quinta-feira, 6 de setembro de 2012
a Essência das coisas
A essência de tudo na terra, visível e invisível é espiritual.
Ao penetrar na cidade do invisível, meu corpo está envolto por meu espírito.
Assim quem desligar o corpo do espírito ou o espírito do corpo está desviando seu coração da verdade.
A flor e sua fragrância são uma coisa só; cegos são os que negam a cor e a imagem da flor, dizendo que ela é apenas perfume pairando no ar.
Eles se portam como aqueles deficientes de olfato, para quem as flores são apenas forma e colorido, sem perfume.
Tudo o que existe na natureza existe em ti, e tudo o que tens em ti existe na natureza.
Estás além do alcance das coisas mais próximas e, mais ainda, a distância não te separa das coisas que estão longe de ti.
Todas as coisas, das mais baixas às mais sublimes, das menores às maiores, existem dentro de ti como coisas iguais.
Num átomo, são encontrados todos os elementos da terra. Uma gota d’água contém todos os segredos dos oceanos.
Num momento da mente são encontrados todos os movimentos de todas as leis existentes.
( Khalil Gibran.)
segunda-feira, 3 de setembro de 2012
Ascensão
É no esforço e no trabalho individuais, através de
atos instintivos e de vontade, num jogo de poder em todos os níveis e em
todas as áreas, numa luta de superação de obstáculos, que faz o homem
evoluir.
O homem comum, de massa, é dependente do seu grupo:
"Ele é em grande parte, controlado pelas compulsões inconscientes dos instintos genéricos, pelas tradições coletivas e pelas emoções de massa... e como tal ele depende, para sua energia e mais ainda para seus motivos e metas, de fatores fundamentais dentro da vida da coletividade humana da qual constitui uma expressão diferenciada." (Rudhyar.)
A sua vida está apoiada nos seus amigos, na sua corporação, no seu grupo social, na nação com que se identifica. Ele não é um in-divíduo, na verdadeira acepção do termo, ele é ovelha de um rebanho. Na sua inconsciência acha que todos os homens são iguais. Os pontos de apoio de sua personalidade são a fé cega e a segurança psicológica que o grupo oferece.
"O homem massificado não tem valor; é uma simples partícula que perdeu a sua alma, isto é, o sentido de sua humanidade", afirma C. G. Jung.
O homem-massa é movido pelas paixões, amor e ódio, como magnificamente Padre Antônio Vieira, sintetiza as paixões humanas. A sua consciência é fragmentada, é um arquipélago, na citação de C. G. Jung, pois identifica cada coisa individual e separadamente, sem perceber o conjunto que, por sua vez, está inserido no todo. A sua percepção é dual e assume uma postura unilateral, determinada e dirigida. Num conceito amplo, ele está mergulhado na confusão porque não compreende as coisas do mundo. Ele está com uma verdade que se confunde com a verdade do seu grupo.
O homem comum segue um guia, um líder, uma autoridade, um mestre, um guru, um salvador. A sua religião exige vontade, disciplina, esforço e sacrifício para atingir a redenção ou a "iluminação".
A energia da vontade, entretanto, é naturalmente utilizada e direcionada pelo ego para o seu fortalecimento - querer é poder. A vontade inquebrantável, a disciplina, o esforço e o sacrifício poderão levar o ego à perfeição, mas não levarão o homem à iluminação, à Verdade, à Deus. No
entanto, somente aquele que aperfeiçoou o ego pode perdê-lo e assim, encontrar a sua verdade. Este não será um ato de vontade, mas acontecerá, quando menos esperar, por força da Lei que move a Vida, o Universo. A força da vontade passa agora para o domínio daquelas forças profundas, naturais e involuntárias que governam a vida (Nietzsche). Neste processo há a assimilação da "sombra":
"A sombra representa, na realidade, o que falta a cada personalidade, ela é, para cada indivíduo, aquilo que ele poderia ter vivido e não viveu. ... Em geral, tomar consciência da sombra provoca conflitos que põem em causa os hábitos, as crenças, os laços afetivos e mais radicalmente os diversos espelhos da consciência de si. A experiência do que foi reprimido ou daquilo que ainda nunca chegou ao consciente desarticula o eu, faz com que perca seus pontos de apoio e mergulhe na obscuridade.
Pela assimilação da sombra, o homem como que assume o seu corpo, o que traz para o foco da consciência toda a sua esfera animal dos instintos, bem como a psique primitiva ou arcaica, que assim não se deixam mais reprimir por meio de ficções e ilusões." (Jung).
O processo de assimilação da sombra promove a ascensão, a saída do rebanho, a libertação dos condicionamentos, o início de uma experiência de vida independente e livre, embora relativa - afinal o homem por mais independente que seja, é escravo do ar que respira.
Ascender significa elevar-se, aglutinar as ilhas da consciência fragmentada para chegar a percepção do todo.
Ao libertar-se do rebanho o ser humano perceberá que ele é um universo, e é único. Tomar consciência da sua individualidade é acentuar a percepção da sua diferença em relação aos outros e emancipar-se das normas coletivas. As verdades – sempre são subjetivas - dos grandes profetas, gurus, mestres iluminados e de qualquer outro ser humano serão adaptados à sua natureza, à sua individualidade, ao seu tempo e à sua realidade, porque toda verdade é relativa. Enquanto as ovelhas são forçadas a se adaptar à doutrina dos seus guias, o homem que se libertou saberá separar o acessório do principal, as doutrinas de efeitos efêmeros das verdades fundamentais.
A Lei que move o universo não pode ser ensinada porque a sabedoria resulta da vivencia direta. A função dos mestres é despertar as pessoas. As verdades dos grandes mestres representam diretrizes. Elas servem como sinalizações, são setas nos caminhos (Rohden) que cada um deve trilhar individualmente, superando obstáculos e dificuldades porque os caminhos são pessoais, não há duas vidas - duas vias - iguais. Assim como cada pessoa tem uma reação individual perante os acontecimentos da vida, cada um tem uma forma de superar as suas dificuldades. Determinado obstáculo pode ser superado com facilidade por uns e ser uma barreira quase intransponível para outros. O mérito, portanto, não reside na superação objetiva mas no esforço subjetivo.
Salvadores somente existem na mente de pessoas inconscientes.
O homem que ascendeu está naquele nível de que nos fala Platão:
"quem faz depender de si mesmo, se não tudo, quase tudo o que contribui para a sua felicidade, e não se prende a outra pessoa, nem se modifica de acordo com o bom ou mau êxito de sua conduta, está, de fato, preparado para a vida; é sábio, na verdadeira acepção do termo, corajoso e temperante."
Entretanto, consciente ou inconscientemente, cada um tem a sua verdade, com a diferença de que o homem comum apega-se a ela como uma coisa certa e definitiva e o sábio continua com a mente e o coração abertos ao novo.
O homem comum, de massa, é dependente do seu grupo:
"Ele é em grande parte, controlado pelas compulsões inconscientes dos instintos genéricos, pelas tradições coletivas e pelas emoções de massa... e como tal ele depende, para sua energia e mais ainda para seus motivos e metas, de fatores fundamentais dentro da vida da coletividade humana da qual constitui uma expressão diferenciada." (Rudhyar.)
A sua vida está apoiada nos seus amigos, na sua corporação, no seu grupo social, na nação com que se identifica. Ele não é um in-divíduo, na verdadeira acepção do termo, ele é ovelha de um rebanho. Na sua inconsciência acha que todos os homens são iguais. Os pontos de apoio de sua personalidade são a fé cega e a segurança psicológica que o grupo oferece.
"O homem massificado não tem valor; é uma simples partícula que perdeu a sua alma, isto é, o sentido de sua humanidade", afirma C. G. Jung.
O homem-massa é movido pelas paixões, amor e ódio, como magnificamente Padre Antônio Vieira, sintetiza as paixões humanas. A sua consciência é fragmentada, é um arquipélago, na citação de C. G. Jung, pois identifica cada coisa individual e separadamente, sem perceber o conjunto que, por sua vez, está inserido no todo. A sua percepção é dual e assume uma postura unilateral, determinada e dirigida. Num conceito amplo, ele está mergulhado na confusão porque não compreende as coisas do mundo. Ele está com uma verdade que se confunde com a verdade do seu grupo.
O homem comum segue um guia, um líder, uma autoridade, um mestre, um guru, um salvador. A sua religião exige vontade, disciplina, esforço e sacrifício para atingir a redenção ou a "iluminação".
A energia da vontade, entretanto, é naturalmente utilizada e direcionada pelo ego para o seu fortalecimento - querer é poder. A vontade inquebrantável, a disciplina, o esforço e o sacrifício poderão levar o ego à perfeição, mas não levarão o homem à iluminação, à Verdade, à Deus. No
entanto, somente aquele que aperfeiçoou o ego pode perdê-lo e assim, encontrar a sua verdade. Este não será um ato de vontade, mas acontecerá, quando menos esperar, por força da Lei que move a Vida, o Universo. A força da vontade passa agora para o domínio daquelas forças profundas, naturais e involuntárias que governam a vida (Nietzsche). Neste processo há a assimilação da "sombra":
"A sombra representa, na realidade, o que falta a cada personalidade, ela é, para cada indivíduo, aquilo que ele poderia ter vivido e não viveu. ... Em geral, tomar consciência da sombra provoca conflitos que põem em causa os hábitos, as crenças, os laços afetivos e mais radicalmente os diversos espelhos da consciência de si. A experiência do que foi reprimido ou daquilo que ainda nunca chegou ao consciente desarticula o eu, faz com que perca seus pontos de apoio e mergulhe na obscuridade.
