quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Questão de limites

Um problema sério que nos dias atuais vem se intensificando é a questão de limites das crianças e dos jovens.
Vejo isso com muito pesar, e penso muito em um escritor e sociólogo, Lasch, que advertiu que estávamos criando uma sociedade sem senso de limites.
A minha geração tinha hora de ir para a cama, ganhava presente no aniversário e no natal, e não exigia tanto dos pais.
Hoje, é com tristeza que vejo meninas de dois anos usando moda feita para elas, imitando a moda de adultos. Crianças pirraçando para não dormirem cedo. Escolhendo comida.
E digo sem medo de errar: culpa dos psicólogos. Fui de uma geração que levava uns tapas na bunda quando passava das medidas, e não ficou com traumas por isso.
Hoje não se encosta um dedo nos filhos, embora no outro extremo da história se jogam filhos pela janela.
Mas não vou falar disso hoje. Fica para outro dia, porque o assunto é muito mais sério para ser discutido “em passant”.
Adolescentes mal saídos das fraldas frequentam a noite, vão a baladas, onde tudo pode acontecer, as meninas ficam grávidas cada vez mais cedo, e empurram o serviço para cima das mães.
Há uma juventude muito séria, justiça seja feita, e como tenho visto meninos de 13, 14 anos, cabeças feitas. Mas como há pilantrinhas também.
E sabem exigir! Estudar é algo que só é feito em troca de prêmios, como se estivessem sendo submetidos a castigos, e não plantando para o próprio futuro.
O bullying cresce assustadoramente, e eu não iria ser professora atualmente por nada.
Isso tudo só mostra pais despreparados, se borrando de medo de que seus filhos façam alguma bobagem.
Pais que não sabem onde seus filhos estão. Ou de tão apavorados chegam a achar legal colocar chips nos filhos.
Entendo, o mundo está violento, mas está faltando diálogo. Conversas francas.
Um destes dias tive um pai que me procurou para perguntar o que fazer em relação à rebeldia dos filhos.
Tudo uma questão de saber colocar limites. Não pode porque não pode, eu não deixo e ponto final. Filho tem que saber que pais ainda mandam, quando é o contrário que se vê.
Este pai disse que paga a seus filhos para aparar a grama. Correto. Embora o mais correto seria dizer: Fulano vai aparar a grama. Não comem? Não moram? Por que não podem colaborar?
Medo, puro medo dos pais. Não querem traumatizar seus anjinhos. Estão errando feio. O mundo não vai dar a eles o que estes pais estão dando. E vai se criar um monte de preguiçosos, gente que acha que o mundo deve algo a eles.
Para evitar serem desrespeitados publicamente, nem sequer têm mais com seus filhos aquela linguagem de olhar que os filhos antes entendiam e não discutiam.
Os pais é que sabem que tipo de gente estão criando. Gente que não vai parar em emprego, porque não têm a menor noção de que manda quem pode e obedece quem tem juizo.
Pais que vão à escola ( aconteceu estes dias) e agridem professores e diretores, fisicamente, porque seus filhos foram punidos por algo errado.
Para tudo há meios legais. Se a punição foi injusta, que reclamem a quem de direito, mas ir lá espancar os mestres, isso é coisa que se faça? Que exemplo!
No futuro estes anjinhos vão precisar terapia, ou coisa pior. Se houvesse mais limites em casa as cadeias teriam menos gente.
Vejo pais se individando para dar ao filhinho o que não podem. Mas o filhinho quer...
A menina quer roupas novas a cada dia, afinal a tribo dela mudou o uniforme. E a personalidade, não existe? Todos andam em grupos?
Nossa sociedade está decadente, Lasch avisou. Quando vamos dar atenção aos alertas?

( Texto da psicanalista Marcia Lee-Smith )

