segunda-feira, 6 de julho de 2009

Assim é a vida


Não há dúvidas que pela educação o ser humano pode ser transformado num autômato. A lavagem cerebral é uma realidade. Veja alguém que foi educado desde criança numa disciplina rígida, freqüentou internatos e depois continuou a vida como religioso, como militar ou outra atividade hierarquicamente estruturada e que tem a disciplina como base. Este homem é um robô , e, quase sempre, irá morrer como tal. Ele não chegou a perceber quem ele é. Para ele querer é poder, o homem é o que ele escolhe ser, e etc. Ele não chegou a despertar. A atenção e a observação mostra-nos facetas muito interessantes da vida.Observem as autoridades. Civis, militares, eclesiásticas...Elas não são elas mesmas. Elas colocaram uma máscara e se transformaram na própria máscara. Elas agem e falam como alguém que incorporou uma entidade. Elas representam, são atores. O Prefeito, o Governador, o Presidente, o Padre, o Bispo, o Papa. Eles não são eles mesmos. Eles aprenderam a incorporar o papel daquela autoridade. Eles esforçam-se ao máximo para representar bem a imagem da autoridade de que eles estão investidos. Nas autoridades nós percebemos isto com bastante clareza . Há entretanto um aspecto fundamental que é a consciência. Se a pessoa não tem consciência, se é apenas uma máquina de efeitos condicionados, ela não perceberá que está apenas representando. Mas não são só as autoridades que representam. Todos nós, enquanto egos, representamos o tempo todo.Steven Pinker, Diretor do Centro de Neurociência Cognitiva do MIT, em entrevista na revista Veja de 13/01/99, afirmou que "estudos mais recentes mostram, no entanto, que cerca de 50% das variações de personalidade tem causas genéticas. ... A surpresa está aí: Não mais do que 5% da personalidade de uma criança é determinada pelo tipo de educação que ela recebe. Assim as outras crianças, ou "pares", são em vários aspectos mais importantes na formação de um jovem do que os pais. A influência na linguagem é a mais evidente: as crianças utilizam o vocabulário de seus colegas e amigos, não o da mamãe". Estas afirmações não são novidades para os pais que acompanham com atenção o desenvolvimento da educação dos seus filhos. Isto é, pais que permitem que as potencialidades dos seus filhos se desenvolvam naturalmente e que procuram encontrar um equilíbrio entre disciplina e liberdade.A educação e a convivência social tem a função de manter um controle sobre os instintos e auxiliar no desenvolvimento das potencialidades individuais.A educação tem a função de desenvolver a personalidade com dedicação,trabalho e disciplina que impõe limites e mostra caminhos. O autocontrole que é desenvolvido dentro de uma estrutura social hierarquizada, a começar pela família, pela disciplina e pela educação é imprescindível para que a pessoa comece a tomar consciência da sua realidade. A disciplina e a educação são formadas por leis morais e normas de direito a que todo o grupo social se sujeita. Este é o controle que a sociedade mantém para o seu desenvolvimento como um todo e para o desenvolvimento individual. Cada um é julgado por leis que regulam as relações sociais e que, na sua essência,normatizam o grau de liberdade no universo social em que ele vive.As normas, muitas vezes, extrapolam a sua verdadeira finalidade para interferirem na liberdade de ser. Coíbem a manifestação das potencialidades inerentes à natureza individual; proíbem comportamentos que não agridem a convivência social mas são tão somente a negação de valores subjetivos, ou seja, convicções morais e religiosas; propõem reduzir indivíduos totalmente diferentes em sua natureza a um rebanho. Esta violência moral, este julgamento é totalmente condenável.Até a maioridade a responsabilidade de pais e mestres é relativa pois não podemos esquecer a força da herança genética e dos instintos sobre o ser humano. A partir da maioridade toda responsabilidade é individual .A tendência do ser humano é de culpar os outros. Responsabilizar os outros pelas sua infelicidade, pela sua incompetência, pelos seus atos.  Nós somos responsáveis por nós mesmos. E se conseguirmos ver nos nossos erros uma fonte de aprendizado, estaremos despertando. Este é o sentido da vida.Mas o que é liberdade? Viver instintivamente ou de acordo com a sua consciência moral é ser livre? Não, neste caso, o homem é escravo das paixões ou do ego. O que é "ser" livre? A vida vivida com atenção e consciência, aos poucos, nos dá todas as respostas. A fase do "ego" (fase no sentido de uma sucessão de acontecimentos interligados, não num sentido de início, meio e fim, mas num sentido de ampliação de consciência) caracteriza-se pela "vontade de poder"(Nietzsche), o "querer é poder" da sabedoria popular. Nesta fase que se caracteriza pela construção do nosso mundo material observamos que existe uma faixa de liberdade, ou seja, de opções extremamente variáveis que apresentam infinitas possibilidades. É o mundo do "ter", a liberdade de ter.Liberdade enganosa porque prende. As pessoas que ultrapassam o mundo do "ego" e entram no mundo do "espírito"(instinto, voz interior, etc.) percebem que este é o mundo do "ser". Aqui existe a liberdade de ser. É a liberdade de expressar-se sem máscaras, sem condicionamentos psicológicos e viver de acordo com a sua natureza, isto é,ser "ele-mesmo" com as qualidades, defeitos e limitações individuais, tendo consciência deles. Observamos, então, que na liberdade de ser não há escolhas, não há opções, pois a pessoa somente pode ser o que ela é. As máscaras e as escolhas pertencem ao mundo do "ego". O ego deve ser desenvolvido até o seu ponto máximo para que possa ser perdido. O mundo do ter antecede o mundo do ser. Dizem ser o ego passageiro, pois ele morre com o corpo. O ser, alguns dizem, é eterno. 
Assim é a vida.

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