Pela assimilação da sombra, o homem como que assume o seu corpo, o que traz para o foco da consciência toda a sua esfera animal dos instintos, bem como a psique primitiva ou arcaica, que assim não se deixam mais reprimir por meio de ficções e ilusões." (Jung).
O processo de assimilação da sombra promove a ascensão, a saída do rebanho, a libertação dos condicionamentos, o início de uma experiência de vida independente e livre, embora relativa - afinal o homem por mais independente que seja, é escravo do ar que respira.
Ascender significa elevar-se, aglutinar as ilhas da consciência fragmentada para chegar a percepção do todo.
Ao libertar-se do rebanho o ser humano perceberá que ele é um universo, e é único. Tomar consciência da sua individualidade é acentuar a percepção da sua diferença em relação aos outros e emancipar-se das normas coletivas. As verdades – sempre são subjetivas - dos grandes profetas, gurus, mestres iluminados e de qualquer outro ser humano serão adaptados à sua natureza, à sua individualidade, ao seu tempo e à sua realidade, porque toda verdade é relativa. Enquanto as ovelhas são forçadas a se adaptar à doutrina dos seus guias, o homem que se libertou saberá separar o acessório do principal, as doutrinas de efeitos efêmeros das verdades fundamentais.
A Lei que move o universo não pode ser ensinada porque a sabedoria resulta da vivencia direta. A função dos mestres é despertar as pessoas. As verdades dos grandes mestres representam diretrizes. Elas servem como sinalizações, são setas nos caminhos (Rohden) que cada um deve trilhar individualmente, superando obstáculos e dificuldades porque os caminhos são pessoais, não há duas vidas - duas vias - iguais. Assim como cada pessoa tem uma reação individual perante os acontecimentos da vida, cada um tem uma forma de superar as suas dificuldades. Determinado obstáculo pode ser superado com facilidade por uns e ser uma barreira quase intransponível para outros. O mérito, portanto, não reside na superação objetiva mas no esforço subjetivo.
Salvadores somente existem na mente de pessoas inconscientes.
O homem que ascendeu está naquele nível de que nos fala Platão:
"quem faz depender de si mesmo, se não tudo, quase tudo o que contribui para a sua felicidade, e não se prende a outra pessoa, nem se modifica de acordo com o bom ou mau êxito de sua conduta, está, de fato, preparado para a vida; é sábio, na verdadeira acepção do termo, corajoso e temperante."
Entretanto, consciente ou inconscientemente, cada um tem a sua verdade, com a diferença de que o homem comum apega-se a ela como uma coisa certa e definitiva e o sábio continua com a mente e o coração abertos ao novo.
o Mistério Supremo
" O que é o estado supremo da consciência? São Paulo chamou-o de “a paz que está além de todo entendimento” e R.M. Bucke designou-o de “consciência cósmica”. No Zen-budismo, emprega-se o termo satori ou kensho; no yoga, samadhi ou moksha e, no taoísmo, o “Tao Absoluto”. Thomas Merton utilizou, para descrevê-lo, a expressão “inconsciente transcendental”; Abraham Maslow criou o termo “experiência máxima”; os sufis falam de “Fana”. Gurdjieff qualificou-o de Consciência Objetiva”, ao passo que os Quacres chamam-no de “a Luz Interior”. Jung referiu-se à “Individuação”e Bubber falava da “conexão Eu-Tu”. Quaisquer que sejam, porém, os nomes dados a esse fenômeno antigo e bem conhecido — luz, iluminação, libertação, experiência mística —, todos eles dizem respeito a um estado de percepção radicalmente diferente de nossa compreensão comum, de nossa habitual consciência desperta, de nossa mente diária.
Além disso, todos concordam em qualificá-lo como o estado supremo da consciência: uma percepção autotransformadora de nossa união com o Infinito. Está além do tempo e do espaço. Trata-se de uma experiência da infinitude que é a eternidade, da unidade ilimitada com toda a criação. Nossa percepção sensorial do “eu”, socialmente condicionada, despedaça-se e destrói-se devido a uma nova definição da pessoa em si, do eu. Nesta redefinição da pessoa em si, torno-me idêntico a toda humanidade, a toda vida e ao universo. As habituais fronteiras do ego desfazem-se à medida que o ego ultrapassa os limites do corpo e, de súbito, torna-se um com tudo aquilo que existe. O eu torna-se integrado à Alma Superior, tal como Emerson a denominou (e talvez integrado ao que Arthur Clarke, em Childhood’s End, chamou de Mente Superior). O Eu torna-se abnegado, o ego surge como uma ilusão e o jogo do ego chega ao fim. O Maitrayana Upanishad expressa-se deste modo: “Após perceber seu próprio eu como o EU, um homem torna-se abnegado. (…) Este é o mistério supremo.”
John White
- Gerard Dorn, um alquimista do século XVI falava sobre "principium individuationis" = origem de "individuação" ; Khalil Gibran fala de um "despertar de algo no fundo dos fundos da alma onde quem o sente não o pode expressar em palavras"
segunda-feira, 20 de agosto de 2012
Ama a ti mesmo
A tão conhecida frase de Jesus “ama o teu próximo como a ti mesmo”, base de toda a doutrina das igrejas cristãs, é repetida, automaticamente, como a maior verdade de todos os tempos. A frase parte da premissa de que todo homem ama a si mesmo.
Nós somos um todo, corpo físico, mente e instintos. Quem condena e reprime os instintos que são parte essencial de cada indivíduo, quem se castra física ou psicologicamente, quem proíbe o prazer e a liberdade não gosta, não ama a si mesmo. Estes, entretanto, são os princípios de muitas Religiões.
Se observarmos a moral cristã, perfeitamente identificada por Nietzsche, perceberemos que o cristão não ama a si mesmo:
“São os escravos e os vencidos da vida que inventaram o além para compensar a miséria; inventaram falsos valores para se consolar da impossibilidade de participação nos valores dos senhores e dos fortes; forjaram o mito da salvação da alma porque não possuíam o corpo; criaram a ficção do pecado porque não podiam participar das alegrias terrestres e da plena satisfação dos instintos da vida. Esse ódio de tudo que é humano, de tudo o que é “animal” e mais ainda de tudo o que é “matéria”, esse temor dos sentidos ... esses horror da felicidade e da beleza... tudo isso significa vontade de aniquilamento, hostilidade à vida, recusa em se admitir as condições fundamentais da própria vida”.
No entanto, somente pode questionar a moral cristã ou de qualquer outra religião o sábio, o homem consciente, o homem integral, que evoluiu, o homem movido pela Ética do Espírito (Rohden).
Muitos confundem liberdade com o viver instintivamente, destruindo e matando a seu bel prazer. Este, entretanto, é alguém que ainda está na fase do “caçador”, e portanto, é escravo da ignorância. Nas histórias mitológicas, o “caçador” refere-se àquele que mata as coisas do mundo; se as mata é porque não as ama; se não as ama é porque não as compreende; se não as compreende é porque está mergulhado na confusão.
Nietzsche é considerado um dos maiores sábios de todos os tempos e o “caçador” não irá compreendê-lo. Na verdade, muito poucos o compreendem.
Podemos afirmar, então, que o homem inconsciente não conhece a si mesmo, não se compreende e, por isso, não se ama. Exatamente porque não se ama, como poderá amar o outro?
Conhecer-se a si mesmo, inteiro, corpo, mente e coração, compreender-se a si mesmo, só assim é possível amar-se. Só assim é possível viver plenamente, em comunhão com o Todo e amar o próximo :seres humanos, animais, plantas, rios, lagos, oceanos, montanhas... como a si mesmo.
Democracia e voto: Ilusões
O tema é tão óbvio 'as consciencias mais adiantadas que torna-se mui dolorido ao observar sua veracidade nos dias atuais: a quantidade de votos de pessoas inconscientes sempre será em maior numero, porque
*justamente* toda a maquina desse atual sistema promove exatamente isso.
Leia o artigo abaixo, de uma lucidez espantosa :
Platão dizia que a Aristocracia (o governo dos melhores) é uma das mais perfeitas formas de governo. E quem são os "melhores" na visão de Platão? São os que têm virtudes superiores, ou seja, que são guiados por uma moralidade interior que nasce de suas consciências. Além disso, justamente por terem virtudes superiores, amam o conhecimento e a sabedoria (filos + sofia = Amor ao conhecimento).
É um governo de filósofos (FILÓSOFOS, não de "bacharéis", nem de "mestres" nem de "doutores" em Filosofia das Academias), ou seja, daqueles que aplicam o conhecimento da Filosofia em suas próprias ações. Nesse sentido, o "governo" é a aplicação na sociedade da "aretê", ou seja, da excelência e da perfeição do conhecimento.
Para que haja uma aristocracia é necessário que se forme uma elite (verdadeira, ou seja, uma elite de virtuosos e sábios) e que essa elite consiga chegar ao poder. Uma vez instalada essa elite, a sociedade seria conduzida como uma criança em busca da educação e da virtude. Do meio dessa mesma sociedade seriam separados os elementos superiores, ou seja, os aríston (os melhores) que dariam sucessão à Aristocracia.
Platão também ensina que a monarquia é uma forma superior de governo.
No entanto, outros filósofos, como Francis Bacon, disseram que a monarquia é inferior à aristocracia.
Por quê? Porque a monarquia é a redução dessa elite a um único indivíduo, que é investido da palavra final sobre todos os assuntos, além de ser cultuado como se fosse "superior" ao resto dos aríston. Sua superioridade não é efetiva, mas apenas simbólica.