Diferenças e Respeito


Quero falar sobre as difíceis relações entre pessoas que tem culturas diferentes. Este assunto é um tabu, porque todos são igualmente necessários ao mundo.
Há lugar para todos os seres, a sociedade nem sequer sobreviveria sem que houvesse do que planta ao que consome o produto final. O indivíduo que varre o escritório tem uma importância imensa, embora ganhe pouco, a pessoa que faz o café geralmente não aparece, mas na hora que os funcionários querem um cafezinho, ou quando se pensa em servir um café ao cliente, este café deve estar pronto.
A pessoa que lava o banheiro tem uma função enorme, afinal banheiros limpos dão aos aeroportos e shoppings uma sensação de higiene e limpeza.
Mas infelizmente a comunicação entre estes funcionários e os usuários é praticamente impossível.
Não sei se a palavra seria cultura, ou se o termo função ficaria mais bem empregada ao caso.
É preciso entender que todos tem seu papel social, mas existe naturalmente e é impossível não existir uma dificuldade na comunicação entre estas pessoas.
E em geral o funcionário gola azul, como os americanos os chamam, sente-se inferiorizado frente aos gola branca.
Que seria de uma cidade sem os lixeiros, os coveiros, os varredores de ruas?
Tem até aquela piada dos dois leões que fugiram do zôo, e um deles foi recapturado em horas, e o outro demorou dias a voltar.
O que foi recapturado logo perguntou ao outro? Como pode, você some por 10 dias, e ainda volta gordo?
E ele responde: eu me escondi num escritório. Todos os dias comia um funcionário, e só me pegaram porque comi, sem querer, o rapaz que fazia o café.
Esta piada mostra que a importância dos golas azuis não é tão pequena assim.
Mas deixando para o fim a questão social, vejamos o porquê da dificuldade de comunicação.
Uns foram educados para determinados papéis na sociedade, outros para outros.
Eu sou totalmente intelectual. Besteira mentir e dizer que não sou. Fiz várias faculdades, mestrados, sou ruim com uma vassoura na mão e não sei deixar uma panela brilhando.
Mas dou valor a quem sabe. Só não consigo ter um papo gostoso com essas pessoas. Nós somos de mundos diferentes.
Profissionalmente consigo. Mas como ser humano não. O profissional é diferente do indivíduo. Como gente, como pessoa, prefiro conversar com os meus iguais. Como profissional não vejo diferença entre ninguém.
Aliás, aqui no meu caso há um pouco de inverdade nisso. Como física, jamais poderia conversar com muita gente, não me entenderiam. Como psicanalista chego à conclusão de que a psicanálise como dizia Freud, exige que haja alguma cultura do analisando, ou ele não entenderá as metáforas.
Assim, é com todo mundo. Quem disser que não é está mentindo.
Não adianta eu querer ser amiga de alguém que se distrai costurando, se para me distrair eu preciso de um bom livro que me faça pensar.
Homens também são assim. Menos que as mulheres.
E eu até me pergunto se gostaria de ser diferente. Muito acham que isso é uma questão de esnobismo. A palavra é pesada. Mas se eu entendo de política internacional não consigo levar um papo com quem diz que a culpa da cotação do dólar é alguma coisa que nada tem a ver. O máximo que posso fazer é dizer hm hm...
Não é esnobismo, é mais o que a minha mãe diria: lé com lé, cré com cré, um sapato em cada pé.
Se eu fosse convidada para uma recepção no palácio da rainha da Inglaterra, ficaria totalmente perdida, não é o meu lugar. Também se fosse convidada para um evento bem popular, ficaria encolhida num canto, porque não saberia agir.
Socialmente existem diferenças, que não estão calcadas em dinheiro. Um cara pode ser milionário e gostar de coisas bem populares. Outro pode ser um pobretão e gostar de ler Shakespeare.
Não é o que se ganha, ou o quanto se tem que determina isso. Não somos iguais, esta é a verdade. Não me importaria de morar numa roça, mas levaria para lá centenas de livros, e não participaria das festas do povo, eu sei disso.
Outros, ricos ( e diga-se de passagem que rica eu não sou), adorariam trocar a vida deles por uma vida bem “fuleira”, esquecer as faculdades estudadas, e entrar num grupo de violeiros e se divertiriam.
Então o ponto aqui é: temos de saber quem somos, o que somos, e procurar nos relacionar com nossos pares, seja para amizades, ou principalmente no casamento.
Muitas vezes alguém nos atrai exatamente por serem o que não somos, e sabemos que jamais seremos. Mas por quanto tempo?
Isso tudo tem que ser muito pensado antes de um casamento, antes de uma mudança para um lugar. É o marido certo? É a cidade certa?
Isto tem a ver com psicanálise? Tudo a ver. Se nossos problemas começam na infância, e se na infância definimos quem seremos, pois é isso que acontece, em decorrência do nosso ser e da educação dada por nossos pais, ou quem tenha nos criado, os problemas futuros são todos de fundo analítico.
Queremos dar a nossos filhos uma educação sempre melhor do que a que tivemos e queremos que tenham amigos de bom nível.
Isso, gostando ou não, de muitas forma se relaciona com dinheiro, infelizmente. Pais pobres nem sempre podem dar o melhor a seus filhos, exceto incutir neles a vontade de crescer.
Mas o ambiente pesa bastante. E as histórias de Cinderela são apenas histórias.
Então vamos admitir que somos quem somos, temos nossos referenciais, e não vamos ter traumas por isso. Muito menos passar nossos traumas a nossos filhos. Todos temos nossas funções no mundo. Pelo menos saibamos nos respeitar, se outros são aparentemente “mais “ que nós, e saibamos respeitar aqueles que tem um nível de cultura e/ou dinheiro e gostos não compatíveis com o nosso.
Só assim podemos viver em paz dentro de uma sociedade pluralista.

( Texto da psicanalista Marcia Lee-Smith )

Textos de Khalil Gibran

"Os corações que as tristezas unem permanecem unidos para sempre. O laço da tristeza é mais forte que o laço da alegria. E o amor que as lágrimas lavam torna-se eternamente puro e belo."

"Deve existir algo extranhamente sagrado no sal: está em nossas lágrimas e no mar..."

"Sua razão e sua paixão são o leme e a vela de sua alma navegante. Se um dos dois quebrar, você pode adernar e ficar á deriva ou ficar imóvel no meio do mar. Porque a razão, reinando sozinha, restringe todo impulso. E a paixão, deixada a si é fogo que arde até sua própria destruição."

( a Abelha e a flor ) : "Ide pois aos vossos campos e pomares, e lá aprendereis que o prazer da abelha é de sugar o mel da flor, mas que o prazer da flor é de entregar o mel à abelha.
Pois, para a abelha, uma flor é uma fonte de vida. E para a flor uma abelha é mensageira do amor
E para ambas, a abelha e a flor, dar e receber o prazer é uma necessidade e um êxtase"

" Conhecer a dor da excessiva ternura. Ser ferido pela própria inteligência do amor, e sangrar de bom grado e alegremente. Mas se amarem e tiverem desejos, deverão se estes:
Fundir-se e ser um regato corrente a cantar a sua melodia à noite."

