo, do altruísmo ou da paixão. Amor é o sentimento de doação incondicional.
Liberdade é o sentimento de desapego. Ser livre é ser puro, natural e inocente. Na Liberdade não há escolhas porque ela está na percepção do Todo.
Existem "camadas" na nossa existência: "físico","mental" e "consciencia".
A camada do mundo físico é objetiva; os sentidos transmitem tudo o que está em sua volta - os olhos vêem, os ouvidos ouvem, as mãos tocam. O mundo objetivo é comum a todos.
A segunda camada, em seu interior, é a mente: Pensamentos, emoções e sentimentos. O corpo é conhecido pelos outros, a mente não. Os pensamentos são privados, não são comuns.
A camada externa cria a ciência, a camada dos pensamentos e sentimentos cria a filosofia e a poesia. Será que somos somente matéria e mente?
Observamos que na mente existe um fluxo de pensamentos. Essa mente cria o mundo do observador, aquele que observa os pensamentos e os objetos, com todo seu "fundo" ou conteúdo adquirido através de experiencias, vivencias, gostos pessoais, dissabores, alegrias, conceitos e tais...
Mas....será esse observador único ? Independente do que pensa ?
Ao olhar para uma casa com os olhos abertos ou fechados, o observador é o mesmo; se está olhando para a raiva ou o amor, se está triste ou alegre, se a vida se transformou em poesia ou pesadelo, isso não faz nenhuma diferença -aquele que olha permanece o mesmo com seu conteúdo interno.
Esse "centro", essa "testemunha" é a consciência que contém em si a raiva, o amor, desejo, suas imagens interiores.
Os pensamentos são um caos, e a luta para afastá-los somente cria mais pensamentos.
Saímos deste círculo vicioso, ao iniciarmos um processo de observação sem luta, sem esforço, um deixar fluir...
Então, de repente, o"eu" (a consciência) observa que é todo esse conteúdo. Os pensamentos são esse "eu" . Esta é a conscientização do que se é.
Seu segredo é: Atenção.
Quando perceber isso, ele não julga, avalia ou condena, utilizando-se de todo seu "fundo" : apenas percebe... Ele não é um juiz. Assim começa a ter a percepção do todo.
Atenção e auto-observação são o segredo da ampliação da consciência. Assim consegue-se ver além das aparências e identificar as causas e os efeitos que permeiam a realidade.
Esta experiência é possível nos momentos em que somos nós mesmos, assumimos o tal conteúdo de nosso "fundo"- aquele que cria diversos conflitos, exterior e interiormente.
Percebe-se, desse modo, a origem da violencia e da confusão. Começa, então, o término de tais conflitos.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Vida Estudantil


Vida estudantil e suas Contradições
Um questionamento sobre os valores da educação moderna ( Escrito por Gavin Gee-Clough )

Sempre ingênuo, o estudante descarta a possibilidade de se ligar ao mundo de forma diferente da análise compulsiva que lhe foi ensinada. Conseqüentemente se torna mais e mais distante de seus verdadeiros dons e desejos.
É raro um estudante que conhece a si mesmo. Geralmente ele não sabe o que quer, mas o que pensa que quer (o que normalmente é o que ele acha que os outros querem). Esta é a base do pragmatismo de carreira, que se baseia no que o estudante se força a fazer para alcançar alguma recompensa.
Você diz, honestamente, que quer ser rico e poderoso; mas isto todo mundo quer, porque são instintos básicos que garantem sobrevivência - é a biologia. Mas biologia e sociedade atuando isoladamente sobre nós, sem séria reflexão, nos torna homogêneos e automáticos.
"Este mundo, monstro de energia, sem começo e sem fim, bem como sem aumento ou receita, revelando nada ! Este mundo é desejo de poder e nada alem". (Jim Morrison )

A ciência pode ser libertadora, mas da mesma forma: se atuar isoladamente arruína o progresso do ser humano. Para que a ciência estabeleça-se corretamente, ela precisa de arte.
A formulação das hipóteses científicas é completamente criativa e intuitiva; logo é arte. Em outras palavras, se ciência não estiver baseada na arte, ela não funciona.
Aplicada nos estudantes, esta lei decorre da seguinte maneira: separado de si mesmo depois de anos de vida acadêmica, o estudante desconhece arte, pois arte é o universo de si mesmo, de seu self; logo se a razão precisa de uma base intuitiva, o estudante não conseguirá raciocinar sozinho.
Razão torna-se um instrumento que justifica o status quo, ao invés de ser uma forma de modifica-lo.
E é o que está acontecendo. Estudantes deveriam ser o primeiro passo para a transformação do status quo, mas os sistemas educacionais de todo o planeta estão fazendo exatamente o contrário.
Vivemos num mundo onde educação é uma forma de manutenção da mediocridade global, e é por isso que ela está se perpetuando com tanta facilidade.
"No seu primeiro dia de aula você é cortado da vida para elaborar teorias a respeito dela" (Taisen Deshimaru, Mestre Zen )

A vida é a continua exploração da relação que existe entre o indivíduo e o planeta. A educação institucional inverte este processo. Nosso sistema de educação aliena progressivamente o indivíduo de si mesmo.
A escola se inicia como um jogo de aventuras, mas isto é só um truque para ganhar confiança. A criatividade e a curiosidade rapidamente desaparecem diante da exigência de obediência, imitação e do espírito competitivo. Quando a criança chega ao segundo grau a educação já atingiu essa meta.
Obediência e imitação não exigem nada de original da criança, ou seja, nada originado pelo seu self, por ela mesma. Por definição, dela é exigido exatamente o oposto: a dócil apropriação das idéias e comportamentos de outros. A atmosfera quase penal das salas de aula reitera o primeiro princípio escolar: submissão e coesão. Educação é como o status permanece quo.
A gradual desconsideração da opinião da criança sobre o que é melhor para ela é a retirada de sua individualidade. Quanto mais tempo ela fica exposta às instituições de ensino maior se torna essa separação. Escolas e universidades despejam no mundo seres humanos automáticos, apáticos... mas perfeitos para fazer a engrenagem do sistema funcionar.
Conservadorismo e estreiteza de visão são as logomarcas do estudante, o medíocre expoente da Razão. O relacionamento do estudante com o conhecimento racional é baseado na fé - a universidade como Templo da Razão, onde se valorizam especialistas e títulos de doutorados.