Na verdade, não há como garantir que o sujeito coroado seja realmente superior (em virtudes e conhecimento) aos outros membros da aristocracia. Além disso, o caráter dinástico da sucessão monárquica (o pai passa para o filho) priva a sociedade de ser governada pelos efetivamente melhores para que seja governada pelos que são pretensamente "melhores" (há pretensão de sua superioridade apenas por terem como ascendente um monarca).
Ainda, com a substituição do mérito e da sabedoria do indivíduo pela mera descendência biológica, é criada uma tensão interna na sociedade todas as vezes que o monarca ou seus descendentes não ajam de acordo com a sabedoria e a virtude. No caso da aristocracia, todo aquele que age de forma não-virtuosa ou ignorante é automaticamente excluído da própria idéia de "aríston".
Os outros aristocratas o excluirão sem nenhuma hesitação. Já no caso da monarquia, o monarca e seus descendentes continuam sendo "realeza" mesmo se forem dissolutos, ignorantes e conspurcadores.
O que garante o aríston é a aretê. O que garante o rei ou a nobreza palaciana é apenas a pretensão de sabedoria, virtude e dignidade conferidas pela "mística" em torno do direito divino dos reis. Se o rei for sábio e virtuoso, a monarquia será excelente para a sociedade. Se o rei for um ser execrando, a monarquia será uma desgraça para a sociedade.
No Brasil, por exemplo, Dom Pedro I foi o exemplo de tudo o que um monarca não devia ser. Seus escândalos familiares, sua arrogância e sua ignorância se tornaram proverbiais. Seu pai, Dom João VI, era covarde, poltrão, ganancioso e ignorante. A rainha Carlota Joaquina tinha sede incontrolável pelo poder e nenhum escrúpulo moral para obtê-lo.
A primeira leva de "nobres" no Brasil foi daqueles comerciantes que cederam imóveis para a família fugitiva de Dom João VI que, borrando de medo, correu para o Brasil para não enfrentar Napoleão e abandonou o povo português perdido em meio ao caos.
Dom Pedro II foi um monarca acadêmico, amante das ciências e das letras. No entanto, em muitas ocasiões, foi manipulado pela Igreja e pelas pressões da burguesia "nobilitada". No Brasil, quem quisesse ser "nobre" deveria fazer doações à coroa, bancar dívidas da família real, conceder-lhe imóveis e pagar caro pela "Carta de Mercê de Nobreza e Fidalguia" além dos impostos para a manutenção do status. Isso fez com que a grande maioria da nobreza titulada do Brasil fosse composta por burgueses que tinham dinheiro suficiente para bancar tudo o que era necessário para ser "nobilitado".
Virtude e sabedoria não eram nada diante das taxas exigidas para ser "nobre". Algumas famílias com ancestrais nobres em Portugal, que ostentavam brasões de armas nas quintas, tendo em vista os impostos que teriam que ser recolhidos para a manutenção do status de "nobreza",mandavam picar à marreta e cinzel os brasões esculpidos na pedra dos solares para evitar a sangria de dinheiro...
Pedro I distribuiu "apenas" 5621 condecorações além de numerosos títulos de "nobreza". Pedro II outorgou 2190 graus na Ordem de Aviz e 5.947 na Ordem de Cristo, somando 8.137 condecorações.
A situação da "nobreza" do Brasil era tão bizarra e absurda que um deputado da época chegou a declarar que "estaria na ausência de condecorações e fitas, o índice mais seguro de dignidade e bons serviços" e José Bonifácio disse que a distribuição indevida de mercês e de títulos de nobreza "criava mais republicanos do que todas as maquinações democráticas".
Desnecessário fazer aqui uma lista de atos vergonhosos e imundos cometidos por "nobres" e membros da "realeza". Basta lembrarmos dos infames casos extraconjugais do príncipe Charles, dos filhos de Charles e Diana a caírem bêbados pelas ruas sendo auxiliados pelos motoristas, da "bunda-molice" do Duque de Edimburgo a pedir autorização para Churchill deixá-lo dar nome aos próprios filhos...
Isso tudo demonstra claramente que, de fato, a monarquia é uma forma de governo inferior à aristocracia. A nobilitação dos indivíduos foi se tornando, a cada dia, menos dependente de qualquer virtude real.
A democracia é uma das piores formas de governo possível. Só perde para a tirania. Na verdade é uma "oligocracia" travestida de "democracia".
A oligocracia é o governo de poucos, ou seja, o governo dos capitalistas que detém o capital (os meios de produção)- ou modernamente os chamados Socialistas Fabianos.
Na oligocracia há uma falsa doutrina de "igualdade de oportunidades" sendo que, na verdade, o que verdadeiramente governa é o sistema de classes sociais definidas pela capacidade de consumo.
Quanto mais dinheiro, mais capacidade de consumo. Quanto mais capacidade de consumo, maior influência na sociedade e, consequentemente, maior capacidade de manipulação e de controle dos mecanismos sociais e de governo (a corrupção).
Aquele que pode comprar máquinas e produzir bens (meios de produção), domina os assalariados e cria alianças que garantam a manutenção de seu "status quo". Nesse caso estão os grandes empresários, os
latifundiários e outros capitalistas (origem tb da corrupção).
A idéia de que votar é o mesmo que governar é a maior mentira contada pelo discurso "democrático". O voto da massa é facilmente manipulado pela mídia, pelo marketing e pelo discurso de apelo emocional.
Em outras palavras, quem tem mais dinheiro para comprar tudo isso tem infinitamente mais chances de ter o poder "democrático" (inclusive maior tempo na midia para impor maior inconsciencia). O povo, manipulado e ignorante, acredita votar "livremente" sendo que sequer se organiza para pensar em quem gostaria de ter como representante. É simplesmente jogado diante de nomes de candidatos impostos e deve "escolher" com base em seus "acertados" critérios de análise.
A sociedade "democrática" é dividida não pela propensão dos indivíduos, mas pela quantidade de dinheiro acumulada. Se a desigualdade na aristocracia é baseada na maior quantidade de sabedoria e virtude e a desigualdade monárquica é baseada na proximidade dos extratos sociais à realeza, a desigualdade democrática é baseada na maior quantidade de dinheiro acumulada.
Em outras palavras: Na aristocracia (ideal), é superior quem é sábio e virtuoso. Na monarquia é superior quem agrada ao rei e aos seus. Na "democracia" (oligarquia) é superior quem tem mais dinheiro.
(original: http://chakubuku-aryasattva.blogspot.com.br/2012/06/aristocracia-monarquia-e-oligocracia.html )
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O que uma contenda jurídica ocorreria entre votos validos elegiveis e votos validos não-elegiveis *de forma alguma revela* , é que um presidente (governador,prefeito,etc) eleito com maioria acachapante de votos nulos e brancos dificilmente se manteria no cargo, dada a tamanha insignificância de votos válidos elegíveis e, sobretudo, a sua monstruosa rejeição.
*justamente* toda a maquina desse atual sistema promove exatamente isso.
Leia o artigo abaixo, de uma lucidez espantosa :
Platão dizia que a Aristocracia (o governo dos melhores) é uma das mais perfeitas formas de governo. E quem são os "melhores" na visão de Platão? São os que têm virtudes superiores, ou seja, que são guiados por uma moralidade interior que nasce de suas consciências. Além disso, justamente por terem virtudes superiores, amam o conhecimento e a sabedoria (filos + sofia = Amor ao conhecimento).
É um governo de filósofos (FILÓSOFOS, não de "bacharéis", nem de "mestres" nem de "doutores" em Filosofia das Academias), ou seja, daqueles que aplicam o conhecimento da Filosofia em suas próprias ações. Nesse sentido, o "governo" é a aplicação na sociedade da "aretê", ou seja, da excelência e da perfeição do conhecimento.
Para que haja uma aristocracia é necessário que se forme uma elite (verdadeira, ou seja, uma elite de virtuosos e sábios) e que essa elite consiga chegar ao poder. Uma vez instalada essa elite, a sociedade seria conduzida como uma criança em busca da educação e da virtude. Do meio dessa mesma sociedade seriam separados os elementos superiores, ou seja, os aríston (os melhores) que dariam sucessão à Aristocracia.
Platão também ensina que a monarquia é uma forma superior de governo.
No entanto, outros filósofos, como Francis Bacon, disseram que a monarquia é inferior à aristocracia.
Por quê? Porque a monarquia é a redução dessa elite a um único indivíduo, que é investido da palavra final sobre todos os assuntos, além de ser cultuado como se fosse "superior" ao resto dos aríston. Sua superioridade não é efetiva, mas apenas simbólica.
Na verdade, não há como garantir que o sujeito coroado seja realmente superior (em virtudes e conhecimento) aos outros membros da aristocracia. Além disso, o caráter dinástico da sucessão monárquica (o pai passa para o filho) priva a sociedade de ser governada pelos efetivamente melhores para que seja governada pelos que são pretensamente "melhores" (há pretensão de sua superioridade apenas por terem como ascendente um monarca).
Ainda, com a substituição do mérito e da sabedoria do indivíduo pela mera descendência biológica, é criada uma tensão interna na sociedade todas as vezes que o monarca ou seus descendentes não ajam de acordo com a sabedoria e a virtude. No caso da aristocracia, todo aquele que age de forma não-virtuosa ou ignorante é automaticamente excluído da própria idéia de "aríston".
Os outros aristocratas o excluirão sem nenhuma hesitação. Já no caso da monarquia, o monarca e seus descendentes continuam sendo "realeza" mesmo se forem dissolutos, ignorantes e conspurcadores.