"Entre as colinas, quando vos sentardes à sombra fresca dos álamos brancos,
partilhando da paz e da serenidade dos campos e dos prados distantes, então que
vosso coração diga em silêncio: "Deus repousa na Razão". E quando bramir a
tempestade, e o vento poderoso sacudir a floresta, e o trovão e o relâmpago
proclamarem a majestade do céu, então que vosso coração diga com temor e
respeito: "Deus age na Paixão". E já que sois um sopro na esfera de Deus e uma
folha na floresta de Deus, também devereis descansar na razão e agir na paixão. "

" Os vossos corações conhecem, no silêncio, os segredos dos dias e das noites. Mas os vossos ouvidos têm sede de ouvir finalmente o eco do saber dos vossos corações. Gostaríeis de saber pelo verbo o que sempre soubeste pelo pensamento. Gostaríeis de sentir com os dedos o corpo nu dos vossos sonhos.
E está certo que assim o queirais.
A fonte oculta da vossa alma deve necessariamente jorrar e correr a murmurar para o mar; e o tesouro das vossas profundezas infinitas revelar-se aos vossos olhos. Mas que não haja balança que pese o vosso tesouro desconhecido; e não procureis explorar os abismos do vosso saber com a vara ou com a sonda, pois o eu é um mar sem limites e sem medida.
Não digais: "Encontrei a verdade", mas antes: "Encontrei uma verdade."
Não digais: "Encontrei o caminho da alma." Mas antes: "Cruzei-me com a alma que seguia pelo meu caminho."
Pois a alma percorre todos os caminhos. A alma não caminha sobre uma linha nem se alonga como uma vara. A alma abre-se a si própria como se abre um lótus de inúmeras pétalas."

"É errado pensar que o amor vem do companheirismo de longo tempo ou do cortejo perseverante. 
O amor é filho da afinidade espiritual e a menos que esta afinidade seja criada em um instante, ela não será criada em anos, ou mesmo em gerações. "


"Na floresta não existe ignorante ou sábio
Quando os ramos se agitam, a ninguém reverenciam
O saber humano é ilusório como a cerração dos campos
que se esvai quando o sol se levanta no horizonte
Dá-me a flauta e canta!
O canto é o melhor saber, e o lamento da flauta sobrevive ao cintilar das estrelas"

"O conhecimento de si mesmo é a mãe de todo conhecimento. Portanto estou incumbido de conhecer a mim mesmo, me conhecer completamente, conhecer minhas minúcias, minhas características, minhas sutilezas, e cada átomo meu."

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Alquimistas


Transmutações na alma ditadas pela quintessencia de nossos proprios descobrimentos em vivências, tornam-nos alquimistas únicos, onde a mente, onde o pensamento agora readapta-se ao vazio de ditames desse valioso presente que nós mesmo nos damos, ao nos permitirmos, e cujo fruto nosso proprio coração regozija-se .



terça-feira, 17 de janeiro de 2012

A Ponte




Ninguém pode construir em teu lugar as pontes que precisarás passar, para atravessar o rio da vida - ninguém, exceto tu, só tu. Existem, por certo, atalhos sem números, e pontes, e semideuses que se oferecerão para levar-te além do rio; mas isso te custaria a tua própria pessoa; tu te hipotecarias e te perderias.
Existe no mundo um único caminho por onde só tu podes passar.
Onde leva? Não perguntes, segue-o!

( Nietzsche )


domingo, 8 de janeiro de 2012

Spinoza


Diz a lenda que apenas dois homens conheceram Deus: Cristo e Spinoza . Esse, perseguido tambem pela Religião criada pelos homens, "em nome do outro".

( Texto de Paul Strathern ): "Spinoza é o filósofo dos filósofos. Construiu um sistema metafísico de beleza surpreendente, brilhante, tanto mais que não se inspira nem na realidade nem na experiência. Era um homem profundamente religioso, embora aparentemente não professasse nenhuma fé. Sua filosofia é permeada pela idéia de Deus e ele mesmo viveu uma vida de santo. Consequentemente, foi abominado em vida por todas as religiões e, após a morte, suas obras seriam difamadas, perseguidas e queimadas. Hoje em dia, quando não se exige mais dos filósofos a crença em deus, quando eles levam - como todos nós - vidas escandalosas e tem que prestar atenção na realidade, Spinoza é tido como o filósofo exemplar. Se eventualmente for canonizado, será o padroeiro dos hipócritas. "

Spinoza nasceu em Amsterdã em 24 de Novembro de 1632 e faleceu em 21 de Fevereiro de 1677 em Haia. Excomungado e expulso pelas religiões Judaica e Cristã, quase tiram sua vida em atentados. Fugiu e viveu uma vida simples e reclusa, como lapidador de lentes.
Criou uma filosofia aparentemente anacrônica para nós, com seu pensamento teísta e sistemático. Ironicamente, as conclusões que tirou desse antiquado sistema estão profundamente afinadas com o pensamento moderno - do campo científico 'a política. Tanto o sistema como suas conclusões são de uma beleza sem par na história da filosofia. E se a beleza é a verdade e a verdade é a beleza, a filosofia de Spinoza é tudo o que precisamos saber.
Escreveu sua obra maior, "Ética" (de Deus ) além de "Tratado Político" , "Tratado sobre a Religião e o Estado", "Melhoramento do Intelecto" .