O que garante o aríston é a aretê. O que garante o rei ou a nobreza palaciana é apenas a pretensão de sabedoria, virtude e dignidade conferidas pela "mística" em torno do direito divino dos reis. Se o rei for sábio e virtuoso, a monarquia será excelente para a sociedade. Se o rei for um ser execrando, a monarquia será uma desgraça para a sociedade.
No Brasil, por exemplo, Dom Pedro I foi o exemplo de tudo o que um monarca não devia ser. Seus escândalos familiares, sua arrogância e sua ignorância se tornaram proverbiais. Seu pai, Dom João VI, era covarde, poltrão, ganancioso e ignorante. A rainha Carlota Joaquina tinha sede incontrolável pelo poder e nenhum escrúpulo moral para obtê-lo.
A primeira leva de "nobres" no Brasil foi daqueles comerciantes que cederam imóveis para a família fugitiva de Dom João VI que, borrando de medo, correu para o Brasil para não enfrentar Napoleão e abandonou o povo português perdido em meio ao caos.
Dom Pedro II foi um monarca acadêmico, amante das ciências e das letras. No entanto, em muitas ocasiões, foi manipulado pela Igreja e pelas pressões da burguesia "nobilitada". No Brasil, quem quisesse ser "nobre" deveria fazer doações à coroa, bancar dívidas da família real, conceder-lhe imóveis e pagar caro pela "Carta de Mercê de Nobreza e Fidalguia" além dos impostos para a manutenção do status. Isso fez com que a grande maioria da nobreza titulada do Brasil fosse composta por burgueses que tinham dinheiro suficiente para bancar tudo o que era necessário para ser "nobilitado". Virtude e sabedoria não eram nada diante das taxas exigidas para ser "nobre". Algumas famílias com ancestrais nobres em Portugal, que ostentavam brasões de armas nas quintas, tendo em vista os impostos que teriam que ser recolhidos para a manutenção do status de "nobreza",mandavam picar à marreta e cinzel os brasões esculpidos na pedra dos solares para evitar a sangria de dinheiro...
Pedro I distribuiu "apenas" 5621 condecorações além de numerosos títulos de "nobreza". Pedro II outorgou 2190 graus na Ordem de Aviz e 5.947 na Ordem de Cristo, somando 8.137 condecorações. A situação da "nobreza" do Brasil era tão bizarra e absurda que um deputado da época chegou a declarar que "estaria na ausência de condecorações e fitas, o índice mais seguro de dignidade e bons serviços" e José Bonifácio disse que a distribuição indevida de mercês e de títulos de nobreza "criava mais republicanos do que todas as maquinações democráticas".
Desnecessário fazer aqui uma lista de atos vergonhosos e imundos cometidos por "nobres" e membros da "realeza". Basta lembrarmos dos infames casos extraconjugais do príncipe Charles, dos filhos de Charles e Diana a caírem bêbados pelas ruas sendo auxiliados pelos motoristas, da "bunda-molice" do Duque de Edimburgo a pedir autorização para Churchill deixá-lo dar nome aos próprios filhos...
Isso tudo demonstra claramente que, de fato, a monarquia é uma forma de governo inferior à aristocracia. A nobilitação dos indivíduos foi se tornando, a cada dia, menos dependente de qualquer virtude real.
A democracia é uma das piores formas de governo possível. Só perde para a tirania. Na verdade é uma "oligocracia" travestida de "democracia".
A oligocracia é o governo de poucos, ou seja, o governo dos capitalistas que detém o capital (os meios de produção)- ou modernamente os chamados Socialistas Fabianos. Na oligocracia há uma falsa doutrina de "igualdade de oportunidades" sendo que, na verdade, o que verdadeiramente governa é o sistema de classes sociais definidas pela capacidade de consumo.
Quanto mais dinheiro, mais capacidade de consumo. Quanto mais capacidade de consumo, maior influência na sociedade e, consequentemente, maior capacidade de manipulação e de controle dos mecanismos sociais e de governo (a corrupção).
Aquele que pode comprar máquinas e produzir bens (meios de produção), domina os assalariados e cria alianças que garantam a manutenção de seu "status quo". Nesse caso estão os grandes empresários, os
latifundiários e outros capitalistas (origem tb da corrupção).
A idéia de que votar é o mesmo que governar é a maior mentira contada pelo discurso "democrático". O voto da massa é facilmente manipulado pela mídia, pelo marketing e pelo discurso de apelo emocional. Em outras palavras, quem tem mais dinheiro para comprar tudo isso tem infinitamente mais chances de ter o poder "democrático" (inclusive maior tempo na midia para impor maior inconsciencia). O povo, manipulado e ignorante, acredita votar "livremente" sendo que sequer se organiza para pensar em quem gostaria de ter como representante. É simplesmente jogado diante de nomes de candidatos impostos e deve "escolher" com base em seus "acertados" critérios de análise.
A sociedade "democrática" é dividida não pela propensão dos indivíduos, mas pela quantidade de dinheiro acumulada. Se a desigualdade na aristocracia é baseada na maior quantidade de sabedoria e virtude e a desigualdade monárquica é baseada na proximidade dos extratos sociais à realeza, a desigualdade democrática é baseada na maior quantidade de dinheiro acumulada.
Em outras palavras: Na aristocracia (ideal), é superior quem é sábio e virtuoso. Na monarquia é superior quem agrada ao rei e aos seus. Na "democracia" (oligarquia) é superior quem tem mais dinheiro.
(original: http://chakubuku-aryasattva.blogspot.com.br/2012/06/aristocracia-monarquia-e-oligocracia.html )
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O que uma contenda jurídica ocorreria entre votos validos elegiveis e votos validos não-elegiveis *de forma alguma revela* , é que um presidente (governador,prefeito,etc) eleito com maioria acachapante de votos nulos e brancos dificilmente se manteria no cargo, dada a tamanha insignificância de votos válidos elegíveis e, sobretudo, a sua monstruosa rejeição.
domingo, 19 de agosto de 2012
Reto caminho
Aquele que percebe a existência da dor e conhece sua causa, remédio e extinção, compreende as quatros nobres verdades e está no bom caminho.
Seu reto propósito em ser a luz que ilumina seus passos, e a palavra verdadeira, o seu refúgio.
Caminha em linha reta, porque reta é a conduta.
Buda
quinta-feira, 16 de agosto de 2012
Culpa e Perdão
O ser humano já nasce culpado. Durante toda a sua vida aprende a se culpar. É culpado pelo pecado original; é culpado por não ser bonito, rico e inteligente, e é culpado porque seus filhos não são gênios nem santos.
"A ancestral culpa humana, pela qual nos sentimos absolutamente condenados por crimes que não cometemos mas que é como se os tivéssemos cometido. Com requintes de crueldade que só a imaginação culposa será capaz. Mesmo quando somos nós mesmos as vítimas", diz Wilson Bueno.
A ação praticada pelo homem motivada pela razão, pelo instinto ou pela emoção é um ato reflexo do seu caráter e da sua personalidade. É um ato essencialmente seu. Movido somente pelo instinto ou pela emoção o seu ato torna-se irracional, isto é, contrário à sua consciência moral. O sentimento de culpa é uma autocondenação com base nas leis draconianas da sua consciência formada pela sua educação moral. Culpado, busca o perdão.
Perdão, entretanto, não é algo que possa ser dado por um ser divino ou por qualquer outro ser humano.
Perdão é algo que se dá a si mesmo.
O perdão é a percepção, a compreensão íntima de que, pelas trevas da ignorância, agimos contra a Lei do Amor.
Contra o Artigo Único, da Lei Única da Moral e da Ética: Ama o teu próximo como a ti mesmo.
O próximo não é apenas o outro, mas o mundo que nos cerca, o planeta Terra em que vivemos. O perdão é a tomada de consciência de que o único mal que existe é a falta de amor, de união com o Todo.
A Lei Única foi desdobrada pela Religião em tantos códigos, leis, regulamentos, portarias, circulares e procedimentos que ela deixou de ser a Lei do Amor para transformar-se na Lei do Poder da Vontade dos Homens. Organizada pelas classes dominantes, classificada como revelação de Deus, foi criada a Justiça Divina. Pensamentos e palavras contrárias às "leis de Deus", rebeldia, independência e liberdade passaram a ser pecados. Pecados que geram culpa e que precisam do perdão, a ser concedido pelos "representantes" do Altíssimo. Este é o mundo do Ego.
Nunca te arrependas de qualquer ação que tenhas cometido. "Não te acovardes diante de tuas ações! Não as repudies depois de consumadas! O remorso da consciência é indecente" afirma Nietzsche.
A vida é um eterno aprendizado e, portanto, é necessário errar. Só não erra quem não ousa, só não erra quem não luta, só não erra quem não age. Reconhecer, reparar e superar o erro é uma demonstração de altivez, é uma afirmação perante si mesmo, é uma demonstração da capacidade de vencer.
O sábio aprende com seu erro, supera-o, e parte para novos desafios. O fraco quando age e erra se arrepende, se culpa e se acomoda.
A vida do ser humano pode ser pura, inocente e feliz baseada no amor. O inferno é criado pelo próprio homem que de gerações em gerações vai transmitindo as noções de pecado, culpa, castigo, recompensa e... de um Deus que está no céu.
domingo, 29 de julho de 2012
Experiencia de Luz

Abalam alicerces antes constituídos. Alguns se veem fora do corpo, outros veem alguma luz, outros ainda viajam pelos confins do Universo em algum "corpo diferente" , mas em todos a experiencia muda a visão da vida, da morte, de perguntas basicas como "qual sentido da vida" porque perde o sentido uma pergunta como essa. Certezas são construidas, muitas vezes baseadas no que aprenderam na fé e na crença, ou mesmo utilizando-se de alguma substancia quimica, mas tudo isso ainda é algo relativo ao "Eu" com seus conceitos próprios que não responde a Universalidade do fenomeno, porque justamente o fenomeno não é especifico a alguma crença que se carrega.
Há algo mais "além". Esse algo mostra que não podemos nos basear apenas no que nosso aprendizado e constituição nos formatou, mas sim podemos nos permitir expandir nossa visão do mundo. Alguma certeza pode ser criada sim, relativa 'a eternidade, mas ao mesmo tempo não há eternidade naquilo que é formado pelo Tempo. O Ego, o Eu, aquilo que faz parte da memoria que acumula-se durante a vida e morre, não pode ser aquilo que é imortal e atemporal, porque o que é atemporal não morre e evidentemente está fora do tempo.
Somos formados pelo tempo. Nos desenvolvemos formatados pelo que nos chega em nossa volta. Nossa consciencia é o que experienciamos, aprendemos, gostamos, evitamos, brigamos , fugimos ou aceitamos. Somos e/ou nos iludimos profundamente com nossa memoria.
Existem pontos de vista quanto ao fenomeno. Um diametralmente oposto ao outro. Duas maneiras de pensar digladiam-se: Materialismo e Espiritualismo. Um nos diz que somos produto da materia e com a morte, desapareceremos.O outro modo nos diz que temos algo que é e faz parte da imortalidade, e todos nascem com isso.
Experiencias são explicadas pelos dois pontos de vista. Basicamente um ponto de vista nos diz que naqueles que tais experiencias ocorrem, algumas interações quimicas cerebrais provocam mudança do foco da consciencia, enquanto o outro ponto de vista nos diz basicamente o contrário: a mudança do foco da consciencia promove alterações quimicas no cerebro. Há dentro desses dois pontos de vista, outros fatores também, como alucinaçoes, alterações promovidas por drogas, auto-ilusão, etc. São estados alterados de consciencia. Sabemos que a mente, mente. Um exemplo clássico é visualizar imagem de santa em alguma deformação em vidros. Ocorre que há fenomenos na qual experiencias são relatadas não na fronteira da propria morte, muito menos pelo consumo de drogas, menos ainda pelo treinamento para tais experiencias, ou mesmo promovida pela Ciencia em seus experimentos provocado em alguma parte do cerebro.
Como explicar fenomenos onde visualiza-se a mesma imagem que um outro ser humano está vivendo no mesmo instante? Há , dizem, outra explicação. Essa não passa pelos polos radicais e opostos daqueles dois pontos de vista, sem antes uni-los , sem antes ultrapassa-los, transcende-los, e desse modo expandir-se na compreensão. Essa necessita de muito aprofundamento na alta espiritualidade, junto 'a Metafísica - muito além que simples explicações tentam promover.
segunda-feira, 23 de julho de 2012
Metempsicose
Para compreendermos o conceito de metempsicose dos antigos filósofos platônicos é necessário, primeiro, compreendermos as idéias que eles tinham sobre “psichí” ou “princípio vital”, “pnevma” ou “espírito” e “idiótis” ou “personalidade”. Esses três termos são essenciais para a compreensão das idéias centrais do tema.
Psichí é o conjunto de forças que:
-Dão vida à matéria;
-Dão à matéria a capacidade de comunicar-se com o mundo que a cerca;
-Conferem inteligência e capacidade de sobrevivência;
-Nos seres-humanos controlam os instintos, percebem coisas e as classificam (como boas, más ou neutras);
-Guiam as ações de acordo com aquilo que é classificado e de acordo com as experiências prévias armazenadas na memória;
-Se comunica com o “soma”, o corpo, dele faz parte indissociavelmente e a ele transmite influências que podem ser benéficas ou maléficas.
Pnevma é aquilo que não pertence às classificações possíveis, ou seja, é parte do Absoluto, é a parcela que possui as “reminiscências da Verdade” e que faz com que Psichí identifique no mundo sensível aquilo que existe no mundo das idéias. Para compreender essa parte, é importante compreender bem a distinção que Platão faz entre o Mundo dos Sentidos e o Mundo das Idéias.
Pnevma é emanação do Todo, faz parte do Todo, é indissociável do Todo. Os antigos filósofos cristãos compreenderam muito bem isso quando aplicaram o termo “Pnevma” para a hipóstase mais abstrata da Trindade, ou seja, o “Espírito Santo”.
Idiótis é aquilo que chamamos de “personalidade” e que o filósofo budista Vasubhandu denominava “pudgala”. É apenas um conjunto de agregados, são características que temos devido a uma série de causas e condições mas que, individualmente, são vazias de substância real. Nós habitualmente chamamos as características de nossa personalidade de “eu” ou “meu”, mas isso não é real. Isso não é o eu (anatma).
Os tradutores latinos de Platão, até por uma questão lingüística, convencionaram chamar às três definições de Platão de “três almas”, ou seja, uma alma “racional”, uma alma “irascível” e uma alma “concupiscível”.
A alma irascível é a parte superior da psichí. Ela controla os instintos, dá o senso de bom, belo e verdadeiro ao homem e o faz buscar pela Verdade.
A alma concupiscível é a parte inferior da psichí. Ou seja, é o ponto onde as noções da psichí superior são submersas pelos instintos, pelas necessidades físicas, pelos desejos, pelos vícios etc.
Ambas as almas (concupiscível e irascível) formam a personalidade – idiótis - ambas são mortais, transitórias, efêmeras e ilusórias.
Há uma terceira alma, a “alma racional”. O termo “racional” pode ser facilmente confundido com a noção moderna que temos de “racionalidade” (um sentido cartesiano-iluminista), mas no caso, “racionalidade” se refere à potências superiores presentes no ser humano, ou seja, a capacidade de conhecer a Verdade além das definições e palavras, conhecer a Verdade pela “Reminiscência”, ou seja, pela “lembrança” da estada dessa “alma racional” no “hiperurânio”, no “Mundo das Idéias”.
A “alma racional” é justamente “Pnevma”. Pnevma é emanação do Absoluto, portanto, dele veio e para ele vai. Não é nossa personalidade, não tem nossas características, não tem “personalidade” diferenciada ou individualidade. É parte do Absoluto e, portanto, é indefinível. Isso é Atman. Todo o resto é desprovido de realidade intrínseca (anatman).
O que “transmigra” é Pnevma, pois é indestrutível e Eterno.
Quando morremos nossos agregados, aquilo que forma nossa personalidade, isso que denominamos de “eu”, acaba. Nosso cérebro seca, nossos órgãos se desfazem e cada um dos elementos retorna para outras formas de vida manifesta. No entanto, aquilo que se manifestou em nós como “Verdadeira Natureza” não morre, simplesmente retorna ao Absoluto.
A grande Iluminação é a percepção e identificação com esse “Atman” Imortal, a descoberta plena do Grande Mistério que habita em nós. Isso é impossível de definir com palavras ou tentar demonstrar.Quando Platão fala de metempsicose está se referindo, justamente, a esse processo de emanação do Todo Absoluto para a vida manifesta. Quando uma vida se manifesta de acordo com seu nível de consciência, traz a reminiscência, ou seja, a lembrança de seu ponto de partida (O Mundo das Idéias).
A lembrança é processada pela “psiquí” ou seja, daí o termo “metempsicose” (passar através das “psiquís” – desculpem o plural aportuguesado...).
Como fica claro, isso nada tem a ver com “reencarnar”, com um “espírito” que vai trocando de corpos ou com “lembrança de vidas passadas” ou coisa que o valha.
Infelizmente hoje podemos dizer que os acadêmicos nada compreendem dos ensinamentos originais dos grandes filósofos do passado. Ficam tentando ensinar aquilo que eles mesmos ainda não entenderam...
( texto original do excelente blog "Budismo Aristocratico": http://chakubuku-aryasattva.blogspot.com.br/2010/04/metempsicose-platonica-x-reencarnacao.html )
terça-feira, 17 de julho de 2012
Tentar compreender
"Passou no seu casamento por aquilo que é quase um fato universal – os indivíduos são diferentes uns dos outros. Basicamente, constituem um para o outro um enigma indecifrável. Nunca existe acordo total. Se cometeu algum erro, esse erro consistiu em ter-se esforçado demasiadamente por compreender totalmente a sua mulher e por não ter contado com o fato de, no fundo, as pessoas não quererem saber que segredos estão adormecidos na sua alma. Quando nos esforçamos demasiado por penetrar noutra pessoa, descobrimos que a impelimos para uma posição defensiva e que ela cria resistências porque, nos nossos esforços para penetrar e compreender, ela sente-se forçada a examinar aquelas coisas em si mesma que não desejava examinar. Toda a gente tem o seu lado obscuro que – desde que tudo corra bem – é preferível não conhecer.
Mas isto não é erro seu. É uma verdade humana universal que é indubitavelmente verdadeira, mesmo que haja imensas pessoas que lhe garantam desejar saber tudo delas próprias. É muito provável que a sua mulher tivesse muitos pensamentos e sentimentos que a tornassem desconfortável e que ela desejava ocultar de si mesma. Isto é simplesmente humano. É também por este motivo que tantas pessoas idosas se refugiam na própria solidão, onde não serão incomodadas. E é sempre sobre coisas de que elas não desejariam estar muito cientes. O senhor não é, obviamente, responsável pela existência destes conteúdos psíquicos. Se, apesar disto, ainda for atormentado por sentimentos de culpa, reflita então sobre os pecados que não cometeu e que gostaria de ter cometido. Isto poderá eventualmente curá-lo dos seus sentimentos de culpa relativamente à sua mulher."