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Ser sério


"Somos muito sérios em relação a certas coisas que nos proporcionam grande prazer, satisfação; desejamos a todo custo cultivar esse prazer - seja o prazer do sexo, seja o do preenchimento de uma ambição - um prazer qualquer. Mas bem poucos de nós são sérios no tocante ao percebimento do problema da existência, dos conflitos, das guerras, das ânsias, dos desesperos, da solidão, do sofrimento.
Ser sério em relação a essas coisas fundamentais significa aplicar a elas uma atenção contínua, e não um simples e esporádico interesse . Aquela seriedade deve constituir a base de nosso pensar, viver e agir. Quanto mais sérios formos, interiormente, tanto mais madureza teremos. A madureza nada tem que ver com a idade . Não é questão de acumular incontáveis experiências ou um saber imenso. Só é possível essa madureza com o conhecimento mais amplo e mais profundo de nós mesmos.
Que entendeis por “seriedade”? Ser sério, ardoroso, implica naturalmente a capacidade de descobrir o que é verdadeiro. Se a mente está acorrentada pelo saber, pela crença, à mercê das influências condicionadoras , pode ela descobrir alguma coisa nova?
Porque seriedade supõe aplicação ao aprender, quer dizer, aplicar toda a atenção a estudar não apenas determinada matéria, uma particularidade da vida, porém o todo da vida, que é um campo imenso. Sério, ardoroso, apaixonado, “intenso”, é aquele que procura compreender o inteiro processo da consciência, ou seja, o todo da vida.
Por conseguinte, para o homem sério, que deseja aprender, o primeiro requisito é que esteja livre para investigar - isso significa não ter medo; que esteja livre para olhar, observar, criticar; que seja inteligentemente cético, não aceite opiniões. Como antes dissemos, quando caminhamos com a luz de outrem, essa luz nos levará à escuridão - não importa quem seja o que nos oferece a luz. Mas, para podermos caminhar com a luz de nossa própria compreensão, é preciso atenção e silêncio e, por conseguinte, muita seriedade.
Se um homem deseja descobrir uma nova maneira de vida - uma vida livre de violência, de total liberdade interior, e a esse descobrimento devota seu tempo, sua energia, seus pensamentos, tudo - a essa pessoa eu chamaria de homem sério. Esse homem não se deixa facilmente desviar de seu intento; poderá buscar entretenimentos, mas sua rota está traçada. Isso não significa ser dogmático, obstinado, inadaptável. Ele está pronto a prestar ouvidos a outros, a considerar, examinar, observar.
A maior parte de nós, em ficando graves, perde o senso de alegria. A seriedade sem alegria, em muitos casos é artificial, e por isso deve ser evitada.
Se cultivardes a seriedade com a alegria que decorre do fato de o terdes em vosso coração (o Eterno), como parte de vós mesmos, então essa seriedade se torna deleite em vez de se tornar morbidez e expressões rudes. "

Jiddu Krishnamurti

- Resolução de início de ano: continuar o mesmo caminho de ameaça 'as sombras, 'as falsidades e 'as mentiras, em batalhas mais duras, porém, cheias de ternura.

sábado, 31 de dezembro de 2011

Auto-sabotagem; medos e entraves




Texto original da psicologa Bel Cesar : http://somostodosum.ig.com.br/conteudo/conteudo.asp?id=2724

A armadilha da auto-sabotagem
:: Bel Cesar ::
Há momentos da vida que reconhecemos que estamos prontos para dar um novo salto, para efetivar uma mudança profunda. Nos lançamos num novo empreendimento, numa nova relação afetiva, mudamos de cidade e até mesmo de apelido. Mas, aos poucos, nós nos pegamos fazendo os mesmos erros de nossa vida passada. É como se tivéssemos dado um grande salto para cair no mesmo buraco. Caímos em armadilhas criadas por nós mesmos. Nos auto-sabotamos. Isso ocorre porque, apesar de querermos mudar, nosso inconsciente ainda não nos permitiu mudar!

Em nosso íntimo, escutamos e obedecemos, sem nos darmos conta, ordens de nosso inconsciente geradas por frases que escutamos inúmeras vezes quando ainda éramos crianças. Toda família tem as suas. Por exemplo: Não fale com estranhos é uma clássica. Como a nossa mente foi programada para não falar com estranhos, cada vez que conhecemos uma nova pessoa nos sentimos ameaçados. Uma parte de nosso cérebro nos diz abra-se e a outra adverte cuidado.
Num primeiro momento, o desafio em si é encorajador, por isso nos atiramos em novas experiências e estamos dispostos a enfrentar os preconceitos. No entanto, quando surgem as primeiras dificuldades que fazem com que nos sintamos incapazes de lidar com esse novo empreendimento, percebemos em nós a presença desta parte inconsciente que discordava que nos arriscássemos em mudar de atitude: Bem que eu já sabia que falar com estranhos era perigoso.

Cada vez que desconfiamos de nossa capacidade de superar obstáculos, cultivamos um sentimento de covardia interior que bloqueia nossas emoções e nos paralisa. Muitas vezes, o medo da mudança é maior do que a força para mudar. Por isso, enquanto nos auto-iludirmos com soluções irreais e tivermos resistência em rever nossos erros e aprender com eles, estaremos bloqueados. Desta forma, a preguiça e o orgulho serão expressões de auto-sabotagem, isto é, de nosso medo de mudar.
Dificilmente percebemos que nos auto-sabotamos. Nós nos auto-iludimos quando não lidamos diretamente com nosso problema raiz.