Carl Jung, in ‘Cartas’
quarta-feira, 11 de julho de 2012
Sofrer
“Quanto mais sofremos, mais o ego se fortalece.Achamos que sofremos “por nós”, que o sofrimento é
necessário. Acreditamos que sofremos para suprimir o
sofrimento e que ele logo desaparecerá. Ora, ele sempre
volta mais forte e, habituados, nem mais o sentimos. É aí
que ele ganha terreno. E quanto mais sofremos, menos
queremos olhar o sofrimento de frente, pois tal atitude nos
obriga a “nos” questionar profundamente. Na verdade e
muito pelo contrário, só assim poderíamos nos
reencontrar. Mas é justamente esse o problema: não somos
capazes de distinguir entre o si e o ego e tememos,
portanto, nos perder. Não sabemos mais quem somos.
Então, continuamos a nutrir nossos parasitas, esperando
que isso provoque algum alívio em nossa situação. É
assim que nos tornamos dependentes do sofrimento.”
“Os mecanismos que provocam o sofrimento se autosustentam.
Nutrem-se da energia da alma para fazê-la
voltar-se contra si mesma. Tornam-se necessários, fazem-se
passar por ela, quando, na verdade, trabalham para
destruí-la. Chamamos de ‘ego’ a imagem protetora que o
conjunto desses parasitas edifica a fim de enganar a alma.”
( o Fogo Liberador - Introdução)
quinta-feira, 28 de junho de 2012
Ego illusion
Consciência de campo e ética de campo
* artigo escrito em 1978. Capítulo do livro O paradigma holográfico e outros paradoxos – Ken Wilber – Ed. Cultrix - Renée Weber
A teoria de David Bohm revela uma notável cosmologia. Talvez não menos notável que seu conteúdo seja a sua proveniência, um físico. Em nossa época de compartimentalização profissional, surge a questão: Por que um eminente físico teórico, com uma reputação científica em jogo, devota-se à exploração da consciência?Uma abordagem abrangente e enfática da visão de Bohm acerca do universo traz luz a essa questão. Seu contacto com a filosofia indiana, em especial com o sábio hindu Krishnamurti, convenceu-o de que o pensamento, a forma de consciência que nos é mais familiar e na qual habitualmente funcionamos, corrompe a realidade. A velha esperança da metafísica e da física, de que o pensamento pudesse revelar a realidade, está necessariamente condenada. O pensamento é uma habilidade reativa e não ativa, sintonizando apenas parcialmente o homem com a natureza, e distorcendo a maior parte dela. O pensamento é uma espécie de consciência fossilizada, operando dentro do “conhecido” e, desse modo, por definição, não é criativo. A realidade ou aquilo que é fundamental (Bohm não iguala os dois, mas qualquer esclarecimento sobre isso está aquém do alcance deste artigo), as investigações de Bohm o convenceram disso, é algo sempre novo. Trata-se de um processo vivo. Uma vez que o pensamento está limitado pelo tempo, não pode apreender aquilo que se encontra além de um arcabouço finito espaço-temporal.
Bohm só admite com relutância as teorias de outros pensadores em suas discussões, insistindo em elaborar novamente a resolução de um determinado problema sem se apoiar no passado. Não obstante, ele admite que paralelos entre suas concepções e as de certos filósofos do passado. Um exemplo característico é o de Platão, cuja Alegoria de Caverna (República, VII) apresenta surpreendente coerência com a cosmologia de Bohm. Quando incitado, Bohm concorda com a correlação entre a caverna de Platão e a ordem explicada, e também com a correlação entre a metáfora da luz em Platão e a ordem implicada. Tanto a luz de Platão (Sol) como a ordem implicada de Bohm só podem ser apreendidas através de insight, ambas se acham além da linguagem, e ambassão inacessíveis exceto para indivíduos dispostos a sofrer uma mudança vigorosa e decidida. Os domínios que Bohm caracteriza como estando “infinitamente além” até mesmo da ordem implicada – a saber, verdade, inteligência, insight, compaixão – são comparáveis aos princípios fundamentais de Platão: verdade, beleza, o bem, a unidade.Outras tradições históricas vêm à mente. No mundo ocidental, Plotino, Leibniz e Spinoza; no Oriente, Buda, Shankara e a jnana ioga. Esta, cuja afinidade com Krishnamurti e Bohm é notável, é a ioga do discernimento e da discriminação. Ela evita a metafísica e a religião exotérica, o ritual e os sistemas de símbolos em favor de um puro estado de percepção atenta e livre de arcabouços ou filtros. É conhecida na tradição como “a via que sobe direto pelo lado da montanha”, e é considerada a via mais direta e difícil que existe. Diz-se que somente muito poucas pessoas estão propensas a satisfazer suas exigências ou são capazes de realizar tal façanha. De acordo com aqueles que nos deixaram o relato de suas experiências, seu ponto mais alto é o silêncio”, e junta essa descoberta à metodologia: “Por que você tagarela a respeito de Deus? Não sabe que tudo o que diz é falso?”
Além dessas poucas observações, devemos deixar a tradição para trás. Embora possa apresentar interesse histórico e psicológico unirmos-nos a outros exploradores dessa quietude fecunda, ficar agarrado ao passado é um obstáculo e uma traição ao momento vivo recém-criado, para onde se dirige o foco total de Bohm. Por mais interessantes que possam ser os filósofos ou os sistemas que alguém introduza numa discussão com ele, Bohm, firmemente, os reduz a um mínimo e traz o assunto de volta ao presente, a este momento. É seu compromisso com essa manifestação viva da realidade, momento-a-momento, que une seu trabalho em física a seu interesse pela consciência.
A desintegração do átomo só pode ocorrer no presente e sempre pode ocorrer de novo. A analogia do átomo com o pensamento, e com um suposto pensador que produz o pensamento, é crucial. O pensador assemelha-se ao átomo, que permanece coeso ao longo do tempo graças à sua energia de ligação. Quando a energia de ligação do átomo físico é liberada num acelerador, a energia resultante, vertiginosamente grande, fica livre. Analogamente, são necessárias enormes quantidades de energia de ligação para criar e sustentar o “pensador”, e para manter sua ilusão de que ele é uma entidade estável. Essa energia, estando “amarrada”, é indisponível para outros propósitos, forçada a prestar serviço àquilo que Bohm chama de “autofraude” (self-decepcion) (fenômeno descrito em detalhe por Buda como ignorância, avidya, que significa, literalmente, “não ver”). O pensamento, ou o que Bohm denomina mente tridimensional, acreditando-se, equivocadamente, autônomo e irredutível, requer e, por isso, dissipa vastas quantidades de energia cósmica nessa ilusão. A energia que, desse modo, pré-desemboca nessa via não pode fluir por outros canais. A conseqüência disso é uma ecologia cósmica insalubre, que polui o holomovimento em pelo menos duas direções destrutivas. Primeiro, o holomovimento ilude a si mesmo, escolhendo a ficção em vez do fato, e por isso se escraviza. Segundo, o holomovimento se dilacera, substituindo o eu isolado pela consciência da humanidade, numa abstração alicerçada no sofisma, escravizando outros por meio de sua ira, de sua ganância, de sua competitividade e de sua ambição. O resultado desses dois passos errados é um mundo de sofrimento pessoal e interpessoal.
O primeiro desses passos errados, a ilusão de um ego, de um eu pessoal ou pensador, acha-se intimamente relacionado ao tempo e à morte. Sejamos claros. O pensador, não a consciência, é limitado pela morte. Esta, de acordo com esses pontos de vista, consiste precisamente na desintegração atômica psicológica descrita acima e não é, necessariamente, um sinônimo da dissolução do corpo físico (como observam muitos autores em seus relatos sobre a tradição esotérica). A morte psicológica ocorre quando a consciência caminha em compasso com o presente, que está sempre em movimento e se auto-renovando, e não permitindo que nenhuma parte de si mesmo seja aprisionada nem fixada como energia residual. É a energia residual que proporciona o arcabouço para aquilo que se tornará o pensador, o qual consiste em experiências não-digeridas, isto é, não assimiladas nem ordenadas pela mente, em memórias, padrões do hábito, identificações, desejos, aversões, projeções e fabricação de imagens. Não se trata de um processo puramente pessoal mas sim da energia de eons de tais processos esclerosados com o passar do tempo, persistindo tanto em nível pessoal quanto coletivo. A morte do ego desmantela essa superestrutura, deslocando-a para seu lugar correto nos bastidores de nossas vidas, em vez de dominar e desordenar o palco, como atualmente acontece. Bohm argumenta que tal movimento requer maior adaptação biológica não reduzida, bem como saúde, e não deve nos ameaçar. Pelo contrário, a “morte” assim concebida é, na verdade, a sua negação, conduzindo-nos ao eterno presente, além do alcance da morte.
Nosso segundo ponto refere-se à ética. Ao longo dos séculos, o pensador tagarela a respeito de absolutos inquestionavelmente nobres – Deus, consciência cósmica, inteligência universal ou amor – mas o domínio onde habita diariamente permanece destrutivo e caótico. Isso não nos deve surpreender. A qualidade tridimensional do pensamento bloqueia necessariamente a própria experiência da realidade vivenciada pelo pensador, e sobre a qual, durante séculos, ele fala usando palavras ocas. É a incomensurabilidade substantiva e lógica, e não a má vontade nem o esforço insuficiente, que responde por isso. O não-manifesto, como Bohm meticulosamente argumenta, é n-dimensional e atemporal, e não pode ser manipulado, seja como for, pelo pensamento tridimensional. A consciência, funcionando como pensamento (ao contrário do insight) não pode conhecer de imediato a verdade ou a compaixão, e nisso reside a raiz de seu malogro em incorporar essas energias à sua vida diária.Somente quando o indivíduo dissolve o ego tridimensional, que consiste em matéria grosseira, a base de nossa existência pode jorrar através de nós, sem obstrução. Para um físico teórico, o paralelo desse estado de coisas com a mecânica quântica é evidente. Bohm estende sua aplicabilidade à psicologia, incitando-nos à dissolução do pensador como a mais alta prioridade que pode ser empreendida por aquele que busca a verdade. Com essa concepção, ele oscila margeando a fronteira daquilo que é culturalmente aceitável, na interface entre a física e a religião. É um terreno estranho, uma vez que nossa cultura atual, carecendo de qualquer conceito concebível para explicá-lo, rejeita um tal vínculo como algo confuso, e até mesmo absurdo. Entretanto, por mais estranha e inédita que possa ser, essa integração é justificada pelo modelo de Bohm, segundo o qual o universo é um holomovimento. O desmantelamento do pensador produz energia que é qualitativamente carregada, não-neutra ou isenta de valor. É energia livre e fluente, caracterizada pela totalidade, pela n-dimensionalidade e pela força da compaixão. A física e a ética tornam-se também uma só nesse processo, porque a energia do todo [whole] está, de certa forma, intimamente relacionada com aquilo que chamamos de santidade [holiness]. Em resumo, a própria energia é amor.
À desintegração atômica aplicada à consciência Bohm e Krishnamurti dão o nome de “percepção (ou consciência) atenta” (awareness). Tal processo proporciona à consciência acesso direto àquela energia, e a conduz à certeza experimental, baseada na evidência, de que a suprema natureza do universo é uma energia de amor. Os místicos proclamaram isso a uma só voz. O que é surpreendente é o fato de um físico contemporâneo interessar-se por tal teoria e pelo seu método. Naturalmente, é verdade que, em muitos aspectos, os objetivos do místico coincidem com os do físico, isto é, o contacto com o que é fundamental. Mas há uma diferença crítica. A desintegração do átomo é um empreendimento dualista; o físico (sujeito) trabalha sobre um objeto que se supõe estar fora dele. A mudança do objeto não modifica fundamentalmente o sujeito. Por outro lado, a desestruturação do pensador envolve necessariamente o próprio operador ou experimentador, porque é ele o objeto-de-teste em questão, o agente transformador e, ao mesmo tempo, o paciente, que sofre a transformação. Daí a resistência, o caráter árduo e a grande raridade de tal evento.Embora raro, isso ocorre, e conforme se sugeriu acima, Bohm associa sua realização à ética. A desintegração de átomos psicológica despolui o que incontáveis aglomerados egóicos ilusórios (análogos a espasmos que reduzem o fluxo dentro do todo) poluíram com seu mal posicionado sentido de separatividade e suas prioridades mantidas pelo ego, resultando em sofrimento universal. O desintegrador de átomos psicológico coincide, desse modo, com o santo, que não mais contribui para o sofrimento coletivo da humanidade mas, em vez disso, torna-se um canal para a ilimitada energia da compaixão. A consciência torna-se um conduto alinhado com a energia do universo, irradiando-a para o mundo humano e das criaturas sem distorcê-la ou desviá-la para seus próprios objetivos autocentralizados.
Curiosamente, a despeito da convicção de Bohm de que é esse o estado de coisas verdadeiro e desejável, que o nosso conhecimento simplesmente ainda não alcançou, ele reluta em discuti-lo a não ser através de breves alusões. Sua ênfase está na metodologia do processo de autodescondicionamento, e não na terra prometida que se encontraria no fim desse processo. Sua justificativa para isso é simples. Em seu estado condicionado, a mente, seja como for, nada mais pode fazer exceto traduzir o que incondicionado para padrões condicionados e, desse modo, ela perde a essência daquilo que procura. Fiel ao credo da ciência, Bohm apóia-se em provas experimentais, e não verbais. A conseqüência desse posicionamento é estranha, e até mesmo bizarra. Coisa alguma pode rivalizá-lo no domínio do conhecimento, nem mesmo o ardiloso paradoxo da mecânica quântica. Em certo nível, ele parece estar em disparidade com nossa constituição psicológica, pois até mesmo aqueles em que há pleno acordo intelectual com essa concepção acham difícil enfrentá-la no nível existencial de suas vidas, como qualquer pessoa que tenha vivenciado os ensinamentos de Krishnamurti atestará. O que é esse paradoxo? Apenas isto: quanto mais falamos a respeito da “verdade”, ou mesmo pensamos sobre ela, para mais longe de nós mesmos a afastamos (a analogia com o Princípio da Indeterminação de Heisenberg é óbvia). É o eu, o pensador, o criador do pensamento a respeito do sagrado ou de Deus que, nesse próprio ato, introduz as impurezas (tempo, self, linguagem, dualismo) e, desse modo, anuvia aquilo que de outra maneira seria imaculado (o próprio Krishnamurti usou essa palavra nesse contexto, numa conversa que tivemos em Ojai, em 1976).
Dificilmente se poderia considerar esse reconhecimento como algo novo mas sua articulação só raras vezes foi formulada com eloqüência tão sincera como a que se encontra no tom e na linguagem de Krishnamurti ou expressa com a clareza de Bohm. Não precisamos, de fato, perambular até muito longe. Kant nos vem à mente. Já no final do século XVIII, ele insistia em nossa impossibilidade – fundamentada na lógica ou nas leis do pensamento e, desse modo, constituindo um obstáculo que não é possível superar – de ter acesso à experiência do que é fundamental. Kant deu a esse domínio o nome de coisa-em-si, isto é, aquilo que Krishnamurti e Bohm chamam de inteligência ou compaixão (Buda, o dharma, e Platão, “o bem”). Kant liquidou a metafísica demonstrando cuidadosamente, na Crítica da Razão Pura, que tudo o que é pensável e nomeável deve, necessariamente, conformar-se com a estrutura inerente da mente: espaço, tempo, qualidade, quantidade, casualidade, etc. As categorias kantianas são aquelas às quais Bohm se refere como sendo o domínio da tridimensionalidade, com a distinção de que este último é mais amplo, abrangendo a emoção, a vontade, a intenção e outras qualidades psicológicas, bem como cognitivas. Todas essas qualidades dizem respeito ao mundo da experiência sensível (a ordem manifesta ou explicada, na linguagem de Bohm), e respondem pela nossa aptidão para funcionar no domínio fenomênico. Nessa dimensão, não temos outra escolha a não ser filtrar aquilo que é através do aparelho de percepção universal descrito acima. Nossa capacidade para a tradução é útil quando adequadamente empregada (isto é, biologicamente, ou em certas atividades práticas da vida diária). Fazer isso, no entanto, custa-nos um alto preço, como Kant compreendera. Uma vez que o númeno, ou coisa-em-si, não é capaz de ser apanhado na nossa rede, permanece imperscrutável para nós. O conhecimento, tanto para Kant como para Bohm, é o processo de sintonizar a manifestação (o fenômeno) do não-manifesto, a fim de torná-lo acessível a criaturas estruturadas da maneira como somos. Esse filtro e a conseqüente distorção acham-se “embutidos” em nós e são universais. Por definição, a coisa-em-si nunca pode aparecer-nos como seria sem a nossa ação de “sintonizá-la” com nosso aparelho de recepção finito.Aqui os caminhos se separam. Krishnamurti, Bohm e toda a tradição mística concordam com a análise de Kant referente à experiência fenomênica. No entanto, eles avançam além de Kant, para proclamar a possibilidade de um estado de consciência que se encontra fora dessas barreiras. Para Kant, cujas concepções sobre o assunto foram aceitas como definitivas pela filosofia ocidental, nenhuma outra capacidade acha-se disponível em nós à qual possamos recorrer para alcançar o númeno. Bohm e os outros que mencionamos sustentam que essa capacidade existe no universo, e que, estritamente falando, ela não se encontra em nós. O desafio para o local individual de consciência está em fornecer a condição que permite à força universal fluir através dele sem obstáculo. O resultado não é o conhecimento, no sentido kantiano, mas compreensão e percepção atenta, um estado de percepção direta e não-dualista para o qual Kant não fez nenhuma provisão e não possuía nenhum vocabulário. Sua precondição é o estado de vazio, como Bohm insiste repetidas vezes, estado esse que acarreta uma suspensão das categorias kantianas e do espaço-tempo tridimensional. Tal vacuidade leva à cessação da consciência considerada como aquele que conhece e nos transforma num instrumento que, receptivamente, permite à inteligência numênica operar através de nós, irradiando sobre nossas vidas cotidianas. O mecanismo específico dessa operação é difícil de entender. Talvez nos tornemos semelhantes a “transformadores” elétricos capazes de reduzir a tensão da energia cósmica escalonada, por vias que nos permitam focalizá-la no nível microcósmico onde vivemos e agimos. Seja como for, o raro indivíduo que funciona como um canal desse tipo parece, àqueles que entram em contacto com ele, pertencer a uma nova espécie de homem. (Krishnamurti, para qualquer pessoa que o tenha conhecido, é, claramente, um exemplo típico.) Tal ser humano irradia claridade, inteligência, ordem e amor pela sua simples presença. Parece capaz de transmutar nosso caótico mundo impessoal num domínio ético pela sua própria atmosfera, que se acha inequivocamente carregada com energias para as quais não possuímos nomes nem conceitos.