A auto-ilusão é um jogo da mente que busca uma solução imediata para um conflito, ou seja, um modo de se adaptar a uma situação dolorosa, porém que não represente uma mudança ameaçadora. Por exemplo, se durante a infância absorvemos a idéia de que de ser rico é ser invejado e assim menos amado, cada vez que tivermos a possibilidade de ampliar nosso patrimônio nós nos sentiremos ameaçados! Então, passaremos a criar dívidas, comprando além de nossas possibilidades, para nos sentirmos ricos, porém com os problemas já conhecidos de ser pobres. Não é fácil perceber que a traição começa em nós mesmos, pois nem nos damos conta de que estamos nos auto-sabotando!

Na auto-ilusão, tudo parece perfeito. Atribuímos ao tempo e aos outros a solução mágica de nossos problemas: com o tempo a dor de uma perda passará; seu amado irá se arrepender de ter deixado você e voltará para seus braços como se nada houvesse ocorrido. No entanto, só quando passarmos a ter consciência de nossos erros é que não seremos mais vítimas deles!
Temos uma imagem idealizada de nós mesmos, que nos impede de sermos verdadeiros. Produzimos muitas ilusões a partir desta idealização. Muitas vezes, dizemos o que não sentimos de verdade. Isso ocorre porque não sentimos o que pensamos!

Muitas vezes não queremos pensar naquilo que sentimos, pois, em geral, temos dificuldade para lidar com nossos sentimentos sem julgá-los. Sermos abertos para com nossos sentimentos demanda sinceridade e compaixão. Reconhecer que não estamos sentindo o que deveríamos sentir ou gostaríamos de estar sentindo é um desafio para conosco mesmos. Algumas de nossas auto-imagens não querem ser vistas!

É nossa auto-imagem que gera sentimentos e pensamentos em nosso íntimo. Podemos nos exercitar para identificá-la. Mas este não é um exercício fácil, pois resistimos em olhar nosso lado sombrio. No entanto, uma coisa é certa: tudo que ignoramos sobre nossa parte sombria, cresce silenciosamente e um dia será tão forte que não haverá como deter sua ação. Portanto, é a nossa auto-imagem que dita nosso destino.

O mestre do budismo tibetano Tarthang Tulku, escreve em seu livro The Self-Image (Ed. Crystal Mirror): A auto-imagem não é permanente. De fato, o sentimento em si existe, no entanto o seu poder de sustentação será totalmente perdido assim que você perder o interesse por alimentar a auto-imagem. Nesse instante, você pode ter uma experiência inteiramente diferente da que você julgou possível naquele estado anterior de dor. É tão fácil deixar a auto-imagem se perpetuar, dominar toda a sua vida e criar um estado de coisas desequilibrado... Como podemos nos envolver menos com nossa auto-imagem e nos tornar flexíveis? Somos seres humanos, não animais, e não precisamos viver como se estivéssemos enjaulados ou em cativeiro. No nível atual, antes de começarmos a meditar sobre a auto-imagem, não percebemos a diferença entre nossa auto-imagem e nosso 'eu'. Não temos um portão de acesso ou ponto de partida. Mas, se pudermos reconhecer apenas alguma pequena diferença entre a nossa auto-imagem e nós mesmos, ou 'eu' ou 'si mesmo', poderemos ver, então, qual parte é a auto-imagem.
A auto-imagem pode representar uma espécie de fixação. Ela o apanha, e você como que a congela. Você aceita essa imagem estática, congelada, como um quadro verdadeiro e permanente de si mesmo, explica Peggy Lippit no capítulo sobre Auto-Imagem do livro Reflexões sobre a mente organizado por seu mestre Tarthang Tuku (Ed. Cultrix).
Na próxima vez que você se pegar com frases prontas, aproveite para anotá-las! Elas revelam sua auto-imagem e são responsáveis por seus comportamentos repetitivos de auto-sabotagem. Ao encontrar a auto-imagem que gera sentimentos desagradáveis, temos a oportunidade de purificá-la em vez de apenas nos sentirmos mal. O processo de autoconhecimento poderá então se tornar um jogo divertido e curioso sobre nós mesmos!

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Mensagem do Cosmos






Estimativas dos astronomos nos informam alguns numeros sobre a dimensão do Universo. 14 bilhões de anos de existencia.
Existem aproximadamente 100 bilhões de Galáxias . Há superaglomerados de Galáxias, onde algumas desses 100 bilhões, estranhamente se juntam e seguem alguma direção , em uma espécie de "caminho" na negritude profunda do Cosmos. Esse numero calcula-se em 270 mil tais superaglomerados. Outros grupos de galáxias formam um numero também astronomico: 500 milhões que caminham em aglomerados menores. Galáxias grandes, estima-se em 10 bilhões. Anãs, ou pequenas Galáxias, estima-se em 100 bilhões.
Quantas estrelas contém cada galáxia? Há estimativas em cerca de 100 bilhões de estrelas, em cada galáxia. Ou perto de 2000 bilhões de bilhoes de estrelas no total do Universo. São numeros astronomicos que nos permitem cada vez mais compreender o Universo através de observações,calculos e estimativas.
Imaginemos que apenas 0,1% de todas essas 2mil bilhões de bilhões estrelas, contém um sistema planetário aproximadamente como o nosso em que vivemos. Imaginemos que dentre esses 0,1%, apenas 0,1% possa existir vida... mas não podemos imaginar se tais formas de vida possam ser similares ás tantas formas de vida que contém um dos planetas de nosso sistema o Solar chamado Terra, em um braço espiral de nossa Galáxia chamada Via Lactea; essa acompanhada por outras galáxias menores, como as Nuvens de Magalhães ,tão visíveis em um céu noturno. Mas podemos sim imaginar que existam alguns seres pensantes e também, com sentimentos.
Esses numeros impressionam...
Sabemos que nesse nosso planeta Terra existem muitas, muitas especies que contém vida, muitas ainda não catalogadas ou desconhecidas pela ciencia, onde nós, seres humanos, somos parte..., onde nosso numero hoje nos informam cerca de 7 bilhões. Isso mesmo, 7 bilhões de seres humanos vivem nesse planeta chamado Terra, inserido em um Universo de...

nos perdemos agora frente 'a quantidade de objetos no Cosmos...!

Imaginemos agora os países, as nações, as cidades, as terras habitadas pelos seres humanos nesse planeta, e suas leis, costumes, religiões, e éticas. Imaginemos agora além desse mundo real , um outro mundo, o mundo virtual , a Internet, pois não é só o mundo real que permite relacionamentos hoje em dia.
Vamos, agora, diminuir ainda mais esse funil e irmos para nosso país , com nossa lingua própria, onde nos comunicamos, inclusive em milhares de sites do mundo virtual. Vamos diminuir mais ainda esse funil, onde agora duas pessoas se conheceram , seja no mundo real, seja no mundo virtual.
O incompreensível de tanta compreensão, ainda é a possibilidade em surgir confusões, atritos, conflitos e discussões, que não nos permitem ultrapassar uma simples barreira tão mesquinha chamada "Eu", com nossos gostos pessoais, nossa religião, nossos condicionamentos, nossas eticas , nossos costumes, inclusive nossos entraves, que em diversas vezes teimamos em impor ao outro . O incompreensível de tanta compreensão, é muitas vezes não nos permitirmos dialogar de um modo franco e aberto.
É ainda mais incompreensivel, dentro da mensagem que o Cosmos nos transmite, criarmos inimigos tanto no mundo real quanto no mundo virtual, em uma existencia tão pequenina de cada um de nós comparada ao Cosmos, ao invés de darmos um tremendo valor que um encontro com o outro deveria significar.


                                             

sábado, 24 de dezembro de 2011

Mercadão de Almas


"Há homens morrendo em todos os cantos do planeta. Mortes horrendas, desnecessárias. E há homens que, enquanto não morrem, assistem ao espetáculo da violência, faces da morte distribuídas por canais de TV, pedaços de corpos disputados por jornais e revistas. É este o programa da família. Crianças acostumadas, desde a mais tenra idade, ao sadismo de seu semelhante.
Será esse o motivo? Eu procuro um motivo que justifique a frieza do homem diante do sofrimento do outro, seja lá que outro for. Foi assim com Sócrates, Cristo, Zumbi, Gandhi, Martin Luter King, Tiradentes, Lennon, garotos arremessados de um trem em movimento e tantos outros que, a seu modo, exerciam ou lutavam pela liberdade e pela paz, mas foram premiados com a cruz, com a faca, com a bala, com a bomba, com a tortura.
Quais são mesmo os motivos? Ainda não sei. Ser humano sem humanidade? É um triste paradoxo. Como se um peixe que não soubesse nadar, como uma águia que se recusasse a voar. Estou perplexa.
Aqui, no Mercado da Cantareira, em São Paulo, acompanhada de um amigo, essas interrogações me invadem. Esses porquês.
Como é que esses homens, sem humanidade, vão-se comover com animais amontoados em gaiolas, implorando por socorro, por misericórdia?
Há, por exemplo, um box especializado em venda de animais para rituais religiosos. Há pequenos bodes, cabritos e galos pretos à espera do sacrifício. Os primeiros nem lutam mais pela vida. Chegaram a lutar antes de entrar num caminhão, a milhares de quilômetros daqui. Chegaram a lutar dentro do caminhão - com berros, com chifradas - por ar, por água, por comida. Agora, presos numa cela de azulejos brancos, eles se ferem um aos outros.
Estão cegos, paralisados pelo medo e pela dor. Acaricio a cabeça de um deles, que não reage. Parece um animal empalhado. Só sei que está vivo porque o corpo esquelético, respira.
Uma pessoa se aproxima. Olha os galos pretos, que gritam inconformados. Eles são valentes. Ela escolhe um. O dono do box - um homem branco, gordo, com uma expressão tão fria quanto a de um manequim de loja (terá filhos? Terá um amor?) - o dono do box abre a gaiola e agarra o animal pelas pernas. O galo bem que tenta reagir: grita, bate as asas, imponente. O dono, então, levanta-o e, com precisão, arremessa sua cabeça contra a parede. Não, o bicho não morre. O homem é "bom" no que faz. Deixa-o em estado de choque, entre a vida e a morte. Porque seu novo dono o quer vivo: o ritual exige seu sangue quente.
O funcionário do box, mais falante, diz que tem dó dos bichos. Mas o que se há de fazer? "Nós cuidamos deles, passamos remédio nos olhos feridos. Mas eles se ferem novamente", explica o rapaz, o erro dos bichos.
Chega? Não. Há também os coelhos. Um deles, cujo valor foi estabelecido em trinta Reais, lambeu meus dedos quando o peguei no colo. Nunca tinha visto isso. Queria levá-lo comigo; entretanto, meu amigo me disse que seria um incentivo à continuidade daquele comércio. Não levei. Hoje, sinceramente, arrependo-me.
Eu não queria ver mais nada. Mas ninguém entra num local desses impunemente. É preciso ir ao Mercado Municipal, próximo ao da Cantareira, onde também há animais. Estes, por sua vez, estão todos mortos. São exibidas cabeças de porcos dentro de um freezer transparente com o nome de "Porco Feliz". E um anúncio grande num outro box, com os dizeres: "temos filhotes de javali". Sim, tem gente que faz sua ceia de Natal com filhote de javali.
Estou cansada. Não agüento mais ver essas fotos nem escrever sobre o que vi. Eu só espero que as pessoas - nas festas de Natal e Ano Novo - valorizem mais o amor do que cadáveres sobre a mesa, façam mais amor do que rituais sangrentos. Porque a vida nos dá o que damos a ela. Só teremos um ano melhor se plantarmos, uma a uma, as sementes dos frutos que queremos colher.
Eu desejo a todos vocês que saibam semear com sabedoria."