Quando muito, podemos captar vagamente a presença e o poder dessa atmosfera em termos metafóricos e aproximados.
Perceber (não visualmente, é claro) as coisas como elas realmente são exige, usando o vocabulário de Bohm, a desativação dessas lentes, contornando-se o ego ou self que manipula o mundo através delas, e convertendo-se no canal vazio, aberto à totalidade que é a nossa fonte. Como já explicamos, nada nesse vazio pode ser caracterizado, pois a caracterização é a tradução de númeno em fenômeno, de não-manifesto em manifesto. Por isso, todas as linguagens falharão em apreender a essência do todo, até mesmo a mais pura delas, a matemática, como Platão reconhece na República. Apenas o silêncio é comensurável com sua natureza e apropriado ao seu universo de “discurso” (samadhi, a arrebatadora culminação extática da meditação iogue descrita por Patanjali, que significa literalmente “silêncio total” ou “quietude absoluta”).
Essas observações deviam lançar luz na firme postura de Bohm. A esperança de apreender o númeno através de olhos fenomênicos fundamenta-se num absurdo lógico, que Bohm chama de confusão e autofraude. O antiqüíssimo esforço filosófico para sintonizar a pureza de ser e percebê-la tal como seria em si mesma sem ser percebida por um conhecedor é, portanto, uma esperança vã. Aproximar-se da infinita inteligência cósmica, do amor ou insight de que fala Bohm requer que o conhecedor dê total passagem à pura consciência não-dualista. À luz dessa necessidade, as prioridades de Bohm tornam-se compreensíveis e parecem inevitáveis. A desintegração atômica restrita à matéria bruta – o campo do físico de partículas – é apenas um primeiro passo em nossa busca da realidade, e é o caminho presentemente seguido pela comunidade dos físicos. Mas Bohm vai muito além. A mutabilidade das formas (cf. Livro Tibetano dos Mortos) das partículas subatômicas (matéria bruta) não revelará os segredos do universo. Tudo o que ela pode nos oferecer é conhecimento, restrito, como vimos, ao domínio tridimensional.Mas Bohm tem em mente um tipo mais sutil de desintegração atômica: retardar e, finalmente, parar a própria dança daquele que responde pelas mudanças de forma (shape-shifter), isto é, a morte do pensador tridimensional e seu renascimento no domínio n-dimensional da consciência. Tal evento levaria ao estado dinâmico a que Bohm se refere, onde criação, dissolução e criação fluiriam através de nós simultaneamente, como quanta de energia que nascem e se vão em frações de microssegundo, brotando de maneira sempre renovada, sem serem detidas, agarradas ou maculadas. A conseqüência disso – caso a tarefa seja bem-sucedida – é um novo paradigma do universo, da consciência e da realidade humana. Não será mais questão de um conhecedor que observa o conhecido através do abismo de conhecimento que os separa. Esse modelo de consciência desapontou-nos ao longo dos séculos em que nos apegamos obstinadamente a ele.
Deve ser posto de lado, como Bohm argumenta com muita clareza. Sua substituição é o austero paradigma de um campo de existência unificado, um universo autoconsciente que se reconhece e um todo íntegro e interconexo. Conhecedor e conhecido são, portanto, falsidades: elaborações toscas baseadas na abstração. Não se justificam face à maneira como as coisas realmente são, isto é, face ao monismo que Bohm alega ser plenamente compatível com a mensagem da física moderna, baseado nas penetrações que, até agora, ela empreendeu pelo interior da natureza. Embora os dados sejam aceitos pelos físicos, sua interpretação desses dados permanece restrita a campos que se excluem como naturezas conscientes.É essa relutância e essa restrição que Bohm está desafiando. Ele quer explorar todas as conseqüências da teoria da mecânica quântica e está arriscando sua reputação em seu compromisso com o holomovimento. Sua visão é uma teoria de campo unificado com a qual a ciência nem sequer sonha, e na qual aquele que procura e aquilo que é procurado são apreendidos como um só, o holomovimento tornando-se transparente para si próprio. Tal campo unificado não é neutro nem destituído de valores, como requer a regra geral que impera na ciência contemporânea, mas uma energia inteligente e compassiva, manifestando-se num domínio ainda não-nascido, onde a física, a ética e a religião se fundem. Para a vida humana, a plena difusão da consciência de um tal domínio será revolucionária, e nos levará da informação à transformação e do conhecimento à sabedoria.
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Link abaixo do Livro " A totalidade e a ordem implicadas" - David Bohm
http://pt.scribd.com/doc/14688867/Bohm-David-A-totalidade-e-a-ordem-implicadas
terça-feira, 12 de junho de 2012
Sombra
O conceito de sombra em Jung é incompreensível sem entender o seu conceito de “persona” ou “ego ideal”. A origem do conceito jungiano de persona é a noção de prosopon, com a qual se designa no teatro grego a máscara que os actores usavam para encarnar uma personagem. A partir de Jung, o conceito de “persona” significa mais precisamente o eu social resultante dos esforços de adaptação realizados para observar as normas sociais, morais e educacionais do seu meio. A persona lança fora do seu campo de consciência todos os elementos - emoções, traços de carácter, talentos, atitudes - julgados inaceitáveis para as pessoas significativas do seu meio. Esse mecanismo produz no inconsciente uma contrapartida de si mesmo a que Jung chamou “sombra”.
Para conseguir a aprovação dos outros, rejeitamos o que nós acreditávamos não ser aceitável para eles que, por esta razão se converteu em rejeitável para nós próprios. Esse não aceitável tanto pode ser positivo como negativo .
Portanto a sombra está configurada por tudo aquilo que não encaixa com a imagem de nós próprios que queremos dar aos outros, não encaixa com as expectativas que acreditamos terem aqueles pessoas às quais queremos agradar, para conseguir a sua aprovação e carinho, ou então, não encaixam com os “princípios” que escolhemos para nós próprios.Em contraste com a sombra, que é o rosto que ocultamos, a “persona” ou a máscara, é o eu público, o semblante que mostramos ante o mundo. Aferramo-nos à máscara porque acreditamos que é o mais valioso que possuímos. “Quanto mais brilha a nossa máscara, mais escura é a nossa sombra”.
Quanto maior for a distância entre a imagem do que queremos ser e o que na verdade somos, mais nos invadirá a ansiedade, por temor a que outros calem o nosso ser.
A sombra produz-nos medo porque, se aparece, ameaça a nossa imagem aceitável. Tanto mais ameaçar-nos-á quanto mais tenhamos lutado por conseguir uma imagem ideal de nós próprios.
Para Jung, a sombra é um tesouro escondido no nosso campo, uma fonte potencial de riqueza que não está ao nosso alcance porque a mantemos enterrada. O que não queremos ser contém precisamente aquilo que nos faz ser completos.
Martínez Lozano diz que na realidade a sombra é “o meu outro eu”.
“É o pólo oposto à nossa personalidade consciente.”
Para nomear a sombra usa-se também a metáfora do “saco dos desperdícios”. Metáfora que introduziu Robertt Bly, que sustenta que de cada vez que se rejeita uma emoção, qualidade, um traço de carácter, um talento, etc, é como se essas partes de si próprio fossem atiradas para um saco de desperdícios. Durante os primeiros 30 anos, o indivíduo está ocupado em enchê-lo com elementos ricos do seu ser; com o tempo, o saco torna-se cada vez mais pesado e difícil de encher. Será necessário rebuscar dentro, durante o resto da vida, para recuperar e tentar desenvolver os aspectos da pessoa, que nós próprios escondemos nele.
Se não se forem recuperando essas partes de nós próprios, o conteúdo do saco acabará por esmagar-nos com o seu peso: a pessoa então encontrar-se-á sem forças, deprimida, sentirá um grande vazio interior, uma grande ansiedade, que às vezes acaba por gerar uma depressão.
Os elementos atirados para o “saco dos desperdícios” não estão inactivos mas sim “fermentando” e querendo sair. Isso consome uma grande quantidade de energia psíquica que fica aprisionada e provocará obsessões, angústias ou atormentar-nos-á projectando-se no exterior.
O fenómeno da sombra é muito complexo e a ela pertencem: o reprimido, o mecanismo específico de defesa que a protege, as reacções posteriores desencadeadas, tais como a tensão, o desgaste de energia, as projecções…A sombra pugna sempre por sair para o exterior.
Tudo isso acontece através de mecanismos inconscientes, por isso a sombra é tão difícil de detectar e cada vez nos afasta mais do nosso autêntico ser. Uns mecanismos feitos de medo e de desprezo ao próprio ser, fazendo-o crer não tolerável, e por isso queremos dar uma imagem diferente.
( A SABEDORIA DE INTEGRAR A SOMBRA - Emma Martínez Ocaña )
- Deixando claro, a sombra não é o "pecado" como a confunde pessoas em suas religiosidades como a "negação de Deus", mas sim é a negação do próprio Eu. É autoalienação e requer a reconciliação com o Eu.
-Um profundo erro apregoado por muitas chamadas "espiritualidades" e seus "espiritualistas" de um modo geral, é a impregnação de um dualismo no olhar a sí mesmo como egoismo e olhar ao outro como generosidade, quando em realidade oculta a manipulação dos outros para se sentirem bem ou como forma de se sentirem necessitados.
Excelente vídeo sobre o tema "sombra" :
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