( texto pego na Internet no dia 24/12/2011 as 22:45 horas-véspera de Natal )

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

A Tempestade


O pássaro e o homem tem essências diferentes.
O homem vive à sombra de leis e tradições por ele inventadas;
o pássaro vive segundo a lei universal que faz girar os mundos.
Acreditar é uma coisa; viver conforme o que se acredita é outra.
Muitos falam como o mar, mas vivem como os pântanos.
Muitos levantam a cabeça acima dos montes;
mas sua alma jaz nas trevas das cavernas.
A civilização é uma arvore idosa e carcomida, cujas flores são a cobiça e o engano e cujas frutas são a infelicidade e o desassossego.
Deus criou os corpos para serem os templos das almas.
Devemos cuidar desses templos para que sejam dignos da divindade que neles mora.
Procurei a solidão para fugir dos homens, de suas leis, de suas tradições e de seu barulho.
Os endinheirados pensam que o sol e a lua e as estrelas se levantam dos seus cofres e se deitam nos seus bolsos.
Os políticos enchem os olhos dos povos com poeira dourada e seus ouvidos com falsas promessas.
Os sacerdotes aconselham os outros, mas não aconselham a si mesmos, e exigem dos outros o que não exigem de si mesmos.
Vã é a civilização. E tudo o que está nela é vão.
As descobertas e invenções nada são senão brinquedos com a mente se diverte no seu tédio.
Cortar as distâncias, nivelar as montanhas, vencer os mares, tudo isso não passa de aparências enganadoras, que não alimentam o coração e nem elevam a alma.
Quanto a esses quebra-cabeças, chamados ciências e artes, nada são senão cadeias douradas com os quais o homem se acorrenta, deslumbrados com seu brilho e tilintar.
São os fios da tela que o homem tece desde o inicio do tempo sem saber que, quando terminar sua obra, terá construído a prisão dentro da qual ficará preso.
Uma coisa só merece nosso amor e nossa dedicação, uma coisa só...
É o despertar de algo no fundo dos fundos da alma.
Quem o sente não o pode expressar em palavras.
E quem não o sente, não poderá nunca conhecê-lo através de palavras.
Faço votos para que aprendas a amar as tempestades em vez de fugir delas.

( Khalil Gibran )


Esconderijos



"Busquemos agora de esconder. Se te escondesses no meu coração, não seria difícil encontrar-te. Mas se te escondesses atrás de tua própria casca, então seria inútil procurar por ti."

Khalil Gibran

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Caricaturas


"As pessoas são, umas para as outras, reflexos deformados de seu próprio ego.
Quis ser rico e assumi uma determinada caricatura de capitalista. Quis ser inteligente e vesti uma caricatura de gênio. Quis ser bom e me casei com uma caricatura de mulher angustiada. Todas elas eram projeções de meu ego. Mas se para mim este último corresponde a determinado aspecto de meu ego, para outra pessoa, provavelmente, ele corresponde a algo totalmente diferente. Devo compreender também que eu próprio, para os outros, sou uma projeção de seu ego e, até mesmo, uma projeção diferente para cada um deles.
Jogo de ilusões.
Quando nos dermos conta de tudo isso, conseguirmos ver tudo clara e distintamente, teremos ainda o direito de ficar bravos com alguém?
Todos os seres que encontramos “são”, na verdade, nós mesmos. Todos trazem uma parte essencial de nosso enigma, são telegramas cifrados, mistérios que temos de esclarecer para nos compreender e nos tornar quem de fato somos.
Nossa mãe, nosso pai, nossos irmãos e irmãs, nosso companheiro, nossos filhos, amigos, colegas são uns dos tantos arcanos a desvendar, umas das tantas mensagens que nossa alma envia para si mesma. Os seres humanos costumam se casar com aquelas pessoas que evidenciam uma tendência que foi recalcada ou cuidadosamente dissimulada. O parceiro torna visível "a sombra" da pessoa. Cada um desses seres é nosso próprio ser. Eles nos constituem. Detêm o segredo de nossa identidade.
E isso se estende a todo o universo: o lugar onde vivemos, nossa sociedade, nossa época. Eles nos criam e nós os criamos. Essa produção recíproca e paradoxal não deve ser entendida à maneira como o oleiro fabrica uma peça de cerâmica, mas antes à maneira como o sonhador fabrica o sonho que o faz sonhador.
Quem são todas essas pessoas que nós somos?
No momento em que sonhamos, somos o sonho."


( o Fogo Liberador - Levy - pag 88)


domingo, 11 de dezembro de 2011

O que não queremos ver


Essa foto acima é do fotógrafo Kevin Carter, tirada provavelmente em março de 1993, e foi a vencedora do Premio Pulitzer em abril de 1994. A foto mostra um abutre esperando a criança morrer para poder se alimentar.
Essa é a natureza do abutre.
A foto mostra a criança faminta, agonizante, rastejando rumo 'a um campo de alimentos mantida pela ONU distante 1 km , durante a grande crise de fome que devastou o Sudão.
O som do choramingar macio perto da vila de Ayod atraiu Carter a essa criança sudanesa. A menina havia parado para descansar, ao esforçar-se para chegar ao centro de alimentação, onde um abutre tinha aterrado próximo. Carter disse que esperou aproximadamente 20 minutos, aguardando que o abutre abrisse suas asas. Não o fez. Carter tirou a fotografia e perseguiu o abutre para afastá-lo. Entretanto, foi criticado por somente estar fotografando e não ajudando a pequena menina.
Carter foi um fotografo que mostrava o que não queriamos ver. Carter não podia fazer nada além, naquele momento , porque milhares de crianças viviam na mesma situação ( e ainda vivem hoje em dia, no mundo todo).
Em 27 de julho de 1994 , tres meses após o prêmio, e em uma profunda depressão, Carter levou seu carro até um local da sua infância e suicidou-se utilizando uma mangueira para levar a fumaça do escape para dentro de seu carro. Ele morreu envenenado por monóxido de carbono aos 33 anos de idade. Partes da nota de suicídio de Carter dizia:

"Estou deprimido… Sem telefone… Sem dinheiro para o aluguel.. Sem dinheiro para ajudar as crianças… Sem dinheiro para as dívidas…
DINHEIRO!!!…
Sou perseguido pela viva lembrança de assassinatos, cadáveres, raiva e dor… Pelas crianças feridas ou famintas… Pelos homens malucos com o dedo no gatilho, muitas vezes policiais, carrascos… Se eu tiver sorte, vou me juntar a Ken… (sua falecida esposa) [ "

Mas o que Carter fez foi muito mais com suas fotos... e com essa foto denominada "a Foto que Chocou o Mundo". Carter tirou sua própria vida, mas com isso nos mostrou o que devemos fazer.
Rezar , quem assim deseja , como um início de tudo, porque tocou o coração.
Tocou o coração porque temos profundo sentimento.
O mesmo sentimento que nos leva a não nos conformar com isso.
Não nos conformando , nos leva a agir.
Agindo da forma como cada um de nós pode agir, de acordo com nossas forças e nossa capacidade.
Porque não nos conformamos,
Pois temos profundo sentimento...

sábado, 10 de dezembro de 2011

O retorno ao seu Passado



Retornar ao seu passado longo, triste, de pouco significado hoje, requer muita auto-sabotagem, uma tremenda negação do próprio coração. Sempre existirão aqueles que apoiarão essa ação, e normalmente estarão inseridos nas trincheiras da Religião retógrada, porque pela fé e pela crença que exige a própria negação de sí num sistema retógrado onde o medo se impõe, haverá um "suposto" bem maior , pelo bem de "todos". Agindo assim , em verdade existe o medo ou a insegurança do que seria o futuro, aliado a isso, o medo do que a sociedade impõe como regras; e para aqueles que medram, não resta outra alternativa... - na cabeça deles!
Agir com tal escolha com tanto medo, é negar a Vida. Agir sem coragem é se condenar ao passado longo e muitas vezes triste. Voce não foi feito(a) para esse tipo de escolha imatura, porque a Vida é dinãmica, não sabemos o que existe adiante, e agindo voltando ao passado, significa medo do futuro, e para voce compreender isso, voce precisa entender que valores éticos inseridos em uma sociedade, inclusive religiosos , nunca podem superar os valores da própria alma, os valores de seu próprio coração, os valores de sua própria essencia. Civilizações erguem-se , prosperam e desaparecem no decorrer do tempo. Essas criam suas leis, seus costumes, suas religiões e sua ética em seu tempo. Assim somos nós "formatados".
Se voce perceber essa grande verdade, voce permitirá escutar seu próprio coração,e com coragem voce romperá com tudo isso, dará um passo além das civilizações e seus costumes,porque tudo isso impede, segura, te atrasa - não responde e nem corresponde aos anseios de seu próprio coração. E voce conhece seu potencial em ultrapassar tais barreiras ?
Isso é exigir muito de voce ? Não, não é ! É seu próprio coração quem pede!
E quem te disse que responsabilidades adquiridas no passado, devam ser extintas ? Essas incluem-se inclusive além das civilizações , porque fazem parte de seu coração e é ele quem irá determinar esse modo correto e reto em sua vida.